Eu nunca tive dificuldade com o português. Tirando, as, vírgulas, que, sempre, usei demais e, levava, xingo da professora do colégio, sempre fui bem ok na área. Até mesmo no trabalho, era daquelas chatas com mini-ataques cardíacos ao ver certos erros dos outros, que corrigia coisas escritas erradas no prontuário. “A justiceira dos prontuários“, hahaha.

Olha, isso foi inclusive uma grande lição de humildade pra mim ao mudar de país – fui de quem corrigia erros para quem mais errava. Ouch! Tive que calçar as sandálias da humildade linguísticas! E tem mais – a casa do português caiu. Há muitos anos parei de ler livros literários em português. Achava isso uma boa idéia – pra “matar dois coelhos em uma cajadada só”. E achei que meu português ia super passar imune à vida em outra língua. Faz dois anos que o blog é o único lugar onde escrevo em português. Whatsapp não conta, né? Sei que dois anos “não são nada” mas acreditem, fez diferença. 🙁 Falo com meu pai no skype uma vez por dia, mas o resto do tempo todo não uso a língua. Tenho sentido infelizmente um leve impacto no meu português. Algumas dúvidas que nunca tive, alguns erros que nunca cometi. Anglicismos e alemanices contaminando o bom uso das palavras. Erros cabeludos – pretenCioso com “C” que o diga. Erros que me fazem dar um pulo de 3m quando por acaso os acho.
Mas também tento não pegar tão pesado comigo por aqui, afinal, é um blog. Algumas crases onde não deveriam estar e outros claros erros de digitação ou falta de espaço quando quis escrever “a fim de” são coisas que, se encontro, nem volto pra corrigir. Até porque, se o blog fosse pelo português impecável, eu não começaria esses tanto de frases com “Mas” como começo, mas acho bom pelo menos manter o nível razoável, né?
O que me incomoda de verdade são algumas dúvidas de combinações de palavras que me surgem quando estou simplesmente pensando, sozinha. E fico meio receosa pelo futuro mesmo. Semana passada queria usar a expressão “puxar a sardinha para o lado de“, mas não lembrava qual era o verbo que acompanhava a “sardinha“. Usei algo completamente nada a ver tipo “pegar sardinha”, bem louco, tive que googlar e daí a expressão voltou à minha cabeça. Olha, essa história da sardinha me deixou apavorada – diz meu marido que não tem nada a ver com o esquecimento de língua, mas sim com minha velhice! Ah bom! Sei que na próxima viagem ao Brasil voltarei cheia de livros literários de lá. Não quero ser dessas que dá desculpa esfarrapara do tipo “meu anjo foi alfabetizado em inglês“, rsrs!

Algum expatriado teve experiência semelhante?
Beijos desesperados!
o rei da sala













