11
junho
2018

Minhas alternativas aos cereais industrializados no café-da-manhã

Postado por Ana em Ana de Casa

Eu não sigo nenhuma dieta “com nome”, mas já tem um tempo que gosto de saber exatamente o que estou comendo. O meu último “Everest” a ser conquistado era o café-da-manhã. Há mais de uma década como antes de ir trabalhar um cereal com leite vegetal (atualmente uso leite de amêndoas). Não dá tempo para nada mais elaborado e preciso de algo rápido que me deixe saciada até o meio da manhã.O problema é que os cereais industrializados ou têm muito açucar ou são horríveis. E cheios daqueles xaropes de nomes impronunciáveis, hehehe Tentei mil opções dos ditos saudáveis, com pouco açúcar etc e no fim só conseguia comer adicionando mel e mesmo assim achando ruim. No Brasil gostava dos cereais da Mãe Terra, aqui já tentei os do MyMuesli mas são super caros e nem tão bons – e os que você mesmo escolhe os ingredientes (que me interessariam mais) eu não tenho como comprar porque é difícil receber. Foi aí que fui buscar alternativas e já estou há muitos meses fazendo assim, espero que gostem das dicas. 🙂

1) Granola caseira

É o que tenho comido na maior parte dos dias! Essa receita para mim dá para exatos 6 dias . Sei que dura até 2 semanas e o fator limitante será o óleo de coco (após um tempo pode ficar rançoso) … Eu pesquisei muito (como sempre hehehe) e acho que a base é sempre a mesma, ninguém pode se considerar o descobridor da América em se tratando de granola caseira. Peguei essa receita num site gringo que infelizmente e não sei mais linkar. Acho fácil de fazer e rápido, e é ótima para usar restos de sementes que temos em casa, restos de nuts ! Mas como já fiz umas trocentas vezes, acabo meio que seguindo um padrão. Claro que você pode comprar tudo orgânico e “do bom e do mió” etc, mas eu tento fazer de forma que o preço também fique ok! Apesar que coisas como gojiberry e núcleos de pistaches são mais carinhos que o resto. Enfim, economizo onde dá. Vale lembrar que essas nozes apesar de terem “gordura boa” são super calóricas, então convém não exagerar. A coisa mais importante é que as castanhas, sementes etc sejam sem acréscimo de sal e as eventuais frutas secas sem acréscimos de açúcar! Isso não é tão fácil, eu por enquanto só encontro Gojiberry sem açúcar, sou doida para experimentar com Cranberries por exemplo, mas só acho com açúcar. Também uso leite de amêndoas sem açúcar. Desta forma sei exatamente quanto açúcar que estou comendo, que será aquele do mel que usei.

Ingredientes (TUDO sem acréscimo de sal e açúcar, atenção ao comprar)

– 2 xícaras de flocos grossos de aveia (rolled oats/ kernige Haferflocken – aqui uso do Ja!)
– meia xícara de nozes (“nuts”) cortadas em pedaços (uso como base esse pacote do Aldi que tem castanha de caju, avelã, noz, amêndoa…. E adiciono algumas amêndoas)
– 1/3 de xícada de sementes – uso um mix com semente de abóbora e girassol e adiciono alguns núcleos de pistache
– 2 a 3 colheres de sopa de mel e/ou maplesyrup (xarope de ácer, ahornsirup). Eu já vi que preciso de 2 colheres de sopa de mel pra ficar do meu gosto. Já fiz com uma só colher de mel e achei que não ficou bom.
– 1/2 colher de chá de essência de baunilha
– Opcional: 1/2 xícara de chá de frutas secas em pedaços (coloco gojiberries inteiras mesmo, porque são pequenas)
pitadona de sal rosa
– 2 colheres de sopa de um óleo saudável. Uso óleo de coco.

“Nuts”: castanha, avelã, amêndoas picados grosseiramente

Sementes: abóbora, girassol, amendoim, pistache

Aveia em flocos grossos

Modo de preparo

Jogue tudo numa tigela grande e misture com a mão. Isso é importante para não ficarem gruminhos separados de óleo de coco. Depois é ótimo porque as mãos ficam super hidratadas, hahaha! Espalho tudo numa travessa grande forrada com papel manteiga. Levo à parte média do forno pré-aquecido a 130 graus (isso no ar circulante, umluft! Em forno normal será possivelmente a 150 graus). Aqui deixo exatos 10 minutos. Fique de olho na primeira vez e anote o tempo. Porque essas nozes amargam se ficarem tostadas! Se você colocar lascas de coco tem que ter mais atenção ainda e se bobear só colocá-lo no fim. Daí tira do forno e deixa esfriar. Mas quando está quase esfriando eu deixo tudo soltinho com o garfo ou com as mãos mesmo, para não ficarem bolotas, sabe? Já frio coloco em Mason Jars e levo à geladeira. Dizem que não precisa ficar na geladeira se for consumir em uma semana, mas não testei – e não me incomoda porque estranhamente quando tiro não a percebo gelada, sabe?

2) Overnight oats

tá meio feioso, mas enfim, vida real né amores – odeiooooo mundinho pinterest aliás

Overnight oat é basicamente uma “papa de aveia” que você deixa endurecer na geladeira durante a noite (mínimo: 4 horas). Coisa mais americanazinha isso, né? Lembro que li uma vez no twitter alguém comentando sobre isso, fiquei curiosa e fui atrás. Eu comecei então a substituir meus cereais de supermercado com isso, antes mesmo de fazer a granola. Apesar de achar gostoso eu não me vejo preparada para comer isso todo santo dia – após uns dias acho que fica enjoativo. Então faço só de vez em quando. Essa receita dá para três dias (pelo menos pra mim, não tenho muita fome de manhã cedo) – eles dizem que duram 5 dias, mas acho que lá no fim a consistência fica diferente.

Ingredientes

Ingredientes que costumo usar

– 1/3 xícara de chá de iogurte grego SEM AÇÚCAR (eu na verdade uso ou um cremoso sem lactose tipo o da foto OU iogurte vegano mesmo)
– 1/2 xícara de chá de aveia de flocos grossos (rolled oats/ kernige Haferflocken)
– 2/3 xícara de chá de leite da sua escolha NÃO ADOÇADO (uso sempre o leite de amêndoas sem açúcar)
– 1 colher de sopa de chia
– 1/2 colher de chá de extrato de baunilha
– pitada de sal
– de zero a duas colheres de mel ou maple syrup (xarope de ácer, ahornsirup) : eu uso duas colheres do xarope e nesse caso acho que fica doce o suficiente.
– frutas pra colocar em cima (opcional)

Modo de preparar

Facílimo: só colocar tudo numa tigela e misturar com o fuê. Daí enche os potes que quiser, tampa bem e leva pra ficar ao menos 4 horas na geladeira. Ele fica bem firme. Daí é só tirar da geladeira e adicionar as frutas antes de comer. Gosto de mirtilos, framboesas, romã, banana fatiada…

Coloco nesses tupperwares de vidro com a tampa e deixo na geladeira. Uma receita rende isso aí.

3) Se não planejei nada

Ainda assim não recorro aos cereais prontos. Banana perdendo eu SEMPRE tenho em casa. Só amasso uma banana, adiciono uma colher de aveia e pronto. Se tem uns chips de coco jogo em cima. Uma alternativa para quem gosta é fazer mingau de aveia e banana, tem muitas receitas na internet.

Bom, é isso. Eu fico SUPER orgulhosa que consegui me livrar dos sucrilhos-like da vida. =) Espero que as dicas ajudem alguém!

Beijinhos

13
maio
2018

Panzanella com aspargos, minha receita queridinha da estação

Postado por Ana em Ana de Casa

É novamente época de aspargos! E tal como fiz ano passado, vou dividir a minha receita queridinha desse ano! Já fizemos três vezes nesta estação e já sei que faremos novamente final de semana que vem (como acompanhamento de um pequeno churrasco pra amigos). Mas aqui comemos de prato principal mesmo – serve nós dois com abundância (repetindo cada um 2-3 vezes kkk) e ainda sobra um pouco para ser “side salad” do dia seguinte. É leve, fresca, perfeita para dias quentes. Eu sou completamente apaixonada por ela, tanto que voltei aqui das cinzas porque me sentiria egoísta de não dividi-la com o mundo. 🙂 A receita é da revista alemã Brigitte (é minha favorita para receitas, quando quero fazer algo, digito primeiro para ver se tem lá!). Panzanella é um prato típico da Itália central- muitas vezes os italianos o faziam/fazem para por exemplo aproveitar ingredientes que estão “pra perder”, inclusive pão velho. Fiz uma vez aqui uma panzanella num curso de culinária e amei – e daí que surgiu a idéia de procurar alguma com aspargos.

Ingredientes

– 500g de aspargos brancos frescos (500g antes de cortar, descascar, etc)
– 500g de aspargos verdes frescos
– 600g de tomates cherry de diferentes cores (uso vermelho, amarelo e um bonina)
– 1 ramo manjericão fresco picado grosseiramente (eu uso mais, quase um pacotinho do Rewe inteiro)
– 5 colheres de azeite de oliva
– 2 colheres de sopa de limão siciliano
– 1 cebola roxa pequena cortada em tirinhas finas (a Julienne)
– 2 colheres de aceto balsâmico
– cerca de 1 colher de chá de Agavendicksaft (Agave nectar) – faço com isso, é fácil de achar (fica tipo do lado do Ahornsirup no supermercado) mas com certeza dá pra usar mel ou Ahornsirup (maple syrup) no lugar.
– 150g de pão ciabatta
– sal e pimenta a gosto

Pequena observação sobre os ingredientes: o que acho que pode influenciar a receita negativamente é se você não tiver tomates docinhos e se os ingredientes não forem frescos. Mas de resto- já fiz a receita com aspargos caros e tomates caros e sinceramente achei a qualidade igual quando fiz com aspargos e tomatinhos do Aldi (rede baratex daqui). O Aldi vende aspargos aqui da minha região (Baden) e acho muito gostoso. E o baldinho de tomate cereja vermelha de lá também é bem docinho e gostoso e bem baratinho. Os amarelos ainda não achei lá. Não ficou mais de 13 euros a compra que fiz ontem (mas já tinha o xarope, azeite, balsâmico, sal…)

Modo de preparo

– Lave e descasque os aspargos brancos e corte a parte fibrosa do talo (costuma ser o 1/3 inferior)
– Lave os aspargos verdes e corte o 1/3 inferior
– Corte os aspargos em pedaços de 3-4 cm. Alguns aspargos brancos podem ser bem mais grossos que os verdes, se é esse o caso eu corto uma vez no sentido do comprimento para que todos os pedaços fiquem de tamanho/espessura parecidos e cozinhem igualmente.
– Corte o pão ciabatta em cubos de 2-3cm
– Em uma tigela, você mistura os aspargos, os pedaços de pão com 4 colheres de sopa de azeite e sal a gosto (uso duas pitadonas de sal rosa)
– Espalhe a mistura de aspargos e pão em uma forma grande com papel manteiga e leve em um forno pré-aquecido a 140 graus (se for Umluft, ar circulante – senão pode colocar a 160 graus) na divisória do meio por 15 minutos. Ficam levemente dourados os pães, mas não é para ficar torrada não! Assim os aspargos saem cozidos mas firmes.

Saindo do forno

– Após cortar as cebolas em tiras fininhas você a deixa descansando 2 minutos com duas pitadonas de sal
– Em uma outra tigela você coloca os tomatinhos cortados em 4 (sentido do comprimento). Daí você os mistura com mais uma colher de sopa de azeite, 2 colheres de sopa de balsâmico, o manjericão, 2 colheres de sopa do limão, mais umas duas pitadonas de sal, um pouquinho de pimenta do reino, 1 colher de chá do néctar de Agave e a cebola.

– Você tira os aspargos/pão do forno e deixa esfriar um pouquinho!
– Daí é só misturar tudo, ajustar o sal (eu não coloco mais) e colocar mais um pouquinho do néctar de Agave se quiser (coloco mais uma colher de chá).
– Deixa descansar 15 minutos pro pão absorver o líquido, incorporar, etc.

Após esses 15 minutos comer imediatamente – aí o pão estará no ponto ideal, se esperar muito vai ficar muito molego!

A receita fala que você pode servir com parmesão ralado. Mas mesmo sendo amante de queijos eu acho uma blasfêmia culinária você cobrir essa explosão de sabores e frescor com gosto de queijo!

Se sobrar salada, você come/tira pelo menos o pão todo, acho que não fica bom o pão molhando até o dia seguinte não. Mas o resto fica ótimo de saladinha de acompanhamento pro dia seguinte. Eu tiro da geladeira 30 min antes de servir porque não gosto de tomate gelado.

Essa com certeza é a minha receita #1 de 2018 e olha que ainda estamos em maio! Aqui a estação de aspargos vai até dia 24 de junho. Aproveitem e me digam se gostaram!

Beijos e DE NADA por essa pérola da culinária, hehehe!

13
outubro
2017

Habemus faxineira – como funciona, quanto custa

Postado por Ana em Alemanha, Ana de Casa

Faz pouco mais de 3 anos que me tornei “dona-de-casa“. Para mim, todo mundo que sai da casa dos pais é dona ou dono de casa, não tem jeito. De repente somos responsáveis (ou co-responsáveis) pela organização do lar, arrumação e muitas vezes limpeza. Eu cheguei a compartilhar várias dicas aqui (categoria Ana de Casa) de produtos favoritos, organização de rotina, etc. Na verdade eu sempre pensei na possibilidade de ter uma ajuda, mas algumas coisas me fizeram enrolar um bocado. O principal é que sou muito esquisita com a minha “própria casa”. Tenho ciúmes mesmo, sabe? Ficava imaginando alguém sozinha aqui, olhando/fuçando as minhas coisas. Quebrando minhas coisas, mudando tudo de lugar… Fora a questão da confiança e segurança, né? Tivemos um histórico horrível no Brasil. E se tem uma coisa que não suporto é estar em casa “relaxando” ou fazendo qualquer outra coisa enquanto alguém trabalha nela. Não queria que a pessoa ficasse sozinha nem acompanhada aqui, hahaha. Ou seja, era uma missão quase impossível.

A arrumação é uma coisa meio diária. Uma coisinha aqui, ali, caiu migalhas na mesa você limpa, sujou a pia você dá uma limpadinha. Mas uma vez por semana era a hora do faxinão. Eu tenho a sexta à tarde livre (para compensar as horas extras que sempre faço nos outros dias) e era justamente esse o horário do faxinão. O problema é que é também o horário para resolver outras coisas, por exemplo ir ao dentista, médicos. Fora a vontade de descansar após a semana intensa, né? E daí o que acontecia é que eu sempre queria entrar no final de semana já com a casa “pronta”. E daí mãos à obra eu ficava umas 3-4 horas limpando a casa. Se por acaso eu não conseguisse fazer isso sexta, daí acumulava pro sábado, ou pior, domingo, e isso me estressava de verdade. Ficava uma coisa incomodando no fundo e com a casa suja eu não poderia relaxar. Geralmente no final de semana eu dividia com meu marido, tipo ele limpava os banheiros e eu o resto e vice-versa. Mas a real é que já queria ficar livre na sexta. E por mais que seja bom alguém dividindo o trabalho, era um baita turn-off finalmente iniciar nosso final de semana, quando temos tempo para estar juntos, um no banheiro, outro no outro de luvas de borracha. Fora que eu andava meio brava. É óbvio que se passei minha sexta à tarde limpando, chega marido e abre um pão espalhando migalhas eu ficava fula da vida! hahahahaha Estava a um passo de me tornar dessas pessoas que mandam os outros comer em cima da pia para não sujar!

Mas daí chegou a hora que percebemos que precisávamos melhorar nossa qualidade de vida e ter mais tempo de qualidade, juntos ou não. Por causa da minha preocupação com segurança, resolvi fazer tudo por agência. Conhecíamos da época em que marido morou em Kiel a Agência Mary Poppins, que muitos colegas dele usavam. Aqui também tem essa agência e eu sinceramente não sei se vale a pena de verdade, mas foi assim que fizemos. Meu marido foi em uma reunião lá, disse o que precisávamos e eles encontraram alguém com nosso perfil. O problema é que demoraram umas 6-7 semanas, bem mais que o prometido. Daí eles acharam a moça e ela veio para cá e eu “a entrevistei”, aprovamos e ela começou na semana seguinte.

Diferença social em relação ao Brasil

A maioria das faxineiras aqui é estrangeira, mas a nossa por exemplo não é. No Brasil é comum a faxineira começar até mesmo como menor de idade e “seguir carreira” pro resto da vida nesta profissão, muitas vezes sem oportunidade de estudo. Aqui essa situação é incomum, a maioria são pessoas querendo ganhar dinheiro naquele momento, muitas vezes é uma atividade complementar. Nossa faxineira tem outra profissão e sei que com certeza não ficará muito tempo conosco. Ela fala 4 línguas e é muito pro-ativa e inteligente. Isso a gente percebe nas pequenas coisas. Ela veio para a entrevista muito bem vestida e de carro. O salário por aqui também oferece maior dignidade – é possível fazer faxina e criar seus filhos muito bem, por exemplo, com oportunidade de estudo, etc.

Quanto tempo ela precisa

Começamos testando 3 horas por semana, na sexta de manhã. Somos dois adultos em um apartamento pequeno de 70m2 e dois banheiros. Quando chego em casa, está tudo com aspecto limpo, mas a cada semana ela se concentra em detalhes diferentes. Com 3 horas não dá para esperar que a cada semana ela limpará dentro do microondas, por exemplo, mas ela o fará eventualmente. Por enquanto estou satisfeita com esse esquema. Ainda sobra um tempinho para ela levar os lixos para baixo (amem) e até mesmo os cascos de garrafa ela leva pros containers de vidro (a 50m daqui) e também entrega garrafas no supermercado e quando chegamos tem o ticket em cima da mesa (os famosos Pfand daqui).

Quanto custa

Não é impagável como muita gente pensa, mas também não é barato! Se os residentes da casa trabalham fora eles provavelmente conseguem pagar uma ajudinha semanal se essa for uma prioridade. No nosso caso específico, como fizemos com uma agência, funciona assim: nós pagamos a faxineira diretamente (ela deixa uma conta de 2 em 2 semanas) e aquele dinheiro é dela (mas ela paga impostos). Só que também pagamos uma taxa mensalmente à agência (uns 25 euros). Se quisermos um dia comprá-la fora da agência temos que pagar 400 euros. Aqui na Alemanha esse tipo de serviço é pago por hora. Não há ócio mas também a pessoa não trabalhará um minuto a mais de graça. O salário mínimo é 8,50 euros brutos a hora. Sabemos que nesse campo tem muita gente que trabalha e contrata sem pagar imposto ( “schwarz”). Nós não queríamos isso, queríamos pagar imposto e tudo certinho. Do contrário, além de ilegal, é meio que cuspir para a cima. Se acontecer qualquer coisa (roubo, acidente doméstico) você está completamente desamparado e pode esperar problemas. Conhecemos exemplos do nosso convívio de trabalhadores contratados “por fora” e que deu muita m*rda! A faxineira tem o preço dela que ela determina – o caso da nossa é 14 euros por hora. Lembrando que aqui no sul da Alemanha as coisas costumam custar mais do que no norte (por exemplo, em Berlim deve ser mais barato). Ou seja, juntando tudo gastamos uns 200 euros mensais (uns 750 reais) para ter alguém somente por 3 horas semanais. Claro que dá para ser menos, mas aceitamos esse preço e está bem assim. Não é uma guerra de quem paga menos. Ainda que doa no bolso, preferimos remunerar bem quem limpa nossas privadas e assim contribuir para o esquema de justiça social que impera neste país. 🙂 Muita gente só quer o bônus da segurança, etc, mas não quer fazer sua parte.

Como funciona

Não vimos outra forma senão confiá-la nossa chave. Ela chega sexta cedo, trabalha 3 horas e vai embora. Ela fez por conta própria uma Check-List com ítens da nossa casa e ela deixa para gente marcado o que ela fez no dia. Ela usa os produtos aqui em casa e temos um caderninho onde ela escreve o que está acabando, daí compro para a semana seguinte. Essa para mim é a parte mais difícil de acostumar, outra pessoa usando os seus produtos de limpeza e você meio perdendo a noção, hahaha

Repercussões na nossa vida

Parece besteira mas isso me tirou uma carga enorme. Chegar em casa na sexta e não ter nada para arrumar, nem lixo para tirar (e nem garrafa de vidro para levar no container) é impagável. Ando bem menos ansiosa e mais paciente … E eu gosto da sensação de que, ainda que a casa vire um caos durante a semana e eu pire e não queira mais limpar nada, é só esperar que ela estará limpa daí a pouco. Em um momento eu realmente tentei ser a mulher-maravilha, mas sinceramente, atualmente eu priorizo minha qualidade de vida. E eu sou uma pessoa que aproveita MUITO o tempo. Essas horas em que não estou limpando nem com a cabeça pensando em limpar eu faço outras atividades muito mais produtivas e gratificantes. Claro, como eu disse, na vida adulta o serviço de casa é eterno com ou sem ajuda. Mas eu realmente pretendo nunca mais ficar sem uma ajudinha sequer em casa, pelo menos não enquanto nós trabalharmos tanto.

No mais, eu acho interessante isso, o quanto uma coisa boba e que muitas pessoas nem dão valor (principalmente no Brasil) se tornou algo valioso para mim! Eu tenho apreciado enormemente, me deslumbrando por muito pouco. Tipo “meu DDEEEEEEEUSSSSSSS meu lixinho do escritório está vazio”. kkkkk E espero que essa sensação continue, que a #gratidão continue, tal como as criancinhas que têm enorme apreço pelo que é novo. E que isso nunca mais seja “taken for granted” por mim, seja o meu próprio trabalho doméstico ou o de outrem.


Beijos

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