13
outubro
2017

Habemus faxineira – como funciona, quanto custa

Postado por Ana em Alemanha, Ana de Casa

Faz pouco mais de 3 anos que me tornei “dona-de-casa“. Para mim, todo mundo que sai da casa dos pais é dona ou dono de casa, não tem jeito. De repente somos responsáveis (ou co-responsáveis) pela organização do lar, arrumação e muitas vezes limpeza. Eu cheguei a compartilhar várias dicas aqui (categoria Ana de Casa) de produtos favoritos, organização de rotina, etc. Na verdade eu sempre pensei na possibilidade de ter uma ajuda, mas algumas coisas me fizeram enrolar um bocado. O principal é que sou muito esquisita com a minha “própria casa”. Tenho ciúmes mesmo, sabe? Ficava imaginando alguém sozinha aqui, olhando/fuçando as minhas coisas. Quebrando minhas coisas, mudando tudo de lugar… Fora a questão da confiança e segurança, né? Tivemos um histórico horrível no Brasil. E se tem uma coisa que não suporto é estar em casa “relaxando” ou fazendo qualquer outra coisa enquanto alguém trabalha nela. Não queria que a pessoa ficasse sozinha nem acompanhada aqui, hahaha. Ou seja, era uma missão quase impossível.

A arrumação é uma coisa meio diária. Uma coisinha aqui, ali, caiu migalhas na mesa você limpa, sujou a pia você dá uma limpadinha. Mas uma vez por semana era a hora do faxinão. Eu tenho a sexta à tarde livre (para compensar as horas extras que sempre faço nos outros dias) e era justamente esse o horário do faxinão. O problema é que é também o horário para resolver outras coisas, por exemplo ir ao dentista, médicos. Fora a vontade de descansar após a semana intensa, né? E daí o que acontecia é que eu sempre queria entrar no final de semana já com a casa “pronta”. E daí mãos à obra eu ficava umas 3-4 horas limpando a casa. Se por acaso eu não conseguisse fazer isso sexta, daí acumulava pro sábado, ou pior, domingo, e isso me estressava de verdade. Ficava uma coisa incomodando no fundo e com a casa suja eu não poderia relaxar. Geralmente no final de semana eu dividia com meu marido, tipo ele limpava os banheiros e eu o resto e vice-versa. Mas a real é que já queria ficar livre na sexta. E por mais que seja bom alguém dividindo o trabalho, era um baita turn-off finalmente iniciar nosso final de semana, quando temos tempo para estar juntos, um no banheiro, outro no outro de luvas de borracha. Fora que eu andava meio brava. É óbvio que se passei minha sexta à tarde limpando, chega marido e abre um pão espalhando migalhas eu ficava fula da vida! hahahahaha Estava a um passo de me tornar dessas pessoas que mandam os outros comer em cima da pia para não sujar!

Mas daí chegou a hora que percebemos que precisávamos melhorar nossa qualidade de vida e ter mais tempo de qualidade, juntos ou não. Por causa da minha preocupação com segurança, resolvi fazer tudo por agência. Conhecíamos da época em que marido morou em Kiel a Agência Mary Poppins, que muitos colegas dele usavam. Aqui também tem essa agência e eu sinceramente não sei se vale a pena de verdade, mas foi assim que fizemos. Meu marido foi em uma reunião lá, disse o que precisávamos e eles encontraram alguém com nosso perfil. O problema é que demoraram umas 6-7 semanas, bem mais que o prometido. Daí eles acharam a moça e ela veio para cá e eu “a entrevistei”, aprovamos e ela começou na semana seguinte.

Diferença social em relação ao Brasil

A maioria das faxineiras aqui é estrangeira, mas a nossa por exemplo não é. No Brasil é comum a faxineira começar até mesmo como menor de idade e “seguir carreira” pro resto da vida nesta profissão, muitas vezes sem oportunidade de estudo. Aqui essa situação é incomum, a maioria são pessoas querendo ganhar dinheiro naquele momento, muitas vezes é uma atividade complementar. Nossa faxineira tem outra profissão e sei que com certeza não ficará muito tempo conosco. Ela fala 4 línguas e é muito pro-ativa e inteligente. Isso a gente percebe nas pequenas coisas. Ela veio para a entrevista muito bem vestida e de carro. O salário por aqui também oferece maior dignidade – é possível fazer faxina e criar seus filhos muito bem, por exemplo, com oportunidade de estudo, etc.

Quanto tempo ela precisa

Começamos testando 3 horas por semana, na sexta de manhã. Somos dois adultos em um apartamento pequeno de 70m2 e dois banheiros. Quando chego em casa, está tudo com aspecto limpo, mas a cada semana ela se concentra em detalhes diferentes. Com 3 horas não dá para esperar que a cada semana ela limpará dentro do microondas, por exemplo, mas ela o fará eventualmente. Por enquanto estou satisfeita com esse esquema. Ainda sobra um tempinho para ela levar os lixos para baixo (amem) e até mesmo os cascos de garrafa ela leva pros containers de vidro (a 50m daqui) e também entrega garrafas no supermercado e quando chegamos tem o ticket em cima da mesa (os famosos Pfand daqui).

Quanto custa

Não é impagável como muita gente pensa, mas também não é barato! Se os residentes da casa trabalham fora eles provavelmente conseguem pagar uma ajudinha semanal se essa for uma prioridade. No nosso caso específico, como fizemos com uma agência, funciona assim: nós pagamos a faxineira diretamente (ela deixa uma conta de 2 em 2 semanas) e aquele dinheiro é dela (mas ela paga impostos). Só que também pagamos uma taxa mensalmente à agência (uns 25 euros). Se quisermos um dia comprá-la fora da agência temos que pagar 400 euros. Aqui na Alemanha esse tipo de serviço é pago por hora. Não há ócio mas também a pessoa não trabalhará um minuto a mais de graça. O salário mínimo é 8,50 euros brutos a hora. Sabemos que nesse campo tem muita gente que trabalha e contrata sem pagar imposto ( “schwarz”). Nós não queríamos isso, queríamos pagar imposto e tudo certinho. Do contrário, além de ilegal, é meio que cuspir para a cima. Se acontecer qualquer coisa (roubo, acidente doméstico) você está completamente desamparado e pode esperar problemas. Conhecemos exemplos do nosso convívio de trabalhadores contratados “por fora” e que deu muita m*rda! A faxineira tem o preço dela que ela determina – o caso da nossa é 14 euros por hora. Lembrando que aqui no sul da Alemanha as coisas costumam custar mais do que no norte (por exemplo, em Berlim deve ser mais barato). Ou seja, juntando tudo gastamos uns 200 euros mensais (uns 750 reais) para ter alguém somente por 3 horas semanais. Claro que dá para ser menos, mas aceitamos esse preço e está bem assim. Não é uma guerra de quem paga menos. Ainda que doa no bolso, preferimos remunerar bem quem limpa nossas privadas e assim contribuir para o esquema de justiça social que impera neste país. 🙂 Muita gente só quer o bônus da segurança, etc, mas não quer fazer sua parte.

Como funciona

Não vimos outra forma senão confiá-la nossa chave. Ela chega sexta cedo, trabalha 3 horas e vai embora. Ela fez por conta própria uma Check-List com ítens da nossa casa e ela deixa para gente marcado o que ela fez no dia. Ela usa os produtos aqui em casa e temos um caderninho onde ela escreve o que está acabando, daí compro para a semana seguinte. Essa para mim é a parte mais difícil de acostumar, outra pessoa usando os seus produtos de limpeza e você meio perdendo a noção, hahaha

Repercussões na nossa vida

Parece besteira mas isso me tirou uma carga enorme. Chegar em casa na sexta e não ter nada para arrumar, nem lixo para tirar (e nem garrafa de vidro para levar no container) é impagável. Ando bem menos ansiosa e mais paciente … E eu gosto da sensação de que, ainda que a casa vire um caos durante a semana e eu pire e não queira mais limpar nada, é só esperar que ela estará limpa daí a pouco. Em um momento eu realmente tentei ser a mulher-maravilha, mas sinceramente, atualmente eu priorizo minha qualidade de vida. E eu sou uma pessoa que aproveita MUITO o tempo. Essas horas em que não estou limpando nem com a cabeça pensando em limpar eu faço outras atividades muito mais produtivas e gratificantes. Claro, como eu disse, na vida adulta o serviço de casa é eterno com ou sem ajuda. Mas eu realmente pretendo nunca mais ficar sem uma ajudinha sequer em casa, pelo menos não enquanto nós trabalharmos tanto.

No mais, eu acho interessante isso, o quanto uma coisa boba e que muitas pessoas nem dão valor (principalmente no Brasil) se tornou algo valioso para mim! Eu tenho apreciado enormemente, me deslumbrando por muito pouco. Tipo “meu DDEEEEEEEUSSSSSSS meu lixinho do escritório está vazio”. kkkkk E espero que essa sensação continue, que a #gratidão continue, tal como as criancinhas que têm enorme apreço pelo que é novo. E que isso nunca mais seja “taken for granted” por mim, seja o meu próprio trabalho doméstico ou o de outrem.


Beijos

12
agosto
2017

Duas receitas deliciosas com cogumelos Pfifferlinge

Postado por Ana em Alemanha, Ana de Casa

E pensar que há uns 10 anos eu detestava cogumelos! Atualmente prefiro fungos a carne, acreditam? Estou sempre fazendo receitas com os mais variados tipos. Por aqui existe um tipo de cogumelo chamado Pfifferling que só achamos para comprar fresco no alto do verão e assim permanece por alguns meses e depois somem. 🙁 Esses cogumelos são do gênero Cantharellus e no Brasil têm o nome de canário ou rapazinhos. Não sei se é porque eu praticamente não cozinhava no Brasil, mas nunca vi por lá. De qualquer forma, acho que os Shimeji são bons substitutos em terras tupiniquins. Mas aqui, como sou epocazeira de carteirinha, estou aproveitando os frescos do supermercado para fazer minhas receitinhas favoritas com eles. Duas delas já tinha feito ano passado e repeti nesse final de semana e aproveito para compartilhar com quem também quer aproveitar a época de Pfifferlinge! 🙂

Como limpar os Pfifferlinge:

Esses cogumelos devem ser lavados de forma diferente dos de Paris, por exemplo. A melhor forma é limpar individualmente com um pincel de cozinha, um a um, tirando a sujeira. Daí você os joga numa bacia d’água, escorre numa peneira e seca. Daí você corta a parte inferior dos cabinhos fora e eventuais partes amolecidas.

Sopa de creme de milho com Pfifferlinge

 

Essa receita eu modifiquei levemente da revista alemã Brigitte e pode ser bem difícil (para não dizer impossível) reproduzir com exatidão no Brasil, mas dá para substituir ingredientes. Sabe, vejo muitos brasileiros sofrendo com coisas que não se encontram aqui – choram pelo chuchu e mandioquinha derramados – mas eu pessoalmente acho que o contrário é absurdamente maior. Então sempre vejo o lado bom e fico feliz de poder usar ingredientes que não teria a oportunidade de usar por lá. Essa sopinha é a maior comfort food ever!

Ingredientes

– 1 batata grande (aqui use o tipo mehligkochend) – eu usei umas 6 pequenas Frühkartoffeln
– 1 lata grande de milho (285g sem água)
– 750 mL de caldo de legumes (mais concentrado que o normal) – pode ser caseiro ou industrializado. Aqui na Alemanha sempre uso aquele cremosinho da Knorr, o Knorr Bouillon Pur Gemüse – coloco dois potinhos nos 750mL de água quente e misturo.
– 1 colher de sopa de Meerrettich – raiz forte branca
– 50g de Schlagsahne – que é parecido com creme de leite fresco
– pimenta moída na hora e sal a gosto
– 100g de cogumelos Pfifferlinge
– duas cebolinhas dessas tipo chalota (Schalotte)
– 1 colher de sopa de manteiga
– um pouquinho de agrião-de-jardim (Gartenkresse) ou alguma outra erva para finalizar

Ingredientes no Brasil: eu substituiria o Pfifferling por Shimeji. O Meerettisch é típico do norte da Europa e eu substituiria por alguma mostarda fina picante e o Gartenkresse (agrião-de-jardim) por qualquer erva, como salsinha. E usaria creme de leite fresco em vez do Schlagsahne. Se não tiver chalote, usaria uma cebola normal pequena, mas deixaria ela reduzir mais tempo para não roubar o gosto.

Modo de preparo:

Prepare o molho de legumes. Eu dissolvo dois Bouilllons Pur da Knorr em 750 mL de água. Descasque as batatinhas (ou a batatona) e corte em pedaços menores. Escoa o milho na peneira e daí você adiciona milho e batata ao caldo de legumes ao fogo médio. Deixe cozinhar uns 10 minutos e teste se a batata está macia com um garfo. Daí pegue um mixer (uso o de mão mesmo, direto na panela) e com cuidado para não se queimar, faça da mistura um purê. Daí você passa essa mistura numa peneira, para ficar um creme liso mesmo. Eu particulamente gosto de coisa rústica, mas nesse receita concordo que essa etapa deixa tudo mais phyno! Adiciona o Meerrettich (raiz branca forte) e os 50g de Schlagsahne (parece com creme de leite fresco), ajusta o sal e a pimenta. É importante não deixar ferver mais depois de adicionar o Meerretich, pra não perder o seu clássico ardidinho! Em outra panela, você derrete uma colher de sopa de manteiga joga os Pfifferlinge com a cebola chalota picada em pedacinhos. Os cogumelos menores eu deixo inteiros mesmo, os grandões corto em pedaços menores. Uns 5 minutos depois, ajusta sal e pimenta. Você então monta o prato com a sopinha, joga um pouco dos cogumelos em cima e finaliza com as ervas.

Medalhão de filet de porco com molho de Pfifferlinge e Spätzle

 

Eu não sou fresca com carne – uso a moída e frango do Aldi, sabe? Mas em se tratando de medalhão de filet de porco, acho que os do açougue fazem TODA a diferença no sabor. Se a qualidade for mais ou menos, vale a pena fazer uma marinada como essa do Panelaterapia. Mas sendo a carne ótima, apenas sal e pimenta já deixam o gosto incrível! A receita do molho também é modificada da Revista Brigitte! Já notaram que amo as receitas deles, né? 🙂

Ingredientes

– Cerca de 500g de uma peça filet de porco (Aqui no açougue ou você pede Schweinelendchen)
– Cerca de 500g de Pfifferlinge ou outros cogumelos. Desta última vez eu estava com cogumelos de Paris que iam perder então misturei! Piquei uns 80% e deixei uns Pfifferlinge inteiros separados.
– Uma colher de sopa de pimenta verde (Grüner Pfeffer)
– Um shot de conhaque ou vinho branco
– Uma colher de sopa de molho inglês
– Muita salsinha picadinha (aqui uso 30g, um pacotinho do Rewe)
– 50 mL de Schlagsahne (tipo creme de leite fresco)
– Uns 400g de Spätzle ou outra massa para acompanhar

Exemplo de pimenta verde

Ingredientes no Brasil: Substituiria os Spätzle por uma massa qualquer, usaria uma mistura de cogumelos frescos quaisquer. Com cogumelos de Paris também fica um molho delicioso. E, mais uma vez, substituiria o Schlagsahne por creme de leite fresco.

Modo de Preparo:

O medalhão:

Você corta o filet de porco em medalhões de uns 2-3 cm de espessura ou como preferir. Muito se debate sobre colocar sal/pimenta antes ou depois, sendo que muitos experts falam para colocar sal só depois porque deixa a carne dura. Mas depois que li isso aqui me convenci do contrário e faço assim: o sal coloco antes, pois não vai deixar a carne dura desde que não passe de 15 minutos. Já a pimenta sim coloco depois de grelhado. Então resumindo: tempero generosamente com sal rosa, daí levo à frigideira quente com um pouco de azeite (ou qualquer óleo que preferir) e deixo uns 3 minutos de cada lado até dourar. Coloco em cada lado a pimenta moída na hora e envolvo cada pedaço em papel aluminio e levo ao forno não muito quente (uns 150 graus) e lá deixo uns 10 minutos, porque ao contrário de muitos europeus eu não gosto de carne vermelha dentro. 🙂

O molho

O grande super star desse molho é a pimenta verde, acho que deixa o sabor super sofisticado! São grãozinhos verdes que vêm numa marinadinha. Dei um Google e vi que tem no Brasil também, tipo essa. Na panela onde está o caldinho da carne, você pode colocar um pouquinho de manteiga e adicionar os cogumelos picadinhos. Junte uma colher de sopa de pimenta verde e deixe reduzir poucos minutos. Depois adicione os cogumelos inteiros que sobraram, deixe murcharem um pouco, dê um sustinho com conhaque! Daí adicione a salsinha picada e depois o Schlagsahne (“creme de leite”) com um pouquinho de molho inglês.

Sirvo com Spätzle, que é uma massa típica aqui do sul da Alemanha – que eu amo! Só seguir as instruções da embalagem!

Curiosidade: Pfifferlinge & Chernobyl – alguns cuidados a tomar

Uma outra observação é que esse tipo de cogumelo é dos que mais absorve coisas do solo. Daí é importante ver a procedência e forma de cultivo. Eu evito comprar, por exemplo, da Ucrânia e afins e até mesmo da Baviera por causa do acidente de Chernobyl. Foi há mais de 30 anos, mas ele ainda vai deixar o o solo contaminado com material radioativo por várias décadas. Por causa da chuva, os elementos radioativos se espalharam por uma área enorme, inclusive pela Alemanha. Em relação a esse acidente, nós que moramos por essas bandas temos que ter cuidado ainda com outros alimentos, como cenouras. Para vocês terem idéia, ano passado testaram a carne de javalis de uma cidade da Baviera e encontraram uma quantidade absurda de Becqueréis neles, afinal são bichos que se alimentam de coisas do solo. Nem sou eco-freak, mas eu acho isso longe de ser uma bobagem. Não acho que precisa evitar totalmente cogumelos dessas regiões, mas talvez se informar mais onde foram produzidos. Por exemplo, muitos são produzidos em estufas especiais, então não há problema.

Locais com solo contaminado por causa de Chernobyl

Beijos da fã de todos os tipos de cogumelos não-alucinógenos e não-venenosos!

30
julho
2017

Unidas contra a Drosophila

Postado por Ana em Ana de Casa

Não me esqueço do meu terror quando, récem-chegada aqui em 2014, comecei a ver minha casa invadida pelas mosquinhas de fruta! Eu era dona-de-casa newbie e não sabia nada de nada de casa! Para mim as mosquinhas só gostavam de banana, hahaha! Lembro que as mosquinhas começaram a aumentar demais, até que em um momento achei um balde escondido com um resto de água suja que o marido tinha usado para limpar o apt antes de eu chegar. Isso uns meses antes – daí imaginem a cena de horror. Após isso se seguiram outras situações de surpresa desagradável – como aquela garrafa de vinho com um restinho de vinho = verdadeiro CRIADOURO de mosquinhas. Naquele ano a batalha foi praticamente perdida. Foi tão chato que eu ia tomar uma tacinha de vinho e não tinha paz – aliás, uma coisa que sempre detestei nessas mosquinhas é que elas são ATREVIDAS. Tipo, elas vêm mesmo pra cima, kkkk!

Sabendo que o inverno aqui é o maior inimigo de insetos, resolvi aproveitar a oportunidade que o extermínio me concederia naquele ano e NUNCA mais deixar isso acontecer. Daí seguiu-se o modo ANA-CRISTINA-A-LOUCA e eu me informei muitíssimo e hoje me considero uma OTÔRIDADE no assunto. Quero muito então dividir as dicas para quem passa por esses apuros no verão – ou o ano todo – e, claro, estamos sempre à procura de novas dicas, então compartilhem sim! 🙂

Do que mosquinha gosta

Já dizia Sun Tzu: “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas.” 🙂 Quando sabemos do que a mosquinha gosta, fica mais fácil de nos livrar delas! Mosquinha AMA coisas cítricas tipo limão, ama vinagre e fermentados (vinho, espumante, cerveja), ama frutas como banana, laranja, pêssego … E, pela minha experiência amam borra de café (úmido, né….). E, claro, amam qualquer sujeira úmida para botar seus ovinhos! Sabendo disso, desenvolvi uma mentalidade mosquinha-oriented no verão: quando o café fica pronto jogo o filtro fora na hora, nunca deixo copo usado de vinho/espumante dando sopa, fecho BEM a máquina de lavar-louças e tomo MUITO cuidado com as garrafas. Aqui a gente joga os vidros num container longe de casa, então acaba acumulando. Eu passo água e sempre tampo a garrafa vazia, tipo com papel toalha. Ninguém entra e ninguém sai, hehe! Além disso, outros hábitos ajudam:

Não acumular lixo e deixá-los bem fechados

Cuidado com lixo orgânico, principalmente se tiver coisas como limão dentro. Tire da casa o mais rápido possível e sempre limpe o fundo da cesta antes de trocar! Lixo tem que ter tampa- deixe sempre bem tampadinho! Para limpar o lixo, vai qualquer produto de limpeza mesmo. Mas eu gosto da minha solução caseira de limpar lixeira:

Receita: em 250 mL de álcool (aqui = Spiritus) coloco 3 pauzinhos de canela e 9g de cravo (aqui tem em todo supermercado = Zimt + Nelken). Coloco em um pote fechado (Mason Jars ♥) e deixo curtir uns 5 dias, chacoalhando uma vez por dia. Daí passo na peneira e transfiro o álcool perfumado para um spray que fica do lado das lixeiras. Dura muitíssimo.

Cuidado com ralos entupidos e semi-entupidos

As mosquinhas amam um ralo meio-entupido. É ali que estão os ovos! Um ovo leva 12 dias para se transformar em uma mosca adulta e esta vive cerca de um mês. Se você vê que a água começa a descer lentamente – seja na cozinha, seja na banheira: desentupa! Existem produtos muito bons para isso – gosto muito do Drano da Mr. Muscle para desentupir e também uso o “Abfluss Fee” da DM na banheira para evitar entupir com cabelos!

Em casos problemáticos, cuide dos ralos.

Eu fiz isso todo dia do verão em 2015 – foi um dos verões mais implacáveis de todos os tempos, acima de 35 graus diariamente. Antes de dormir eu conferia os ralos – jogava um pouco de água sanitária diluída (Danklorix – eu diluo bem e deixo num sprazinho no banheiro) em cada ralo e também naquelas aberturas que ficam debaixo da torneira do banheiro (pra que servem, aliás?). Aqui também não tem ralo no chão do banheiro como em 99% da Alemanha, mas tem na banheira e na pia, claro. Após isso, fechava bem todos os que eram fecháveis (banheiro, banheira) – o da pia da cozinha tenho hábito de sprayar com Bref antes de dormir, após tirar resto de comida, claro… ele deixa uma espuminha em cima. Agora faço isso tipo 1x por semana, até porque já é suficiente, pois o ovo só vira uma adulta após mais de 10 dias! Eu diluo o Danklorix porque não sei até que ponto água sanitária é segura pros ralos. Quando me mudei usava Danklorix para limpar banheiro, mas com o tempo comecei a perceber que existem inúmeros produtos maravilhosos para limpar banheiro aqui muito mais seguros que o Danklorix. Tenho medo de água sanitária respingar nozóio, hehe!

Armadilha caseira

Aprendi isso com minha sogra. Essa não tenho precisado usar mais, mas em casos de emergência, só fazer assim: coloque num potinho uma parte de vinagre para 3 de suco de maçã, e um gotão de detergente de cozinha e por último duas partes de água. Mexa com uma colher para misturar. A armadilha fica melhor ainda se você colocar um papel afunilado que leva ao pote, por exemplo um filtro melita com buraco em baixo! Daí deixa num lugar problemático, por exemplo, do lado da cesta de frutas. Em uns 2-3 dias você precisa misturar de novo.

Armadilha pronta, “monitorador de mosquinhas”

Isso eu tenho atualmente aqui em casa: são armadilhas prontas que servem também para monitorar a população de mosquinhas na casa. Tem em vários lugares – antigamente comprava Aldi, mas atualmente estou com essa da foto do início do post aqui em casa: é da “Profissimo” da DM. É um potinho com uma mistura de vinagre ao redor do qual você coloca uma casinha adesiva. As mosquinhas ficam grudadas ali, quando encher você troca (costumam vir com mais de um adesivo).

Raquete elétrica

As mosquinhas são mega-lerdas. Então se passar uma feliz-da-vida na sua frente, não perca tempo: eletrocute-a!!!! Veja cada mosquinha como reprodutora em potencial, ARQUI-INIMIGA. hehehehhe Nessa época tem pra vender em supermercados, mas a minha é essa da foto e comprei aqui na Amazon.

Bom, essas são minhas melhores dicas! Caso você esteja perdendo a guerra, não desanime. Só imaginar a vozinha do João Gilberto cantando “Tornerà un altro inverno, cadranno mille pètali di rose, la neve coprirà tutte le cose e forse un pò di pace tornerà!“. Mas esse consolo é só para quem mora em clima temperado também! No Brasil a luta deverá continuar! 🙂

Beijos!

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