29
dezembro
2019

AC Retrô : os melhores e piores de 2019

Postado por Ana em Coisas da Ana

Eu mal posso acreditar que estou escrevendo a retrospectiva de 2019. Um ano que eu não vi chegar nem vi passar. Foi tão devagar e tão rápido ao mesmo tempo. Foi um paradoxo completo, às vezes ainda me sinto em maio, o mês mais longo da minha vida. Por outro lado, acho inconcebível sequer ter passado do primeiro semestre. Este ano eu estava bêbada e não foi por efeito de álcool. Entrei num universo paralelo, num filme do Tim Burton, no mundo maluco do Matrix. Foi horrível, foi maravilhoso, foi o pior e o melhor ao mesmo tempo. Enfim …. deu pra entender? hahahaha Isso foi pra mostrar que a vida ficou tão maluca que vou ter um pouco de dificuldade para categorizar as coisas como nos outros anos, pois foi tudo diferente.

Melhor viagem

Concarneau

*Suas definições de viagem foram atualizadas*. Ir ao Brasil sem ir ao salão de beleza, viagem de carro cantando 318397418461982361928312 músicas e histórias pra distrair a bebê. Enfim, tudo diferente né. Eu nem senti muita vontade de viajar esse ano, pois a partir do momento em que encontrei uma rotina que melhorou minha vida 500% eu meio que não quis sair dela. Então, o destino favorito, a Bretanha, ganhou quase que por W.O, hahaha. Mas vou ser específica e eleger a cidadezinha de Concarneau a minha favorita do ano.

Pior experiência cosmética

Eu não tive praticamente nada feito por terceiros pra definir uma pior experiência. Na verdade a pior experiência foi a falta de uma experiência cosmética bem básica – cortar os cabelos. Estou há 11 meses sem cortá-los e tem uns 4 meses que estou querendo e não consigo hahaha A melhor idéia que tive foi cortar os cabelos logo antes da minha filha nascer. Bom, mas isso vai ser resolvido ja já. Em 2020 voltam cabelos dignos E soltos, perfume, relógio e saltinho. 🙂 AMEM

Pior tendência fashion

Essa aí eu anotei no início do ano e não vi nada pior ao longo dele – delineado duplo. Lembro de vê-lo no seriado “Russian Doll“(ótimo, aliás) e um tempo depois disso, mas parece que não vingou por muito tempo.

Melhor compra fashion

o meu é verde com verde limão, mas peguei a foto do site deles, to sem tempo genteeee

Hummmmmm…. *pensa pensa pensa*. Se comprei roupa pra mim esse ano, eu nem lembro. Muito pelo contrário – doei sacos e sacos. Fui picada pelo bicho do DESTRALHE. Peguei pânico de tralha, ao ver minha casa antiga sendo tomada por tralhas de todos os tipos (a gente acha que bebê não ocupa espaço, né …) Mas a melhor peça de vestuário do ano foi um par de chinelos que ganhei da minha irmã. Eu, que nem achava que havia alternativa às Havaianas em casa (em meses quentes, senão é meia mesmo) me surpreendi com “chinelos massageadores” da marca I wanna sleep . Achei uma delícia. Gente, que coisa – e isso porque eu ganhei um lenço Hermés de Natal. Veja como as prioridades mudaram, kkkkkkk.

Melhor compra de beauté

Foi esse delineador aí da foto acima, o Tattoo Liner, da Maybelline. Eu era muito satisfeita com o Liner Express da mesma marca, que uso há anos. Só que comecei a ter dificuldade de achar – vira e mexe não achava na DM – e já estava entrando em pânico com medo de ele sair de linha, quando comprei esse novo, na cara e na coragem – e vi que parece que é o mesmo estilo de tinta (e ainda melhorada) e um aplicador super parecido (e melhorzinho ainda) – works for me!

Melhor meme

Pensei primeiro no “saudades do que a gente nem viveu ainda” do Neymar, mas como denúncia de estupro é coisa séria, o troféu vai pra versão de “Shallow” da Paula Fernandes. Juro que achei que era trollagem quando vi. Como assim, gente? Será que ninguém de bom senso viu a versão antes de aprovar? Parece mesmo que a letra foi feita pela Gretchen no meme acima, kkkkkk.

Melhor bafão de celeb

Se foi verdade, não sei – mas eu morri de rir do “surubão de Noronha“, apesar de nunca ter ouvido falar num tal de José Loreto que foi onde o bafão começou.

Melhor momento pessoal

Rainha Lívia, o amor da minha vida

Ao contrário do que vocês imaginam, não foi simplesmente o dia do nascimento da minha filha, mas sim um dia em que eu olhei pra ela e senti o amor dolorido de mãe pela primeira vez. E foram vários meses pra isso acontecer.

Pior momento pessoal

O dia mais quente do ano, 39 graus – saí de casa e fiquei com ela cochilando na floresta

Eu já tinha escrito o parágrafo todo, quando lembrei que obviamente o pior momento TERIA que ser o parto né? Os 10 minutos da complicação anestésica mais maluca da história, quando eu, sufocando, cheguei a pensar “Adeus, vida“. Só que, engraçado, não foi. Pois agora na minha cabeça, ficou uma coisa tão maluca que nem parece que foi real. Eu não falo sobre isso com olhos cheios de lágrimas nem nó na garganta. O assunto sequer me incomoda. Parece que foi um sonho, sei lá. Eu também tive as dificuldades esperadas no puerpério, mas uma força absurda para enfrentá-las que nem eu acredito – graças a Deus não tive depressão, nem problemas com amamentação, que são o que “costumam pegar” no início.

Então o pior momento “de verdade” pareceu um pouco com 2018 – foi quando juntou o calor com o apartamento totalmente não-adequado pro calor – e o zelador ainda destruiu o blackout me deixando com um quarto claro e quente até as 23h da noite, com uma bebê de semanas de vida. No verão tivemos que por caixas de papelão por fora de todas as janelas (porque não tinha persianas externas) e eu fiquei uns dias com a Lili tipo dentro de um “bunker” (porque a rua estava com o sol quente demais). Pra piorar, ela só dormia no canguru, com muito choro e suor – de 6 a 7h por dia. Tinha dia que eu ficava de calcinha e sutiã e o canguru. hahhahahaaha Passou, passou, life is good again.

Planos para 2020

Eu estou muito animada com 2020. Pois estamos começando o ano com as coisas todas encaixadas, em casinha nova com muito espaço e que com certeza será mais fresquinha no verão. Lívia agora tem um quartinho, como sempre sonhei! O sono dela já é quase ideal, rotina regradinha e está ficando cada vez mais divertido ser mãe dela. É tão bom ela já entender TANTAS coisas (por ora só português kkkk). É uma pessoinha, minha amiguinha! Era um tédio-trabalhoso quando ela tinha 1 mês de vida e eu prefiro muito mais agora e com certeza só vai melhorar. E a melhor coisa de 2020 vai ser matar as saudades do meu ofício – em meio período, que é o equilíbrio entre carreira e maternidade que sempre quis. Já tenho vários planos profissionais pra ir pondo em prática aos poucos. Mas o louco é que o que eu REALMENTE quero em 2020 é saúde e felicidade pra minha filha. Tanto, que eu mal penso no que eu quero pra mim. A gente fica meio monotemática quando tem filho, inevitável né?

Bom, como sempre, um feliz ano novo pra vocês e suas famílias!

Beijos

12
dezembro
2019

O sorriso dela, meu assunto

Postado por Ana em Coisas da Ana

Escrevi isso em 2014, nunca postei e encontrei mexendo nos meus arquivos. Agora, completando 9 anos de sua partida, me deu vontade de dividir. Tenho certeza que os amigos abrirão um sorriso no rosto por reconhecê-la ao longo do texto.
<3

Nascemos com uma diferença de quase 2 anos mas permanecemos com apenas um ano de diferença na escola, algo que ela, com todos seus brains and talents, nunca engoliu. Andávamos sempre juntas e nossa mãe nos colocava em roupas iguais só que de cores diferentes. Talvez por isso, mesmo com uma cabeça de diferença no tamanho e poucas semelhanças físicas além do nariz, muitos perguntavam se éramos gêmeas. Ela tinha os olhos da família da minha mãe e eu tenho os da família do meu pai. Eu sempre me perguntei como duas pessoas que cresceram tão grudadas e passaram tanto tempo juntas se tornaram seres tão diferentes. Ela extrovertida, eu introvertida, eu rancorosa para sempre e ela instantaneamente esquecia qualquer facada que levava nas costas. Ela, muito (muito) mais inteligente que eu. E eu adorava contar seus feitos para todo mundo. Foi a testemunha ocular da minha infância e vice-versa. Ela vivia a vida de uma forma apaixonada e intensa, tinha um espírito revolucionário e aventureiro. Ressentia muito o seu emprego tão formal quando tudo o que ela queria era sair por aí explorando o mundo. Sua catarse eram o curso de Letras à noite e o mestrado encaminhado em Barcelona. Era vegetariana e eu já sabia que era questão de tempo para virar vegana também. Ficava brava quando eu apontava para suas bolsas de couro cobrando coerência. “Totalmente diferente”, dizia. Ah, nossa eterna discussão! Seu gosto para filmes era tão diferente do meu! Tantas vezes tentou me convencer a assistir aqueles filmes suecos em preto e branco e eu negava, pois só queria assistir às superproduções felizes de Hollywood. Meu argumento, em uma de nossas últimas conversas foi: “a vida já é dura demais, quero ver coisas felizes“. Eu prossegui: “e mesmo as comédias românticas não são lá muito felizes, porque acabam no auge. Não há como fugir do final e ele é sempre triste.”. Sim, eu sempre esse docinho otimista rs! Eu não sabia que essa fala minha a faria pensar, pois fez sim. Pois alguns dias depois que ela partiu, tão de repente, eu encontrei o início de um livro autobiográfico, obviamente inacabado, que ela começou a escrever. E nele ela escreveu:

Estou tão feliz. Não me importa se Júpiter ri das promessas dos amantes ou se palavras o vento leva (como ele me disse tantas vezes diante das minhas declarações de amor exageradas). O homem que eu mais amei em toda a minha vida acabou de prometer que ficaria comigo para sempre, e isso era o suficiente para preencher a minha vida inteira. Para mim não existem mais as discussões e desentendimentos do passado, tampouco as que certamente virão no futuro. Todas as nossas incompatibilidades estão para sempre dissolvidas. Não existe a tristeza, a doença, a pobreza, a falta de paciência, o tédio, o stress, a intransigência…. A monogamia e o amor eterno me parecem não só conceitos naturais para nós, mas inerentes. Minha única tristeza é saber que jamais serei tão feliz como sou agora.

Para que pensar no depois agora? Ninguém vai ao cinema e realmente quer saber o que acontece depois que o casal protagonista finalmente fica junto. Simplesmente fica subentendido que, já que eles passaram por todas as provações possíveis e imagináveis até conseguirem ficar juntos, a partir do momento em que se rendem ao chamado irresistível do destino está tudo resolvido para sempre. Não nos importamos com o que acontecerá depois, pois já intuímos: será tudo perfeito mesmo nas imperfeições. E mesmo se não for, ninguém quer assistir a uma comédia romântica sobre o tédio matrimonial e preferimos nos enganar achando que assim não será, que com aquele casal do filme será diferente.

Que subam os créditos, acendam as luzes! Não estou interessada em saber o que vai nos acontecer depois dessa noite. Prefiro me enganar achando que tudo será sempre assim: embriagantemente feliz.
P.S: É isso que dá ver tantos filmes e novelas: a gente fica completamente despreparado para a vida real.

O livro se chamaria “Todas as cartas de amor são ridículas” e ela escreveu o prólogo e o fim, mas ficou faltando o meio, assim como sua própria história.

Desde aquele triste dia eu tenho me esforçado para pensar nela em tudo o que eu vir de bonito e feliz. Para mim, é uma forma de emprestar meus olhos a ela, que tão cedo parou de enxergar a vida. E, bem devagar, a dor, indignação e saudade vêm sido tomadas pelas doces lembranças e pela esperança de que algum dia contarei aos meus filhos sobre a tia incrível que eles não tiveram a honra de conhecer.

———-

Beijos

18
novembro
2019

O efeito Alp!

Postado por Ana em Coisas da Ana

Sabem aqueles dias em que a gente fica toda nostálgica, pensando no passado? Ou melhor: visualizando o passado com óculos cor-de-rosa? Porque é quase sempre assim né? A gente sonha com o futuro, recorda um passado maquiado e c*ga pra única coisa que é real, garantida e existente: o presente.

Acho que um dos exemplos mais gritantes da minha vida foi o caso do Livro Alp! Não sei se é da época de vocês, mas esse era um livro de português muito usado nas escolas nos anos 90. Ainda existe, aliás. Eu, apesar de gostar da língua portuguesa, simplesmente tinha pânico das aulas de português. Principalmente aquelas com o livro Alp. Não sei se era problema de didática das professoras, mas as páginas daquele livro me consumiam com um tédio mortal. Um tédio indescritível – eu odiava!

Daí passaram-se uns anos e eu tinha, sei lá, uns 20 anos. Estava eu lá em casa abarrotada de tarefas da faculdade e por algum motivo fui mexer no fundo de um armário e o encontrei: o Alp! E me deu uma saudade… eu folheei as páginas, reli os textos, cheirei as folhas (com poeira, né). Que saudades da escola, que saudades das aulas de português, que saudades do Alp!… e pera, saudades do Alp?!!!!!

Pois se vocês repararem bem, esse é um padrão que se repete a vida toda. Estamos constantemente desejando coisas/situações novas, as conseguindo e esquecendo daquele desejo propulsor.

Quando penso na minha vida: como quis entrar naquela faculdade, como quis entrar naquele hospital pra residência, como quis que meu SUPER improvável relacionamento a distância desse certo, como quis conseguir trabalhar aqui, como quis uma filha saudável. Houve mesmo um momento em que meu maior sonho era parar de fazer xixi na cama (fiz até os 6 anos, sofria muito com isso, até crista de galo eu comi pra parar hahaha). E mesmo tendo realizado isso tudo, há dias em que eu – como você – me surpreendo bastante insatisfeita. Nesses dias vêm as memórias da infância (sem lembrar das inúmeras imperfeições que ela teve), da faculdade (sem lembrar dos perrengues), da residência (sem lembrar dos plantões noturnos), da vida pré-bebê (sem lembrar das lágrimas de pânico de perder e do enorme desejo de ser mãe). E é isso.

Às vezes passamos por experiências difíceis e nos safamos de coisas que pensamos que nunca mais vamos reclamar de nada novamente. Juramos até! Só que as coisas não são A+B assim, somos humanos. Eu digo que se uma pessoa cega voltar a enxergar, ela vai ficar um dia pulando de alegria. Talvez uns dois muito, muito grata e sem reclamar de mais nada. Mas daí a uma semana, a visão já é corriqueira e ela vai voltar a xingar por besteiras como o pão que caiu com a manteiga virada pra baixo. E talvez vai reclamar se tiver que usar óculos.

Não adianta, esse é um exercício diário que devemos fazer até o nosso último dia por aqui: dar valor ao que temos de bom. Ainda que você não tenha tudo o que quis ter um dia, eu tenho certeza que você pode nomear umas 5 coisas/situações que você quis ter e hoje tem. Quem conseguir pode até brincar de Pollyanna com seu jogo do contente. A Pollyanna, pobre órfã, escolheu ficar feliz quando recebeu de doação por engano um par de muletas em vez da boneca que queria – simplesmente por não precisar usar muletas. Lindo, mas cobrar isso de pessoas reais?

As pessoas reais estão por aí cheirando “Alps” e acho que já está de bom tamanho tirarmos um minutinho do dia para pensar nessa realidade, respirar fundo, agradecer. Tentar desromantizar o passado, que nem era tão perfeito assim. E valorizar o caminho em vez do alvo no futuro que a gente nem sabe se vai chegar. Talvez pensar em 3 coisas de hoje das quais sentiremos saudades em algum momento, mesmo as mais básicas: juventude, saúde, cheirinho de bebê no colo. E isso funciona como dar a corda em uma caixinha de música. A bailarina dá as piruetas e para, dá piruetas e para… E assim vamos nos reenergizando em segundas-feiras nubladas (tanto dentro quanto fora).

Beijos e boa semana!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Página 1 de 2812345678910