02
abril
2019

Primavera

Postado por Ana em Coisas da Ana, Maternidade

A primavera chegou meio antes da hora por aqui. De princípio não achei bom, pois estava em um “mood” de inverno. Depois, vendo aqueles dias lindos, me animei. As cerejeiras aqui perto floresceram já em março – as mesmas que ano passado deram flores no meio de abril. Em vez de chorar pelo macacão peludinho derramado eu me alegrei por ver que era a melhor época para receber um bebê. A última semana de gravidez foi muito boa – meu marido já estava de folga e passeamos muito pela cidade (geralmente após um horário na médica).

Pois enfim minha filhinha chegou! Se chama Lívia e nasceu dia 24/03, bem no aniversário de sua avó materna – o que tornará este dia novamente um dia de festa! Meu trabalho de parto começou já na madrugada do dia 23 de março e eu fui para o hospital na madrugada do dia 24 de março. Por si só já teriam sido horas muito sofridas – em um momento comentei com o meu marido que até então aquilo estava parecendo uma tortura do BOPE . Mal sabia eu que a tortura nem tinha começado. Eu escrevi sim um texto de três páginas com todos os detalhes do meu parto – mas imprimi, dobrei e com ele finalizei meu diário da gravidez. O de papel. É muito longo, muito íntimo, muito profundo.

Como eu contei, acreditem – bem breve- e resumidamente – no instagram, meu parto foi a experiência mais difícil da minha vida. Não quero repetir nem contar detalhes aqui, porque realmente ficou pra trás. Mas para vocês terem idéia – eu quase (quase mesmo) morri. Houve uma complicação raríssima na anestesia.

Quem, como eu, é fã de Gilmore Girls lembra quando a Amy Sherman Palladino deixou a produção da série. Foi um saco porque ela dizia que pensava em terminar o seriado com “três palavras“. E desta forma ficamos sem saber quais eram essas palavras – que por sorte apareceram anos depois no remake da Netflix. Eu era meio assim com o nascimento da Lili – imaginava vários cenários diferentes, ela sendo trazida ao meu colo e eu dizendo as palavras “x”. Será que eu ia cantar, será que eu ia apenas chorar mais que ela, será que eu ficaria em silêncio, será que baixaria em mim uma poetisa? Essas palavras eram um incógnita para mim e eu era muito curiosa para saber quais palavras seriam “as escolhidas” – as trazidas pelo meu instinto e pela emoção do momento. Bom, isso nunca aconteceu, eu nem a vi nascer pois eu estava entubada em anestesia geral.

Num dos nossos primeiros momentos juntas no quarto, tivemos sim nosso primeiro papo cabeça – que foi também instintivo vindo das minhas vísceras – e ok, valeu também! Escrevi depois em seu livro de bebê para que não nos esqueçamos do que foi dito.

Mas ao contrário do que eu supus em um primeiro momento, esse trauma ficou pra trás. Claro que eu lembro – e lembrarei se por um dia eu precisar ficar de novo naquela posição para a peridural. Aliás, até fiquei uns dias depois para receber um blood patch e tratar a dor de cabeça horrível que me deu. Foi horrível, exigiu muita coragem, mas consegui. Não é como um trauma de um sequestro que pode acontecer de novo amanhã, então para mim isso virou um sonho ruim. Mas no geral, sei que tive sorte no azar. Foi uma experiência ruim (péssima) mas ainda assim foi apenas “o meio” – o que me trouxe uma filha mais perfeita do que eu poderia imaginar – e me deixou ainda mais grata por minha vida e por cada momento que passamos juntas. Eu não ligo se por acaso eu passe a não dormir direito (ela por enquanto praticamente só dorme). Não ligo pro trabalho que ela venha a me dar (por enquanto dá pouco). Eu estou em êxtase por poder cuidar dela. Em êxtase simplesmente por estar aqui. Ela me parece o bebê mais lindo e bonzinho do mundo e a amamentação (que eu tanto temia pelas histórias que ouvi) tem sido a melhor parte desse processo. Eu virei um clichê ambulante – nem lembro mais da vida antes dela.

Estamos nos conhecendo, mas estou amando ser mãe. Dizem que o puerpério é como a morte de uma mulher e nascimento de outra. É assim mesmo que me sinto – exceto que não vejo essa morte como uma coisa triste. Com ou sem filha, a Ana antiga teria morrido após aquela experiência de quase-morte. E eu tenho essa mania irremediável de só olhar para frente. E essas tantas flores ao meu redor só me trazem esperança que nosso futuro juntas será sereno e feliz.

Beijos da mais nova mamãe

23
março
2019

Diário da gravidez – terceiro trimestre

Postado por Ana em Maternidade

Semana 28 – Chegou 2019!

me vê um Shirley Temple, no capricho!

Terceiro trimestre, cá estamos nós. Não digo que o tempo voou (aliás, a gravidez alheia sempre voa né?) mas acho incrível que daqui a no máximo 12 semanas vou ter minha filhinha no colo. O preço? Os sintomas que vão se acumulando: azia, dor na perna e acho que nunca mais vou dormir direito. Acordo a noite toda pra mudar de posição e não tenho me sentido confortável. E olha que ainda falta, né? Comprei finalmente um vestido pra grávida (esse da foto, da H&M) – os normais servem mas todos vestem mal pra burro. Veste bem melhor, porque deixa um espaço a mais pras gordurinhas do lombo, hi hi hi! Resolvemos passar um Réveillon diferente esse ano. Só eu e meu marido, curtindo o nosso último Réveillon como casal sem filhos por muuuuuito tempo. Reservamos uma suíte num andar bem alto de um hotel de Frankfurt. Lá pudemos comer à vontade, ouvindo a bandinha tocar, com direito a open-bar também (no meu caso isso não significou muita coisa, he he) . À meia-noite subimos para o quarto para ver os fogos pela cidade. Para deixarmos tudo zero cansativo, nós fomos e voltamos de trem – até porque dia 2 já voltei ao trabalho. Com a nítida sensação de que estou carregando alguém na barriga, aliás. Agora a barriga não passa mais impune, independente do pullover usado, e tenho recebidos muitos bons votos (e perguntas, rs) dos pacientes. Terminamos a semana visitando o hospital que escolhi para ganhar meu nenê. Olha, eu nunca nem parei pra pensar em parto e tal, mas ver aquelas maquinhas e me imaginar ~paciente~ em algumas semanas me deu um frio na espinha. kkkkkk Eu nunca fui internada na minha vida, então estou começando a ficar com medinho….

Semana 29 – Decluttering

Enquanto o neném se diverte dando mil chutes na minha barriga, começamos o final de semana com um pouco de decluttering – em bom português: jogando tralha fora. Na verdade, estamos primeiro jogando coisas fora do nosso porão para descermos com coisas que não usamos muito e então ter mais espaço para o bebê. Mas vamos aos poucos, cada final de semana fazemos um pouco. Até porque aqui jogar coisa fora não é tão fácil assim. Para uma série de coisas como TV velha, armário velho, etc, temos que organizar um serviço especial (se chama Sperrmüll). Chegaram, por outro lado, várias comprinhas que fiz na Amazon. Ia encomendar tudo de uma vez só quando entrasse de licença, mas ao pensar nas caixas todas, achei melhor já ir pedindo aos poucos. Até porque marido já finalizou a parte dele da lista e eu tô mega atrasada com a minha parte. Terminei a semana na obstetra – fiz minha primeira cardiotocografia e agora os controles serão a cada 2 semanas. Durante o exame a baby ficou maluca, parecia que tava querendo tirar o cinto de cima dela, devia tá muito incomodada, hahaha! Ela está pesando (no fim da semana) 1650g, e já de cabeça pra baixo! Apesar de estar tudo bem, fiquei BEM decepcionada hoje, em relação ao meu exame de varicela. Vou contar mais no post sobre pré-natal na Alemanha, pra quem se interessar. Tá tudo bem, mas senti que corri riscos desnecessários por desatenção. Eu poderia nem ir trabalhar mais, mas tenho só uma semana e vou tomar os cuidados necessários (antes tarde do que nunca né…). Também tomei a vacina contra coqueluche, compramos nós na farmácia e aplicamos, porque aqui na Alemanha ainda não é parte do pré-natal (e não concordo).

Semana 30 – Última semana e despedidas

nhonn, olha o que você ganhou, filhinha!

Chegou a semana que teimava em não chegar, nem acredito. Ainda vou trabalhar na outra segunda, mas essa é foi a última semana completa de trabalho. Vou tirar férias e daí minha licença começa logo após, em fevereiro. Ainda bem, pois está muito puxado ficar dormindo mal demais (posição, dores) e ir trabalhar normalmente. Mal vejo a hora de dormir à tarde no sofá, descansar, comprar/arrumar coisas da bebê, finalmente né? Fora essa história da imunidade da varicela, zero vontade de me expor (mais ainda do que já me expus, né). Fiquei bem neurótica no trabalho, já cheguei avisando o que aconteceu, que qualquer coisa levemente suspeita, qualquer rash, pessoas febris, dores irradiantes – não ia ver. Mas ainda assim fiquei bem incomodada a semana toda. Na terça foi meio correria, pois após o trabalho fui pro primeiro horário do curso de preparação ao parto, que durará 6 semanas. Essa semana ganhei uns presentinhos no trabalho, algumas homenagens. Até abraço apertado com lágrimas de pacientes (alemães!) eu ganhei e confesso que fiquei bem emotiva. Afinal, só volto pro trabalho daqui a 15 meses, inacreditável né?

Semana 31 – Tudo novo

pode essa folga, Arnaldo?

Comecei a semana com meu último dia de trabalho e me deu um mix de emoções. Eu amo o que eu faço e vou sentir falta da ciência, dos pacientes, colegas e de todas as experiências gratificantes que a profissão me proporciona. Por outro lado, me dá um alívio enorme de poder descansar um pouco, finalmente organizar minhas coisas e preparar 100% para a chegada da bebê. Eu sei que tem muita gente no Brasil que trabalha até a bolsa estourar, mas eu achei o meu tipo de trabalho pouco compatível com a gravidez, sabe? Muito intenso e muito pouco ergonômico. Por isso, acho que por ora já deu. Vou ficar um bom tempo afastada, mas também acho que vai passar como um sopro, e logo estarei voltando à labuta após deixar minha bebê na creche. Meu pai me disse que vou morrer de tédio essas semanas – mas so far, so good. Ainda tenho tanta coisa pra fazer. E muitos livros acumulados, he he ! A semana foi, contudo, muito menos “pernas pro ar” do que imaginei. Eu deixei simplesmente tudo acumular pro final de janeiro. Impressionante também a quantidade de compromissos marcados nessa e na próxima semana. Mas enfim, deu pra pelo menos repor as esgotadíssimas energias. Marido viajou a trabalho por 3 dias, e o fiz prometer que é a última vez durante a gravidez. A partir desse ponto não gosto, fico meio com medo de acontecer algo e eu estar sozinha em casa, sabe? Terminamos a semana montando a cômoda pra colocar as roupinhas da baby. Ótimo, pois estou DOIDA pra começar a lavar e organizar as roupinhas semana que vem.

Semana 32 – Roupinhas, escolinha e foto

eu tentei escapar da foto de coração na barriga e gotas d’água sexy, mas não deu kkkk

Iniciando a semana oftalmologicamente feliz com o marco das 32 semanas. Agora que temos a cômoda para colocar as roupinhas da baby finalmente pude começar a lavar e passar as roupinhas. O tempo deve estar passando rápido mesmo, pois minha filha que nem nasceu já tem vaga na creche. Fui lá conhecer essa semana e fiz a pré-inscrição. Tivemos que fazer cedo assim porque pra gente tem que ser essa creche, que tem horários ótimos e quase nunca fecha. A maioria das outras particulares fecha no verão e em outras férias escolares (e acabam te obrigando a tirar férias aí também), e as públicas são impraticáveis pra nós, por causa dos horários de trabalho. Também tive meu “ensaio de gestante” – tinha ganho um “vale” e marquei essa semana. Eu gosto dessas fotos o mais simples o possível – mas a fotógrafa queria embarangar ao máximo. Então depois de ter as minhas fotos “simples”, deixei ela fazer o que queria – achei que valeria pelo menos uma risada aqui em casa. Imaginem vocês – teve foto com ventilador na minha cara e um lenço esvoaçante. HAHAHAHAHA mas essa é meu segredinho, não mostro pra ninguém não!

Semana 33 – Bebê, devolva meus pulmões

No meio dessa semana comemoramos o marco das 34 semanas ! Enquanto o bebê pode celebrar seus pulmões teoricamente mais maduros, eu não pude dizer o mesmo da minha respiração. À noitinha ela deu pra dar uma esticada no bumbum e eu fiquei bem dispnéica. Ou seja, mais um sintoma noturno. Nessa semana terminei de arrumar a mala de maternidade, deu um certo alívio ver tudo prontinho! Tive um horário também no hospital, uma mini-consulta com o chefe lá. Deu pra ver que ele é muito bom porque falou minha idade gestacional e a posição do bebê sem nem tocar na minha barriga e antes de olhar minha caderneta. Mas aquele tipão alemão mesmo, falando pra dentro e baixo, sério. Como diriam os alemães: bem bestimmt. Mas meu marido gostou dele. O resto todo do hospital bem amável – isso é importante, porque quem conduz parto normal aqui é todo mundo menos o médico (que só aparece nos finalmentes OU em caso de problema), hahahha. No fim da semana compramos um colchão novo (o outro estava muito velho e mole) e não é que minhas dores na perna e coluna à noite praticamente desapareceram? Se eu soubesse antes, afffff…

Semana 34 – É emoção que você quer, @?

A segunda já começou com emoção pra semana inteira. Fui pra consulta de rotina e lá a CTG acusou uma taquicardia. Tinha um barulho de construção por ali e eu estava bem ansiosa e vendo a frequência no aparelho fui ficando mais e mais. Logo após repetimos e não mudou muito. Minha médica pediu então que eu fosse ao hospital, pra afastar algumas possibilidades, tipo infecção desta que vos escreve (apesar de eu estar 100% sem sintomas). Fiquei muito preocupada, já pensando “meu deus, será que esse dia vai acabar com uma cesariana de emergência e minha bebê prematura na UTI?”. Fomos pro hospital, com malas no carro e tudo. Cheguei lá e fui direto pra um quarto calmo e confortável, repetiram a CTG e deu tudo ok. Fiz alguns exames, inclusive US e doppler e tudo normal, então fui para casa e agora só controle normal em 2 semanas. UFA. De coisa boa essa semana, destaque para nosso último Valentine’s Day “solo” – fiz jantar, com bolo caseiro (tão bom ter tempo pra isso!) – tudo regado a espumante “Hugo Light“. 🙂

Semana 35 – Ana-de-casa contra-ataca

Meu plano anual da academia acabou e estou meio “órfã”. Eu cancelei porque o mínimo são 12 meses mesmo e eu quero mudar de academia. Como está meio tarde pra começar na outra, vou ficar esses dias sem. Eu não tenho conseguido fazer mais que elíptico anyway, mas ele com certeza é bem mais confortável que caminhada, não tem impacto, sabe?. Tenho passeado, o que é ótimo nesse tempo – mas ao caminhar, cada passo é uma “cabeçada” na minha bexiga. Mas vou fazer o melhor que posso, e pelo menos passear o tanto que der. Aliás, que fevereiro é esse? Tá tipo primavera. Nem acho bom, aprendi que todas as estações aqui são importantes, e inclusive um “inverno caprichado” tem seu papel. Vi essa semana uma mosquinha-de-frutas passeando por minha casa (em FEVEREIROOOOO) e fiquei até triste! Essa semana ficamos sem faxineira – isso mesmo, após 3 meses ela saiu, pois mudou de país. Timing ótimo, né? Eu até cheguei a olhar na internet pra arrumar outra, mas me deu preguiça de ter uma pessoa aqui esses dias em que estou em casa. Chutei o balde e o que fiz foi investir em um aspirador de pó ótimo e sem fio (comprei o V8 Fluffy da Dyson). Por estar em casa, tenho conseguido manter a casa organizada e limpinha aos poucos. É bem diferente daquela situação de sempre de só conseguir limpar a casa (à essa altura zoneada) no fim da semana. Agora é muito tempo livre, Brasil – arrumo/limpo um pouquinho de cada vez e, sem nem sentir, a casa fica sempre nos trinques. Depois que o bebê nascer, vejo se realmente precisamos de alguém. De qualquer forma, cancelamos a agência (achamos simplesmente péssima) e acho que a próxima vou procurar num site tipo Betreut.de ou Helpling.de (caso alguém tenha uma sugestão, aliás…).

Semana 36 – A famosa reta final

Resolvi cortar meu cabelo para um corte de baixa manutenção e amei, fiz um long bob, meio no ombro. Eu estava dependendo de miracurl nas pontas de tão destruído que estava (e é um círculo vicioso né). Agora deixo meu cabelo secar, e ele fica em seu original lisinho e “ready to go“. Acho que vai ser bem útil nas próximas semanas eu ter zero trabalho com meu cabelo. E andava com saudade de tê-lo mais natural mesmo (inclusive ando com saudade da minha própria cor, mas tá quase). Segui arrumando coisinhas de casa, congelei as últimas comidas, e agora sinto que o bebê “pode vir“. No meio da semana completei 37 na verdade, que é o “termo teórico”. Maaas como 39 é o novo 37, espero que demore umas 2 semaninhas ainda pra vir. Houve um jantar para fechar o curso de preparação do parto e depois disso comentei que não quero mais compromissos sociais até o bebê nascer (exceto com a família). Pela primeira vez, talvez pelo calor fora de hora, comecei a sentir o “peso” nas pernas. Não estou inchada, mas com certeza algo mudou na circulação. Fiquei bem insegura quando quase desmaiei na Ikea essa semana. Fui rapidinho pegar umas coisas e quando já chegava ao caixa, me deu uma sensação ruim, um calorão. Foi coisa de pressão mesmo (que conheço bem de experiências passadas), então eu não me preocupei em relação à saúde em si. Se a coisa pega eu não caio como um saco de batatas, mas tenho que sentar (ou deitar) onde é que esteja – mas pensei “xi, se eu sentar do nada aqui no chão com essa barriga vai ser aquela confusão, vão chamar médico e tudo“. Mas achei uma cadeira normal pra sentar e esperei lá até sentir que conseguiria me levantar de novo. Foi por pouco e fiquei meio medrosa, não quero mais dirigir ou ficar muito longe de casa.

Semana 37 O que aconteceu mesmo?

Minha cabeça não deve estar boa, pois sentei para escrever como foi a última semana e não está me ocorrendo muita coisa. Sei que só conseguia fazer “uma coisa por dia“. Depois da tal coisa feita eu cansava muito e ficava cochilando no sofá. Organizei coisas de casa e no fim da semana preparei muitas coisas pra receber a família do marido. Em vez de viajarmos para lá, eles vieram todos para cá, para comemorarmos o aniversário da minha sogra e do meu marido. Fiquei meio com medo de o bebê resolver dar seu show, mas ela continuou quietinha aqui! Muita comilança e diversão e o bebê não vai dividir seu aniversário com mais ninguém da família. 🙂 O chato foi que meu cunhado que mora dos EUA voltou antes de conhecer a sua sobrinha. Espero que ele volte em breve (ele costuma vir até muito porque trabalha para empresa alemã). Avisei minha professora de piano que agora só volto quando a bebê nascer (meu plano é voltar com 4 semanas), pois até mesmo as aulas estavam desconfortáveis. Mas o timing foi ótimo, acabamos de terminar um volume – então quando voltar já volto com livro novo. Em casa eu continuo tocando todos os dias – até porque o bebê parece gostar das músicas (ou detestar, só sei que ela se mexe muito quando toco).

Semanha 38Bebê, estou finalmente pronta pra você!

estudar sem obrigação é das minhas coisas favoritas

Segunda-feira fui tomar café-da-manhã com a família, daí vim andando de volta pra casa e então *PUF* – a energia desapareceu. De uma vez – pareceu um reloginho! Decidi que não ia mais cozinhar nem fazer nada. Até porque sinceramente não tem mais nada pra fazer, eu já preparei tudo. O que fiz com meu tempo foi então ler bastante – colocando literatura acumulada em dia, e estudando coisas randômicas de oftalmo também, que delícia! Até voltei a dormir ok , mas a motilidade está sofrível e pela primeira vez, após completar o marco das 39 semanas, eu meio que me cansei de estar grávida. Assim, sempre preferi o status não-gravídico do que o status-gravídico, mas estava curtindo esse tempo babyfree sem pressa nenhuma. Muito pelo contrário, queria que ela chegasse no limite superior. Mas está chato subir as escadas daqui de casa. E quando descobri que se o bebê não chegar nos próximos 4 dias eu vou ter que ir na médica de 2 em 2 dias me deu um frio na espinha. Eu odeio ir ao médico that much – ou seja: bebê, pode vir, estou finalmente pronta pra você! Mas que estou sentindo que ela só sai com ordem de despejo, isso estou! Espero estar errada. A coisa boa é que comprei um celular novo, com muitos gigabytes – o meu antigo tinha só 16 gb e nem sobrava espaço para fotos – o que convenhamos, não é ideal para quem está para ter um nenê fofucho em casa.

Semana 39-40Primavera chegou, mas minha filha não

Há flores por todos os lados

Essa semana foi uma delícia – a energia, aliás, voltou. Os dias estavam todos tão, mas tão lindos que até estou perdoando o fato de ter comprado uns ítens de inverno para RN claramente à toa. Fui algumas vezes na médica, mas sempre com ótima companhia e depois emendando em passeios maravilhosos e me mimando com algumas delícias aqui e ali. Se havia alguma dúvida que caminhadas não necessariamente engatilham um trabalho de parto não-iniciado, sou a prova viva. Nem a lua cheia ajudou. Andei quilômetros e mais quilômetros! Completei as 40 semanas há 3 dias, então falta pouquíssimo para ela chegar – se não for bem, vai por mal. hahahaha Mas sério, estamos perto da “ordem de despejo”, então termino aqui o diário da gravidez porque de uma forma ou outra não chegarei grávida ao próximo sábado. Mal posso esperar pela próxima fase e pela maior alegria da minha vida! E obrigada a você que leu tudo até aqui torcendo por mim e por minha família ! Agradeço de coração.

16
março
2019

O ótimo é inimigo do bom

Postado por Ana em Coisas da Ana

Pode ser que a idéia central deste post ajude alguém a perder um pouco da ansiedade e “busca por perfeição” no dia-a-dia. O título do post é quase meu mantra há algum tempo e me ajuda demais. Eu resolvi escrever sobre isso por causa de algo que aconteceu agora há pouco. Eu tenho comido bastante fruta a gravidez toda.

Exceto pela viagem à Inglaterra em novembro (e seus pret-a-mangers da vida), acho que nesses meses todos eu nunca tinha comprado dessas frutas já cortadinhas, sabe? Prefiro mesmo comprar a fruta inteira, dura mais, mais barato, até mais higiênico (se eu lavar), etc.

Foto: reprodução pret-a-manger

Daí acordamos hoje e não tinha nada pro café-da-manhã e meu marido foi buscar coisas no supermercado/padaria. Nesse ponto eu tô muito sem energia, e 5 min em pé me deixam tontinha já. Eu disse “traz também uma daquelas embalagens de frutinhas cortadas pra mim“.

Daí ele volta e diz: você acredita que eu encontrei uma pessoa randômica no elevador, ela olhou e disse “nossa, mas frutas no plástico? Isso não é saudável!“. Ele respondeu “nossa, a Sra. está usando o elevador para descer dois andares? Isso não é saudável“. *Risos cordiais de ambas as partes*

Ele me contou a história e eu juro que eu daria TUDO para ver um inventário do que a pessoa comeu nas últimas 24 horas. Vocês realmente acham que ela comeu igual uma blogueira-fitness? Pode ter rolado uma cervejinha, um bolo cheio de farinha branca, etc. E aparentemente ela se mexe tão pouco que pega o elevador pra descer dois andares. Sedentarismo é das piores coisas que você pode fazer pela sua saúde. E está bem assim! Se em vez das frutas cortadas fosse um croissant de chocolate quentinho da padaria? Em que mundo doido frutas (ainda que pré-cortadas e no plástico) são piores que um croissant? Para não esquecer: eu sou a Ana-Doida, conheço e já li todos os “testes de qualidade” desse tipo de fruta, vantagens e desvantagens.

A questão é que: ninguém come perfeito 100% do tempo, ninguém faz tudo perfeito 100% do tempo, ninguém cria os filhos com perfeição, ninguém é uma esposa, filha, amiga perfeita. Alguns exemplos no dia-a-dia de pessoas “fissuradas” no ótimo:

1) “Nossa, mas essa receita leva farinha branca?” —-> depois vai lá e come uma pizza na rua
2) “Nossa, mas você congela sua comida, não vai perder nutrientes?” —-> vai lá e come qualquer coisa na rua, qualquer coisa que vem em pacote com 1829138 ingredientes na lista
3) “Nossa, mas frutas cortadas em plástico não são saudáveis” —> vai lá e compra um pacote de bisnaguinha seven boys
4) “Nossa, esse muffin leva açúcar? Não tem outra receita? ” —> vai lá e come uma barrinha de Lindt)
5) “Nossa, mas usar caldo de frango pronto? Isso é puro sal” — vai lá e come um miojo
6) “Meu alemão é muito ruim, prefiro me comunicar em inglês” —> não fala 1 palavra porque tem medo de errar e não aprende nunca

São essas as pessoas que, se fazem algo imperfeito às 08:00 da manhã, chutam o balde o resto do dia e vão reiniciar os esforços no próximo dia – ou na próxima segunda, ou no próximo ano – é uma cilada, Bino!

Já que concluímos que não há nada perfeito em nossa vida, pra que perder tempo dando pitaco não-pedido na vida dos outros, né? Se eu pudesse eu andava com esse vídeo na minha testa:

Bom, é isso – antes de “descartar” algo porque não é perfeito o suficiente, lembre-se que o otimo é inimigo do bom. Por às vezes não encontrarmos o ótimo, acabamos por descartar o bom e escolher o péssimo– e bom is good enough! 🙂

Beijos

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