16
junho
2019

Como controlei a acne após parar com a pílula

Postado por Ana em Saúde

Esse post ficou no forno um tempão – na verdade o escrevi antes da gravidez, então antes de postá-lo dei um update, claro. Eu estou colocando aqui minha experiência pessoal, de mulher com os hormônios tudo-doido, que foi desenganada “N VEZES” pela dermatologia e pela ginecologia.Ihhhhh, isso não tem jeito, só pílula mesmo” – – se eu ganhasse 1 puto para cada vez que ouvi isso! Na verdade eu resolvi parar com a pílula antes de decidir tentar engravidar, pelos motivos que cito a seguir. E pretendo não tomar nunca mais.

E o Roacutan?

Eu tomei uma mini mini mini dose de Roacutan por uns 3 meses (por conta própria mas orientada por um amigo dermato) em 2013 (acho) e recebo muita mensagem por causa daquele post até hoje. Notei diminuição da oleosidade na glabela, mas não fez milagres pra mim. De qualquer forma, ainda usava pílula na época, então era tudo meio enviesado. Pois as tentativas de parar com a pílula depois disso foram um desastre completo. Em 2015 por exemplo: voltei pedindo água de tão horrível que minha pele ficou. Hoje em dia eu não faria tratamento full dosis de Roacutan pelo lado oftalmológico da coisa. Mas cada um sabe onde o sapato aperta, então decida junto com seu dermato e gineco se é o melhor caso pra você. #AninhaPazEAmor E claro, Roacutan e planos de gravidez não combinam nem um pouco!

Minha longa história de amor e ódio com a pílula

Eu comecei a usar pílula (Diane!!! THE BOMB!) por indicação da minha ginecologista aos 17 anos, pois minha pele era ruim. Recebi o diagnóstico de ovário policístico baseado em um ciclo irregular (mas não muito), pele acnéica (na adolescência) e cistos no ultrassom. Hoje sabe-se que o diagnóstico é mais complexo que os critérios de Amsterdam que aprendi na faculdade. Ou seja, ainda não confirmei pra valer. Bom, eu nunca tive o rosto comido de acne, sequer era referência tipo “vire à direita após aquela menina de pele ruim“. Mas era uma pele bem borderline, sabe? As costas me incomodavam mais. Tudo quanto é creminho e ácido que você já ouviu falar eu tentei. O Diane funcionou bem, mas era uma bomba e me inchava muito. Depois troquei por ditas “pílulas mais leves”. Passei os últimos anos com YAZ. Minha gineco aqui na Alemanha não gostou muito quando disse que tomava YAZ (alguns novos estudos mostrando mais associação ainda com trombose), mas eu prometi que ia parar em breve. O problema: toda vez que eu tentava parar com pílula era um desastre e voltava correndo.

O que causa a minha acne?

O desbalanço hormonal, como citei no início, is a given. Maaaaaaas, como várias coisas no corpo, a acne é multifatorial. De forma que havia sempre uma característica cíclica no meu controle. Havia épocas de calmaria e épocas em que mesmo com a pílula minha pele ficava ó, uma boxxxta. Minha acne sempre foi absurdamente influenciada pelo estresse. E nem só ela, mas todo o resto! Lembram da minha queda de cabelo naquela época? Tudo estresse. Em 2014 quando juntou meu casamento e mudança de país minhas costas ficaram horríveis, mesmo com a mesma pílula de sempre. Mudança de país é só uma caixa que tem outras 1000 mudanças incluídas e por mais que eu me sentisse mentalmente de boas, meu corpo não engoliu essa calmaria não e manifestou problemas de várias formas possíveis! Tive várias zigziras além da acne. Muitas vezes o nosso corpo sabe e nossa mente não!

Tentando largar a pílula

Já há alguns anos me preocupava com os possíveis efeitos colaterais de pílula anticoncepcional. Apesar de não fumar e não ter história de trombose na família, como oftalmologista sempre fiquei bem insegura com o pequeno risco de ter uma oclusão de veia central da retina ou algo do estilo. Além disso tenho enxaquecas com aura – graças a Deus no máximo 1x por ano mas tenho – e isso por si só já torna a pílula uma péssima idéia! Imagina dar um olho por uma pele bonita? Sim, em caso de alguns desbalanços hormonais, a pílula vai te proteger de alguns problemas específicos de saúde que advém dessa exposição excessiva ao estrógeno sem o contrabalanço apropriado de progesterona. Mas quanto mais eu estudava mais comecei a entender que no meu caso esse custo-benefício seria bem negativo. Digo no meu caso porque, por favor, converse com seu ginecologista de confiança antes de tomar qualquer decisão. Mas vá sim com olhar crítico e não aceite de cara tudo, pergunte! Prescrever pílula é sempre mais fácil, demora 1 minutinho só.

Decidi parar e me vi somente limitada por uma questão puramente estética: a acne. Sei lá, mas um espinhão no meio da testa todo dia pode meio que nos fazer sentir insatisfeita com a aparência, insegura. Pelo menos me fazia. Tentei parar de novo em 2015 e foi um desastre completo. Lembro que voltei a tomar e ainda tive que aguardar meses para a situação se regularizar. Ps: independente de como seja sua pele, é fato conhecido que existe o efeito-rebote após parar com a pílula: a produção de sebo sempre sofre um flare up, então para muitas mulheres a questão é só aguentar firme esses 6 meses após parar com a pílula. Mas era justo nesse período que eu sempre desistia!

O grande basta: no more pílula

Pois em dezembro de 2017 dei um basta! Decidi que, após 15 anos, nunca mais iria tomar pílula. E senti uma tristezinha de arrependimento por todos os anos em que me expus a ela. Para mim a gota d’água foi quando, além dos outros riscos, vi que a pílula anticoncepcional poderia influenciar negativamente a resistência à insulina. A questão da insulina no caso de ovário policístico já é toda meio c*agada – e ainda vou piorar isso com pílula? Não tenho diabetes, minha curva na gravidez foi normal, mas tenho sensação que se eu não der o meu melhor, algo irá desandar para esse lado em alguns anos. Tenho fatores de risco e história familiar para isso. Então lá estava eu comendo melhor, fazendo exercícios regulares… mas tomando pílula? Tipo comer lange XXL no McDonalds e pedir maçã de sobremesa. Não, não, não …. precisava mudar isso. Fiquei também #chateada um dia que pensei que grande parte da minha juventude sofreu o apagão hormonal da pílula: eu nem conhecia meu corpo. O que a pílula faz é um “apagão”. Aquele sangramento não é menstruação, é só privação hormonal mesmo.

Tratar com alimentos

Quando eu era adolescente fazia limpeza de pele e a esteticista me disse uma vez que para minha pele melhorar eu tinha que parar de comer porcarias, tipo catchup. Lembro que cheguei em casa e tinha coxinha com catchup e pensei: NNNAAAAH, até parece. E voei na coxinha com catchup. Pois tenho visto e sentido alimentos (ou a falta de alguns alimentos) como potenciais curadores, melhoradores ou ferradores em potencial do nosso corpo. Saber eu já sabia há tempos, mas só introjetei recentemente. Se a gente não sente, não adianta. Se fosse puramente saber, nenhum médico fumava! Nenhum nutricionista seria obeso. Infelizmente, a gente tem que sentir para que o desejo de mudança seja maior que as dificuldades e tentações externas.

Eu passei muitos meses lendo muito para decidir como ia fazer. Até livro de faculdade de nutrição eu comprei e li (apesar que achei a parte da química fisiológica beeeeem fraquinha, se alguém tiver outra sugestão…). Mas se eu puder citar uma fonte, eu citaria o blog da Lara Briden, que foi de onde tirei muitas idéias e ia então pesquisar o que ia adotar ou não. Não sei se foi placebo, se foi porque estava 3 anos mais velha que da última vez que tentei, mas só sei que dessa vez funcionou. Lembrando novamente que o efeito rebote de retirada da pílula dura de 3-6 meses e nem sempre quer dizer que sua pele ficará assim para sempre. Os suplementos externos eu parei 5 meses depois, quando resolvi tentar engravidar (mas controlei a alimentação mais que nunca). Então, chega de lero-lero, o que fiz:

Eu comecei com as medidas abaixo 4 semanas antes de cortar a pílula, pois por causa do efeito rebote o ideal é iniciar as mudanças um tempo antes de parar

1) Evitei derivados do leite

Isso do leite é um fato gritante, mas que nem todo mundo conhece: derivados do leite pioram a acne. E não só do açúcar do leite (a lactose), mas ele como um todo. O leite é rico em precursores de diidrotestosterona, como 5α-pregnanediona and 5α-androstanediona.

Esse estudo de 2011 foi interessante que foi a própria Nestlé a patrocinadora do estudo. Eu hein. Mas se a Nestlé tá falando que leite causa acne… quem sou eu né?

Não tenho alergia à proteína do leite e sou somente tão intolerante à lactose quanto a maioria dos adultos. Mas resolvi reduzir muito os derivados. Não fiquei neurótica olhando rótulos nem nada disso. Mas eu tendia a sempre escolher a alternativa sem lactose se ela existisse. Já gosto muito de queijo de cabra, leite de amêndoas, então usava isso ao meu favor. Eu inclusive parei de tomar Whey Protein (a proteína hidrolizada do leite) porque é uma coisa com claro potencial de piorar a acne! Comprei proteínas veganas, mas eu infelizmente acho o gosto muito ruim e como não sou fit-blogger parei, haha . Recomendo o site godairyfree.org para muitas idéias de receita sem derivados do leite. Eu prefiria fazer uma receita mais calórica se for o caso (tipo com maionese) do que a mesma menos calórica mas com leite. É importante consultar seu nutricionista para não ter deficiência no seu aporte de cálcio nem vitamina D! Eu obviamente mudei isso e tomei muuuuita coisa de leite na gravidez, situação hormonal totalmente à parte (minha pele ficou ótima anyway) e dessa forma tinha uma boa ingestão de cálcio.

2) Evitei açúcar

Eu não sofria muito para cortar doces (antes da gravidez, hehe), pois era #TimeSalgado desde que nasci. Mas comia de vez em quando e ao parar com a pílula reduzi muito mesmo. Quando vi que estava com dificuldade de ovular para engravidar, estava comendo quase igual diabético. A diferença é que tenho horror a sobremesa com adoçante (acho ruim, me dá dor de barriga), então ficava era sem mesmo. Mas não cheguei a fazer nenhuma dieta “com nome” não. Só boas escolhas mesmo.

3) Reduzindo o índice glicêmico das refeições

Ingerir alimentos com alto índice glicêmico libera grandes quantidades de insulina e todas suas ruins consequências (inclusive para a pele). Não fui radical, mas procuro escolher o integral sempre que dá. Comer frutas (e suas fibras, “o antídoto” do açúcar) em vez de suco. Fazer associações: se vou comer banana e tem umas sementes de chia dando sopa, jogo uma colherzinha. Vejam esse vídeo (Palestra do Robert Lustig sobre a bioquímica da glicose etc), é longo mas vale a pena.

3) Tomei Zinco de manhã

Já era muito fã de zinco, influenciada pelo Sr. Seu Marido. Ele está pro Zinco assim como Linus Pauling estava para a vitamina C. kkkkk Coincidência ou não, desde que comecei a tomar zinco há cerca de 4 anos (tipo ao mínimo sinal que vou gripar) nunca fui tão saudável. Tomei regularmente 2 x 5mg de manhã. O zinco, além de tudo, é bacteriostático contra o Propionibacterium acnes e reduz a produção de TNF-alfa, que é uma proteína pró-inflamatória. O magnésio também seria indicado no meu caso por ter efeitos benéficos para a ovulação e eu comecei com ele uns meses depois, mas a pele já estava ok. Consulte médico antes de repor qualquer coisa! Lembrando que na gravidez só suplementei com coisa de grávida e parei de tomar todo o resto, ok?

4) Tomei vitamina D de manhã

Quanto mais aqui nessas bandas né? Mas sempre doso vitamina D de 6 em 6 meses para não ter risco de hipervitaminose. Além de várias consequências ruins da deficiência de vitamina D, alguns estudos a associam com aumento de acne. Mas já tomaria independentemente disso.

5) Tomei oleo de groselha negra – cassis (é simplesmente ômega 3 vegetal)

Comprava na Amazon (“blackcurrant oil” ou “schwarze Johanisbeer-öl” mas meio que deu uma sumida de lá). Alternativa mais barata é tomar ômega 3 de origem animal (peixe) mesmo. Pensando aqui, a fonte de ômega 3 não deve fazer diferença no resultado – é que eu acho o gosto residual ruim! Tomava uma cápsula à noite antes do jantar. Esses ácidos graxos inibem a produção de citocinas pró-inflamatórias e possuem inúmeros outros benefícios para a saúde. Acne = inflamação! Quem sofre, por exemplo, de terçol de repetição ou blefarite, pode também se beneficiar de uma dieta rica em ômega 3 (lê-se: salmão, linhaça, chia e afins) ou suplementos.

6) Brócolis (150g por dia) ou DIM 100mg/dia

Eu tenho a sensação que é o que mais ajudou. DIM (diindolilmetano) é um nutriente encontrado no brócolis, couve-de-bruxelas, etc que tem a função de inibir a enzima aromatase e bloquear receptores de androgênio. Seria como se controlasse os efeitos de um “excesso de estrogênio” (aquele que não é contrabalançado pela progesterona, como no caso do ovário policístico). Comecei 4 semanas antes de cortar a pílula, mas comecei só com brócolis. É a forma mais natural e segura . Mas comecei a ficar BEM enjoada (tipo 1kg por semana de brócolis, né amores) e antes que pegasse asco de um dos meus legumes favoritos, substituí por cápsulas de DIM – Apesar de dizerem que DIM é natural, acho que exige uma dose extra de cuidados. Não tomaria por mais de 6 meses seguidos! Não tomaria tentando engravidar. Uma cápsula NUNCA vai ser igual a um alimento. O certo é conversar com seu médico a respeito, mas já aviso que a chance dele saber o que é DIM é mínima – não ensinam isso na faculdade…

7) Exercício físico regular

Esse ponto é interessante – pois exercícios podem melhorar ou piorar a acne. É importante tomar banho logo após para tirar o suor e usar roupas apropriadas e limpas, senão também vai ter um efeito negativo na acne. Além disso, feito em nível profissional, pode causar um desbalanço hormonal devido a um baixíssimo percentual de gordura. E como disse acima – se tomar Whey Protein, isso também pode piorar a acne.

MAAAAS, além de melhorar a saúde como um todo, a micro (RETINAAAA) e macrocirculação (CORAÇÃAAAAO) , o exercício moderado combate o estresse, que é algo que piora muito a acne. Além disso, os músculos ajudam o corpo a lidar melhor com a insulina! Enfim, mil benefícios que todo mundo está careca de saber.

8) Beber mais líquidos: muuuuuita água, chás não adoçados, etc.

9) Cortar adoçante artificial: esse só consegui na época em que quis engravidar, quando li e entendi que eles atrapalham toda a sinalização hormonal e em grande quantidade podem até bloquear a ovulação. Adoçante no cafezinho é um veneno, gente. Cerca de 4 semanas após parar, acostumei e hoje em dia nem consigo tomar café com adoçante mais. Tente você também. Lembre: para criar (ou perder) um hábito você precisa de no máximo 3 meses de constância.

Como vocês podem ver, as medidas para a pele “em si” foram a minoria absoluta, que aliás já fazia das outras vezes e nunca funcionaram sozinhas. Por isso muitas vezes ouvimos que “não tem jeito, fia, só Roactuan“.

10) Meus produtos específicos pra minha pele: meus cuidados para a pele foram os mesmos de sempre que uma dermatologista me passou. Usei sabonete pra pele oleosa e meus produtos da skinceuticals. Mas não usei o Azelan nas costas porque elas já ficaram lisinhas após as outras medidas. Nem consegui acreditar. Na gravidez, como disse aqui, usei só o Azelan, sabonete e Serum 10 à noite.

11) Máscara de argila 2 vezes por mês

Só para dar aquela enxugada extra de vez em quando. Lembrando que minha pele é oleosa e meus cabelos também. Pode ser que não seja bom para todas. A que uso é essa de argila de Rhassoul.

Veredicto:

Bom é isso! Minha pele após a pílula, mesmo no período inicial ficou super bem controlada com essas medidas. Lembrando que a minha última tentativa sem fazer isso (em 2015) foi um desastre absoluto. Lembrando também que um efeito negativo para a pele é esperado até 6 meses após a retirada da pílula (rebote) e o ideal é aguentar firme nessa fase e não desistir. Mas no meu caso comecei tudo antes de parar e desta vez não notei o efeito rebote. Não diria que minha pele ficou tão lustrosa como em tempos áureos de pílula, mas ficou num nível que jamais imaginei ter sem ela! Mas vamos combinar o seguinte você faz assim: vai no dermato e no gineco e se sua saúde tiver de boas e você só tomar pílula pelo aspecto estético da acne e for desenganada, você pode tentar essas mudanças. Infelizmente muitos médicos ainda não vêem essa parte holística. Ou é remédio ou nada. Não julgo, pois falta tempo também. Inclusive, vou defender a classe agora: já viram quanto recebem por uma consulta de convênio? Você paga mais que isso para alguém fazer sua sobrancelha por 10 minutos. Então, se você não quer enfiar a mão no seu bolso e remunerá-lo bem, apesar de gastar isso no salão de beleza, não pode esperar que ele tire uma hora do seu tempo pra te explicar tudo minuciosamente. Ele tem contas pra pagar. Ninguém nessa história está 100% certo nem 100% errado, mas a responsabilidade é de todos! Informação custa tempo. TIME IS MONEY. Enfim, nós somos o que comemos. E ainda que essas medidas acima não funcionem para a sua acne, é inegável que se alimentar melhor e se exercitar ao menos vão melhorar bastante sua saúde como um todo! Não suplemente sem conversar com profissional antes. O post é apenas um resumo da minha experiência pessoal e dos meus estudos, sem grandes pretensões.

Beijos

02
abril
2019

Primavera

Postado por Ana em Coisas da Ana, Maternidade

A primavera chegou meio antes da hora por aqui. De princípio não achei bom, pois estava em um “mood” de inverno. Depois, vendo aqueles dias lindos, me animei. As cerejeiras aqui perto floresceram já em março – as mesmas que ano passado deram flores no meio de abril. Em vez de chorar pelo macacão peludinho derramado eu me alegrei por ver que era a melhor época para receber um bebê. A última semana de gravidez foi muito boa – meu marido já estava de folga e passeamos muito pela cidade (geralmente após um horário na médica).

Pois enfim minha filhinha chegou! Se chama Lívia e nasceu dia 24/03, bem no aniversário de sua avó materna – o que tornará este dia novamente um dia de festa! Meu trabalho de parto começou já na madrugada do dia 23 de março e eu fui para o hospital na madrugada do dia 24 de março. Por si só já teriam sido horas muito sofridas – em um momento comentei com o meu marido que até então aquilo estava parecendo uma tortura do BOPE . Mal sabia eu que a tortura nem tinha começado. Eu escrevi sim um texto de três páginas com todos os detalhes do meu parto – mas imprimi, dobrei e com ele finalizei meu diário da gravidez. O de papel. É muito longo, muito íntimo, muito profundo.

Como eu contei, acreditem – bem breve- e resumidamente – no instagram, meu parto foi a experiência mais difícil da minha vida. Não quero repetir nem contar detalhes aqui, porque realmente ficou pra trás. Mas para vocês terem idéia – eu quase (quase mesmo) morri. Houve uma complicação raríssima na anestesia.

Quem, como eu, é fã de Gilmore Girls lembra quando a Amy Sherman Palladino deixou a produção da série. Foi um saco porque ela dizia que pensava em terminar o seriado com “três palavras“. E desta forma ficamos sem saber quais eram essas palavras – que por sorte apareceram anos depois no remake da Netflix. Eu era meio assim com o nascimento da Lili – imaginava vários cenários diferentes, ela sendo trazida ao meu colo e eu dizendo as palavras “x”. Será que eu ia cantar, será que eu ia apenas chorar mais que ela, será que eu ficaria em silêncio, será que baixaria em mim uma poetisa? Essas palavras eram um incógnita para mim e eu era muito curiosa para saber quais palavras seriam “as escolhidas” – as trazidas pelo meu instinto e pela emoção do momento. Bom, isso nunca aconteceu, eu nem a vi nascer pois eu estava entubada em anestesia geral.

Num dos nossos primeiros momentos juntas no quarto, tivemos sim nosso primeiro papo cabeça – que foi também instintivo vindo das minhas vísceras – e ok, valeu também! Escrevi depois em seu livro de bebê para que não nos esqueçamos do que foi dito.

Mas ao contrário do que eu supus em um primeiro momento, esse trauma ficou pra trás. Claro que eu lembro – e lembrarei se por um dia eu precisar ficar de novo naquela posição para a peridural. Aliás, até fiquei uns dias depois para receber um blood patch e tratar a dor de cabeça horrível que me deu. Foi horrível, exigiu muita coragem, mas consegui. Não é como um trauma de um sequestro que pode acontecer de novo amanhã, então para mim isso virou um sonho ruim. Mas no geral, sei que tive sorte no azar. Foi uma experiência ruim (péssima) mas ainda assim foi apenas “o meio” – o que me trouxe uma filha mais perfeita do que eu poderia imaginar – e me deixou ainda mais grata por minha vida e por cada momento que passamos juntas. Eu não ligo se por acaso eu passe a não dormir direito (ela por enquanto praticamente só dorme). Não ligo pro trabalho que ela venha a me dar (por enquanto dá pouco). Eu estou em êxtase por poder cuidar dela. Em êxtase simplesmente por estar aqui. Ela me parece o bebê mais lindo e bonzinho do mundo e a amamentação (que eu tanto temia pelas histórias que ouvi) tem sido a melhor parte desse processo. Eu virei um clichê ambulante – nem lembro mais da vida antes dela.

Estamos nos conhecendo, mas estou amando ser mãe. Dizem que o puerpério é como a morte de uma mulher e nascimento de outra. É assim mesmo que me sinto – exceto que não vejo essa morte como uma coisa triste. Com ou sem filha, a Ana antiga teria morrido após aquela experiência de quase-morte. E eu tenho essa mania irremediável de só olhar para frente. E essas tantas flores ao meu redor só me trazem esperança que nosso futuro juntas será sereno e feliz.

Beijos da mais nova mamãe

23
março
2019

Diário da gravidez – terceiro trimestre

Postado por Ana em Maternidade

Semana 28 – Chegou 2019!

me vê um Shirley Temple, no capricho!

Terceiro trimestre, cá estamos nós. Não digo que o tempo voou (aliás, a gravidez alheia sempre voa né?) mas acho incrível que daqui a no máximo 12 semanas vou ter minha filhinha no colo. O preço? Os sintomas que vão se acumulando: azia, dor na perna e acho que nunca mais vou dormir direito. Acordo a noite toda pra mudar de posição e não tenho me sentido confortável. E olha que ainda falta, né? Comprei finalmente um vestido pra grávida (esse da foto, da H&M) – os normais servem mas todos vestem mal pra burro. Veste bem melhor, porque deixa um espaço a mais pras gordurinhas do lombo, hi hi hi! Resolvemos passar um Réveillon diferente esse ano. Só eu e meu marido, curtindo o nosso último Réveillon como casal sem filhos por muuuuuito tempo. Reservamos uma suíte num andar bem alto de um hotel de Frankfurt. Lá pudemos comer à vontade, ouvindo a bandinha tocar, com direito a open-bar também (no meu caso isso não significou muita coisa, he he) . À meia-noite subimos para o quarto para ver os fogos pela cidade. Para deixarmos tudo zero cansativo, nós fomos e voltamos de trem – até porque dia 2 já voltei ao trabalho. Com a nítida sensação de que estou carregando alguém na barriga, aliás. Agora a barriga não passa mais impune, independente do pullover usado, e tenho recebidos muitos bons votos (e perguntas, rs) dos pacientes. Terminamos a semana visitando o hospital que escolhi para ganhar meu nenê. Olha, eu nunca nem parei pra pensar em parto e tal, mas ver aquelas maquinhas e me imaginar ~paciente~ em algumas semanas me deu um frio na espinha. kkkkkk Eu nunca fui internada na minha vida, então estou começando a ficar com medinho….

Semana 29 – Decluttering

Enquanto o neném se diverte dando mil chutes na minha barriga, começamos o final de semana com um pouco de decluttering – em bom português: jogando tralha fora. Na verdade, estamos primeiro jogando coisas fora do nosso porão para descermos com coisas que não usamos muito e então ter mais espaço para o bebê. Mas vamos aos poucos, cada final de semana fazemos um pouco. Até porque aqui jogar coisa fora não é tão fácil assim. Para uma série de coisas como TV velha, armário velho, etc, temos que organizar um serviço especial (se chama Sperrmüll). Chegaram, por outro lado, várias comprinhas que fiz na Amazon. Ia encomendar tudo de uma vez só quando entrasse de licença, mas ao pensar nas caixas todas, achei melhor já ir pedindo aos poucos. Até porque marido já finalizou a parte dele da lista e eu tô mega atrasada com a minha parte. Terminei a semana na obstetra – fiz minha primeira cardiotocografia e agora os controles serão a cada 2 semanas. Durante o exame a baby ficou maluca, parecia que tava querendo tirar o cinto de cima dela, devia tá muito incomodada, hahaha! Ela está pesando (no fim da semana) 1650g, e já de cabeça pra baixo! Apesar de estar tudo bem, fiquei BEM decepcionada hoje, em relação ao meu exame de varicela. Vou contar mais no post sobre pré-natal na Alemanha, pra quem se interessar. Tá tudo bem, mas senti que corri riscos desnecessários por desatenção. Eu poderia nem ir trabalhar mais, mas tenho só uma semana e vou tomar os cuidados necessários (antes tarde do que nunca né…). Também tomei a vacina contra coqueluche, compramos nós na farmácia e aplicamos, porque aqui na Alemanha ainda não é parte do pré-natal (e não concordo).

Semana 30 – Última semana e despedidas

nhonn, olha o que você ganhou, filhinha!

Chegou a semana que teimava em não chegar, nem acredito. Ainda vou trabalhar na outra segunda, mas essa é foi a última semana completa de trabalho. Vou tirar férias e daí minha licença começa logo após, em fevereiro. Ainda bem, pois está muito puxado ficar dormindo mal demais (posição, dores) e ir trabalhar normalmente. Mal vejo a hora de dormir à tarde no sofá, descansar, comprar/arrumar coisas da bebê, finalmente né? Fora essa história da imunidade da varicela, zero vontade de me expor (mais ainda do que já me expus, né). Fiquei bem neurótica no trabalho, já cheguei avisando o que aconteceu, que qualquer coisa levemente suspeita, qualquer rash, pessoas febris, dores irradiantes – não ia ver. Mas ainda assim fiquei bem incomodada a semana toda. Na terça foi meio correria, pois após o trabalho fui pro primeiro horário do curso de preparação ao parto, que durará 6 semanas. Essa semana ganhei uns presentinhos no trabalho, algumas homenagens. Até abraço apertado com lágrimas de pacientes (alemães!) eu ganhei e confesso que fiquei bem emotiva. Afinal, só volto pro trabalho daqui a 15 meses, inacreditável né?

Semana 31 – Tudo novo

pode essa folga, Arnaldo?

Comecei a semana com meu último dia de trabalho e me deu um mix de emoções. Eu amo o que eu faço e vou sentir falta da ciência, dos pacientes, colegas e de todas as experiências gratificantes que a profissão me proporciona. Por outro lado, me dá um alívio enorme de poder descansar um pouco, finalmente organizar minhas coisas e preparar 100% para a chegada da bebê. Eu sei que tem muita gente no Brasil que trabalha até a bolsa estourar, mas eu achei o meu tipo de trabalho pouco compatível com a gravidez, sabe? Muito intenso e muito pouco ergonômico. Por isso, acho que por ora já deu. Vou ficar um bom tempo afastada, mas também acho que vai passar como um sopro, e logo estarei voltando à labuta após deixar minha bebê na creche. Meu pai me disse que vou morrer de tédio essas semanas – mas so far, so good. Ainda tenho tanta coisa pra fazer. E muitos livros acumulados, he he ! A semana foi, contudo, muito menos “pernas pro ar” do que imaginei. Eu deixei simplesmente tudo acumular pro final de janeiro. Impressionante também a quantidade de compromissos marcados nessa e na próxima semana. Mas enfim, deu pra pelo menos repor as esgotadíssimas energias. Marido viajou a trabalho por 3 dias, e o fiz prometer que é a última vez durante a gravidez. A partir desse ponto não gosto, fico meio com medo de acontecer algo e eu estar sozinha em casa, sabe? Terminamos a semana montando a cômoda pra colocar as roupinhas da baby. Ótimo, pois estou DOIDA pra começar a lavar e organizar as roupinhas semana que vem.

Semana 32 – Roupinhas, escolinha e foto

eu tentei escapar da foto de coração na barriga e gotas d’água sexy, mas não deu kkkk

Iniciando a semana oftalmologicamente feliz com o marco das 32 semanas. Agora que temos a cômoda para colocar as roupinhas da baby finalmente pude começar a lavar e passar as roupinhas. O tempo deve estar passando rápido mesmo, pois minha filha que nem nasceu já tem vaga na creche. Fui lá conhecer essa semana e fiz a pré-inscrição. Tivemos que fazer cedo assim porque pra gente tem que ser essa creche, que tem horários ótimos e quase nunca fecha. A maioria das outras particulares fecha no verão e em outras férias escolares (e acabam te obrigando a tirar férias aí também), e as públicas são impraticáveis pra nós, por causa dos horários de trabalho. Também tive meu “ensaio de gestante” – tinha ganho um “vale” e marquei essa semana. Eu gosto dessas fotos o mais simples o possível – mas a fotógrafa queria embarangar ao máximo. Então depois de ter as minhas fotos “simples”, deixei ela fazer o que queria – achei que valeria pelo menos uma risada aqui em casa. Imaginem vocês – teve foto com ventilador na minha cara e um lenço esvoaçante. HAHAHAHAHA mas essa é meu segredinho, não mostro pra ninguém não!

Semana 33 – Bebê, devolva meus pulmões

No meio dessa semana comemoramos o marco das 34 semanas ! Enquanto o bebê pode celebrar seus pulmões teoricamente mais maduros, eu não pude dizer o mesmo da minha respiração. À noitinha ela deu pra dar uma esticada no bumbum e eu fiquei bem dispnéica. Ou seja, mais um sintoma noturno. Nessa semana terminei de arrumar a mala de maternidade, deu um certo alívio ver tudo prontinho! Tive um horário também no hospital, uma mini-consulta com o chefe lá. Deu pra ver que ele é muito bom porque falou minha idade gestacional e a posição do bebê sem nem tocar na minha barriga e antes de olhar minha caderneta. Mas aquele tipão alemão mesmo, falando pra dentro e baixo, sério. Como diriam os alemães: bem bestimmt. Mas meu marido gostou dele. O resto todo do hospital bem amável – isso é importante, porque quem conduz parto normal aqui é todo mundo menos o médico (que só aparece nos finalmentes OU em caso de problema), hahahha. No fim da semana compramos um colchão novo (o outro estava muito velho e mole) e não é que minhas dores na perna e coluna à noite praticamente desapareceram? Se eu soubesse antes, afffff…

Semana 34 – É emoção que você quer, @?

A segunda já começou com emoção pra semana inteira. Fui pra consulta de rotina e lá a CTG acusou uma taquicardia. Tinha um barulho de construção por ali e eu estava bem ansiosa e vendo a frequência no aparelho fui ficando mais e mais. Logo após repetimos e não mudou muito. Minha médica pediu então que eu fosse ao hospital, pra afastar algumas possibilidades, tipo infecção desta que vos escreve (apesar de eu estar 100% sem sintomas). Fiquei muito preocupada, já pensando “meu deus, será que esse dia vai acabar com uma cesariana de emergência e minha bebê prematura na UTI?”. Fomos pro hospital, com malas no carro e tudo. Cheguei lá e fui direto pra um quarto calmo e confortável, repetiram a CTG e deu tudo ok. Fiz alguns exames, inclusive US e doppler e tudo normal, então fui para casa e agora só controle normal em 2 semanas. UFA. De coisa boa essa semana, destaque para nosso último Valentine’s Day “solo” – fiz jantar, com bolo caseiro (tão bom ter tempo pra isso!) – tudo regado a espumante “Hugo Light“. 🙂

Semana 35 – Ana-de-casa contra-ataca

Meu plano anual da academia acabou e estou meio “órfã”. Eu cancelei porque o mínimo são 12 meses mesmo e eu quero mudar de academia. Como está meio tarde pra começar na outra, vou ficar esses dias sem. Eu não tenho conseguido fazer mais que elíptico anyway, mas ele com certeza é bem mais confortável que caminhada, não tem impacto, sabe?. Tenho passeado, o que é ótimo nesse tempo – mas ao caminhar, cada passo é uma “cabeçada” na minha bexiga. Mas vou fazer o melhor que posso, e pelo menos passear o tanto que der. Aliás, que fevereiro é esse? Tá tipo primavera. Nem acho bom, aprendi que todas as estações aqui são importantes, e inclusive um “inverno caprichado” tem seu papel. Vi essa semana uma mosquinha-de-frutas passeando por minha casa (em FEVEREIROOOOO) e fiquei até triste! Essa semana ficamos sem faxineira – isso mesmo, após 3 meses ela saiu, pois mudou de país. Timing ótimo, né? Eu até cheguei a olhar na internet pra arrumar outra, mas me deu preguiça de ter uma pessoa aqui esses dias em que estou em casa. Chutei o balde e o que fiz foi investir em um aspirador de pó ótimo e sem fio (comprei o V8 Fluffy da Dyson). Por estar em casa, tenho conseguido manter a casa organizada e limpinha aos poucos. É bem diferente daquela situação de sempre de só conseguir limpar a casa (à essa altura zoneada) no fim da semana. Agora é muito tempo livre, Brasil – arrumo/limpo um pouquinho de cada vez e, sem nem sentir, a casa fica sempre nos trinques. Depois que o bebê nascer, vejo se realmente precisamos de alguém. De qualquer forma, cancelamos a agência (achamos simplesmente péssima) e acho que a próxima vou procurar num site tipo Betreut.de ou Helpling.de (caso alguém tenha uma sugestão, aliás…).

Semana 36 – A famosa reta final

Resolvi cortar meu cabelo para um corte de baixa manutenção e amei, fiz um long bob, meio no ombro. Eu estava dependendo de miracurl nas pontas de tão destruído que estava (e é um círculo vicioso né). Agora deixo meu cabelo secar, e ele fica em seu original lisinho e “ready to go“. Acho que vai ser bem útil nas próximas semanas eu ter zero trabalho com meu cabelo. E andava com saudade de tê-lo mais natural mesmo (inclusive ando com saudade da minha própria cor, mas tá quase). Segui arrumando coisinhas de casa, congelei as últimas comidas, e agora sinto que o bebê “pode vir“. No meio da semana completei 37 na verdade, que é o “termo teórico”. Maaas como 39 é o novo 37, espero que demore umas 2 semaninhas ainda pra vir. Houve um jantar para fechar o curso de preparação do parto e depois disso comentei que não quero mais compromissos sociais até o bebê nascer (exceto com a família). Pela primeira vez, talvez pelo calor fora de hora, comecei a sentir o “peso” nas pernas. Não estou inchada, mas com certeza algo mudou na circulação. Fiquei bem insegura quando quase desmaiei na Ikea essa semana. Fui rapidinho pegar umas coisas e quando já chegava ao caixa, me deu uma sensação ruim, um calorão. Foi coisa de pressão mesmo (que conheço bem de experiências passadas), então eu não me preocupei em relação à saúde em si. Se a coisa pega eu não caio como um saco de batatas, mas tenho que sentar (ou deitar) onde é que esteja – mas pensei “xi, se eu sentar do nada aqui no chão com essa barriga vai ser aquela confusão, vão chamar médico e tudo“. Mas achei uma cadeira normal pra sentar e esperei lá até sentir que conseguiria me levantar de novo. Foi por pouco e fiquei meio medrosa, não quero mais dirigir ou ficar muito longe de casa.

Semana 37 O que aconteceu mesmo?

Minha cabeça não deve estar boa, pois sentei para escrever como foi a última semana e não está me ocorrendo muita coisa. Sei que só conseguia fazer “uma coisa por dia“. Depois da tal coisa feita eu cansava muito e ficava cochilando no sofá. Organizei coisas de casa e no fim da semana preparei muitas coisas pra receber a família do marido. Em vez de viajarmos para lá, eles vieram todos para cá, para comemorarmos o aniversário da minha sogra e do meu marido. Fiquei meio com medo de o bebê resolver dar seu show, mas ela continuou quietinha aqui! Muita comilança e diversão e o bebê não vai dividir seu aniversário com mais ninguém da família. 🙂 O chato foi que meu cunhado que mora dos EUA voltou antes de conhecer a sua sobrinha. Espero que ele volte em breve (ele costuma vir até muito porque trabalha para empresa alemã). Avisei minha professora de piano que agora só volto quando a bebê nascer (meu plano é voltar com 4 semanas), pois até mesmo as aulas estavam desconfortáveis. Mas o timing foi ótimo, acabamos de terminar um volume – então quando voltar já volto com livro novo. Em casa eu continuo tocando todos os dias – até porque o bebê parece gostar das músicas (ou detestar, só sei que ela se mexe muito quando toco).

Semanha 38Bebê, estou finalmente pronta pra você!

estudar sem obrigação é das minhas coisas favoritas

Segunda-feira fui tomar café-da-manhã com a família, daí vim andando de volta pra casa e então *PUF* – a energia desapareceu. De uma vez – pareceu um reloginho! Decidi que não ia mais cozinhar nem fazer nada. Até porque sinceramente não tem mais nada pra fazer, eu já preparei tudo. O que fiz com meu tempo foi então ler bastante – colocando literatura acumulada em dia, e estudando coisas randômicas de oftalmo também, que delícia! Até voltei a dormir ok , mas a motilidade está sofrível e pela primeira vez, após completar o marco das 39 semanas, eu meio que me cansei de estar grávida. Assim, sempre preferi o status não-gravídico do que o status-gravídico, mas estava curtindo esse tempo babyfree sem pressa nenhuma. Muito pelo contrário, queria que ela chegasse no limite superior. Mas está chato subir as escadas daqui de casa. E quando descobri que se o bebê não chegar nos próximos 4 dias eu vou ter que ir na médica de 2 em 2 dias me deu um frio na espinha. Eu odeio ir ao médico that much – ou seja: bebê, pode vir, estou finalmente pronta pra você! Mas que estou sentindo que ela só sai com ordem de despejo, isso estou! Espero estar errada. A coisa boa é que comprei um celular novo, com muitos gigabytes – o meu antigo tinha só 16 gb e nem sobrava espaço para fotos – o que convenhamos, não é ideal para quem está para ter um nenê fofucho em casa.

Semana 39-40Primavera chegou, mas minha filha não

Há flores por todos os lados

Essa semana foi uma delícia – a energia, aliás, voltou. Os dias estavam todos tão, mas tão lindos que até estou perdoando o fato de ter comprado uns ítens de inverno para RN claramente à toa. Fui algumas vezes na médica, mas sempre com ótima companhia e depois emendando em passeios maravilhosos e me mimando com algumas delícias aqui e ali. Se havia alguma dúvida que caminhadas não necessariamente engatilham um trabalho de parto não-iniciado, sou a prova viva. Nem a lua cheia ajudou. Andei quilômetros e mais quilômetros! Completei as 40 semanas há 3 dias, então falta pouquíssimo para ela chegar – se não for bem, vai por mal. hahahaha Mas sério, estamos perto da “ordem de despejo”, então termino aqui o diário da gravidez porque de uma forma ou outra não chegarei grávida ao próximo sábado. Mal posso esperar pela próxima fase e pela maior alegria da minha vida! E obrigada a você que leu tudo até aqui torcendo por mim e por minha família ! Agradeço de coração.

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