18
novembro
2019

O efeito Alp!

Postado por Ana em Coisas da Ana

Sabem aqueles dias em que a gente fica toda nostálgica, pensando no passado? Ou melhor: visualizando o passado com óculos cor-de-rosa? Porque é quase sempre assim né? A gente sonha com o futuro, recorda um passado maquiado e c*ga pra única coisa que é real, garantida e existente: o presente.

Acho que um dos exemplos mais gritantes da minha vida foi o caso do Livro Alp! Não sei se é da época de vocês, mas esse era um livro de português muito usado nas escolas nos anos 90. Ainda existe, aliás. Eu, apesar de gostar da língua portuguesa, simplesmente tinha pânico das aulas de português. Principalmente aquelas com o livro Alp. Não sei se era problema de didática das professoras, mas as páginas daquele livro me consumiam com um tédio mortal. Um tédio indescritível – eu odiava!

Daí passaram-se uns anos e eu tinha, sei lá, uns 20 anos. Estava eu lá em casa abarrotada de tarefas da faculdade e por algum motivo fui mexer no fundo de um armário e o encontrei: o Alp! E me deu uma saudade… eu folheei as páginas, reli os textos, cheirei as folhas (com poeira, né). Que saudades da escola, que saudades das aulas de português, que saudades do Alp!… e pera, saudades do Alp?!!!!!

Pois se vocês repararem bem, esse é um padrão que se repete a vida toda. Estamos constantemente desejando coisas/situações novas, as conseguindo e esquecendo daquele desejo propulsor.

Quando penso na minha vida: como quis entrar naquela faculdade, como quis entrar naquele hospital pra residência, como quis que meu SUPER improvável relacionamento a distância desse certo, como quis conseguir trabalhar aqui, como quis uma filha saudável. Houve mesmo um momento em que meu maior sonho era parar de fazer xixi na cama (fiz até os 6 anos, sofria muito com isso, até crista de galo eu comi pra parar hahaha). E mesmo tendo realizado isso tudo, há dias em que eu – como você – me surpreendo bastante insatisfeita. Nesses dias vêm as memórias da infância (sem lembrar das inúmeras imperfeições que ela teve), da faculdade (sem lembrar dos perrengues), da residência (sem lembrar dos plantões noturnos), da vida pré-bebê (sem lembrar das lágrimas de pânico de perder e do enorme desejo de ser mãe). E é isso.

Às vezes passamos por experiências difíceis e nos safamos de coisas que pensamos que nunca mais vamos reclamar de nada novamente. Juramos até! Só que as coisas não são A+B assim, somos humanos. Eu digo que se uma pessoa cega voltar a enxergar, ela vai ficar um dia pulando de alegria. Talvez uns dois muito, muito grata e sem reclamar de mais nada. Mas daí a uma semana, a visão já é corriqueira e ela vai voltar a xingar por besteiras como o pão que caiu com a manteiga virada pra baixo. E talvez vai reclamar se tiver que usar óculos.

Não adianta, esse é um exercício diário que devemos fazer até o nosso último dia por aqui: dar valor ao que temos de bom. Ainda que você não tenha tudo o que quis ter um dia, eu tenho certeza que você pode nomear umas 5 coisas/situações que você quis ter e hoje tem. Quem conseguir pode até brincar de Pollyanna com seu jogo do contente. A Pollyanna, pobre órfã, escolheu ficar feliz quando recebeu de doação por engano um par de muletas em vez da boneca que queria – simplesmente por não precisar usar muletas. Lindo, mas cobrar isso de pessoas reais?

As pessoas reais estão por aí cheirando “Alps” e acho que já está de bom tamanho tirarmos um minutinho do dia para pensar nessa realidade, respirar fundo, agradecer. Tentar desromantizar o passado, que nem era tão perfeito assim. E valorizar o caminho em vez do alvo no futuro que a gente nem sabe se vai chegar. Talvez pensar em 3 coisas de hoje das quais sentiremos saudades em algum momento, mesmo as mais básicas: juventude, saúde, cheirinho de bebê no colo. E isso funciona como dar a corda em uma caixinha de música. A bailarina dá as piruetas e para, dá piruetas e para… E assim vamos nos reenergizando em segundas-feiras nubladas (tanto dentro quanto fora).

Beijos e boa semana!

14
novembro
2019

10 anos por aqui

Postado por Ana em Coisas do blog

Lembro de um dia em 2009 que achei um site genérico (não era blog) com dicas de beleza e eu, que não sabia nada de nada deste universo, achei aquilo o máximo e comecei a dividir links dos artigos com minha irmã em seu e-mail . Foi mais ou menos em 2008/09 que começaram a surgir os primeiros blogs com essa temática.

Um dia sentei no meu quarto e resolvi que ia fazer um blog. Eu adorava ter aquelas homepages típicas dos anos 90 (a primeira foi em 1998) mas eu tinha parado com tudo durante a faculdade.

Essas são as que tenho salvas, tinham outras que perdi 🙁

Dessa vez pensei em fazer um blog de mulherzinha, não para ensinar ninguém, mas para aprendermos juntas. Sempre fui muito zerola nessa área, só fui começar pentear meu cabelo lá pelos 15 anos de idade e maquiar com uns 23 (acho) e nem tinha ninguém para me ensinar essas coisas. Por isso fiquei muito animada com as possibilidades da mamãe-internet, he he he! Dei o pior nome ever, LindaECheirosa.com, fiz um layout tosco com a Princesinha do Mário e comecei no WordPress.com. Após um tempo entrou outro layout que a Evelyn Regly fez, acreditam? Troquei vários e-mails com a atual webcelebridade, hehehe.

Daí o blog foi refletindo minhas manias. Começando por aquela mania louca de esmaltes, em que fui no centrão de BH e voltei cheia de esmaltes-cheguei da Big Universo. E fiquei com mania de tutoriais de manicure até conseguir fazer minhas unhas satisfatoriamente (algo bem útil atualmente sendo expat, viu). Lembram das cores da moda? Jade da Chanel, Orange Fizz e seus semelhantes.

Gente, será que um dia vou conseguir deixar minhas unhas cresceram assim de novo? hahaha

Depois comecei a descobrir o mundo da maquiagem. Quando fui à Sephora da Champs Elysee em 2010 quase deixei por lá as calças. Comprava maquiagens caras tipo o Météorites da Guerlain que até hoje está aqui comigo acumulando ácaros porque é inútil mas não tenho coragem de jogar fora. E os batons da YSL? Aff, que desperdício.

O mundo dos cosméticos não foi diferente, experimentava tudo. O grande problema é que sempre fui mais influenciada digital do que influenciadora. 🙂

Lá em 2010 resolvi que ia começar a dividir algo de viagens. Eu vivia indo a Brasília visitar minha irmã, e lembro de fotografar comidas em restaurantes sem timidez alguma pois não havia instagram – então ninguém sabia ao certo a intenção de fotos assim.

Em outro momento comecei a fazer posts dedicados à area da saúde, de uma forma – digamos – bem eclética. Até sobre leite e dor de barriga já teve post. Em algum momento resolvi ir deixando o blog mais pessoal e dividindo também coisas da minha vida. E assim vocês me acompanharam enquanto fazia PSF na roça, meus meses com o então namorado na Alemanha, minha residência médica (dela não compartilhei quase nada aqui, mas ocupou minha vida intensamente por três anos). Durante esses 10 anos, morei em 5 locais diferentes.

Em Kiel, 2010. Que fim será que levou essa bolsa da Arezzo? Eu adorava

Dividi algumas dificuldades e considerações sobre relacionamento a distância. Também avisei aqui quando ia “desencalhar” e fui pedida em casamento.

As inseguranças a respeito da mudança de país, a ansiedade pré-casamento, o casamento.

Daí me mudei para a Alemanha, e compartilhei o meu alívio quando consegui revalidar meu diploma, que até hoje considero o dia mais feliz da minha vida (sim).

Nisso acabei atraindo um público específico que tornou meu formulário de contato torturante – eu sentava nos raros momentos de folga, domingo de manhã e ficava lá respondendo 20 e-mails de uma vez sobre o mesmo assunto. Chegou sim muita gente legal, mas muita gente energia-ruim, que vou te contar. Lembro da pessoa que se fez passar por umas 4 diferentes (mesmo IP) pra ficar perguntando de salário, algo assim kkkkkkk Tanto que apaguei muito conteúdo relacionado, quero exús bem longe. Vocês também acompanharam a alegria de começar a trabalhar, mas também o tanto que isso foi desafiador. Também contei quando tirei cidadania alemã, que me deixou super feliz. Minha gravidez tão desejada, ainda que tenha contado bem no final, acabei dividindo retrospectivamente nos mínimos detalhes.

E, por fim, quando Lili nasceu, o evento mais transformador da minha vida.

Há poucos anos, quando vi que o blog era mais pessoal do que sobre mulherzices, resolvi mudar de endereço e nome – pois isso sim sempre vai ter a ver comigo, independente da temática que o blog venha a ter. Muitos posts de receitas, coisas de casa, vida de expatriada – enfim, tudo o que teve a ver com minha vida em certo momento. Parece que dividi muito, mas quando penso nos últimos 10 anos, isso tudo é algo tão pequeno, um pontinho da minha vida e de tudo o que aconteceu. Assim é a internet né?

Durante esse tempo eu mudei de opinião nem uma nem duas, mas umas mil vezes. Já detestei oncinha, pra amar e detestar novamente. Por isso em algum momento comecei a tomar mais cuidado com as palavras “nunca” e “sempre” e isso aprendi aqui. Pois o que está escrito está documentado, não tem como esquecer, né? Tive diferentes tipos de loirice e não loirice. Quem lembra das minhas californianas?

rolaram até looks do dia – mas looks do dia de uma pessoa que adora repetir roupa e cujo armário parece de personagem de turma da Mônica – claro que não ia vingar, né?

Vestidinho fino + casacão de inverno + sem nada pro pescoço – eu realmente sei das coisas neam? haha

Eu era a louca-do-salto alto e vivia de sandália (ou bota) plataforma. Nunca imaginei que um dia deixaria “essa vida”, como deixei. Amadureci muitas idéias e de vários posts me arrependi. Alguns deletei de tão conflitantes eram com quem me tornei.

No meio do caminho fiz canal e vídeos no YouTube e mesmo sendo péssima senti o poder da ferramenta. Se eu investisse ali, no nicho que acidentalmente criei, acho que o público ia ser muito grande. Mas nunca me identifiquei com o público de lá – tanto que tirei comentários e depois até os vídeos. Por incrível que pareça, nunca me passou pela cabeça realmente fazer da internet um ganha-pão. E acho que fiquei mal acostumada com as leitoras aqui – sempre foi uma mais especial que a outra, amigas virtuais mesmo. Por isso não sei se volto pro YT. Talvez um dia, mas por ora seguirei sendo só blogueira de meia-tigela. Lembram que eu não digo mais “nunca”? 🙂

Confesso que me sinto uma blogueira meio cafajeste, pois todo ano eu tenho certeza que será diferente e serei mais presente. Como esse 2019, em que eu achava que licença maternidade era baby vacation pra descobrir que nunca tive tão pouco tempo em minha vida e esse espaço aqui ficou paradinho, paradinho – como nunca antes!

Ah, mas em 2020 sim vai ser diferente. Hahhaha será que vocês ainda acreditam em mim?

Beijos e que venham os próximos 10 anos!

15
outubro
2019

Fim de verão na Bretanha

Postado por Ana em Viagens da Ana

A Bretanha (em francês Bretagne) é uma região administrativa no oeste da França, ao mar. É um destino bem “europeu”, sabe? Tanto que não percebi nem meio brazuca passeando por lá. Eu mal tinha ouvido falar e nunca pensei em visitar. Como curto cultura-pop logo descobri que é a terra onde o Asterix morava (Aremorica, atualmente na Bretanha) e palco de uma série criminal “Kommissar Dupin” do canal alemão ARD – e pelo que percebi muito apreciada por alemães de uma geração acima da minha.

Daí surgiu a oportunidade de viajarmos em família. Não pensei duas vezes, ne? Não foi, digamos, facílimo viajar 1000 km ida E volta com uma bebê que não é das mais entusiastas de carro. Cantei meu repertório de músicas infantis seis mil vezes, repeti historinhas inventadas e não-inventadas, fizemos mil paradas pra ela mamar/acalmar e tivemos algumas fraldas explosivas no trajeto – mas no geral foi menos difícil do que pensei que seria.

Para ficar menos cansativo pra ela, na ida pernoitamos em Versailles e na volta em Fontainebleau (super dica que me deram no Instagram e amei). Tinha estado em Versailles há mais de 10 anos, mas achamos melhor passear apenas pelos jardins.

O Castelo de Fontainebleau, lá também tem lindos jardins

Em Versailles com minha bebê!

Durante todo o tempo pegamos sol e céu azul – foi uma baita sorte, porque a chuva e frio chegaram logo em seguida e pelo que vi teriam estragado demais a viagem.

Alugamos em uma casa em Moëlan-sur-Mer. Visitamos várias praias ali perto, fizemos trilhas longas (sim, com bebê – coisa de alemão) e conhecemos cidadezinhas da região – amei Pont Aven (a cidade dos pintores) e Concarneau. E que delícia passear nos mercados locais e comer gostosuras – só a ostra que eu sempre “passo”, mas o resto da família se lavou. Comemos em vários restaurantes, inaugurando uma fase difícil em que a Lívia só quer brincar com garfo, faca, prato, taças e explosivos e ignora sutilmente seus brinquedinhos. Mas no fim das contas funcionou e não deixamos de fazer nada que queríamos.

Concarneau

Concarneau

No Mercado em Moëlan-sur-Mer

Pont Aven

Por-do-sol lá é espetacular e a foto não faz jus

Prainha, mais pra ver do que pra nadar, água gelada

Foi uma delícia passear tanto, ver tanta natureza e admirar a beleza do local. Nós brasileiros somos muito exigentes com praias, né, se é que me entendem. Não é aquele destino pra quem tá precisando “pegar uma prainha”. Mas a imensidão do Atlântico e as enormes rochas são lindas de se ver e achei o local ideal pra quem quiser curtir a cultura francesa.

Bisous

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