22
abril
2016

O português mandou um abraço

Postado por Ana em Diário de uma expatriada newbie

Eu nunca tive dificuldade com o português. Tirando, as, vírgulas, que, sempre, usei demais e, levava, xingo da professora do colégio, sempre fui bem ok na área. Até mesmo no trabalho, era daquelas chatas com mini-ataques cardíacos ao ver certos erros dos outros, que corrigia coisas escritas erradas no prontuário. “A justiceira dos prontuários“, hahaha.

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Olha, isso foi inclusive uma grande lição de humildade pra mim ao mudar de país – fui de quem corrigia erros para quem mais errava. Ouch! Tive que calçar as sandálias da humildade linguísticas! E tem mais – a casa do português caiu. Há muitos anos parei de ler livros literários em português. Achava isso uma boa idéia – pra “matar dois coelhos em uma cajadada só”. E achei que meu português ia super passar imune à vida em outra língua. Faz dois anos que o blog é o único lugar onde escrevo em português. Whatsapp não conta, né? Sei que dois anos “não são nada” mas acreditem, fez diferença. 🙁 Falo com meu pai no skype uma vez por dia, mas o resto do tempo todo não uso a língua. Tenho sentido infelizmente um leve impacto no meu português. Algumas dúvidas que nunca tive, alguns erros que nunca cometi. Anglicismos e alemanices contaminando o bom uso das palavras. Erros cabeludos – pretenCioso com “C” que o diga. Erros que me fazem dar um pulo de 3m quando por acaso os acho.

Mas também tento não pegar tão pesado comigo por aqui, afinal, é um blog. Algumas crases onde não deveriam estar e outros claros erros de digitação ou falta de espaço quando quis escrever “a fim de” são coisas que, se encontro, nem volto pra corrigir. Até porque, se o blog fosse pelo português impecável, eu não começaria esses tanto de frases com “Mas” como começo, mas acho bom pelo menos manter o nível razoável, né?

O que me incomoda de verdade são algumas dúvidas de combinações de palavras que me surgem quando estou simplesmente pensando, sozinha. E fico meio receosa pelo futuro mesmo. Semana passada queria usar a expressão “puxar a sardinha para o lado de“, mas não lembrava qual era o verbo que acompanhava a “sardinha“. Usei algo completamente nada a ver tipo “pegar sardinha”, bem louco, tive que googlar e daí a expressão voltou à minha cabeça. Olha, essa história da sardinha me deixou apavorada – diz meu marido que não tem nada a ver com o esquecimento de língua, mas sim com minha velhice! Ah bom! Sei que na próxima viagem ao Brasil voltarei cheia de livros literários de lá. Não quero ser dessas que dá desculpa esfarrapara do tipo “meu anjo foi alfabetizado em inglês“, rsrs!

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Algum expatriado teve experiência semelhante?

Beijos desesperados
!

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  1. Karol 22/04/2016 às 17:32

    Ana, é super pesado pensar que um dia você pode esquecer o básico de uma língua que vc tanto utilizou. Fico pensando como deve ser difícil ter filhos com um estrangeiro e ensinar a língua materna para a criança, que não está inserida em uma cultura.
    bj

    • Ana 25/04/2016 às 05:20

      O basico e comunicaçao zero medo, acho mt pouco provavel. Sao errinhos de falta de pratica mesmo, mas que irritam, irritam. Isso da criança vai ser o desafio da minha vida, como vou fazer meus filhos falarem portugues se eu mal paro em casa. Vai ser dificil mas vou tentar! 🙂

  2. Aline 23/04/2016 às 14:53

    Ana, estou falando na base do achismo, mas acho que seu português só está adormecido. Vindo para cá ou estando numa situação em que vc o use com mais frequência, ele volta.
    Estudei alemão por 7 anos no colégio. Cheguei a ficar duas semanas em casa de família alemã e tenho diploma B2. Hoje, há quase 9 anos sem ver a língua, parece que não lembro de nada além de “Guten Morgen”. Todavia, todos os professores de alemão com que falei disso dizem que, se eu for à Alemanha ou mesmo voltar a estudar, todo o alemão adormecido volta. Se isso vale para uma segunda língua na qual nunca fui exatamente fluente, com certeza vale para seu português.
    Obs: Juro que não quero ser chata, mas sim ser prestativa: Se alguma vez notar algum erro aqui, vc quer que comente?

    • Ana 25/04/2016 às 05:18

      Oi Aline! Claro, lingua-mae n se esquece nunca. Sao errinhos mesmo aqui e ali. Como n volto pro Brasil o jeito eh exercitar com livros mesmo! Se for algo grotesco claro, me avise sim. Mas de digitacao, crases onde nao deveriam estar, espaços, virgulas, concordancia, pode ignorar pq eh mais falta de atencao/revisao mesmo, sempre acho uns e nao volto pra corrigir :)) bj

  3. Marina 26/04/2016 às 06:56

    Ana,me identifiquei muuuuito com você!!Em quase 2 anos de Itália,também sinto o quanto tenho dúvidas banais!É impressionante!!!Ainda mais pelo fato que o italiano é parecido com o português!!rss Aproveito para dizer que você é uma das blogueiras,brasileiras,vivendo no exterior, que mais se parece comigo,no sentido das dúvidas,dificuldades e modo de pensar.Bjs 🙂

    • Ana 26/04/2016 às 15:32

      puxa, com lingua latina acho q deve ser mais dificil ainda!! q bom q se identifica comigo!! bjs !