Vou contar uma coisa para vocês: eu acho o cérebro o órgão mais injustiçado do corpo humano. Ele é altamente complexo e importante (dã), tem seu funcionamento regido por reações químicas e substâncias de alta complexidade e que podem ser moduladas com a ação de outras substâncias, mas tem muita gente que se recusa a vê-lo como órgão.

Lembro do Tom Cruise escrachando a Brooke Shields porque ela começou a se tratar com medicamentos por causa de uma depressão pós-parto. Eu tenho uma GRANDE preguiçazzzz de pessoas que precisam ter algum problema para entender a gravidade dele. “Não tenho, logo, não existe” – ARGH! Tinha uma colega minha na faculdade (hoje: médica!) que uma vez virou pra mim e disse que na opinião dela Síndrome do Pânico não existia, que era frescura que o povo inventava. Deus me perdoe mas eu joguei uma PRAGA tão grande que só faltei escutar um trovão com rajadas de luz vindo do lado de fora… Tenha uma depressão e daí me diga se você acha o tratamento dela é bobagenzinha. Eu nunca tive depressão – não por “mérito” (aspas aspas aspas) meu, nem por ser uma happy camper, vida perfeita ou algo assim – simplesmente porque não está escrito na minha genética e/ou não tive gatilhos suficientemente profundos para tal. Mas já tive (e tenho) altas neuroses e soube procurar ajuda quando precisei. Passei 5 anos fazendo terapia cognitivo-comportamental com a psicóloga mais fofa do mundo, na qual penso quase diariamente ao aplicar os valiosos ensinamentos que ela me passou. Eu tinha um professor na faculdade que dizia: “todo mundo precisa de terapia, uns mais, outros menos“. E é a mais pura verdade – o próprio processo de formação da psicologia humana gera traumas inerentes e todos se beneficiariam de um acompanhamento psicológico. E os psicólogos estão perfeitamente aptos a reconhecer quando o problema também necessita ser tratado com medicamentos e encaminhar para um psiquiatra para um co-tratamento correto.

Por isso eu nunca vou entender quem aponta dedo pra cara dos outros que usam da ciência para tratar um problema orgânico. Isso é zero motivo de vergonha! Zero! Tem remédio para coração, tem remédio pra pulmão, tem remédio para os olhos, tem remédio para o cérebro. É muito simples! Isso não tira a capacidade de ninguém de pensar ou evoluir como ser humano por conta própria, ou de “ser si mesmo”- é apenas um tratamento (muitas vezes temporário) de causas.
O primeiro passo é reconhecer o problema – porque depressão mata, e muitas vezes “mata” por dentro indivíduos que ainda estão vivendo, que passam a não aproveitar o que a vida tem de bom a oferecer. E geralmente estes mortos-vivos são os que mais usam uma “máscara feliz” para se apresentar à sociedade mas na sua intimidade estão em um verdadeiro inferno pessoal.
Beijos preocupados!









Poxa, me senti desabafada por esse post. Depois de anos, de passar minha adolescência inteira achando que tinha algo errado comigo e com minha cabeça que as vezes não respondia aos estímulos externos da maneira maneira “esperada”, ano passado fui diagnosticada com Transtorno Bipolar do Humor. Só tive uma resposta aos 22 anos… O preconceito começou na minha cabeça, que era incapaz de aceitar ser dependente de remédios, de “tarja preta”. E ainda achava que todo mundo ia pensar “ah, ela é doida”. Foi difícil adaptar… mas hoje eu me falo justamente isso, tem gente que precisa de insulina, tem gente que precisa de sinvastatina… eu só preciso evitar que emu cérebro use toda minha dopamina como louco, as vezes super produzindo pra compensar, as vezes tendo fases sem nenhuma, as fases deprimidas. Acontece com qualquer um essas coisas. Mas fazendo uma outra crítica, as redes sociais hoje fazem parecer que todo mundo tem uma vida maravilhosa, que é badalado e super popular… as vezes as pessoas são solitárias e vivem de forjar uma imagem, que a gente acredita e se sente a pior das encalhadas sem amigas em casa num fim de semana… Ah, e o Transtorno somado a um assalto na Av Sra do Carmo me fizeram sentir MUITO na pele que a Síndrome do Pânico é uma triste realidade sim. Uma pena que uma médica tenha cabecinha tão pequena… mas olha Ana, minha família tem muitos médicos, alguns recém formados, e alguns que conheço esqueceram de seus juramentos e dos preceitos básicos da Medicina, pensam só no status do “Dr.” na frente do nome… triste. Parabéns por usar de sua voz pra ajudar e conscientizar. 🙂 a gente lê blogs e se sente amiga da escritora haha :p
Own.. e tb eu me sinto amiga de quem escreve aqui, claro, obrigada! 🙂 Pois é, Juliana, nada como um tratamento bem-feito né? Assim como sou contra o uso indiscriminado de qualquer remédio, sou SUPER a favor do uso deles quando bem indicados. A ciência está aí para servir a humanidade – e isso inclui a medicina e a psicologia. E eu tenho altas crises com redes sociais, tem hora que eu quero é sair apagando tudo, porque acho que estão (estamos) semeando muita coisa ruim; mas tem muita coisa boa também – não consigo decidir ainda se o saldo é positivo ou negativo. Acho que o tempo vai nos motrar melhor! Bjim
Ana, disse tudo! Estou estudando enfermagem e já escutei colegas meus dizendo o mesmo tipo de coisa, a exemplo, “Fulana tentou se matar SÓ pq o namorado terminou com ela”, essas pessoas tem dificuldade de entender que cada um reage a sua maneira… Falta empatia. As doenças de saúde mental continuam carregando um enorme estigma, infelizmente, o que resulta em maior dificuldade em diagnosticá-las e tratá-las de forma adequada.
Falta MUITO empatia. Quando eu era estudante e fiz meu internato de urgência toda hora chegava gente que tinha tentado se matar (geralmente com coisas que não matam). Daí ficavam lá sofrendo cuspindo o carvão ativado (o tratamento), muitas vezes eram meninas chorando e eu SEMPRE escutava dos médicos do hospital “é só pra chamar atenção, não dá bola”. Uma vez fui acalmar uma garota e perguntar como ela estava e um superior puxou minha orelha “deixa, elas querem é isso”. Para o munnnndooo
A página do facebook da Dra. Cynthia Guedes está aí para tratar desse assunto e esclarecer as pessoas sobre a doença e tentar, tirar esse estigma de ” fulana é psiquiátrica” ! Que preguiça dessas coisas!
Adorando sua “postação”! Quanto ao ensinamento de mestre q vc me deu no ultimo post, concordo em gênero, número e grau! Mas no momento estou treinando o meu cérebro de q ele tem q nadar 3 vezes por semana! Uma coisa de cada vez rsrsrs
Nadar já tá bom demais – essa é outra “regra” da criação de hábitos. Sendo os experts, a gente tem mais sucesso ao criar um de cada vez. Bjooo
Adorei esse post. Imagina para alguém como eu, que estudou psicologia, ter que ouvir certas coisas sobre doença mental. Falta muito esclarecimento para a maioria da população, embora tenha muita gente supostamente “esclarecida” (como a sua colega médica) com muito preconceito em relação a depressão e outros transtornos. Sempre digo que depressão é como, por exemplo, a diabetes. Cura não tem, mas tem controle. Entâo medicação será algo para sempre! E sim, terapia é para todos!!! Bjs
Sempre em coloco no lugar dos psicólogos mesmo, como eu me sentiria ao ouvir pessoas falando que o que eu faço da vida “é mito”, “não existe”. Aff :/
Ana, excelente reflexão!
Quem acha que depressão é frescura é totalmente ignorante mesmo. Ela ataca quem tem dinheiro e quem não tem, quem tem tudo pra ser “feliz”, os que tem filhos com problemas e os que tem filhos “normais”, enfim, não depende de situação. Eu vejo também que muitas pessoas convivem com alguns problemas durante uma vida toda por falta de reconhecer que precisam de uma ajuda, que pode ser até por pouco tempo, até a pessoa se dar conta. Enfim…que pena que muita gente não tem a ajuda de que precisa porque não quer ser ajudada…
Excelente post!!! Tem muita gente que precisa ler isso! Obrigada! Beijos
que bom que gostou ! 🙂 bjo
Ana! Palmas, palmas para você por este post. Muito importante trazer esse assunto à tona, precisamos falar disso, já que os transtornos mentais são uma realidade cada vez mais presente em nossas vidas, parabéns pela forma maravilhosa como escreve! Beijos!
Fiquei feliz com sua mensagem Juliana! :)) Bjao!