16
março
2019

O ótimo é inimigo do bom

Postado por Ana em Coisas da Ana

Pode ser que a idéia central deste post ajude alguém a perder um pouco da ansiedade e “busca por perfeição” no dia-a-dia. O título do post é quase meu mantra há algum tempo e me ajuda demais. Eu resolvi escrever sobre isso por causa de algo que aconteceu agora há pouco. Eu tenho comido bastante fruta a gravidez toda.

Exceto pela viagem à Inglaterra em novembro (e seus pret-a-mangers da vida), acho que nesses meses todos eu nunca tinha comprado dessas frutas já cortadinhas, sabe? Prefiro mesmo comprar a fruta inteira, dura mais, mais barato, até mais higiênico (se eu lavar), etc.

Foto: reprodução pret-a-manger

Daí acordamos hoje e não tinha nada pro café-da-manhã e meu marido foi buscar coisas no supermercado/padaria. Nesse ponto eu tô muito sem energia, e 5 min em pé me deixam tontinha já. Eu disse “traz também uma daquelas embalagens de frutinhas cortadas pra mim“.

Daí ele volta e diz: você acredita que eu encontrei uma pessoa randômica no elevador, ela olhou e disse “nossa, mas frutas no plástico? Isso não é saudável!“. Ele respondeu “nossa, a Sra. está usando o elevador para descer dois andares? Isso não é saudável“. *Risos cordiais de ambas as partes*

Ele me contou a história e eu juro que eu daria TUDO para ver um inventário do que a pessoa comeu nas últimas 24 horas. Vocês realmente acham que ela comeu igual uma blogueira-fitness? Pode ter rolado uma cervejinha, um bolo cheio de farinha branca, etc. E aparentemente ela se mexe tão pouco que pega o elevador pra descer dois andares. Sedentarismo é das piores coisas que você pode fazer pela sua saúde. E está bem assim! Se em vez das frutas cortadas fosse um croissant de chocolate quentinho da padaria? Em que mundo doido frutas (ainda que pré-cortadas e no plástico) são piores que um croissant? Para não esquecer: eu sou a Ana-Doida, conheço e já li todos os “testes de qualidade” desse tipo de fruta, vantagens e desvantagens.

A questão é que: ninguém come perfeito 100% do tempo, ninguém faz tudo perfeito 100% do tempo, ninguém cria os filhos com perfeição, ninguém é uma esposa, filha, amiga perfeita. Alguns exemplos no dia-a-dia de pessoas “fissuradas” no ótimo:

1) “Nossa, mas essa receita leva farinha branca?” —-> depois vai lá e come uma pizza na rua
2) “Nossa, mas você congela sua comida, não vai perder nutrientes?” —-> vai lá e come qualquer coisa na rua, qualquer coisa que vem em pacote com 1829138 ingredientes na lista
3) “Nossa, mas frutas cortadas em plástico não são saudáveis” —> vai lá e compra um pacote de bisnaguinha seven boys
4) “Nossa, esse muffin leva açúcar? Não tem outra receita? ” —> vai lá e come uma barrinha de Lindt)
5) “Nossa, mas usar caldo de frango pronto? Isso é puro sal” — vai lá e come um miojo
6) “Meu alemão é muito ruim, prefiro me comunicar em inglês” —> não fala 1 palavra porque tem medo de errar e não aprende nunca

São essas as pessoas que, se fazem algo imperfeito às 08:00 da manhã, chutam o balde o resto do dia e vão reiniciar os esforços no próximo dia – ou na próxima segunda, ou no próximo ano – é uma cilada, Bino!

Já que concluímos que não há nada perfeito em nossa vida, pra que perder tempo dando pitaco não-pedido na vida dos outros, né? Se eu pudesse eu andava com esse vídeo na minha testa:

Bom, é isso – antes de “descartar” algo porque não é perfeito o suficiente, lembre-se que o otimo é inimigo do bom. Por às vezes não encontrarmos o ótimo, acabamos por descartar o bom e escolher o péssimo– e bom is good enough! 🙂

Beijos

07
março
2019

Comidas que congelei pro pós-parto

Postado por Ana em Ana de Casa, Maternidade

Aqui toda “lista de preparativos” para a maternidade sugere que você congele comida para 2 semanas após o parto. A tal da “Wochenbett” – é apocalipse bebezístico que fala? Eu nem sei se seria tão necessário no meu caso – acho que a família vai ajudar um pouco (HOPE SO!), meu marido vai estar aqui nas primeiras três semanas e também moro num lugar que tem tudo perto. E delivery também tá aí pra isso, né? Mas, pelo sim pelo não resolvi congelar comidinhas para 2 semanas (com sobra). Afinal, mal não faz e eu amo (cada vez mais) meal prep e comer comidinhas caseiras de ingredientes conhecidos. E como tô de licença e tempo de sobra… cozinhar até me relaxa. Todas as receitas eu já tinha testado antes, algumas eram velhas conhecidas – são as que eu sei que gosto e congelam bem! 🙂 A idéia é só comida caseira, relativamente saudável mas sem “nóia” com calorias, pois não é hora de fazer dieta, principalmente se for amamentar.

Dica: se você, como eu, não tem um freezer gigantesco, comece pelas receitas que exigem congelamento aberto (energy bites e salgadinhos), pois depois que tá tudo cheio fica difícil arrumar espaço pra isso! Todas valem 3 meses no congelador, menos a mistura pra smoothie, que é melhor consumir em 1 mês (segundo a fonte da receita, mas pode ser que seja mais…). Comecei a congelar na semana 34 e terminei na semana 37.

Menu:

Salgadinhos fit : salgado de frango com batata doce / quibe com quinoa
Banana Bread de mirtilos saudável
Energy bites: sabor maçã com canela / sabor massa de cookie
Pacotinhos para suco verde
Sopa de frango com legumes
Fricassê de frango
Chicken Pot Pie (“empadão”)
Chili con carne
Ragout de peru

Fiz muito esses dois “salgadinhos fit” ao longo do ano, adoro, são ótimos pra jantar. Congelam super bem e preparo rapidinho na Airfryer (também já fiz no forno, dá certo mas fica bem menos sequinho). Essas receitas anotei de algum instagram mas já faz um tempo e não lembro de jeito nenhum de qual, desculpem 🙁


Salgadinho de frango e batata doce

Uso 500g de frango desfiado e temperado com 500g de batata doce cozida e amassada. Adiciono 5 colheres de sopa de creme fraiche (“creme de leite fresco”) misturo com muitos temperinhos (o que tiver) e ajusto o sal. Faço formato de coxinha com a mão, empano num ovo batido e passo no Psyllium (aqui se chama Flohsamenschalen e se acha fácil em farmácia ou na internet). Faço primeiro o congelamento aberto, depois congelo em saquinhos. Rende 15 “coxinhas” médias. Daí congelada vai direto na Air fryer pré-aquecida a 200 graus por uns 12-14 minutos (viro na metade do tempo).

Quibe “fit” com quinoa

Crus, indo pro congelamento aberto

Uso 400g de patinho moído (aqui uso Rinderhackfleisch bio), 200g de quinoa cozida – uso a de três cores – (dica: dá pouco menos de 100g crua, prepare como diz a embalagem). Eu gosto de colocar a carne moída no processador (pra ficar mais fininha) junto com os temperos. O que você tem em casa. Eu sempre uso cebola + alho + muitas folhinhas de hortelã fresco. E daí sal, pimenta, canela, etc! Antes de formar os kibes, coloco um pedacinho na frigideira pra ver se o gosto está bom – daí posso ajustar o sal, etc. Nada de experimentar cru (quanto mais grávida!). Essa receita rende 10-11 quibes médios-grandes. Congela em congelamento aberto, depois coloca em saquinhos. Tiro do congelador direto pra Air Fryer pré-aquecida a 200 graus. Dá uns 14 minutos (viro na metade).


Esse Banana Bread Saudável de Mirtilos saindo quentinho do forno é a coisa mais deliciosa do mundo. Mas também congela e descongela super bem! Como é pecado fazer isso só para congelar, eu fiz normal pro café da manhã 2 finais de semana seguidos e congelei as metades que sobraram. Para congelar, parto as fatias já frias e envolvo cada uma em plástico filme e juntei todas numa espécie de Ziploc da Ikea. Pra descongelar pode deixar na geladeira à noite ou em temperatura ambiente mesmo, porque descongela muito rápido. É ótimo pra matar a vontade de comer doce e pra um banana bread é bem saudável.

Observação sobre ingredientes: A receita é do Kristine’s Kitchen Blog – ela usa a “whole white flour” – consultei blogs de americanos expatriados na Alemanha e aqui a melhor opção seria a farinha de “espelta”, a “Dinkelmehl” número 1050, que é mais saudável que a normal mas não é intragável como a integral (gosto muito forte na minha opinião). O baking powder é fermento em pó branco tipo Dr. Oeatker mesmo (uso do Ja!) e o baking soda o bicarbonato de sódio (aqui tem o Natron, por exemplo). Ah, na Alemanha manteiga sem sal é alguma com “süßer Rahm” escrito, mas também já fiz com manteiga normal e não vi diferença.

Em tradução livre: mistura numa tigela grande 1 xícara e meia de farinha “branca integral”, 1 co de chá de fermento em pó, 1/2 co de chá de bicarbonato, 1/2 co de chá de canela em pó, 1 pitadinha de sal. Em outra tigela, derrete (no microondas por exemplo) 1/4 de xícara de chá de manteiga sem sal e mistura com 1 xícara de chá de banana BEM madura amassada (aqui dão 2 bananas grandes), 2 ovos grandes, 1 co de chá de extrato de baunilha e 1/4 de xícara de chá de Maple Syrup (xarope de ácer, aqui Ahornsirup) e mistura tudo. Joga então os ingredientes líquidos na tigela com os secos e mistura sem exagerar pra não “matar o fermento”. Quando tiver homogêneo você adiciona 1 xícara de chá de mirtilos (nunca fiz com congelado mas a receita diz que também pode) e mistura com cuidado. Transfere pra uma forma de pão untada – eu unto com spray PAM “buttercoat”, além de prático não gruda nadinha. Daí leva ao forno pré-aquecido a 180 graus. Aqui levo na grade do meio, o meu fica 46 min. Da primeira vez, fique de olho e vá fazendo o teste do palito a partir de 30 min, depois anota o tempo. Faço com calor vindo de cima e de baixo. Evite “umluft” (ar circulante) ao fazer bolos/pães porque resseca. É importante untar bem a forma, principalmente na parte inferior (onde a maior parte dos blueberries se deposita e fica mais úmido). Tira do forno e deixa esfriando uns 30 minutos antes de tirar da forma e fatiar.


Como o nome fala, são bolinhas que dão energia, sem ser essas industrializadas com 5 tipos diferentes de açúcar, e/ou caras e/ou ruins. Não são hipocalóricas, pra mim uma bolinha = um lanche intermediário. Via de regra, duram até 3 meses no freezer e descongelam super rápido quando você tira do congelador. Elas não vão ao forno, então não espere uma consistência de biscoito, é consistência de massa mesmo. Vi dessas energy bites (da Veganz) vendendo na DM e além de custarem 2 euros o pacote com 2 bolinhas, achei o gosto horrível. Bom, testei várias ao longo do ano passado e congelei as minhas duas favoritas:

Energy bites de “biscoito de maçã e canela”

Meu favorito! Receita desse blog que adoro. Faço 2 receitas de uma vez pra não desperdiçar o pote de creme de amêndoas …

Ingredientes e preparo pra UMA receita: rende 13-14 bolinhas (de uma colher de sopa). 2 xícaras de aveia grão-inteiro, 1/4 xícara de linhaça moída, 3/4 colher de chá de canela em pó, 1/2 de manteiga de amêndoa*, 1/4 xícara + 1 co de sopa de mel, 1 co de chá de extrato de baunilha, 1 pitada de sal, 1 xícara (não precisa estar “chuchada”) de maçã ralada (equivale a uma maçã grande). Só colocar tudo numa tigela e misturar com a mão até ficar bem homogêneo. Faz bolinhas com a mão (se estiver grudando, só umedecer as mãos). Leva em congelamento aberto e depois coloca em saquinhos. Se preferir, pode deixar na geladeira, duram 3-4 dias. Pra descongelar é muito rápido, tira uma bolinha e em 10-20 minutos já está descongelada ou coloco 20 segundos no microondas. Essas bolinhas não são duras, viu, se apertar desmancha.

* manteiga de amêndoa é difícil de achar na Alemanha, mas substituo com sucesso por Mandelmuß (uso da DM, levo a marrom que é mais barata). Se animar, dá pra fazer em casa, tem uma receita caseira aqui.

Energy bites de “massa de biscoito”

A receita também é daqui! Essa quantidade rende 8 bolinhas médias como na minha foto.

Ingredientes: 1 xícara de aveia (grão grosso, rolled oats, kernig) + 1/4 de xícara de maple syrup (xarope de ácer, ahornsirup) + 1 pitada de sal + 1 co de chá de extrato de baunilha + 1/4 de xícara de gotas de chocolate amargo (eu uso cacao nibs, que é 100% cacau, porque pra mim já é suficiente de doce) + meia xícara de pasta de amendoim (ingredientes: só amendoim! Aqui compro o Erdnussmuß na DM).

Preparo: só misturar tudo e mistura as gotas de chocolate por último. Você pode processar também se quiser mais homogêneo, mas se misturar tudo na colher funciona também. Faz bolinhas e leva em congelamento aberto, depois põe em saquinhos.


Deixa pra congelar por último, porque é bom consumir em até 1 mês . Peguei a idéia há uns meses no instagram cleanfoodcrush.

Vamos chamar de smoothie mesmo, porque o meu nem fica verde, haha! Só jogar o conteúdo de um saquinho no liquidificador (um que aceite coisas congeladas) junto com o líquido que preferir e você tem um smoothie cheio de vitaminas.

Uso ziploc de 2,5L da Ikea pra congelar as porções, cada uma contendo uma xícara de espinafre-baby fresco, meia xícara de couve fresca picada grosseiramente (aqui uso Grünkohl), uma xícara de mistura de berries (uso mirtilos e framboesas congeladas mesmo) e uma banana cortada em rodelas. Na hora de preparar você coloca junto com um copo (ou mais) de líquido de sua preferência. Eu faço com leite de amêndoas sem açúcar e adiciono um copo e meio, porque daí fica na consistência que gosto. Pra mim já está bom de doce assim – mas quem gosta de tudo bem docinho pode adicionar mel, maple syrup …. ou usar leite vegetal adoçado mesmo. Smoothie eu prefiro sempre fazer com tudo orgânico, senão me dá impressão de estár bebendo um montão de agrotóxico de uma vez, sei lá. 🙂

Um ziploc desse dá pra duas porções boas de smoothie.

A maioria das sopas congelam super bem! Essa sopa de frango e legumes é uma delícia, super comfort food. Tem batata então nem precisa comer com pão. A receita é da revista alemã Brigitte.

PS: Aqui na alemanha tem o tal de “Suppengrün” que é um mix de vegetais vendidos juntinhos pra fazer sopa. Varia um pouco, mas um exemplo standard costuma conter: 2-3 cenouras, 1 pedaço de cabeça de salsão (aipo), 1-2 pedaços de alho poró, 1 maço de salsinha.

Ingredientes e preparo: corta uma cebola em fatias fininhas e refoga em uma colher de manteiga + 1 co de azeite até ficar transparente. Junta um dente de alho esmagado e refoga junto com os vegetais do kit-sopa (Suppengrün, ver acima) e 500 g de batata (uso aqui a festkochend) cortados em cubinhos (o alho poró em tirinhas). Adiciona 1,3L de caldo de vegetais e daí adiciona 400g de peito de frango cru mesmo (gosto de já salgado) em cubinhos e deixa tudo cozinhar em fogo baixo uns 15 minutos (confere se os vegetais estão macios e o frango todo cozido). Coloca um bouquet garni ou temperos variados. Depois ajusta sal/pimenta.

No dia da foto eu não fiz com frango em cubinhos pois já tinha muito frango cozido desfiado de outra receita, então só adicionei no final. Essa receita rende 6 porções (uso umas 2 conchas cheias por porção).


Mais ou menos a receita do panelaterapia, que adoramos há anos aqui em casa. Faço 2 receitas de uma vez e rendem 7 dessas marmitas de 450mL – as embalagens de alumínio comprei na Amazon nesse link. Não tenho hábito de congelar em marmita de alumínio, mas pro pós-parto fiz assim, pela praticidade mesmo.

Para uma receita (rende +/- 3 marmitas dessa):

Para a camada de frango cremoso: refoga meia cebola picada no azeite e depois 2 dentes de alho amassado, daí junta 2 xícaras de frango desfiado*, 1 co de mostarda, 1 co de extrato de tomate (acabo usando catchup pra não abrir um extrato à toa) , 1 xícara de chá de leite integral. Daí deixo secar um pouquinho e adiciono meia xícara de cogumelos-de-paris picados, 1 pote de requeijão (aqui uso 200g do Schmelzkäsezubereitung do Ja!), 2 co de sopa de parmesão ralado. Ajusta o sal (mas com esses ingredientes eu nunca precisei adicionar mais sal). Jogo uma mão de salsinha picada ainda.
Para o creme de milho: Refoga 1/2 cebola picada em 1 co de sopa de manteiga, junta uma lata de milho grande com água e tudo (aqui vem pouca água, então jogo 1 dedo a mais), adiciona 1/2 tablete de caldo de frango, deixa ferver uns 2 minutos. Daí adiciona 200 de creme de leite (aqui uso Créme Leicht). Daí vou com o mixer na panela mesmo e transformo em purê.
Montagem: coloco uma concha de frango (se não secou muito eu “seleciono” mais a parte sólida pra não ficar muito aguada a mistura), cubro com umas 2 de creme de milho e coloco batata palha em cima. Gosto da batata palha do Aldi (pacote azulzinho).
Forno/Preparo: se você acabou de fazer é opcional porque está tudo cozido, mas gosto de levar ao forno pra borbulhar. O fricassê congela super bem – e congelo completinho com batata palha mesmo, não acho que perde a crocância não (e aqui batata palha é vendaval, melhor já usar haha). Pode descongelar à noite na geladeira e daí só esquentar antes de comer, ou pode levar pro forno congelado mesmo (aqui no forno a 180 graus dá uns 30 min).

* Frango desfiado: faço na panela de pressão (30 min) e antes dou uma refogada com alho e adiciono a água com caldo de frango cobrindo o peito. Daí escorro quase tudo da água e gosto de desfiar com um mixer de mão (com pás de batedeira), acho mais prático – aquilo de sacudir a panela de pressão acho muito trabalhoso e tenho medo de estragar a panela.

cremosidade gradus maximus hummmm

Esses empadões de frango na verdade são aqueles chicken pot pies, bem americanazinhas, o recheio é dos melhores que já comi, deste blog gringo aqui! Já faço em dobro as receitas, e assim rendem 7 tortinhas de 450 mL – as embalagens de alumínio comprei na Amazon nesse link. Elas fecham bem mas eu ainda envolvo cada uma em plástico filme. Os americanos encontram muito facilmente as tais “pie crusts” prontas, mas aqui não acho – e é bem tranquila de preparar, então faço eu mesma. Só que faço a receita simples de massa de empadão abaixo e acho excelente. Se quiser fazer uma receita de pie crust americana “da gema” pode fazer essa da Martha Stewart, mas eu sinceramente acho que complica mais e nem dá diferença.

Recheio daqui, em tradução livre: derrete 1/3 de xícara de manteiga e refoga 1 xícara de cebola picadinha, 1 xícara de cenoura picadinha, 1 xícara de aipo (salsão) picadinho, até ficarem levemente macios. Daí mistura meia xícara de farinha de trigo peneirada por 1 minuto. Adiciona 2 xícaras de caldo de frango e 1 xícara de leite. Vai mexendo até ficar borbulhando e mais grossinho (cremoso). Daí adiciona 2 xícaras de peito de frango já cozido em cubos (eu gosto de já colocar temperado), 1 xícara de ervilha (uso aquelas congeladas – descongelo e adiciono). Daí adiciona mais ou menos 1 co de chá de sal, meia de pimenta. Prova e se necessário ajusta o sal.
Importantíssimo para toda receita desse tipo: o recheio deve esfriar TOTALMENTE antes de você rechear as tortinhas! Eu gosto de espalhar em pratos rasos (até porque faço 2 receitas num panelão fundo, senão demora horrores pra esfriar).

Massa de empadão: Mistura 300 g de farinha de trigo com 1 pitada de sal e 10g de fermento em pó (“pó royal”). Daí junta 160 de manteiga sem sal e 60 mL de água. Só ir misturando com as mãos até ficar uma massa homogênea. Não é grudenta e não precisa deixar na geladeira. Acho essa massa uma delícia e prática.

Montagem: pra mim é o que faz mais diferença pra ficar gostoso. Sempre cubra a massa que você não está usando com um pano de prato limpo pra não ressecar. Eu gosto de pegar uma bola e colocar entre duas folhas de papel manteiga, tipo um sanduíche. Acho bem higiênico e prático, melhor que ficar trabalhando em superfície cheia de farinha. Daí venho com o rolo de macarrão em cima do papel manteiga e abro a massa bem fininha. Levo a massa (com ajuda do papel manteiga) até a forminha e aperto nos cantinhos pra encaixar na forma. O excesso eu corto com tesoura de cozinha. Daí coloco o recheio até em cima mesmo (gosto beeeem recheado). Então abro outra bolinha pra fazer a tampa e coloco a tampa em cima. Eu não gosto de massa redundante. Aperto onde as partes se encontram e tiro o excesso. Gosto de finalizar com essas tirinhas de massa só pra ficar mais bonitinho mesmo. Depois se quiser servir na hora, só pincelar com gema batida (função puramente estética).

Preparo: Pra congelar, você pode ler no link acima que tem várias possibilidades, empadão é muito versátil quanto a isso. Pode congelar o recheio separado, ou já montada – assada antes ou não. Eu congelo já toda montada, mas sem assar antes. Se você congelar assado pode deixar descongelar à noite na geladeira e só esquentar antes de comer. Eu levo a torta montada com massa crua congelada direto pro forno. Para assar o tempo varia com o tamanho da embalagem, etc. Por isso, sempre anote quanto precisou – que depois, principalmente no pós-parto, você não perde tempo com isso. Eu levo congelado assim: pré-aquece o forno a 180 graus (aqu faço 160 umluft) e tira quando tiver dourada e com recheio quente – aqui demoram uns 50 minutos. A gema pincelada tem só função estética, então fica mais bonito pincelando na hora de assar, mas sai do propósito principal do post (maior praticidade possível) então congelei já pinceladas mesmo. Ou você pode simplesmente não pincelar. 🙂

Não é bem uma comida alemã, mas é suuuuuper a cara da Alemanha. Toda festinha de estudante tem, hahaha . É uma delícia e congela e “requenta” super bem. Faço a receita da revista alemã Brigitte, aqui. Se for amamentar, lembra de usar pouco ou nada de chili. Do jeito que faço nem fica apimentado (uso só um 1 cm de chili vermelho, sem sementes), mas em outras situações gosto de chili “pegando fogo”, haha!

Em tradução livre pra 4 porções: refoga 1 cebola em cubinhos no azeite ou óleo e depois junta 500g de carne moída (boi), um dente de alho amassado e o quanto quiser de chili (“hot pepper”, eu coloco 1 cm picadinho só). Quando a carne estiver já corada, adiciona 3 co de sopa de extrato de tomate, 1 lata (400g) de tomate sem casca/semente (aqui: Pizzatomate), 250 mL de caldo de carne. Mistura, adiciona 1 co de chá de cominho em pó, sal e pimenta à gosto e deixa cozinhar em fogo baixo-médio por pelo menos 20 minutos. No final, adiciona 1 lata de milho (285g, sem água) e 1 lata de feijão preto (“Kidneybohnen) de 250g. Eu finalizo com coentro porque amo. Se tiver fresco pode adicionar também créme fraiche, coentro fresco, e alho poró picadinho.

Esse “Ragout de Peru” é da revista alemã Brigitte . Ela congela super bem e tem um toque meio oriental, meu marido adora. Se você quer comer puro às garfadas, faz assim mesmo. Ela fica um ragoutzinho mesmo, não tem muuuuito molho – como gostamos de comer com tagliatelle ou arroz, eu gosto de dobrar a quantidade de molho e legumes. Principalmente se for congelar, pois quando descongela, o líquido some mais ainda. Daí, como gosto de molho mais encorpado, adiciono algo pra engrossá-lo (aqui uso Saucenbinder, mas maizena funciona também.)

Receita em tradução livre: corta 800g de peito de peru em cubinhos (eu adiciono sal e um pouquinho de molho de soja) refoga no óleo até dourar. Daí tira da panela e reserva. Coloca na panela 1 pimentão amarelo em cubinhos, 2 cenouras em rodelinhas finas, 1 alho poró cortado em tirinhas, 2 dentes de alho amassados e refoga uns 5 minutos. Eu coloco aí um pouco de sal rosa também. Adiciona 250 mL de caldo de frango, 100 mL de Kochsahne (Brasil: algum creme de leite fresco) e os cubinhos de peru. Depois que ferver, deixa uns 3 minutinhos encorpando e ajusta o sal. No fim, joga 2 colheres de sopa de castanha de caju picada (sem sal) e 1 maço de cebolinha picadinha.

Preparo após congelar: toda vez eu deixei descongelando à noite e esquentava no microondas na hora de comer no trabalho. Mas imagino que jogar congelado na panela ao fogo baixo (talvez com um pouquiiiinho de líquido) também deve funcionar bem!

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Bom, é isso pessoal! Independente de ser pro pós-parto ou não, acho que são boas idéias pra “meal prep”, né? Confesso que tenho amado cada vez mais esse mundinho do congelador: a gente economiza tempo e dinheiro, evita desperdício de alimentos e come muito melhor! Se você tem outras dicas de receitas boas de congelar, divida nos comentários por favor!

Beijos!

05
março
2019

5 coisas que sentirei (e não sentirei) falta da gravidez

Postado por Ana em Maternidade

1) Massagem anti-estrias na barriga

Sei que posso teoricamente continuar recebendo minha massagem e tals (depende da boa vontade do respectivo), mas vejam a cena. Chegava eu após um dia cansativo, já toda prontinha pós-banho, cuidados noturnos, cabelo seco. Aparecia com meu óleo Weleda (que depois virou Bio-Oil) na mão, deitava no sofá e ganhava uma massagem anti-estria no meu panção. Sério, melhor coisa ever. Tãaaao relaxante!!!!

2) Movimentos do bebê

Eu sempre me perguntava como eram esses movimentos. E não tem jeito, só engravidando pra saber, né? Comecei a sentir com 17-18 semanas e foram ficando progressivamente mais e mais fortes, mas ainda assim foi diferente do que eu imaginava. Achava que eram chutinhos mas era uma sensação engraçada de músculo liso sendo encostado mesmo. O engraçado é que sempre os senti muito com as mãos também. E com as mãos eu entendia mais o que estava acontecendo do que só “sentir por dentro”. Quantas vezes à noite os fiquei ali sentindo quietinha com mão na barriga, abrindo um sorriso transorelha? Às vezes davam gastura. Às vezes eram meio alienígenas e eu morria de rir. E os montinhos de um lado só? O bumbum ali encostado, a perninha… eu e marido brincando com os “montinhos de bebê” à noite. Aiai, vou morrer de saudades disso!

3) Consideração alheia

A Alemanha não tem fila prioritária e super entendo, aqui nem funcionaria devido ao tanto de idosos. Tem lugar nos trens e tals. Quando minha barriga surgiu já estava frio e quase não dava para vê-la com meu casacão de inverno, então não sei como seria essa parte. Mas não é esse tipo de consideração a que me refiro. Percebi sim uma consideração maior de todas as pessoas. Perguntando como eu estava, facilitando algumas coisas para mim. Paparicos da família, hahaha E o principal: a enorme consideração com grávidas por parte do sistema social alemão. Que país respeitoso com as grávidas/mães, quantos direitos! Acho que em nenhuma outra fase da vida somos tão protegidos pelo sistema. Contei (muito) mais no post sobre o pré-natal.

4) Antecipação da maior alegria da vida.

Quando o verão ainda era minha estação favorita eu sempre dizia que na verdade eu preferia a primavera. Pelo mesmo motivo que sempre amei mais sexta do que sábado! Prefiro os momentos antes do cume do que o cume em si. Porque depois penso “ah, nada vai ser tão mágico como isso mais”. Faz sentido? hehehehe Acho que segurar minha primeira filha nos braços pela primeira vez vai ser o momento agudo mais feliz da minha vida. E essa antecipação – apesar de meio assustadora às vezes – é boa demais.

5) A licença maternidade pré-bebê

No meu caso, começou já na semana 32, pois tirei 2 semanas de férias antes da licença obrigatória. Quando o nenê chega, sei que vem um trabalhão, só muda o tipo, hahaha. Mas sei que fiquei “doidinha” (no bom sentido) com tanto tempo livre. Fazer o que eu quiser, ler livro, ver netflix, cozinhar com calma, ver o mundo lá fora em plena segunda-feira à tarde! Que mamata é essa, Brasil? Nem sei o que faço primeiro. Nem me lembro da ultima vez que tive tanto tempo pra fazer o que eu bem entendesse. Pra ser perfeito só faltava o vinhozinho e a ausência dos sintominhas chatos, conseguir dormir de verdade, etc haha!

Nem vou mencionar os sintomas comuns (meus predominantes: MUITA dor na perna à noite, câibras à noite, pirose, motilidade triste no final…) porque ninguém em sã consciência sente falta disso, né?

1) Medos e ansiedade

Para mim foi disparada a parte mais difícil. Quem não quer ter um neném saudável, não é mesmo? Os outros ítens são completamente secundários em relação a esse. O CRM+ não ajuda, viu. Desde ao medo de aborto espontâneo no início, passando pelo pânico dos screenings , medo de todas as possiveís patologias, da prematuridade… Eu sempre chegava para consulta super tensa (a pressão era sempre um pouco mais alta do que eu media em casa). No dia do screening eu até falei com minha médica “vejo o pessoal falando que está feliz em ir finalmente pro exame morfológico e eu não entendo isso, como pode uma pessoa ficar feliz em ir fazer o morfológico????”. hahaha Isso mesmo. Os medos ainda não passaram, eles só mudaram de acordo com a fase da gestação. Sei que isso é muito por causa da minha personalidade. Meu marido também é CRM+ e ficou tranquilo o tempo todo. Ele inclusive me disse para eu get a grip porque os medos e ansiedades não vão passar quando o neném nascer, crescer (muito pelo contrário). Senão vou ter uma vida inteira de preocupação. Acho que ele tá certo, veremos o que consigo fazer.

2) Mil médicos e exames

Odeio ir ao médico. Sempre fui contudo muito responsável, ia na gineco 1x por ano, fazia meus exames necessários também. Mas na gravidez isso é muito multiplicado. E olha que a minha não era de risco e foi não-complicada. Mas é médico demais, exame demais, agulhada demais. E aquele exame de glicemia? Puáaaaa.

3) Privações alimentares

Isso obviamente aflige todas as grávidas. Para mim o pior: ficar sem minhas tacinhas de vinho tinto e sem poder tomar café à vontade. Pra piorar, a neurose com saladas de rua, salames , patês, ovo mole, sushi, maionese, alguns tipos de queijo! Juntei o pior dos dois mundos – Brasil e Alemanha – em relação às proibições (ver post de cuidados na gravidez, lá explico melhor). Meu desejo para o pós-parto imediato é que meu marido me leve uma salada de um sacolão lá que amo, e uma tacinha de vinho tinto assim que der (tem que ver por causa da amamentação, né).

4) Não poder fazer o exercício físico que eu quiser

Eu era doida pra unidade da academia que frequentava passar a ter aulas de jump (adoro). E sim, as tais aulas apareceram lá pela minha 15a. semana de gravidez. Fiquei só chupando o dedo. O mesmo para minhas aulas favoritas: o body pump, step, o pilates-pancadão, o yoga “de verdade”, meus funcionais de casa (flexões etc). Tudo isso ia além do recomendado para a gravidez. Até os exercícios de musculação que mais gostava acabei abandonando. Me restaram elíptico e ergométrica e uns exercícios mais entediantes, e um yoga quase homeopático. Uma pena, considerando o ítem a seguir.

5) A vontade incontrolável de comer doce a ENORME capacidade do corpo em acumular peso

o lema do meu marido kkkkk

Eu não entendia quem ganhava 40 kg numa gravidez, achava que era desleixo. Daí Zeus virou pra mim e falou “CUMPRA-SE!!!” hahahahahha Vi que isso é totalmente possível. Eu até consegui ficar na minha curva de ganho normal, mas se eu não tivesse quase MORRIDO de esforço físico e psicológico, tinha ganho fácil uns 40 kg. Uma coisa muito difícil da minha gravidez foi a nova incontrolável vontade de comer doces. Eu nunca nem fui fã de doces. Mas espera, vocês não estão entendendo. Não era vontadezinha, mas tipo compulsão mesmo. A vontade era às vezes tanta que me dava impressão que eu ia convulsionar. E não tinha muita solução essa vontade – pedacinhos não melhoravam em nada. Eu me imaginava comendo 5 bolos inteiros de uma vez e com zero alívio de vontade. Obviamente nunca fiz isso, mas foi uma força de vontade muito dolorida, penosa. Parece gracinha e tal, mas sofri muito com isso. Porque eu realmente queria me manter saudável e com ganho de peso ok (e consegui). E do outro lado do problema estava a enorme capacidade do corpo em engordar. Totalmente desproporcional aos meus esforços, ao que comia. Em outra época com esse nível de esforço físico e psicológico eu até perderia muito peso. Na gravidez, uma deslizada = 1kg a mais, sem volta. Injusto mesmo! Não cortei totalmente os doces (isso inclusive nem conseguiria), mas em 100% do tempo dos últimos meses eu estava pensando em doce e me segurando para não comer. Então no fim das contas acho que merecia sim uma medalha pelos esforços, rs. Simplesmente um saco essa situação e espero que isso vá embora do meu corpo quando o bebê nascer.

E vocês? Quais foram as melhores e piores coisas de suas gravidezes?


Beijos!

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