15
julho
2017

Yoga & Glaucoma

Postado por Ana em Fitness, Olhos

Eu sinceramente nunca acreditei na máxima de que a “coisa X não tem contra-indicação nenhuma e todo mundo pode fazer“. Sei que tem muita gente que pensa isso de coisas como Yoga & Pilates (afinal, até grávida faz, rs). Acho que para toda atividade física, por mais inofensiva que pareça – você sempre vai encontrar pessoas com problemas específicos que no mínimo têm que executar atividades de forma diferente, limitada, etc. Por isso consultar profissionais antes de iniciar qualquer coisa é fundamental. Como tenho me tornado uma Yogi-Bear, acho legal também falar sobre a questão de Yoga e Glaucoma. Acho que muita gente nem imagina, mas tendo vista a popularização do Yoga nos últimos anos, acho muito importante informar-se! Primeiro, alguns conceitos básicos da Tia Ana: 🙂

O que é glaucoma?

Glaucoma é uma doença da cabeça do nervo óptico, em que ele vai perdendo suas fibras nervosas e consequentemente a visão (“campo visual”) vai sendo perdida. A doença não tem cura, mas tem tratamento, de forma que com o diagnóstico precoce e tratamento correto você pode ter visão perfeita por toda a vida. Existem vários tipos de glaucoma, mas o mais comum deles é muito insidioso – não dói e não é percebido nas fases iniciais ou até mesmo moderadas. A doença não é nada rara e o risco de tê-la aumenta com a idade, mas ela acomete os jovens também. Apesar de história familiar ser importante, ela pode acometer qualquer um. É muito importante o controle no oftalmologista uma vez por ano, onde além do exame do nervo óptico será feita a medida da pressão ocular.

A importância da pressão ocular

Tem uma confusão muito comum aí: tem gente que acha que quem tem a pressão do olho alta tem glaucoma, mas não é por aí! Pressão intra-ocular “alta” não é sinônimo de glaucoma, mas sim um fator de risco muito importante. Quem tem a pressão super alta e não-tratada muito provavelmente desenvolverá glaucoma. Contudo, há pessoas com uma pressão alta comparada com a norma da população mas que por terem nervos “resistentes”, não desenvolvem glaucoma! E há pessoas com pressão normal e que por terem nervos “sensíveis” desenvolvem glaucoma mesmo assim. Tudo deliciosamente geneticamente mediado. Há como abaixar a pressão do olho – geralmente com colírios, mas também existe um tratamento a laser e em último caso uma cirurgia. Se você tem a doença, o melhor é fazer o acompanhamento com um oftalmologista especialista em glaucoma.

Glaucoma e Yoga

A questão é: Yoga causa Glaucoma? Olha, depende do seguinte: em quem e qual posição ?! O que causa glaucoma é uma predispodição genética junta a fatores fisiológicos e até ambientais tudo-junto-e-misturado! Não é certo dizer que Yoga causa glaucoma, mas pode piorar o glaucoma em certas pessoas. O interessante é que posições de cabeça para baixo, sejam de Yoga ou não, elevam a pressão intra-ocular e isso perdura por uns minutos após você voltar para a posição normal. O mesmo vale para tudo que causa uma manobra de Valsalva elevada (Valsalva é tipo quando você fecha o nariz e força expiração, sabe?). Alguns exercícios fora do Yoga forçam muito isso, como minha amada barra fixa (pull-ups/chin-ups). Se isso é um problema ou não , é individual e o que é realmente contra-indicado para você só seu médico pode dizer!

Situação a): Se você não tem glaucoma e tem um nervo com resistência normal, o Yoga ou outras atividades com excesso de Valsalva não causarão problema. É aquela mesma coisa de que quem tem um pâncreas bom pode comer 2kg de açúcar por dia que não terá diabetes, sabe? As posições de cabeça para baixo elevarão sim a pressão do olho para acima do seu normal por uns minutos, mas seu nervo saudável não sofrerá com isso. De qualquer forma, o controle anual de rotina é indicado.

Situação b) Se você já tem glaucoma, a pressão do seu olho tem que estar sempre bem controladinha dentro do seu alvo individual que o oftalmologista definiu. O Yoga não é contra-indicado, mas o ideal é que certas posições não sejam feitas, ou então deverão ser modificadas pelo seu professor. Ou peloooo menos, se você estiver controladinho e estável e quiser insistir nelas, tem que fazer acompanhamento muito próximo no oftalmologista, com preferência repetindo um exame chamado “OCT” de tempos em tempos! São as posições abaixo que elevam a pressão intra-ocular durante e até mesmo minutos após o exercício. A que mais eleva a pressão é a do cachorro olhando para baixo. E quem faz Yoga sabe o quanto essa posição é comum, repetida mil vezes durante uma aula de Vinyasa/Ashtanga! Se você tem glaucoma “clássico” , o seu nervo é por definiçào sensível à pressão aumentada e picos de pressão podem levar a perdas irreversíveis de fibras nervosas.

Adho Mukha Shvanasana – Cachorro olhando para baixo —> a pior para glaucomatosos!

Uttanasana – Postura do alongamento intenso

Halasana – Postura do arado.

Viparita Karani – Postura da Ação Invertida

Me perdoem se errei nos nomes em português. Em Yoga sou alfabetizada em alemão e italiano, SASHA FEELINGS, kkkk!

Essas recomendações vêm dos seguintes estudos:

Yoga can be dangerous—glaucomatous visual field defect worsening due to postural yoga

Intraocular Pressure Rise in Subjects with and without Glaucoma during Four Common Yoga Positions

Além, claro, do próprio conhecimento da fisiologia ocular, que torna esse mecanismo e relação óbvios e fáceis de compreender. Não custa lembrar que existem vários tipos de Yoga e várias Asanas (posições) que são muito benéficas e não influenciam a pressão intra-ocular! E que exercício físico é um aliado no controle do glaucoma, assim como o controle do estresse! Como tudo, deve-se ter um equilíbrio nas indicações e contra-indicações – porque atividades físicas em geral e inclusive o Yoga trazem muitos benefícios para a saúde geral e ocular também. Por isso, de forma alguma são 100% proibidas mas devem sim ser individualizadas para não causar mais danos que vantagens!

Meus textos da área da saúde são feitos para o público leigo, de forma simples e resumida e não têm a intenção de formar colegas. Por favor não reproduzir sem autorização!

Beijos da Yogi-Bear oftalmologista

14
abril
2016

Mais três produtos de higiene palpebral que testei

Postado por Ana em Olhos

Eu sou “a louca da higiene palpebral“. Ainda trabalho com isso então daí que experimento meeesmo tudo que vejo de novo – até mesmo pra saber antes de indicar! Como já disse, cada olho é diferente! Alguns mais sensíveis que os outros. Eu me enquadro na categoria “sensível”, qualquer coisa arde. Por outro lado, não tenho blefarite (“inflamação das pálpebras”) e a higiene que faço é mais parte da minha rotina mesmo, até pra ajudar a tirar resto de maquiagem. Qual é o melhor depende de cada caso – pra mim, que tenho olhos sensíveis e não tenho blefarite, as compressinhas “Blephaclean” funcionam super bem e é elas que uso na rotina. Para saber qual é o melhor pra você, consulte seu oftalmologista (ó a sardinha sendo puxada 😉 ).

Leia também os posts relacionados:

1) Como realmente limpar a área dos olhos
2) Blephagel, fique mais barato?
3) Frex clean: outra opção para limpeza das pálpebras
4) Blephaclean: limpeza de pálpebras pra quem tem preguiça

Testei amostras de três outros produtos, um da Alemanha e outros dois do Brasil. Abaixo digo o que eu achei, como consumidora mesmo!

1) Primorgel

blefaprimorgel

Esse produto é da francesa Legrand e peguei uns sachês de amostra que estavam lá na casa em BH. Em mim ardeu muito, como nenhum outro. Em simplesmente todas as vezes que usei e, olha que eu insisti pela “ciência do blog”. Meus olhos são bem sensíveis, pode ser que não arda em todo mundo. E na Araújo está mais de 120 reais pra 40g. Ah, achei o cheiro bem neutro.

Blepha Cura

blefablephacura

O Blepha Cura é um “queridinho” aqui na Alemanha pros casos de “blefarite de verdade”. Ele não é minha primeira opção pra casos leves, porque acho que outros são mais práticos. Aqui me refiro à suspensão lipossomal, já que tem outros produtos similares também. O cheiro dele me lembra o do Óleo Dersani, acho isso meio ruim. Também não é muuuuito prático, pois tem que colocar num disco de algodão e daí sim limpar os cílios/linha d’água. Assim como o Blephagel, teoricamente não precisa enxaguar, mas sempre passo uma águinha no final! Ele nunca ardeu em mim! Como produto médico ele costuma ser bom, se bem indicado – complementamente aos outros, ele tende também a tratar um pouco da inflamação no local. Mas para as “iniciantes” na arte, que fazem a limpeza mais pelo cuidado mesmo, eu acho meio exagerado, não seria a minha primeira escolha. Aqui custa cerca de 15 euros (uns 60 reais) pra 70 mL. Uma desvantagem é que tem que usar em até 4 semanas depois de aberto.

Frex Clean T

blefafrexcleant

Enquanto a Frex Clean não seguiu minha sugestão de mudar o nome uó antes que fosse tarde, deram um passo a frente lançando a espuminha na forma “T”, hipoalergênica. De fato, achei mais leve e esse não ardeu em mim como o outro! Tem, como o Frex Clean normal, a obrigatoriedade de ter que enxaguar depois! Eu só detestei o cheiro – estou até agora tentando identificar melhor, eu diria que tem cheiro de sauna mofada. O preço continua melhor que o dos concorrentes, pois é cerca de 100 reais pra 80 mL!


Beijos

23
fevereiro
2016

Dez coisas a saber sobre cirurgia refrativa a laser (“da miopia”)

Postado por Ana em Olhos

Há muito tempo que queria escrever esse post, mas só agora “saiu”. Foi até bom esperar porque nos últimos meses passei a me ocupar relativamente bastante na área e aprendi muito mais também. Na verdade, cirurgia refrativa é um conceito que engloba várias técnicas que têm um objetivo em comum: a independência – parcial ou total – de óculos ou lente de contato. Aqui falarei da que é mais “famosa” atualmente: aquela a laser, sabem? Inclusive existem algumas formas diversas de cirurgia a laser, mas vou me referir abaixo mais especificamente ao LASIK, que é a mais comum atualmente. Muita gente conhece como “cirurgia de miopia“, mas o laser pode corrigir outros erros refracionais também, como hipermetropia e astigmatismo. Mas, como é mais comum, falarei mais da correção de miopia mesmo!

1) O que pode ser corrigido com a cirurgia refrativa a laser?

O laser pode corrigir miopia, astigmatismo (inclusive os dois ao mesmo tempo) e também hipermetropia. O quanto pode ser corrigido é bem individual e depende das características do olho da pessoa, por exemplo, da espessura da córnea. No geral, a correção máxima recomendada é de 8 graus para miopia, de 3 para hipermetropia e 5 pro astigmatismo.

2) Como é realizado o procedimento? Dói?

cornea

O alvo da cirurgia a laser é a córnea. A córnea é a “tampinha do relógio do olho”, a parte transparente que fica na frente da íris. A técnica mais moderna de LASIK se chama Femto-Lasik, pois o corte inicial é feito com laser de Femtosegundo. O procedimento não dói, porque a córnea é altamente anestesiável com colírio. E tudo é muito rápido. Primeiro, pinga-se um colírio anestésico no olho. Depois chega um anel de sucção que dá uma pressionada na córnea para ela ser cortada com precisão. Nesse curto momento, a pressão do olho sobe bastante e no geral não se vê nada. Daí o laser tipo “Femtolaser” corta uma tampinha na córnea (“flap“), que já foi pré-calculada.

lasik2

Ainda é feito bastante também o LASIK com microcerátomo em vez do Femtolaser, onde o corte não é feito com o laser, mas sim com uma espécie de micro-bisturi. Depois, o cirurgião levanta a tampinha e daí vem outro tipo de laser, o “Excimer laser“. Este passa fazendo a “ablação corneana” – removendo uma quantidade também pré-calculada de tecido da córnea. Por exemplo, para corrigir cada grau de miopia se remove uma quantidade “x” de tecido. Daí fecha-se a tampinha e é tudo auto-selante, não precisa de pontos. O cirurgião te falará para onde deverá olhar durante o procedimento – você não precisa ter medo de seus movimentos oculares, pois os aparelhos modernos estão preparados para segui-los, se pequenos, ou para parar o procedimento em caso de grandes movimentos.

3) Quem pode fazer? Pra quem é indicado?

Cada serviço pode alterar um pouco as indicações, mas no geral, o paciente deve ter mais de 18 anos. Além disso, o grau de óculos deve estar estável há pelo menos um ano, sem alterar-se em mais que meio grau. Os olhos devem ser saudáveis, você não pode ter doenças de córnea nem doenças que cursam com olho seco grave. Você não pode estar grávida nem amamentando e sua saúde geral deve ser boa. Sua córnea deve ser suficientemente grossa para que, após retirado o necessário, ainda fique uma quantia X de segurança. A indicação de submeter-se ou não à cirurgia é individual, mas o básico é que ela serve para melhorar a qualidade de vida. Então, na minha opinião, ela está indicada para quem se sente mutilado pela necessidade de óculos ou lente de contato para longe. Como tudo na vida, é questão de custo x benefício, que deverão ser pesados!

pirato

4) Há riscos ?

Apesar de ser muito seguro, o LASIK tem seus riscos, como em todo procedimento médico. Os riscos sérios, contudo, são muitíssimo raros, especialmente com os procedimentos com FemtoLaser, que praticamente aboliram as complicações de corte. Não vou listar alguns bem específicos, mas apenas alguns mais importantes: infecção, reações de hipersensibilidade, erros de cálculo ou “piorar um ceratocone adormecido”. Ceratocone é uma doença da córnea que vocês possivelmente conhecem – e é contra-indicação absoluta para o procedimento. Mas o problema é que nem sempre é fácil de reconhecê-lo. Quando o ceratocone está na forma “frustra”, ou seja, “adormecida”, pode ser muito difícil diagnosticá-lo, mesmo com exames modernos. O risco com a tecnologia atual é ínfimo, mas existe. Esse é dos maiores desafios desse tipo de procedimento, aliás. Porque LASIK é veneno pra ceratocone – o que era frustro, após um procedimento desse, aparece e degringola de vez. Já em relação a LASIK x Descolamento de retina, há muita discórdia. O LASIK não foi confirmado como fator de risco independente, mas a miopia, principalmente a alta, sim. E são geralmente esses os candidados ao LASIK, o que leva a muita confusão, pois são pessoas que, obviamente terão uma frequência maior de descolamento que as demais. O que se sabe é que a retina deverá ser bem examinada no pré-operatório e eventuais defeitos (como buracos, rasgões) deverão ser tratados antes (laser de retina). Não se sabe ao certo mas pode ser que, devido ao anel de sucção, a força sobre o olho possa atuar sobre lugares já sensíveis da retina (no caso, não previamente tratados) e favorecer o aparecimento de uma rotura, por exemplo.

A parte mais desafiadora de um bom resultado com o LASIK nem é a cirurgia em si, mas sim o pré-operatório. Muitos exames são feitos antes para tentar garantir a satisfação no final, mas sempre existe a chance da correção final não ser a esperada. Em LASIK, touch-ups, ou retoques, são possíveis, mas como tudo em medicina, melhor conseguir o efeito esperado na primeira tentativa. Re-operações sempre têm mais riscos!

5) Há efeitos colaterais?

Em relação aos efeitos colaterais mais comuns: sensação de olho seco, bem puxada no primeiro dia (tem que pingar colírio frequentemente) e desconfortável nas primeiras semanas. Daí será bem de cada um, se os olhos permanecerão mais secos após o procedimento ou se voltarão ao “normal” e em quanto tempo! Mais uma vez a importância do pré-operatório para reconhecer olhos já secos que provavelmente sofrerão mais com o problema após o LASIK. A profissão também é importante, quem trabalha o dia todo no computador sofrerá provavelmente mais com isso, principalmente no início. Além disso, é muito comum que uns vasinhos superficiais se arrebentem no procedimento e os olhos fiquem BEM vermelhos por dias. Nada de fazer pra preparar pro seu casamento que será em uma semana haha! Além disso, pode haver uma piora na visão dos “halos” noturnos (vai depender do tamanho da pupila). Isso acontece porque, à noite, a pupila fica às vezes maior que a superfície que foi trabalhada no LASIK.

6) Se eu me submeter a cirurgia nunca mais vou precisar de óculos?

Acho que essa é a questão mais importante e subestimada. Talvez eu seja meio conservadora, mas não me sinto bem vendo paciente de 37 anos optando pela cirurgia refrativa sem que lhe tenha sido explicada a situação a seguir muito bem: ele está ali porque quer independência de óculos, mas daí a uns 3 anos precisará de óculos de leitura. Um míope com 3 graus de miopia poderá ficar a vida toda lendo sem óculos, maquiando sem óculos. Isso acontece porque a miopia pode “compensar” a vista cansada (“presbiopia”), que acomete todas as pessoas a partir dos 40 anos. Lembro que não são todos os graus, mas geralmente os entre 1 e 4 oferecem mais essa vantagem (depende também do astigmatismo). Após a cirurgia, essa “vantagem” da miopia será perdida e, ao se tornar présbita (cerca de 40 anos), ele precisará de óculos de leitura como todos os outros. Além disso, principalmente nos mais jovens, mesmo estando o grau estável há um tempo, há a chance da miopia progredir e a necessidade de óculos para longe voltar (ainda que menor). Nesse caso, é possível um segundo procedimento. Por isso, não tem como garantir 100% que a independência de óculos, mesmo para longe, será para sempre. A independência absoluta de óculos por toda a vida só é possível com procedimentos de troca de lente intraocular (“facorefrativa”), mas isso é assunto pra outro post!

7) Em quanto tempo voltarei a trabalhar e quais os cuidados após o procedimento?

Ao contrário dos procedimentos a laser antigos (alguns ainda indicados em casos individuais), a recuperação com LASIK é muito rápida. Se a qualidade da visão ainda não está 100% logo após o procedimento, é mais pela secura mesmo. No geral, fica-se só em repouso no dia do procedimento mesmo, sem forçar muito. Sair de óculos escuros, devido à sensibilidade à luz no primeiro dia, também é aconselhado. Para a primeira noite, há um protetor ocular para usar. Na primeira semana, de preferência no primeiro mês até, não se deve coçar/esfregar os olhos. Deve-se pingar os colírios prescritos! De preferência, um mês sem sauna e piscina ou coisas que aumentem a chance de trauma ocular, como jogar futebol. Dirigir, só se já se sentir apto após o segundo dia. O banho nas primeiras 24h só se tiver garantia de que não vai entrar água/xampu nos olhos. Nos dias seguintes, apesar da secura ou eventualmente olhos vermelhos, se consegue trabalhar na maioria das funções. Por exemplo, onde trabalho são feitas na sexta e na segunda pessoal já volta a trabalhar – aqui na Alemanha nem se pode dar atestado médico por causa dessa cirurgia, pois é considerada cosmética (no Brasil é diferente).

8) Quando custa um procedimento desses?

Em relação ao FEMTO-Lasik: perguntei para minha amiga (Dra. Fernanda Vieira) que trabalha com isso em BH e ela disse que lá custa cerca de 4 mil reais os dois olhos. No Brasil, em certos casos o seguro cobre o LASIK (mas não o FEMTO-Lasik) – por exemplo, miopia acima de 5 graus. Aqui no sul da Alemanha o procedimento custa entre 3000 e 4000 euros os dois olhos (com Femto-Lasik guiado por Wavefront) e o seguro obrigatório (“Krankenkasse”) não cobre em nenhum caso, os particulares no máximo só parcialmente e dependendo do caso – os seguros deverão ser individualmente consultados.

9) Por que meu oftalmolgista usa óculos?

oculosGuilty!!

Clássica pergunta, hahaha! Alguns motivos são possíveis. Pode ser que ele seja míope e viva de boa com óculos e adora o fato de continuar lendo sem precisar de óculos e você não tem na-da a ver com isso, (#deixaopovoempaz) kkk! Pode ser que ele esteja com óculos só para poder ler, já que ele já sofre “de vista cansada” e laser não corrige a “vista cansada” (presbiopia). Pode ser que ele não esteja a fim de cirurgia e/ou que ele MORRA de medo. Sim! Os riscos são mínimos, mas quando se conhece bem o olho você fica “trancado” mesmo com as possibilidades. Se for a Ana é só porque ela tá meio sem maquiagem ou extra-olheiruda aquele dia e quer disfarçar a olheira! 🙂

10) Ana, você indicaria no meu caso?

Coloquei esse ítem para falar que eu não vou responder esse tipo de pergunta aqui nos comentários. As mais gerais, com todo o prazer. Mas para o SEU caso, só você com o seu oftalmologista mesmo para ter a resposta. O que posso falar genericamente é que, no geral, eu recomendo exaurir as outras possibilidades conservadoras antes de se submeter à cirurgia: já tentou lente de contato? Já tentou lente de contato com um SUPER especialista em lente de contato? Pode ser que você fique super satisfeito assim. Devo ser sincera – se perguntarem, a maioria absoluta-e-esmagadora dos pacientes que chegam pro controle pós- LASIK de 3 meses estão radiantes de alegria. É o que ocorre quando a indicação é correta e o pré-operatório é bem feito, inclusive com cerca de UMA hora de esclarecimentos. Mas a verdadeira pesquisa de satisfação seria aquela feita no fim da vida mesmo, tendo em vista as questões que pontuei antes. Quem sou eu, que mal precisei de óculos na vida, para julgar alguém com miopia de -5 que viu mal a vida toda, né? Mas, por favor, só não se decidam por isso só por modinha, porque sua blogueira favorita fez um post falando que é MARA! BOM SENSO sempre, e tirar todas as suas dúvidas com seu oftalmologista é importantíssimo – assim ficará satisfeito com sua decisão.

Os meus textos da área da saúde são voltados para o público leigo e não têm a intenção de formar colegas oftalmologistas. Por favor, não usem meus textos em outros sites sem a minha autorização, obrigada!

Beijos, e pra quem for fazer todas as boas energias do mundo!

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