05
março
2019

5 coisas que sentirei (e não sentirei) falta da gravidez

Postado por Ana em Maternidade

1) Massagem anti-estrias na barriga

Sei que posso teoricamente continuar recebendo minha massagem e tals (depende da boa vontade do respectivo), mas vejam a cena. Chegava eu após um dia cansativo, já toda prontinha pós-banho, cuidados noturnos, cabelo seco. Aparecia com meu óleo Weleda (que depois virou Bio-Oil) na mão, deitava no sofá e ganhava uma massagem anti-estria no meu panção. Sério, melhor coisa ever. Tãaaao relaxante!!!!

2) Movimentos do bebê

Eu sempre me perguntava como eram esses movimentos. E não tem jeito, só engravidando pra saber, né? Comecei a sentir com 17-18 semanas e foram ficando progressivamente mais e mais fortes, mas ainda assim foi diferente do que eu imaginava. Achava que eram chutinhos mas era uma sensação engraçada de músculo liso sendo encostado mesmo. O engraçado é que sempre os senti muito com as mãos também. E com as mãos eu entendia mais o que estava acontecendo do que só “sentir por dentro”. Quantas vezes à noite os fiquei ali sentindo quietinha com mão na barriga, abrindo um sorriso transorelha? Às vezes davam gastura. Às vezes eram meio alienígenas e eu morria de rir. E os montinhos de um lado só? O bumbum ali encostado, a perninha… eu e marido brincando com os “montinhos de bebê” à noite. Aiai, vou morrer de saudades disso!

3) Consideração alheia

A Alemanha não tem fila prioritária e super entendo, aqui nem funcionaria devido ao tanto de idosos. Tem lugar nos trens e tals. Quando minha barriga surgiu já estava frio e quase não dava para vê-la com meu casacão de inverno, então não sei como seria essa parte. Mas não é esse tipo de consideração a que me refiro. Percebi sim uma consideração maior de todas as pessoas. Perguntando como eu estava, facilitando algumas coisas para mim. Paparicos da família, hahaha E o principal: a enorme consideração com grávidas por parte do sistema social alemão. Que país respeitoso com as grávidas/mães, quantos direitos! Acho que em nenhuma outra fase da vida somos tão protegidos pelo sistema. Contei (muito) mais no post sobre o pré-natal.

4) Antecipação da maior alegria da vida.

Quando o verão ainda era minha estação favorita eu sempre dizia que na verdade eu preferia a primavera. Pelo mesmo motivo que sempre amei mais sexta do que sábado! Prefiro os momentos antes do cume do que o cume em si. Porque depois penso “ah, nada vai ser tão mágico como isso mais”. Faz sentido? hehehehe Acho que segurar minha primeira filha nos braços pela primeira vez vai ser o momento agudo mais feliz da minha vida. E essa antecipação – apesar de meio assustadora às vezes – é boa demais.

5) A licença maternidade pré-bebê

No meu caso, começou já na semana 32, pois tirei 2 semanas de férias antes da licença obrigatória. Quando o nenê chega, sei que vem um trabalhão, só muda o tipo, hahaha. Mas sei que fiquei “doidinha” (no bom sentido) com tanto tempo livre. Fazer o que eu quiser, ler livro, ver netflix, cozinhar com calma, ver o mundo lá fora em plena segunda-feira à tarde! Que mamata é essa, Brasil? Nem sei o que faço primeiro. Nem me lembro da ultima vez que tive tanto tempo pra fazer o que eu bem entendesse. Pra ser perfeito só faltava o vinhozinho e a ausência dos sintominhas chatos, conseguir dormir de verdade, etc haha!

Nem vou mencionar os sintomas comuns (meus predominantes: MUITA dor na perna à noite, câibras à noite, pirose, motilidade triste no final…) porque ninguém em sã consciência sente falta disso, né?

1) Medos e ansiedade

Para mim foi disparada a parte mais difícil. Quem não quer ter um neném saudável, não é mesmo? Os outros ítens são completamente secundários em relação a esse. O CRM+ não ajuda, viu. Desde ao medo de aborto espontâneo no início, passando pelo pânico dos screenings , medo de todas as possiveís patologias, da prematuridade… Eu sempre chegava para consulta super tensa (a pressão era sempre um pouco mais alta do que eu media em casa). No dia do screening eu até falei com minha médica “vejo o pessoal falando que está feliz em ir finalmente pro exame morfológico e eu não entendo isso, como pode uma pessoa ficar feliz em ir fazer o morfológico????”. hahaha Isso mesmo. Os medos ainda não passaram, eles só mudaram de acordo com a fase da gestação. Sei que isso é muito por causa da minha personalidade. Meu marido também é CRM+ e ficou tranquilo o tempo todo. Ele inclusive me disse para eu get a grip porque os medos e ansiedades não vão passar quando o neném nascer, crescer (muito pelo contrário). Senão vou ter uma vida inteira de preocupação. Acho que ele tá certo, veremos o que consigo fazer.

2) Mil médicos e exames

Odeio ir ao médico. Sempre fui contudo muito responsável, ia na gineco 1x por ano, fazia meus exames necessários também. Mas na gravidez isso é muito multiplicado. E olha que a minha não era de risco e foi não-complicada. Mas é médico demais, exame demais, agulhada demais. E aquele exame de glicemia? Puáaaaa.

3) Privações alimentares

Isso obviamente aflige todas as grávidas. Para mim o pior: ficar sem minhas tacinhas de vinho tinto e sem poder tomar café à vontade. Pra piorar, a neurose com saladas de rua, salames , patês, ovo mole, sushi, maionese, alguns tipos de queijo! Juntei o pior dos dois mundos – Brasil e Alemanha – em relação às proibições (ver post de cuidados na gravidez, lá explico melhor). Meu desejo para o pós-parto imediato é que meu marido me leve uma salada de um sacolão lá que amo, e uma tacinha de vinho tinto assim que der (tem que ver por causa da amamentação, né).

4) Não poder fazer o exercício físico que eu quiser

Eu era doida pra unidade da academia que frequentava passar a ter aulas de jump (adoro). E sim, as tais aulas apareceram lá pela minha 15a. semana de gravidez. Fiquei só chupando o dedo. O mesmo para minhas aulas favoritas: o body pump, step, o pilates-pancadão, o yoga “de verdade”, meus funcionais de casa (flexões etc). Tudo isso ia além do recomendado para a gravidez. Até os exercícios de musculação que mais gostava acabei abandonando. Me restaram elíptico e ergométrica e uns exercícios mais entediantes, e um yoga quase homeopático. Uma pena, considerando o ítem a seguir.

5) A vontade incontrolável de comer doce a ENORME capacidade do corpo em acumular peso

o lema do meu marido kkkkk

Eu não entendia quem ganhava 40 kg numa gravidez, achava que era desleixo. Daí Zeus virou pra mim e falou “CUMPRA-SE!!!” hahahahahha Vi que isso é totalmente possível. Eu até consegui ficar na minha curva de ganho normal, mas se eu não tivesse quase MORRIDO de esforço físico e psicológico, tinha ganho fácil uns 40 kg. Uma coisa muito difícil da minha gravidez foi a nova incontrolável vontade de comer doces. Eu nunca nem fui fã de doces. Mas espera, vocês não estão entendendo. Não era vontadezinha, mas tipo compulsão mesmo. A vontade era às vezes tanta que me dava impressão que eu ia convulsionar. E não tinha muita solução essa vontade – pedacinhos não melhoravam em nada. Eu me imaginava comendo 5 bolos inteiros de uma vez e com zero alívio de vontade. Obviamente nunca fiz isso, mas foi uma força de vontade muito dolorida, penosa. Parece gracinha e tal, mas sofri muito com isso. Porque eu realmente queria me manter saudável e com ganho de peso ok (e consegui). E do outro lado do problema estava a enorme capacidade do corpo em engordar. Totalmente desproporcional aos meus esforços, ao que comia. Em outra época com esse nível de esforço físico e psicológico eu até perderia muito peso. Na gravidez, uma deslizada = 1kg a mais, sem volta. Injusto mesmo! Não cortei totalmente os doces (isso inclusive nem conseguiria), mas em 100% do tempo dos últimos meses eu estava pensando em doce e me segurando para não comer. Então no fim das contas acho que merecia sim uma medalha pelos esforços, rs. Simplesmente um saco essa situação e espero que isso vá embora do meu corpo quando o bebê nascer.

E vocês? Quais foram as melhores e piores coisas de suas gravidezes?


Beijos!

03
março
2019

Maternidade: bolsa do bebê e minha mala

Postado por Ana em Maternidade

Em um parto normal, sem intercorrências e com bebê a termo e saudável, aqui na Alemanha, já é possível receber alta após 4 horas. Mas a maioria fica mais – e eu também vou ficar o padrão mesmo, que é 3-4 dias se for normal. Se for cesariana (no meu caso, só se houver indicação médica inesperada) varia de 5-7 dias em média. Acho melhor ficar esses dias, pois o bebê já sai com primeiros exames médicos em dia (até o U2), tenho o apoio da enfermagem nesses primeiros ~doloridos~ momentos e todas as instruções pra mamãe de primeira viagem insegura como eu, comida preparada por outrem (curiosidade: AMO comida de hospital, hummmmmmmm), etc. Então minha malinha é pensando em 4 dias no hospital.

NEXT STOP????

Uma amiga alemã que também está grávida me mandou essas duas listas em PDF com o que levar (Packliste Kliniktasche e checkliste-kliniktasche) pra você, bebê e até marido. A primeira achei mais razoável. Bateram bem com o que a doula sugeriu. Em relação ao roupão de banho (o meu é esse, uso todo dia, amo) deixei limpinho em casa e caso eu não consiga um quarto-família no dia (e divida com outra mulher) meu marido leva pra mim. Porque um roupão já ocupa minha malinha toda hahaha! Pro marido eu só comuniquei que seria bom ele deixar uma malinha pra ele pronta, mas isso aí ele que se vire, hahaha. Não sabemos se ele vai dormir no hospital, pois infelizmente só tem dois quartos-família no hospital inteiro e não sabemos se estarão disponíveis no dia. Se não estiverem, ele não vai poder dormir lá comigo.

O que deu pra já deixar dentro das malas e bolsas, deixei pronto desde a semana 34 – até porque se o bebê nascesse antes disso, a menor das minhas preocupações seria essa, né. As coisas pra adicionar em cima da hora de ir (tipo celular, carteira) eu deixei uma check-List grudada na bolsa pra não esquecer de nada em meio às contrações. O plano é ficar o máximo possível em casa, mas temo que minha ansiedade não permitirá tal proeza (ou caso a bolsa se rompa antes, que minha médica disse que é para ir para o hospital).

Usei minha mala de mão, que é pequena, então nem pude exagerar.

– Calcinhas pós-parto: 5 dessas tipo gazinha (segundo doula as melhores) pros primeiros dias e essas 4 calçolas altas pra depois. As tipo gazinha são laváveis a 60 graus, mas o plano é jogá-las fora mesmo depois.
– 4 sutiãs de amamentação: levando 2 da linha Mama da H&M (pra mim os melhores), 1 da Naturana (comprei na Baby One) e um da Nopples (comprei na Mamarella e removi o aro)

“as calçola” tudo 🙂

– Absorvente power: dois pacotes de Always night XXXL (a doula recomendou os da marca Camelia, mas o pacote é tão gigante que deixei em casa, qualquer coisa meu marido leva pra mim)
– Absorventes de peito: uns saquinhos com 12 no total da Medela que vieram no starter kit da Medela, achei prático (pra casa comprei a caixa da Lansinoh)
– Pomadinha pros peitchos: levando a miniatura da “PureLan” que veio no starter kit.
caixinha de Tucks: foi dica das americanas do app de gravidez que sigo. Dizem que são milagrosos para aliviar dor de lacerações, inchaços, pontos, ou – para o que são mais famosos – hemorróidas.
– Óleos: naqueles potinhos de viagem – óleo Dersani e óleo anti-estria da Weleda
– Uma toalha de mão
– Duas meias felpudas
– Um “Hausschuh”/Sapato de casa pra andar pra lá e pra cá no hospital
– Duas regatas-tops de amamentação (H&M, aqui se chama Stilltops)
– Dois pijamas longos de botão
– Uma T-Shirt larga pra hora do “vamuvê”
– Três blusas de malha de amamentar
– Um pullover com gola em V mais soltinho
– 1 calça extra confortável
– Um vestido bonitinho (esse, comprei há 3 dias) de grávida/amamentar + meia calça preta: pra sair da maternidade. Ps: não se deixe enganar com as artistas da Globo – a gente sai da maternidade com a barriga tipo de 6 meses de gravidez.
– Mini secador (deve ter no hospital, mas não confirmei…)

Nécéssaire de maquiagem, contendo isso da foto: espelhinho, corretivo, base, pó , paleta Naked basic, delineador, rímel, batom, beauty blender, um blush, uma sombra cremosa, lápis de sobrancelha, 1 pincel de sombra e um pincel portátil de blush . Já deixei prontinha, pois sempre uso as mesmas coisas baratex mesmo, o que não tinha dobrado comprei novo e deixei lá!

Nécéssaire de cosméticos/artigos de banho contendo: escova tangle-teezer mini, xampu mini (langhaarmädchen), desodorante, meu sabonete neutro dentro de um porta-sabonete, potinho com meu sabonete pro rosto (Effaclar), umas gominhas de cabelo, toucas de banho descartáveis, discos de algodão, mini-hidratante da the body shop, cotonetes, Protetores auditivos :), perfuminho, gilete, lipbalm, colírio lubrificante (pipetas dose única), mini-água micelar pra remover maquiagem, protetor solar, Azelan, glóbulos de Arnica.

Mini-necessáire de higiene dental: mini pasta de dente Elmax, uma escova de dente nova normal com capinha (em casa uso elétrica mas não vou levar), fio-dental, mini-enxaguante bucal

Para ir para a maternidade:

Já deixei também uma roupa separada em casa para vestir pra ir à maternidade: uma legging preta de gestante + blusa de gestante de malha simples + 1 cardigan gestante

Na bolsa de mão normal

Separei a speedy (que não tenho mais costume de usar) e é bem espaçosa. Deixei uma checklist colada pra não esquecer aquelas coisas que só dá pra colocar na última hora, tipo celular.

– Minha caderneta de grávida
– Minha carteira com identidade alemã, cartão do seguro, pouco dinheiro (e moedas pra máquinas de hospital)
Certidão de casamento para registro do bebê no hospital (lembrando que tô na Alemanha – pode ser original ou cópia juramentada. Levei a tradução juramentada também)
– Câmera fotográfica Canon GX7 e seu carregador
– Meu celular com carregador
– Meus óculos (uso só quando leio por longo período)
– Kindle carregado
– Fone de ouvido
– Carregador extra de celular (um que dá 6 cargas)

Bolsa de snacks

Com um pacote de salgadinho tipo Stiksy, barrinhas de cereal, balinhas e pirulito de açúcar de uva (pra dar energia, comum aqui – chama Traubenzucker), um pacote de amêndoas, alguns pacotinhos de chá (de amamentação da Weleda e de Framboesa), uma garrafinha pequena da monbento vazia pra eu encher de água ou qualquer coisa depois.

Coube tudinho aí dentro

Nisso acho que o pessoal exagera demais. No Brasil cada maternidade costuma ter sua lista – mas pelo menos aqui na Alemanha o que você REALMENTE precisa é a roupa pro bebê sair da maternidade. Se tiver frio, uma manta pro caminho. E a cadeirinha pro transporte no carro (aqui, no frio, um Fußsack é recomendado). E só. E foi só isso realmente que a doula listou no curso. Eu ainda levei coisa a mais, mas coube tudo na bolsa do nenê mesmo (a minha é essa da Kipling).

– Capas personalizadas para o cartão de exames da criança (U-Heft) e cartão de vacina (Impfpass) (personalizei com o nome nesse link aqui e adorei, ótima qualidade). Zero essencial, mas adoro essas coisas, haha!
– Mini álcool gel dependurado na bolsa
– 3 saquinhos com conjuntos de lookinhos (cada um com um body, um macacão, uma calça, uma meia, uma touquinha, uma luvinha e um lacinho) e um saquinho extra para colocar coisas sujas. E ainda coloquei um macacãozinho mais quentinho com capuz pra colocar em cima de tudo, se necessário, na hora de sair da maternidade. O bebê vai sair num “Fußsack” mega quentinho direto do hospital pro carro – mas se as temperaturas continuarem amenas assim nem vai precisar. Que inverno de meia-tigela esse, viu? Aff..

– coloquei umas 5 fraldinhas Pampers (mas sinceramente nem precisa, rs), três paninhos-fraldinha brancos, duas mantinhas e um pacotinho de waterwipes (seria pro caminho, não acho que precisa, rs), uma pomada Desitin pro bumbum do nenê e uma escovinha de cabelo (pra fazer carinho na careca, kkk).

Beijos!

01
março
2019

Pré-natal na Alemanha: direitos, licenças e minha experiência

Postado por Ana em Alemanha, Maternidade

Esse post é longo e talvez não seja interessante para todo mundo. Mas tenho certeza que quem está ou ficar grávida na Alemanha vai gostar de acompanhar os detalhes um dia! Não tem como eu explicar sobre a minha experiência do pré-natal na Alemanha sem explicar um pouco como funciona o sistema de saúde daqui. Também falei um pouco de uns direitos da grávida, inclusive como funciona a licença maternidade. É uma boa oportunidade para fazer um resumo do tema aqui! Mas separei por ítens pra facilitar:

1) PARTE 1: Entendendo o sistema de saúde alemão
2) PARTE 2: Os direitos das grávidas
2) PARTE 3: Licença maternidade e remuneração
3) PARTE 4: Como foi o meu pré-natal
4) PARTE 5: A questão das Hebamme (“obstetriz”)
4) PARTE 6: Curso de preparação para o nascimento (Geburtsvorbereitungskurs)

A maioria – Krankenkasse

Primeiro, convém explicar que na Alemanha existem duas formas principais de ter seguro de saúde. A mais comum é o chamado “seguro obrigatório”, as “caixas de doença” (Krankenkassen) que cobre a maioria esmagadora da população. Essa é bem social. O pagamento é através de uma porcentagem do seu salário – então quem ganha bem, paga mais do quem ganha mal. Uma outra porcentagem paga seu empregador (se você tiver, senão paga você toda a porcentagem). Quem perde o emprego, continua no sistema e os custos são cobertos pelo governo. Eu acho bonito que é um sistema que, se você está dentro, vai ter segurança por toda a vida. Não é como nos EUA ou mesmo no Brasil em que muita gente idosa não consegue mais pagar seguro e vai parar no SUS (a idéia do SUS é ótima, mas convenhamos que não funciona de forma ideal). A vantagem do seguro obrigatório é justamente essa – à medida que você envelhece, se for doente, não importa: não precisará pagar mais. O acesso à saúde é muito bom, urgências com acesso imediato, enfim um ótimo sistema. Esse é dito “sistema obrigatório” porque de uma forma ou de outra, todo mundo aqui tem que ter seguro, ninguém vai morrer sangrando na porta do hospital sem atendimento médico. Mas ele deixa de ser obrigatório se você ganhar a partir de X euros anuais, daí tem a opção de escolher algum privado (ler abaixo). A grande desvantagem desse sistema é que o que ele julga como serviço essencial nem sempre coincide com o que os médicos (ou no meu caso, eu, Ana) acham de fato essencial. Eles não acham essencial medir pressão ocular como rotina. Eu, Ana, acho. Eles não acham essencial um ultrassom ginecológico uma vez por ano. Eu, Ana, acho! Eles não acham essencial um preenchimento bonitinho no dentista (pagam amálgama). E tudo o que eles não consideram essencial você paga à parte, se quiser. São os famosos IGEL (abreviação para individuelle Gesundheitsleistungen)- que colocam a responsabilidade de decisao nas mãos dos pacientes, muitas vezes leigos ! E piora que muitas vezes os pacientes acham que os médicos só querem ganhar dinheiro e já adquirem automaticamente uma postura anti-IGEL e se ferram graciosamente. Isso para mim não chega a ser um grande problema porque não sou leiga e me acho bem capaz de decidir de fato qual IGEL é importante e qual não é. Mas acho que é uma grande falha do sistema. Mas enfim, perfeito nada é. Lembrando que isso é a informação resumida, você pode contratar alguns “plus” pro seu seguro obrigatório.

Você pode escolher em qual seguro obrigatório quer entrar, alguns exemplos: TK, DAK, AOK, Barmer

DICA: sempre guarde recibos de TUDO que você gasta com saúde (IGEL), pra descontar no seu imposto de renda!

A minoria – seguro privado

A outra forma minoritária é o dito “seguro privado de saúde“. Ele funciona um pouco parecido com os que temos no Brasil. O quanto que você paga por mês depende da sua idade e saúde. Então será cada vez mais. Meu marido, por exemplo, atualmente paga por seu seguro privado menos do que eu pago pela minha Krankenkasse. Maaaas meus sogros que já são idosos pagariam 1000 euros por mês em condições normais. Como eram professores, nesse caso o governo paga mais da metade – mas imagina o rombo que não é para a maioria das pessoas com tal seguro. Ao contrário do que muita gente acha, não precisa ser rico para ter seguro privado. Mas tem sim que ganhar bem, uma quantia mínima (ou pertencer a algumas profissões específicas, como professores – que aqui são funcionários públicos). A maior vantagem é que tudo que os médicos acharem necessário eles vão conduzir de exame e seu seguro vai pagar. Muitas vezes nem vão te perguntar, vão só fazer (o que às vezes é uma desvantagem pela condução de exames inúteis conforme a índole do médico). Fora uns luxos. Pagam até LASIK, alguns procedimentos estéticos dermatológicos e no dentista, caso você tenha cárie, vai economizar muito. Dependendo do seu plano, podem cobrir óculos, ou medicamentos que classicamente não precisam de receita (mas você precisa da receita para a restituição). O quanto você paga pro seguro também depende se tem co-partipação: você pode, por exemplo , escolher pagar 10% dos custos de tratamentos ambulatoriais. Há também a possibilidade de receber “prêmio” se não usar o seguro, etc. Bem variável conforme o contrato. No geral você recebe a conta e passa pro seu seguro – ou paga e pede a restituição. Talvez você tenha em alguns médicos um tratamento um pouco diferenciado (pois são pacientes que dão mais dinheiro pro médico). Em universidade terá o direito de ser tratado pelo chefe, por exemplo, apesar que isso você pode compensar pagando uns “extras” ao seguro obrigatório. Na maternidade, poderá ter direito a um quarto melhor (se não for privado terá que pagar à parte um “quarto família”, por exemplo). Uma desvantagem é realmente o preço que vai independer do quanto você está trabalhando no momento. Pegadinha é: voltar atrás não é fácil. Senão eu mesma estaria pagando privado agora que sou nova! Ou seja, se você saiu da Krankenkasse e se tornou privado agora que é jovem e paga pouco, depois se quiser voltar pra Krankenkasse é uma dificuldade só, só se você realmente não tiver dinheiro pra pagar, tipo se perder o emprego. Ser um rombo no seu orçamento não é motivo suficiente para voltar pro obrigatório. Então tem que pensar bem antes de partir pro seguro privado.

Ao escolher o seguro privado, você vai passar por avaliação médica pra determinar quanto vai pagar, se vai ser aceito, etc. Exemplo de seguros privados: Debeka, Allianz, Barmenia

Meu seguro

Sou segurada pelo seguro obrigatório, a TK. Foi muito tentador para que eu trocasse para o privado até então – como disse, pagaria até um pouco menos, esses luxozinhos ainda, etc. Um dos motivos pelos quais não quis foi já antecipando a gravidez, licença e a própria maternidade. Eu particularmente ainda acho que vale a pena pagar meus IGEL à parte e ter a segurança de pagar seguro somente proporcional ao que eu ganho. Tipo agora na licença, não vou pagar pro seguro de saúde – se fosse privado, não só continuaria pagando, mas sem a ajuda do empregador! Quando voltar da licença-maternidade não vou trabalhar 100%, e logo pagarei menos do que pago enquanto trabalho 100%. Se fosse de seguro privado ia ter que pagar o mesmo tanto, ainda que ganhando menos. Tem outra coisa: se os pais têm seguro obrigatório, daí todos os filhos serão automaticamente cobertos pelo seguro (uma baita economia). Se um dos pais é do seguro privado e ganha mais, então infelizmente têm que pagar um privado para cada filho ou então cotar uma contribuição à parte para o seguro obrigatório / voltar

Emprego mantido : Se está grávida, não poderá ser demitida. Ainda que o chefe não soubesse da gravidez, basta a confirmação do seu ginecologista que estava grávida à época da demissão para manter seus direitos. E o mesmo vale para todo o seu período de licença.

Consultas pré-natais : Você até pode ir para exames de pré-natal em horário de trabalho, mas teoricamente só se não for possível em horários que tem livre. 100% desse direito só existe para exames em jejum, por exemplo. Sei que meu empregador não criaria caso se eu fosse durante o horário de trabalho, mas eu sei que isso representa transtorno (desmarcar pacientes). Então como tenho a sexta à tarde livre fiz todos meus pré-natais nesse horário. O único exame de jejum eu estava por acaso de férias. Então nunca faltei nada do trabalho para fazer meu pré-natal (e quer saber, me orgulho disso e acho justo – sendo possível, por que não? Acredito que respeito gera respeito).

Segurança no trabalho : Uma coisa que me chama muito a atenção aqui é a proteção para grávidas. Isso varia muito, mas via de regra em serviços que conheço, médicas grávidas não podem mexer com agulha, fazer plantão noturno. Sei que na universidade não podem tratar imunossuprimidos etc. Tem profissões como as que trabalham em creches, que se forem CMV negativo pegam a tal proibição para trabalhar (Beschäftigungsverbot) o que significa que ganham salário integral sem poder mais trabalhar. Detalhe: eu sou CMV- mas isso não vale pra mim (e sinceramente, nem queria). Aqui, na dúvida, vão te afastar. Se você fala que tá sofrendo bullying no trabalho, que tá estressada, que tá isso ou aquilo, tem grandes chances de ser afastada também. Eu fiquei de atestado uma vez durante a gravidez, estava com cólicas fortes, fiquei assustada e fui ver se estava tudo bem e a médica me afastou de cara 1 semana. Eu até pedi pra voltar antes do atestado vencer (quando me sentia bem já). E depois recebi uma cartinha do seguro, me desejando melhoras e explicando sobre o Beschäftigungsverbot. Basicamente, pros seguros é muito mais barato você parar de trabalhar do que eventuais custos de gravidez complicada, parto prematuro (neném na UTI = $$$$$$$ ).

Conforme a profissão, haverá vários tipos de proibição: (ficar em pé, substâncias químicas, barulho, etc), cada caso é um caso e você tem que conversar no trabalho, recursos humanos, seu médico e ver qual situação se aplica. Muitas vezes podem simplesmente te mudar de função no trabalho para te afastar dos riscos, em vez de te proibir de cara de trabalhar. / voltar

Obviamente se você trabalhar como autônomo é outra história e foge do objetivo do post, mas isso se aplica à maioria das pessoas:

Convenhamos, a política familiar aqui é maravilhosa. Para gravidez-padrão de baixo risco (e com um bebê só): faltando 6 semanas pra data prevista do parto até 8 semanas após o parto você entra no chamado “Mutterschutz”, a proteção materna. As seis semanas antes da DPP você só trabalha para terceiros se expressamente quiser, e nas semanas depois nem se você quiser. Durante este período recebe seu salário integral, e tudo é como se você estivesse trabalhando normal. Por exemplo, esse tempo aí (se chama Mutterschutz) também entra na conta para suas férias anuais. Depois desse período, se você quiser, continua o período de licença chamado Elternzeit (“tempo dos pais”) em que você recebe entre 65-100% da média salarial dos 12 meses anteriores – quem ganha muito pouco recebe 100%, mas a maioria uns 70%! Se era desempregado/estudante/dona-de-casa recebe uns 300 euros mensais apenas. Se o casal ganha mais de 500.000 euros por ano (rhycos, né) não vai receber nada. Há um teto de 1800 euros mensais! Quatorze meses com essa remuneração estão disponíveis para o casal e podem ser divididos entre o pai e a mãe como bem entenderem, mas uma pessoa não recebe mais de 12 meses de Elternzeit remunerado

Exemplo: após o fim da sua licença obrigatória (“Mutterschutz”), você pode tirar mais 12 meses de licença parcialmente remunerada (Ëlternzeit”) e seu marido mais 2 meses (ao mesmo tempo ou não). Ou ele pode tirar 6 e você 8, ou ele tira 12 e você 2, etc! Mas você tem direito de ficar 3 anos de licença no total (ainda que não remunerado, mas com garantia de emprego). Pode ser que receber o teto seja um rombo no seu orçamento – mas compensa um pouco o orçamento familiar o fato que seu marido pagará menos imposto e você não terá seguro de saúdo descontado do salário, e as condições de imposto são também diferentes. Ainda não tenho certeza, mas também muita coisa (impostos sociais) não precisa mais ser descontada desse dinheiro. Ah, tem uma ajudinha mensal pro bebê também (Kindergeld – em 2019 são 204 euros para o primeiro bebê), dá pra comprar as fraldinhas he he he.

Se o saco estourar você pode voltar a trabalhar antes também, mas se você anuncia ao chefe que quer ficar 12 meses de licença, você só volta antes se ele aprovar). Quando você volta, sendo compatível com o tipo de trabalho e empresa, é bem possível negociar voltar só parte do tempo, exemplo, contrato de 50%.

Eu sou muito grata por todos esses direitos, reconheço a importância e valorizo lutas para que nós grávidas tivéssemos tanto direitos. Quando vejo o que as americanas relatam nos apps quase caio da cadeira. E em lugares acima-de-qualquer-suspeita como Suíça (pasmem!), esses direitos são bem piores que aqui. Mas também fico fula da vida quando vejo o pessoal abusando, principalmente aqui na Alemanha. E acreditem: pessoal abusa MUITO. Tipo: você está cansada no trabalho e chora pro ginecologista te afastar do trabalho (muuuuuuito frequente aqui). Acho que é o primeiro passo para perder a razão e os direitos arduamente conquistados e um dia prejudicar quem realmente precisa ser afastada. Mas é só a minha opinião.

Em termos práticos:

Pode usar essa calculadora aqui para calcular seu tempo de licença. E essa aqui para calcular quanto receberá. P.s: se os dois pais forem estrangeiros, existem pré-requisitos extra pra receber Elterngeld.

Para organizar o Elterngeld:

Atenção para não perder prazos – é importante informar o empregador sobre o Elternzeit desejado por escrito e após o nascimento você dá entrada no pedido pro Elterngeld (o dinheiro). Em relação ao Elterngeld, você entra nesse site familienportal.de e vai na parte de “Elterngeld”. Lá tem todas as informações, onde e até quando entrar com o pedido, que informações precisa. Por exemplo, no meu estado (BW) o pedido é no L-Bank (Staatsbank für BW) de Karlsruhe.

/ voltar

Assim como no Brasil, a experiência do pré-natal varia conforme o médico (óbvio, né), mas dá para perceber algumas diferenças culturais. A minha médica eu já conhecia dos exames preventivos de rotina dos anos anteriores. Simpática e tals, prática. Mas nada daqueeeeeele calor humano do Brasil, néam? Comparando com o Brasil – no Brasil gente com boa condição financeira tem formado sua própria ” equipe de parto” – o seu obstetra, seu pediatra, seu anestesista, sua doula – você liga e vai todo mundo lá fazer seu parto a qualquer hora do dia e da noite (tem seu preço, claro). Eu nem saberia começar a explicar o quanto isso é um quadro impossível aqui, kkkkkk sem chance. Quem faz seu parto é quem está de plantão no hospital e pronto. Tem nada disso de mandar whatsapp pra médico não, o médico vai pra casa e acabou sua jornada de trabalho. Se for pra ligar para alguém fora dos “office hours” você ligará é para o hospital mesmo. Isso obviamente influencia a taxa de cesariana, já que seu médico não vai ter que sair correndo pra fazer seu parto.

Pequena observação sobre as vacinas

Se eu não tivesse preguntado ativamente no meu pré-natal sobre vacinas ia ficar bem sem informação. Ninguém me perguntou sobre meu estado vacinal de tétano, coqueluche. A vacina da gripe sim é recomendada e acho que teria sido a única oferecida. Ao contrário do Brasil, Inglaterra, EUA, etc, em que toda grávida vacina no terceiro trimestre contra coqueluche para passar imunidade passiva pro bebê, a imunização contra coqueluche AINDA não faz parte do esquema aqui.

Primeira consulta pré-natal

Liguei assim que descobri a gravidez (semana 3 ainda) e me deram o primeiro horário para a semana 8. Nunca rolou exame de sangue de beta HCG e concordo que no meu caso era inútil. Aqui não é no Brasil que você vai no laboratório colher exame, é tudo feito no médico mesmo. Na primeira consulta, ela examinou rapidamente as mamas, abdome, fez o exame ginecológico normal, colheu papanicolau e olhou o bebê no ultrassom. Imprimiu uma fotinho, me deu folhas de informação (em relação à alimentação, etc), perguntou das vitaminas que eu estava tomando (deu amostras), ofereceu exames sorológicos opcionais (IGEL) e no fim perguntou se eu tinha perguntas e pronto. No consultório tem um mini laboratório, em que sempre que chego deixo uma amostra de urina no copinho, e tenho a pressão (aparelho automático, affff) e peso (com roupa, affff) medidos. Vez ou outra tira-se sangue (da primeira vez com certeza) e quem faz isso no meu caso são as próprias MFAs (=medizinische Fachangestellte). São as profissionais que ficam na secretaria, marcam consultas. Elas têm treino pra isso também. Coisinha bem multifacetada típica da Alemanha. Sai da recepção e tira seu sangue, daí volta e faz cobrança, marca consulta, hahaha.

Exames feitos da primeira consulta: além de urina/pressão/peso, a colheita básica de sangue é feita, inclusive com sorologia para HIV (pede sua autorização), hepatite B, sífilis, tipo sanguíneo, RH… Mas ao contrário do Brasil, exame de Toxoplasmose não é parte do pré-natal básico do seguro obrigatório! Você paga à parte. Eu até tinha dosado uns 2 meses antes de engravidar, mas naonde que não ia dosar de novo, né? Outros que também dosei pagando à parte : CMV e Parvovirose (Ringelröteln é o nome aqui). Depois chega a conta do laboratório e você paga.

A partir daí as consultas se seguem de 4 em 4 semanas, pressupondo que a gravidez não é de risco. Fica de 2 em 2 semanas a partir da semana 30.

Segunda consulta pré-natal (12 semanas)

Quando cheguei para a consulta, recebi meu “Mutterpass“, que é uma caderneta com todas as informações relevantes sobre sua saúde/gravidez. Você tem que levá-la para todos os exames e situações relativas à sua gravidez, não esquecer!!! Lá ela me disse que os exames todos deram normais. Fez ultrassom de novo rapidinho, mediu o bebê rapidinho. Esse é considerado o primeiro screening (de três) do seguro obrigatório. Ela mede o que tem ali na sua cadernetinha (sabe? Fêmur, diâmetro bioccipital, etc). Uma diferença importante é que o famoso exame de translucência nucal , adivinhe…. não pertence ao exame básico, é IGEL!!!! A Krankenkasse não julga importante você saber com antecedência que tem grandes chances de ter um filho com anomalia cromossômica, até porque saber não vai prevenir nada. Lembro que o aborto aqui é permitido – eu pessoalmente não abortaria, mas gostaria sim de me preparar inclusive psicologicamente, né? Então, se você quiser, a médica te indica um especialista e você marca a consulta pro screening de 11-14 semanas à parte e paga à parte também!

Nesse dia ela me perguntou se eu já tinha achado uma Hebamme (doula, midwife) e pra minha supresa descobri que estava super atrasada com isso. E disse para eu procurar o mais rápido possível, já que são poucas e de agenda lotada.

Primeiro Screening especializado (13 semanas) – Translucência nucal e outros marcadores (IGEL)

Pelo motivo explicado acima, não foi minha médica que fez esse screening, mas uma clínica especializada. É um exame facultativo. Como não sou de seguro privado, paguei 180 euros pelo exame. O ultrassom pré-natal não é diagnóstico em lugar nenhum do mundo: é apenas um exame que avalia o risco de seu bebê ter uma cromossomopatia, e tem uns 80% de eficácia (depende de quem faz). Para aumentar a sensibilidade, dosam dois marcadores no sangue (o Beta HCG e o PAPPA). Daí no final você recebe uma estimativa do risco para Síndrome de Down, Edwards e Patau.. Nesta clínica eles indicavam o exame de sangue genético (Harmony/NIPT) se o risco medido pelo ultrassom fosse maior que 1:1000. Mas claro que você pode fazer se quiser, só não vão te comunicar o sexo muito cedo (como no Brasil) porque o aborto aqui é permitido. O meu risco deu menor que 1:1000 e então não fiz o teste Harmony (NIPT), que custava uns 500 euros. Este é 99% sensível – mas olha, na próxima vou fazer sim, acho que teria me poupado dor de cabeça. Sigam os diários da gravidez que entenderão melhor. Foi um screening super bem feito e detalhado, fiz na décima terceira semana. É meio proibido informar o sexo aqui muito cedo, mas perguntamos e a ultrassonografista soltou sua suspeita para nós, mas bem off record. Mas não confirmou não, até porque estava bem cedo. Lembrando que 100% diagnóstico mesmo só amniocentese e biópsia coriônica – têm riscos, então, assim como no Brasil, ninguém os faz apenas de rotina. O meu primeiro screening, apesar de ter mostrado um risco baixo de síndromes, deu uma pequena alteração na rebimboca da parafuseta (PI do ducto venoso), de forma que me indicaram um ecocardiograma fetal a partir da vigésima semana. Isso me custou bons nervos e noites de sono…

Terceira consulta pré-natal (16 semanas)

Não colhi sangue dessa vez. Ela viu o bebê, mediu seu tamanho e umas coisinhas e pronto. Não conseguiu me falar o sexo do bebê porque estava de pernas cruzadas. Fiquei meio decepcionada.

Quarta consulta pré-natal (20 semanas)

Foi o dito segundo screening do seguro obrigatório, corresponde o nosso morfológico. Essa para mim foi a diferença mais gritante, mas tem um adendo. Eu esperava um exame de 1 hora igual é no Brasil, contando dedinhos e tudo mais, mas durou 5 minutos. Sério. Ela nem soube me confirmar o sexo do bebê (disse que o cordão umbilical estava no meio das pernas, oi ?) O porém é que não sei se ela fez propositadamente rápido assim por saber que eu teria mais um screening especializado na semana seguinte. Ela mesmo me deu o encaminhamento devido à uma pequena alteração no primeiro Screening que indicou a necessidade de fazer um ecocardiograma depois. Então vou dar o benefício da dúvida, porque esse de 5 minutos, vou te contar viu?

Segundo Screening especializado, com ecocardiografia fetal (21 semanas)

Como disse, isso foi infelizmente uma particularidade da minha gravidez. Esse tinha deixado marcado desde o primeiro screening, era na verdade (eu achava) um ecocardiograma fetal. Não tive que pagar esse à parte porque fui encaminhada para a clínica especializada, mas se fosse só por capricho meu eu tinha que pagar sim. Isso sim foi um screening que deu gosto de ver. Tudo bem que fiquei 1 hora na maca sem nem respirar de nervoso enquanto o neném loucão chutava aos montes sentindo minha adrenalina. Mas a mulher foi impecável. Mediu tudo tudo tudo. E fez o ecocardiograma também. E já saí com um relatório já com todos os achados, graças a Deus tudo normal. Fica a dúvida de como teria sido o morfológico se eu não tivesse esse, mas pelo sim pelo não, quero um morfológico separado na próxima gestação também. Acho que o ginecologista normal não é tão bem treinado pra pegar todos esses detalhes no ultrassom, tem que ser um especialista mesmo (tipo no Brasil, né).

Quinta consulta pré-natal (25 semanas)

Atrasou uma semana porque a médica tinha férias na sexta anterior e eu não posso outro horário. Esse foi o terrível dia do exame de tolerância à glicose. Essa é outra diferença. Na Alemanha o screening padrão é só de 1 hora em que você nem faz jejum antes. Para pacientes de risco aumentado (meu caso, pai com DM) eles sugerem já fazer o exame de tolerância de 2 horas. Claro que se o primeiro screening der alterado você faz o segundo sem custos. Se quiser fazer essa curva de tolerância direto, adivinha, é IGEL e você paga à parte (me custou uns 30 euros). Eu, como boa hipocondríaca e só tinha tempo para um desses, quis fazer assim de cara, claro. Cheguei em jejum, colheram sangue. Daí tomei aquele suco *maravilhoso* de 200mL, e fiquei “de castigo” por ali mesmo. Colheram sangue uma hora depois, depois duras horas depois. Aproveitei para colher Toxoplasmose e CMV de novo (novamente paguei à parte). Quando alguma coisa dá alterada aqui, ou eles te ligam ou mandam por carta (depende do que é). Se não receber nada é porque tá tudo ok. Mas na dúvida é só ligar que te informam. Recebi uma cartinha uns dias depois com uma receita de um “biotônico fontoura” porque o ferro estava um pouco baixo (apesar que ainda dentro da normalidade).

Sexta consulta pré-natal (30 semanas)

Atrasou novamente uma semana extra porque na 29 semana a sexta à tarde já tava lotada. Era também o dia da primeira cardiotocografia. Como sempre peso, pressão e urina lá mesmo. Daí fui para o quartinho para a CTG, onde fiquei por 20 minutos ouvindo os batimentos do bebê com os “cintos” na barriga. De lá, fui para a médica, que disse que tava tudo bem. Fez então o dito “terceiro screening de ultrassom“, com medidas do bebê. Achei que iam oferecer nessa consulta o US 3D/4D (sabia que pagaria à parte), mas nem falaram nada. Como eu estava com outras coisas na cabeça, deixei pra lá. Checou também o colo uterino. Nessa consulta me aconteceu a maior decepção do pré-natal. Logo no primeiro exame comentei que era vacinada contra catapora (nunca tive a doença) mas que nunca tinha dosado meus anticorpos e era relevante porque no trabalho vejo muito paciente com Herpes Zoster (e o vírus é o mesmo). Na época, ela até disse “é, nesse caso sendo negativo a gente tem até que pensar num Beschäftigungsverbot” – que é quando você é afastada do trabalho. Na época eu até disse: “ah, nesse caso consigo conversar lá, só fico longe de infecções e tal, mas tem muita coisa que dá pra fazer“. Pois bem, dosamos a sorologia e ela nunca disse nada, presumi que tava ok, né, até porque sou vacinada. Daí 22 semanas depois fui perguntar de outras vacinas e uma coisa levou à outra e ela não lembrava que tínhamos dosado. E foi olhar “xô veeeer. É, você não é imune, toma uma vacina no puerpério“. Gente, meu queixo foi NO CHÃO. Eu até abaixei a guarda no trabalho justamente por termos feito a sorologia no início, sabe? Como TUDO que dá alterado, ela tinha que ter avisado (até tendo em visto nossa conversa) que eu não era imune!!! Fiquei bem chocada, comentei que só tinha mais uma semana de trabalho e então ia tomar cuidados e tal. Falando em vacina, descobri nessa consulta que não é parte do programa aqui vacinar grávida contra coqueluche (ao contrário do Brasil, EUA, Inglaterra e mais um monte de país). Eu não concordo, então busquei a vacina na farmácia e meu marido me vacinou. Lembrando que somos nós dois médicos e fizemos por “nossa conta e risco”. Estão discutindo isso aqui e não tenho dúvida que vai ser rotina nos próximos anos. É ridículo isso não fazer parte do pré-natal alemão, absolutamente ridículol! A idéia nem é se proteger, mas proteger o bebê passivamente nos primeiros meses quando ele é muito novinho para vacinar e em que pegar coqueluche pode ser letal. Quanto mais em uma cidade hipponga como a minha, cheia de Öko-Eltern que não querem mais vacinar seus filhos. Antes essa decisão fosse só influenciar a própria família, né? Mas coloca em risco TODAS as pessoas que não têm o luxo de escolher se vacinar: nenês pequenos, imunossuprimidos, gestantes, etc! Então não tenho opinião “Aninha Paz e amor” sobre isso não, acho um desrespeito com a sociedade!

Sétima consulta pré-natal (32 semanas)

Agora com intervalo menor entre as consultas, o mesmo procedimento de sempre (urina, pressão peso) e mais uma CTG. Tiraram sangue de novo (acho que pra hemoglobina e aproveitei e fiz o último de toxoplasmose). O exame em si foi rapidinho, ela só viu que o colo estava fechado. Ainda acho interessante que aqui não medem fundo do útero com a fita nem nada. Não teve ultrassom dessa vez!

Oitava consulta pré-natal (34 semanas)

Já escolhi colher cultura de strepto B de uma vez (é IGEL, facultativo pago a parte, mas gente, TEM QUE FAZER, pelamor!!!!). Fui pra CTG de rotina, que acusou uma taquicardia fetal e repetimos logo em seguida. Na verdade, eu estava muito ansiosa e quando notei que o batimento estava alto, fui ficando mais ansiosa e o bebê mexia demais. Ainda tinham uns barulhos de construção no fundo e deixaram o som do doppler meio alto (já notei que minha baby DETESTA). Ela fez um ultrassom pra ver as medidas do bebê e se estava tudo ok. A CTG que nós repetimos continuou um pouco alterada e foi o maior susto da vida, porque a médica me encaminhou no mesmo dia pro hospital pra garantir que eu não estava com nenhuma infecção, etc. Pensei “ferrou.” Mas chegando lá no hospital, repetiram tudo e lá estava tudo bem, então pude voltar para casa e graças a Deus a baby pôde ficar mais um pouco protegida na minha barriga. Vê-se aqui a grande vantagem do sistema alemão, que eu já conheço bem da parte da oftalmologia. A eficiência do “acolhimento de urgência de verdade”. O conforto que foi, a rapidez, precisão. Serviço 5 estrelas (lembrando: pelo seguro obrigatório, nem sabiam que era médica, qualquer um seria tratado do jeito que eu fui). Como eu sempre digo, no Brasil se você tiver um descolamento de retina no meio do carnaval, vai passar aperto independente do tanto de dinheiro que tem. Aqui você tá operado por um médico super competente em menos de 3 horas – independente do dia e da sua condição social. Acho que isso compensa as faltas de luxozinhos (como quarto privado garantido, “sua equipe de parto”, frufrus de maternidade) que é típico de um capitalismo social. Quer saber? Vale a pena e fiquei muito satisfeita e grata por tudo.

Nona consulta pré-natal (36 semanas)

Fui uma pilha, justamente por saber que o fato de eu estar uma pilha influencia o bebê também. É personalidade tipo A que fala? hahahaha… daí a pressão (que eu tinha acabado de medir em casa e tava ótima) bateu record. Fizemos a CTG e deu tudo certo, repetimos a pressão e baixou bem. Comentei com a médica da minha “hipertensão do jaleco branco” e combinamos que eu meço em casa e eles não vão medir mais no consultório, apenas anotarão o valor que eu medi. Simples assim, kkkk. Estou medindo todos os dias, aliás. Foi a primeira vez que ela não me examinou, só conversou rapidamente mesmo. Achei estranho, mas segue o Baile.

Décima consulta pré-natal (37 semanas)

Os pré-exames de sempre, CTG, US vapt-vupt pra ver posição. Exame de toque + PH vaginal.

11a. consulta pré-natal (39 semanas)

Foi logo na semana seguinte, mas 8 dias depois. CTG e pré-exames só!

12a. consulta pré-natal (40 semanas)

No dia da DPP! Pré-exames, CTG e US! A partir de agora, se não nascer, será de 2 em 2 dias! Affff Minha médica me mandará pro hospital induzir se chegar às 41 semanas, mas o chefe do hospital tinha dito para eu ligar caso se passassem 9 dias. Veremos!

(a completar… )

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A Hebamme aqui é como a midwife dos sistemas anglófonos. Não sei se é melhor traduzir como doula ou obstetriz. Eu acho que obstetriz é melhor, pois em inglês existe a palavra midwife E doula, que são coisas diferentes. Bom, os universitários podem me ajudar. 🙂 De qualquer forma, é uma profissão que não existe 100% equivalente no Brasil, já que elas aqui podem por exemplo fazer o pré-natal de baixo risco (tirando alguns exames como ultrassom). No Brasil a figura da doula vem ganhando cada vez mais importância, mas aqui é parte essencial há tempos. Aqui, além do pré-natal elas podem conduzir um parto normal sem intercorrências do início ao fim, inclusive no hospital. No meu caso, queria mesmo alguém para fazer minhas visitas domiciliares e me ajudasse quando o bebê nascesse. Ela ajuda com a amamentação, dúvidas, medidas suas e do nenê, mostra como dar os primeiros banhos, etc. E é tudo pago por todos os seguros. O problema é que é uma profissão que está definhando devido aos seguros caríssimos que elas têm que pagar. É uma classe bem injustiçada. Muita responsabilidade, muito tempo de trabalho e remuneração não tão compatível assim. Resultado: tem muita gestante para pouca Hebamme, principalmente em cidade de pequeno-médio porte como a minha. Por isso, na próxima gravidez, vou abrir exceção e já procurar uma assim que o exame der positivo! A nossa procurei a partir da semana 12 e conseguimos praticamente por indicação/piedade. Quando nos conhecemos a achei bem simpática, mas já sei que ela não é das mais mãezonas/pacientes/com tempo. Mas isso posso reportar melhor depois que o bebê nascer.

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“Geburtsvorbereitungskurs” é um palavrão que significa “curso de preparação para o nascimento“. Quase todo mundo aqui faz, é coberto por todos os seguros de saúde,mas os homens têm que pagar à parte (nosso foi 10 euros por dia, 30 no total). Ou a própria Hebamme/Obstetriz organiza ou é oferecido em outro lugar, no hospital por exemplo. Tem de vários formatos, por exemplo um intensivo de final de semana (minha amiga fez 2 blocos de 6 horas cada). O meu foi organizado pela minha doula, 6 noites durando cerca de 1:30h cada encontro, sendo os 3 primeiros sem marido, e os 3 seguintes com marido. Comecei na semana 30, na data que ela mesma me passou. Éramos 14 grávidas (entre 26 e 37 anos, todas primeira gravidez) e foi assim:

Primeiro dia: fui direto do trabalho, com a roupa do trabalho mesmo (ainda bem, pois ninguém foi de roupa de ginástica não, todo mundo vestido normal). Rodinha de apresentação (blerghhhh detesto kkkk). Falou algumas coisas genéricas, foi explicando as informações que tem no nosso cartão de gestante. Então, por motivos óbvios, pra mim não teve informação nova. Respondeu algumas perguntas básicas que foram surgindo.

Segundo dia: rodinha de apresentação express (DE NOVO, AAAH!). Exercícios de respiração (em dupla) para fazer durante durante as contrações, sobre contrações e quando ir pro hospital. Info a respeito da rotura da bolsa – quando ir pro hospital, o que fazer em cada caso. O que levar pro hospital (pro bebê).

Terceiro dia: mais listas, do que levar pra maternidade pra mim, o que ter em casa, etc. Falou um pouco sobre massagem perineal, pra fazer a partir da semana 36 – mas basicamente mandou a gente ver na internet como faz. kkkk

Quarto dia: dessa vez com os maridos – de novo rodinha de apresentação (SÉRIOOOOO), e basicamente repetimos os exercícios de respiração, e uma massagem lá, mesmas infos do segundo dia, mas dessa vez com os maridos. Eu explodi de rir na hora do exercício de respiração (você e ele falam AAAAAAH ou OOOOOOOH na expiração) porque não tenho maturidade.

Quinto dia: : de novo com maridos, fomos todos visitar uma sala de parto (em alemão: Kreissaal) e ela explicou como são as fases do parto, as três possibilidades de lugar para parir (banheira, cama, banquinho).

Sexto dia:: último dia, com marido também. Sobre tipos de analgesia/anestesia, um pouco sobre os primeiros dias do puerpério. Quem levou sling ela mostrou rápido como usar (já tínhamos lido as instruções e treinado em casa, enfim…).

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UFA! “Só isso mesmo”, espero que seja útil para alguém! Lembrando: só minha experiência, ok?

Beijos

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