02
abril
2019

Primavera

Postado por Ana em Coisas da Ana, Maternidade

A primavera chegou meio antes da hora por aqui. De princípio não achei bom, pois estava em um “mood” de inverno. Depois, vendo aqueles dias lindos, me animei. As cerejeiras aqui perto floresceram já em março – as mesmas que ano passado deram flores no meio de abril. Em vez de chorar pelo macacão peludinho derramado eu me alegrei por ver que era a melhor época para receber um bebê. A última semana de gravidez foi muito boa – meu marido já estava de folga e passeamos muito pela cidade (geralmente após um horário na médica).

Pois enfim minha filhinha chegou! Se chama Lívia e nasceu dia 24/03, bem no aniversário de sua avó materna – o que tornará este dia novamente um dia de festa! Meu trabalho de parto começou já na madrugada do dia 23 de março e eu fui para o hospital na madrugada do dia 24 de março. Por si só já teriam sido horas muito sofridas – em um momento comentei com o meu marido que até então aquilo estava parecendo uma tortura do BOPE . Mal sabia eu que a tortura nem tinha começado. Eu escrevi sim um texto de três páginas com todos os detalhes do meu parto – mas imprimi, dobrei e com ele finalizei meu diário da gravidez. O de papel. É muito longo, muito íntimo, muito profundo.

Como eu contei, acreditem – bem breve- e resumidamente – no instagram, meu parto foi a experiência mais difícil da minha vida. Não quero repetir nem contar detalhes aqui, porque realmente ficou pra trás. Mas para vocês terem idéia – eu quase (quase mesmo) morri. Houve uma complicação raríssima na anestesia.

Quem, como eu, é fã de Gilmore Girls lembra quando a Amy Sherman Palladino deixou a produção da série. Foi um saco porque ela dizia que pensava em terminar o seriado com “três palavras“. E desta forma ficamos sem saber quais eram essas palavras – que por sorte apareceram anos depois no remake da Netflix. Eu era meio assim com o nascimento da Lili – imaginava vários cenários diferentes, ela sendo trazida ao meu colo e eu dizendo as palavras “x”. Será que eu ia cantar, será que eu ia apenas chorar mais que ela, será que eu ficaria em silêncio, será que baixaria em mim uma poetisa? Essas palavras eram um incógnita para mim e eu era muito curiosa para saber quais palavras seriam “as escolhidas” – as trazidas pelo meu instinto e pela emoção do momento. Bom, isso nunca aconteceu, eu nem a vi nascer pois eu estava entubada em anestesia geral.

Num dos nossos primeiros momentos juntas no quarto, tivemos sim nosso primeiro papo cabeça – que foi também instintivo vindo das minhas vísceras – e ok, valeu também! Escrevi depois em seu livro de bebê para que não nos esqueçamos do que foi dito.

Mas ao contrário do que eu supus em um primeiro momento, esse trauma ficou pra trás. Claro que eu lembro – e lembrarei se por um dia eu precisar ficar de novo naquela posição para a peridural. Aliás, até fiquei uns dias depois para receber um blood patch e tratar a dor de cabeça horrível que me deu. Foi horrível, exigiu muita coragem, mas consegui. Não é como um trauma de um sequestro que pode acontecer de novo amanhã, então para mim isso virou um sonho ruim. Mas no geral, sei que tive sorte no azar. Foi uma experiência ruim (péssima) mas ainda assim foi apenas “o meio” – o que me trouxe uma filha mais perfeita do que eu poderia imaginar – e me deixou ainda mais grata por minha vida e por cada momento que passamos juntas. Eu não ligo se por acaso eu passe a não dormir direito (ela por enquanto praticamente só dorme). Não ligo pro trabalho que ela venha a me dar (por enquanto dá pouco). Eu estou em êxtase por poder cuidar dela. Em êxtase simplesmente por estar aqui. Ela me parece o bebê mais lindo e bonzinho do mundo e a amamentação (que eu tanto temia pelas histórias que ouvi) tem sido a melhor parte desse processo. Eu virei um clichê ambulante – nem lembro mais da vida antes dela.

Estamos nos conhecendo, mas estou amando ser mãe. Dizem que o puerpério é como a morte de uma mulher e nascimento de outra. É assim mesmo que me sinto – exceto que não vejo essa morte como uma coisa triste. Com ou sem filha, a Ana antiga teria morrido após aquela experiência de quase-morte. E eu tenho essa mania irremediável de só olhar para frente. E essas tantas flores ao meu redor só me trazem esperança que nosso futuro juntas será sereno e feliz.

Beijos da mais nova mamãe

23
março
2019

Diário da gravidez – terceiro trimestre

Postado por Ana em Maternidade

Semana 28 – Chegou 2019!

me vê um Shirley Temple, no capricho!

Terceiro trimestre, cá estamos nós. Não digo que o tempo voou (aliás, a gravidez alheia sempre voa né?) mas acho incrível que daqui a no máximo 12 semanas vou ter minha filhinha no colo. O preço? Os sintomas que vão se acumulando: azia, dor na perna e acho que nunca mais vou dormir direito. Acordo a noite toda pra mudar de posição e não tenho me sentido confortável. E olha que ainda falta, né? Comprei finalmente um vestido pra grávida (esse da foto, da H&M) – os normais servem mas todos vestem mal pra burro. Veste bem melhor, porque deixa um espaço a mais pras gordurinhas do lombo, hi hi hi! Resolvemos passar um Réveillon diferente esse ano. Só eu e meu marido, curtindo o nosso último Réveillon como casal sem filhos por muuuuuito tempo. Reservamos uma suíte num andar bem alto de um hotel de Frankfurt. Lá pudemos comer à vontade, ouvindo a bandinha tocar, com direito a open-bar também (no meu caso isso não significou muita coisa, he he) . À meia-noite subimos para o quarto para ver os fogos pela cidade. Para deixarmos tudo zero cansativo, nós fomos e voltamos de trem – até porque dia 2 já voltei ao trabalho. Com a nítida sensação de que estou carregando alguém na barriga, aliás. Agora a barriga não passa mais impune, independente do pullover usado, e tenho recebidos muitos bons votos (e perguntas, rs) dos pacientes. Terminamos a semana visitando o hospital que escolhi para ganhar meu nenê. Olha, eu nunca nem parei pra pensar em parto e tal, mas ver aquelas maquinhas e me imaginar ~paciente~ em algumas semanas me deu um frio na espinha. kkkkkk Eu nunca fui internada na minha vida, então estou começando a ficar com medinho….

Semana 29 – Decluttering

Enquanto o neném se diverte dando mil chutes na minha barriga, começamos o final de semana com um pouco de decluttering – em bom português: jogando tralha fora. Na verdade, estamos primeiro jogando coisas fora do nosso porão para descermos com coisas que não usamos muito e então ter mais espaço para o bebê. Mas vamos aos poucos, cada final de semana fazemos um pouco. Até porque aqui jogar coisa fora não é tão fácil assim. Para uma série de coisas como TV velha, armário velho, etc, temos que organizar um serviço especial (se chama Sperrmüll). Chegaram, por outro lado, várias comprinhas que fiz na Amazon. Ia encomendar tudo de uma vez só quando entrasse de licença, mas ao pensar nas caixas todas, achei melhor já ir pedindo aos poucos. Até porque marido já finalizou a parte dele da lista e eu tô mega atrasada com a minha parte. Terminei a semana na obstetra – fiz minha primeira cardiotocografia e agora os controles serão a cada 2 semanas. Durante o exame a baby ficou maluca, parecia que tava querendo tirar o cinto de cima dela, devia tá muito incomodada, hahaha! Ela está pesando (no fim da semana) 1650g, e já de cabeça pra baixo! Apesar de estar tudo bem, fiquei BEM decepcionada hoje, em relação ao meu exame de varicela. Vou contar mais no post sobre pré-natal na Alemanha, pra quem se interessar. Tá tudo bem, mas senti que corri riscos desnecessários por desatenção. Eu poderia nem ir trabalhar mais, mas tenho só uma semana e vou tomar os cuidados necessários (antes tarde do que nunca né…). Também tomei a vacina contra coqueluche, compramos nós na farmácia e aplicamos, porque aqui na Alemanha ainda não é parte do pré-natal (e não concordo).

Semana 30 – Última semana e despedidas

nhonn, olha o que você ganhou, filhinha!

Chegou a semana que teimava em não chegar, nem acredito. Ainda vou trabalhar na outra segunda, mas essa é foi a última semana completa de trabalho. Vou tirar férias e daí minha licença começa logo após, em fevereiro. Ainda bem, pois está muito puxado ficar dormindo mal demais (posição, dores) e ir trabalhar normalmente. Mal vejo a hora de dormir à tarde no sofá, descansar, comprar/arrumar coisas da bebê, finalmente né? Fora essa história da imunidade da varicela, zero vontade de me expor (mais ainda do que já me expus, né). Fiquei bem neurótica no trabalho, já cheguei avisando o que aconteceu, que qualquer coisa levemente suspeita, qualquer rash, pessoas febris, dores irradiantes – não ia ver. Mas ainda assim fiquei bem incomodada a semana toda. Na terça foi meio correria, pois após o trabalho fui pro primeiro horário do curso de preparação ao parto, que durará 6 semanas. Essa semana ganhei uns presentinhos no trabalho, algumas homenagens. Até abraço apertado com lágrimas de pacientes (alemães!) eu ganhei e confesso que fiquei bem emotiva. Afinal, só volto pro trabalho daqui a 15 meses, inacreditável né?

Semana 31 – Tudo novo

pode essa folga, Arnaldo?

Comecei a semana com meu último dia de trabalho e me deu um mix de emoções. Eu amo o que eu faço e vou sentir falta da ciência, dos pacientes, colegas e de todas as experiências gratificantes que a profissão me proporciona. Por outro lado, me dá um alívio enorme de poder descansar um pouco, finalmente organizar minhas coisas e preparar 100% para a chegada da bebê. Eu sei que tem muita gente no Brasil que trabalha até a bolsa estourar, mas eu achei o meu tipo de trabalho pouco compatível com a gravidez, sabe? Muito intenso e muito pouco ergonômico. Por isso, acho que por ora já deu. Vou ficar um bom tempo afastada, mas também acho que vai passar como um sopro, e logo estarei voltando à labuta após deixar minha bebê na creche. Meu pai me disse que vou morrer de tédio essas semanas – mas so far, so good. Ainda tenho tanta coisa pra fazer. E muitos livros acumulados, he he ! A semana foi, contudo, muito menos “pernas pro ar” do que imaginei. Eu deixei simplesmente tudo acumular pro final de janeiro. Impressionante também a quantidade de compromissos marcados nessa e na próxima semana. Mas enfim, deu pra pelo menos repor as esgotadíssimas energias. Marido viajou a trabalho por 3 dias, e o fiz prometer que é a última vez durante a gravidez. A partir desse ponto não gosto, fico meio com medo de acontecer algo e eu estar sozinha em casa, sabe? Terminamos a semana montando a cômoda pra colocar as roupinhas da baby. Ótimo, pois estou DOIDA pra começar a lavar e organizar as roupinhas semana que vem.

Semana 32 – Roupinhas, escolinha e foto

eu tentei escapar da foto de coração na barriga e gotas d’água sexy, mas não deu kkkk

Iniciando a semana oftalmologicamente feliz com o marco das 32 semanas. Agora que temos a cômoda para colocar as roupinhas da baby finalmente pude começar a lavar e passar as roupinhas. O tempo deve estar passando rápido mesmo, pois minha filha que nem nasceu já tem vaga na creche. Fui lá conhecer essa semana e fiz a pré-inscrição. Tivemos que fazer cedo assim porque pra gente tem que ser essa creche, que tem horários ótimos e quase nunca fecha. A maioria das outras particulares fecha no verão e em outras férias escolares (e acabam te obrigando a tirar férias aí também), e as públicas são impraticáveis pra nós, por causa dos horários de trabalho. Também tive meu “ensaio de gestante” – tinha ganho um “vale” e marquei essa semana. Eu gosto dessas fotos o mais simples o possível – mas a fotógrafa queria embarangar ao máximo. Então depois de ter as minhas fotos “simples”, deixei ela fazer o que queria – achei que valeria pelo menos uma risada aqui em casa. Imaginem vocês – teve foto com ventilador na minha cara e um lenço esvoaçante. HAHAHAHAHA mas essa é meu segredinho, não mostro pra ninguém não!

Semana 33 – Bebê, devolva meus pulmões

No meio dessa semana comemoramos o marco das 34 semanas ! Enquanto o bebê pode celebrar seus pulmões teoricamente mais maduros, eu não pude dizer o mesmo da minha respiração. À noitinha ela deu pra dar uma esticada no bumbum e eu fiquei bem dispnéica. Ou seja, mais um sintoma noturno. Nessa semana terminei de arrumar a mala de maternidade, deu um certo alívio ver tudo prontinho! Tive um horário também no hospital, uma mini-consulta com o chefe lá. Deu pra ver que ele é muito bom porque falou minha idade gestacional e a posição do bebê sem nem tocar na minha barriga e antes de olhar minha caderneta. Mas aquele tipão alemão mesmo, falando pra dentro e baixo, sério. Como diriam os alemães: bem bestimmt. Mas meu marido gostou dele. O resto todo do hospital bem amável – isso é importante, porque quem conduz parto normal aqui é todo mundo menos o médico (que só aparece nos finalmentes OU em caso de problema), hahahha. No fim da semana compramos um colchão novo (o outro estava muito velho e mole) e não é que minhas dores na perna e coluna à noite praticamente desapareceram? Se eu soubesse antes, afffff…

Semana 34 – É emoção que você quer, @?

A segunda já começou com emoção pra semana inteira. Fui pra consulta de rotina e lá a CTG acusou uma taquicardia. Tinha um barulho de construção por ali e eu estava bem ansiosa e vendo a frequência no aparelho fui ficando mais e mais. Logo após repetimos e não mudou muito. Minha médica pediu então que eu fosse ao hospital, pra afastar algumas possibilidades, tipo infecção desta que vos escreve (apesar de eu estar 100% sem sintomas). Fiquei muito preocupada, já pensando “meu deus, será que esse dia vai acabar com uma cesariana de emergência e minha bebê prematura na UTI?”. Fomos pro hospital, com malas no carro e tudo. Cheguei lá e fui direto pra um quarto calmo e confortável, repetiram a CTG e deu tudo ok. Fiz alguns exames, inclusive US e doppler e tudo normal, então fui para casa e agora só controle normal em 2 semanas. UFA. De coisa boa essa semana, destaque para nosso último Valentine’s Day “solo” – fiz jantar, com bolo caseiro (tão bom ter tempo pra isso!) – tudo regado a espumante “Hugo Light“. 🙂

Semana 35 – Ana-de-casa contra-ataca

Meu plano anual da academia acabou e estou meio “órfã”. Eu cancelei porque o mínimo são 12 meses mesmo e eu quero mudar de academia. Como está meio tarde pra começar na outra, vou ficar esses dias sem. Eu não tenho conseguido fazer mais que elíptico anyway, mas ele com certeza é bem mais confortável que caminhada, não tem impacto, sabe?. Tenho passeado, o que é ótimo nesse tempo – mas ao caminhar, cada passo é uma “cabeçada” na minha bexiga. Mas vou fazer o melhor que posso, e pelo menos passear o tanto que der. Aliás, que fevereiro é esse? Tá tipo primavera. Nem acho bom, aprendi que todas as estações aqui são importantes, e inclusive um “inverno caprichado” tem seu papel. Vi essa semana uma mosquinha-de-frutas passeando por minha casa (em FEVEREIROOOOO) e fiquei até triste! Essa semana ficamos sem faxineira – isso mesmo, após 3 meses ela saiu, pois mudou de país. Timing ótimo, né? Eu até cheguei a olhar na internet pra arrumar outra, mas me deu preguiça de ter uma pessoa aqui esses dias em que estou em casa. Chutei o balde e o que fiz foi investir em um aspirador de pó ótimo e sem fio (comprei o V8 Fluffy da Dyson). Por estar em casa, tenho conseguido manter a casa organizada e limpinha aos poucos. É bem diferente daquela situação de sempre de só conseguir limpar a casa (à essa altura zoneada) no fim da semana. Agora é muito tempo livre, Brasil – arrumo/limpo um pouquinho de cada vez e, sem nem sentir, a casa fica sempre nos trinques. Depois que o bebê nascer, vejo se realmente precisamos de alguém. De qualquer forma, cancelamos a agência (achamos simplesmente péssima) e acho que a próxima vou procurar num site tipo Betreut.de ou Helpling.de (caso alguém tenha uma sugestão, aliás…).

Semana 36 – A famosa reta final

Resolvi cortar meu cabelo para um corte de baixa manutenção e amei, fiz um long bob, meio no ombro. Eu estava dependendo de miracurl nas pontas de tão destruído que estava (e é um círculo vicioso né). Agora deixo meu cabelo secar, e ele fica em seu original lisinho e “ready to go“. Acho que vai ser bem útil nas próximas semanas eu ter zero trabalho com meu cabelo. E andava com saudade de tê-lo mais natural mesmo (inclusive ando com saudade da minha própria cor, mas tá quase). Segui arrumando coisinhas de casa, congelei as últimas comidas, e agora sinto que o bebê “pode vir“. No meio da semana completei 37 na verdade, que é o “termo teórico”. Maaas como 39 é o novo 37, espero que demore umas 2 semaninhas ainda pra vir. Houve um jantar para fechar o curso de preparação do parto e depois disso comentei que não quero mais compromissos sociais até o bebê nascer (exceto com a família). Pela primeira vez, talvez pelo calor fora de hora, comecei a sentir o “peso” nas pernas. Não estou inchada, mas com certeza algo mudou na circulação. Fiquei bem insegura quando quase desmaiei na Ikea essa semana. Fui rapidinho pegar umas coisas e quando já chegava ao caixa, me deu uma sensação ruim, um calorão. Foi coisa de pressão mesmo (que conheço bem de experiências passadas), então eu não me preocupei em relação à saúde em si. Se a coisa pega eu não caio como um saco de batatas, mas tenho que sentar (ou deitar) onde é que esteja – mas pensei “xi, se eu sentar do nada aqui no chão com essa barriga vai ser aquela confusão, vão chamar médico e tudo“. Mas achei uma cadeira normal pra sentar e esperei lá até sentir que conseguiria me levantar de novo. Foi por pouco e fiquei meio medrosa, não quero mais dirigir ou ficar muito longe de casa.

Semana 37 O que aconteceu mesmo?

Minha cabeça não deve estar boa, pois sentei para escrever como foi a última semana e não está me ocorrendo muita coisa. Sei que só conseguia fazer “uma coisa por dia“. Depois da tal coisa feita eu cansava muito e ficava cochilando no sofá. Organizei coisas de casa e no fim da semana preparei muitas coisas pra receber a família do marido. Em vez de viajarmos para lá, eles vieram todos para cá, para comemorarmos o aniversário da minha sogra e do meu marido. Fiquei meio com medo de o bebê resolver dar seu show, mas ela continuou quietinha aqui! Muita comilança e diversão e o bebê não vai dividir seu aniversário com mais ninguém da família. 🙂 O chato foi que meu cunhado que mora dos EUA voltou antes de conhecer a sua sobrinha. Espero que ele volte em breve (ele costuma vir até muito porque trabalha para empresa alemã). Avisei minha professora de piano que agora só volto quando a bebê nascer (meu plano é voltar com 4 semanas), pois até mesmo as aulas estavam desconfortáveis. Mas o timing foi ótimo, acabamos de terminar um volume – então quando voltar já volto com livro novo. Em casa eu continuo tocando todos os dias – até porque o bebê parece gostar das músicas (ou detestar, só sei que ela se mexe muito quando toco).

Semanha 38Bebê, estou finalmente pronta pra você!

estudar sem obrigação é das minhas coisas favoritas

Segunda-feira fui tomar café-da-manhã com a família, daí vim andando de volta pra casa e então *PUF* – a energia desapareceu. De uma vez – pareceu um reloginho! Decidi que não ia mais cozinhar nem fazer nada. Até porque sinceramente não tem mais nada pra fazer, eu já preparei tudo. O que fiz com meu tempo foi então ler bastante – colocando literatura acumulada em dia, e estudando coisas randômicas de oftalmo também, que delícia! Até voltei a dormir ok , mas a motilidade está sofrível e pela primeira vez, após completar o marco das 39 semanas, eu meio que me cansei de estar grávida. Assim, sempre preferi o status não-gravídico do que o status-gravídico, mas estava curtindo esse tempo babyfree sem pressa nenhuma. Muito pelo contrário, queria que ela chegasse no limite superior. Mas está chato subir as escadas daqui de casa. E quando descobri que se o bebê não chegar nos próximos 4 dias eu vou ter que ir na médica de 2 em 2 dias me deu um frio na espinha. Eu odeio ir ao médico that much – ou seja: bebê, pode vir, estou finalmente pronta pra você! Mas que estou sentindo que ela só sai com ordem de despejo, isso estou! Espero estar errada. A coisa boa é que comprei um celular novo, com muitos gigabytes – o meu antigo tinha só 16 gb e nem sobrava espaço para fotos – o que convenhamos, não é ideal para quem está para ter um nenê fofucho em casa.

Semana 39-40Primavera chegou, mas minha filha não

Há flores por todos os lados

Essa semana foi uma delícia – a energia, aliás, voltou. Os dias estavam todos tão, mas tão lindos que até estou perdoando o fato de ter comprado uns ítens de inverno para RN claramente à toa. Fui algumas vezes na médica, mas sempre com ótima companhia e depois emendando em passeios maravilhosos e me mimando com algumas delícias aqui e ali. Se havia alguma dúvida que caminhadas não necessariamente engatilham um trabalho de parto não-iniciado, sou a prova viva. Nem a lua cheia ajudou. Andei quilômetros e mais quilômetros! Completei as 40 semanas há 3 dias, então falta pouquíssimo para ela chegar – se não for bem, vai por mal. hahahaha Mas sério, estamos perto da “ordem de despejo”, então termino aqui o diário da gravidez porque de uma forma ou outra não chegarei grávida ao próximo sábado. Mal posso esperar pela próxima fase e pela maior alegria da minha vida! E obrigada a você que leu tudo até aqui torcendo por mim e por minha família ! Agradeço de coração.

07
março
2019

Comidas que congelei pro pós-parto

Postado por Ana em Ana de Casa, Maternidade

Aqui toda “lista de preparativos” para a maternidade sugere que você congele comida para 2 semanas após o parto. A tal da “Wochenbett” – é apocalipse bebezístico que fala? Eu nem sei se seria tão necessário no meu caso – acho que a família vai ajudar um pouco (HOPE SO!), meu marido vai estar aqui nas primeiras três semanas e também moro num lugar que tem tudo perto. E delivery também tá aí pra isso, né? Mas, pelo sim pelo não resolvi congelar comidinhas para 2 semanas (com sobra). Afinal, mal não faz e eu amo (cada vez mais) meal prep e comer comidinhas caseiras de ingredientes conhecidos. E como tô de licença e tempo de sobra… cozinhar até me relaxa. Todas as receitas eu já tinha testado antes, algumas eram velhas conhecidas – são as que eu sei que gosto e congelam bem! 🙂 A idéia é só comida caseira, relativamente saudável mas sem “nóia” com calorias, pois não é hora de fazer dieta, principalmente se for amamentar.

Dica: se você, como eu, não tem um freezer gigantesco, comece pelas receitas que exigem congelamento aberto (energy bites e salgadinhos), pois depois que tá tudo cheio fica difícil arrumar espaço pra isso! Todas valem 3 meses no congelador, menos a mistura pra smoothie, que é melhor consumir em 1 mês (segundo a fonte da receita, mas pode ser que seja mais…). Comecei a congelar na semana 34 e terminei na semana 37.

Menu:

Salgadinhos fit : salgado de frango com batata doce / quibe com quinoa
Banana Bread de mirtilos saudável
Energy bites: sabor maçã com canela / sabor massa de cookie
Pacotinhos para suco verde
Sopa de frango com legumes
Fricassê de frango
Chicken Pot Pie (“empadão”)
Chili con carne
Ragout de peru

Fiz muito esses dois “salgadinhos fit” ao longo do ano, adoro, são ótimos pra jantar. Congelam super bem e preparo rapidinho na Airfryer (também já fiz no forno, dá certo mas fica bem menos sequinho). Essas receitas anotei de algum instagram mas já faz um tempo e não lembro de jeito nenhum de qual, desculpem 🙁


Salgadinho de frango e batata doce

Uso 500g de frango desfiado e temperado com 500g de batata doce cozida e amassada. Adiciono 5 colheres de sopa de creme fraiche (“creme de leite fresco”) misturo com muitos temperinhos (o que tiver) e ajusto o sal. Faço formato de coxinha com a mão, empano num ovo batido e passo no Psyllium (aqui se chama Flohsamenschalen e se acha fácil em farmácia ou na internet). Faço primeiro o congelamento aberto, depois congelo em saquinhos. Rende 15 “coxinhas” médias. Daí congelada vai direto na Air fryer pré-aquecida a 200 graus por uns 12-14 minutos (viro na metade do tempo).

Quibe “fit” com quinoa

Crus, indo pro congelamento aberto

Uso 400g de patinho moído (aqui uso Rinderhackfleisch bio), 200g de quinoa cozida – uso a de três cores – (dica: dá pouco menos de 100g crua, prepare como diz a embalagem). Eu gosto de colocar a carne moída no processador (pra ficar mais fininha) junto com os temperos. O que você tem em casa. Eu sempre uso cebola + alho + muitas folhinhas de hortelã fresco. E daí sal, pimenta, canela, etc! Antes de formar os kibes, coloco um pedacinho na frigideira pra ver se o gosto está bom – daí posso ajustar o sal, etc. Nada de experimentar cru (quanto mais grávida!). Essa receita rende 10-11 quibes médios-grandes. Congela em congelamento aberto, depois coloca em saquinhos. Tiro do congelador direto pra Air Fryer pré-aquecida a 200 graus. Dá uns 14 minutos (viro na metade).


Esse Banana Bread Saudável de Mirtilos saindo quentinho do forno é a coisa mais deliciosa do mundo. Mas também congela e descongela super bem! Como é pecado fazer isso só para congelar, eu fiz normal pro café da manhã 2 finais de semana seguidos e congelei as metades que sobraram. Para congelar, parto as fatias já frias e envolvo cada uma em plástico filme e juntei todas numa espécie de Ziploc da Ikea. Pra descongelar pode deixar na geladeira à noite ou em temperatura ambiente mesmo, porque descongela muito rápido. É ótimo pra matar a vontade de comer doce e pra um banana bread é bem saudável.

Observação sobre ingredientes: A receita é do Kristine’s Kitchen Blog – ela usa a “whole white flour” – consultei blogs de americanos expatriados na Alemanha e aqui a melhor opção seria a farinha de “espelta”, a “Dinkelmehl” número 1050, que é mais saudável que a normal mas não é intragável como a integral (gosto muito forte na minha opinião). O baking powder é fermento em pó branco tipo Dr. Oeatker mesmo (uso do Ja!) e o baking soda o bicarbonato de sódio (aqui tem o Natron, por exemplo). Ah, na Alemanha manteiga sem sal é alguma com “süßer Rahm” escrito, mas também já fiz com manteiga normal e não vi diferença.

Em tradução livre: mistura numa tigela grande 1 xícara e meia de farinha “branca integral”, 1 co de chá de fermento em pó, 1/2 co de chá de bicarbonato, 1/2 co de chá de canela em pó, 1 pitadinha de sal. Em outra tigela, derrete (no microondas por exemplo) 1/4 de xícara de chá de manteiga sem sal e mistura com 1 xícara de chá de banana BEM madura amassada (aqui dão 2 bananas grandes), 2 ovos grandes, 1 co de chá de extrato de baunilha e 1/4 de xícara de chá de Maple Syrup (xarope de ácer, aqui Ahornsirup) e mistura tudo. Joga então os ingredientes líquidos na tigela com os secos e mistura sem exagerar pra não “matar o fermento”. Quando tiver homogêneo você adiciona 1 xícara de chá de mirtilos (nunca fiz com congelado mas a receita diz que também pode) e mistura com cuidado. Transfere pra uma forma de pão untada – eu unto com spray PAM “buttercoat”, além de prático não gruda nadinha. Daí leva ao forno pré-aquecido a 180 graus. Aqui levo na grade do meio, o meu fica 46 min. Da primeira vez, fique de olho e vá fazendo o teste do palito a partir de 30 min, depois anota o tempo. Faço com calor vindo de cima e de baixo. Evite “umluft” (ar circulante) ao fazer bolos/pães porque resseca. É importante untar bem a forma, principalmente na parte inferior (onde a maior parte dos blueberries se deposita e fica mais úmido). Tira do forno e deixa esfriando uns 30 minutos antes de tirar da forma e fatiar.


Como o nome fala, são bolinhas que dão energia, sem ser essas industrializadas com 5 tipos diferentes de açúcar, e/ou caras e/ou ruins. Não são hipocalóricas, pra mim uma bolinha = um lanche intermediário. Via de regra, duram até 3 meses no freezer e descongelam super rápido quando você tira do congelador. Elas não vão ao forno, então não espere uma consistência de biscoito, é consistência de massa mesmo. Vi dessas energy bites (da Veganz) vendendo na DM e além de custarem 2 euros o pacote com 2 bolinhas, achei o gosto horrível. Bom, testei várias ao longo do ano passado e congelei as minhas duas favoritas:

Energy bites de “biscoito de maçã e canela”

Meu favorito! Receita desse blog que adoro. Faço 2 receitas de uma vez pra não desperdiçar o pote de creme de amêndoas …

Ingredientes e preparo pra UMA receita: rende 13-14 bolinhas (de uma colher de sopa). 2 xícaras de aveia grão-inteiro, 1/4 xícara de linhaça moída, 3/4 colher de chá de canela em pó, 1/2 de manteiga de amêndoa*, 1/4 xícara + 1 co de sopa de mel, 1 co de chá de extrato de baunilha, 1 pitada de sal, 1 xícara (não precisa estar “chuchada”) de maçã ralada (equivale a uma maçã grande). Só colocar tudo numa tigela e misturar com a mão até ficar bem homogêneo. Faz bolinhas com a mão (se estiver grudando, só umedecer as mãos). Leva em congelamento aberto e depois coloca em saquinhos. Se preferir, pode deixar na geladeira, duram 3-4 dias. Pra descongelar é muito rápido, tira uma bolinha e em 10-20 minutos já está descongelada ou coloco 20 segundos no microondas. Essas bolinhas não são duras, viu, se apertar desmancha.

* manteiga de amêndoa é difícil de achar na Alemanha, mas substituo com sucesso por Mandelmuß (uso da DM, levo a marrom que é mais barata). Se animar, dá pra fazer em casa, tem uma receita caseira aqui.

Energy bites de “massa de biscoito”

A receita também é daqui! Essa quantidade rende 8 bolinhas médias como na minha foto.

Ingredientes: 1 xícara de aveia (grão grosso, rolled oats, kernig) + 1/4 de xícara de maple syrup (xarope de ácer, ahornsirup) + 1 pitada de sal + 1 co de chá de extrato de baunilha + 1/4 de xícara de gotas de chocolate amargo (eu uso cacao nibs, que é 100% cacau, porque pra mim já é suficiente de doce) + meia xícara de pasta de amendoim (ingredientes: só amendoim! Aqui compro o Erdnussmuß na DM).

Preparo: só misturar tudo e mistura as gotas de chocolate por último. Você pode processar também se quiser mais homogêneo, mas se misturar tudo na colher funciona também. Faz bolinhas e leva em congelamento aberto, depois põe em saquinhos.


Deixa pra congelar por último, porque é bom consumir em até 1 mês . Peguei a idéia há uns meses no instagram cleanfoodcrush.

Vamos chamar de smoothie mesmo, porque o meu nem fica verde, haha! Só jogar o conteúdo de um saquinho no liquidificador (um que aceite coisas congeladas) junto com o líquido que preferir e você tem um smoothie cheio de vitaminas.

Uso ziploc de 2,5L da Ikea pra congelar as porções, cada uma contendo uma xícara de espinafre-baby fresco, meia xícara de couve fresca picada grosseiramente (aqui uso Grünkohl), uma xícara de mistura de berries (uso mirtilos e framboesas congeladas mesmo) e uma banana cortada em rodelas. Na hora de preparar você coloca junto com um copo (ou mais) de líquido de sua preferência. Eu faço com leite de amêndoas sem açúcar e adiciono um copo e meio, porque daí fica na consistência que gosto. Pra mim já está bom de doce assim – mas quem gosta de tudo bem docinho pode adicionar mel, maple syrup …. ou usar leite vegetal adoçado mesmo. Smoothie eu prefiro sempre fazer com tudo orgânico, senão me dá impressão de estár bebendo um montão de agrotóxico de uma vez, sei lá. 🙂

Um ziploc desse dá pra duas porções boas de smoothie.

A maioria das sopas congelam super bem! Essa sopa de frango e legumes é uma delícia, super comfort food. Tem batata então nem precisa comer com pão. A receita é da revista alemã Brigitte.

PS: Aqui na alemanha tem o tal de “Suppengrün” que é um mix de vegetais vendidos juntinhos pra fazer sopa. Varia um pouco, mas um exemplo standard costuma conter: 2-3 cenouras, 1 pedaço de cabeça de salsão (aipo), 1-2 pedaços de alho poró, 1 maço de salsinha.

Ingredientes e preparo: corta uma cebola em fatias fininhas e refoga em uma colher de manteiga + 1 co de azeite até ficar transparente. Junta um dente de alho esmagado e refoga junto com os vegetais do kit-sopa (Suppengrün, ver acima) e 500 g de batata (uso aqui a festkochend) cortados em cubinhos (o alho poró em tirinhas). Adiciona 1,3L de caldo de vegetais e daí adiciona 400g de peito de frango cru mesmo (gosto de já salgado) em cubinhos e deixa tudo cozinhar em fogo baixo uns 15 minutos (confere se os vegetais estão macios e o frango todo cozido). Coloca um bouquet garni ou temperos variados. Depois ajusta sal/pimenta.

No dia da foto eu não fiz com frango em cubinhos pois já tinha muito frango cozido desfiado de outra receita, então só adicionei no final. Essa receita rende 6 porções (uso umas 2 conchas cheias por porção).


Mais ou menos a receita do panelaterapia, que adoramos há anos aqui em casa. Faço 2 receitas de uma vez e rendem 7 dessas marmitas de 450mL – as embalagens de alumínio comprei na Amazon nesse link. Não tenho hábito de congelar em marmita de alumínio, mas pro pós-parto fiz assim, pela praticidade mesmo.

Para uma receita (rende +/- 3 marmitas dessa):

Para a camada de frango cremoso: refoga meia cebola picada no azeite e depois 2 dentes de alho amassado, daí junta 2 xícaras de frango desfiado*, 1 co de mostarda, 1 co de extrato de tomate (acabo usando catchup pra não abrir um extrato à toa) , 1 xícara de chá de leite integral. Daí deixo secar um pouquinho e adiciono meia xícara de cogumelos-de-paris picados, 1 pote de requeijão (aqui uso 200g do Schmelzkäsezubereitung do Ja!), 2 co de sopa de parmesão ralado. Ajusta o sal (mas com esses ingredientes eu nunca precisei adicionar mais sal). Jogo uma mão de salsinha picada ainda.
Para o creme de milho: Refoga 1/2 cebola picada em 1 co de sopa de manteiga, junta uma lata de milho grande com água e tudo (aqui vem pouca água, então jogo 1 dedo a mais), adiciona 1/2 tablete de caldo de frango, deixa ferver uns 2 minutos. Daí adiciona 200 de creme de leite (aqui uso Créme Leicht). Daí vou com o mixer na panela mesmo e transformo em purê.
Montagem: coloco uma concha de frango (se não secou muito eu “seleciono” mais a parte sólida pra não ficar muito aguada a mistura), cubro com umas 2 de creme de milho e coloco batata palha em cima. Gosto da batata palha do Aldi (pacote azulzinho).
Forno/Preparo: se você acabou de fazer é opcional porque está tudo cozido, mas gosto de levar ao forno pra borbulhar. O fricassê congela super bem – e congelo completinho com batata palha mesmo, não acho que perde a crocância não (e aqui batata palha é vendaval, melhor já usar haha). Pode descongelar à noite na geladeira e daí só esquentar antes de comer, ou pode levar pro forno congelado mesmo (aqui no forno a 180 graus dá uns 30 min).

* Frango desfiado: faço na panela de pressão (30 min) e antes dou uma refogada com alho e adiciono a água com caldo de frango cobrindo o peito. Daí escorro quase tudo da água e gosto de desfiar com um mixer de mão (com pás de batedeira), acho mais prático – aquilo de sacudir a panela de pressão acho muito trabalhoso e tenho medo de estragar a panela.

cremosidade gradus maximus hummmm

Esses empadões de frango na verdade são aqueles chicken pot pies, bem americanazinhas, o recheio é dos melhores que já comi, deste blog gringo aqui! Já faço em dobro as receitas, e assim rendem 7 tortinhas de 450 mL – as embalagens de alumínio comprei na Amazon nesse link. Elas fecham bem mas eu ainda envolvo cada uma em plástico filme. Os americanos encontram muito facilmente as tais “pie crusts” prontas, mas aqui não acho – e é bem tranquila de preparar, então faço eu mesma. Só que faço a receita simples de massa de empadão abaixo e acho excelente. Se quiser fazer uma receita de pie crust americana “da gema” pode fazer essa da Martha Stewart, mas eu sinceramente acho que complica mais e nem dá diferença.

Recheio daqui, em tradução livre: derrete 1/3 de xícara de manteiga e refoga 1 xícara de cebola picadinha, 1 xícara de cenoura picadinha, 1 xícara de aipo (salsão) picadinho, até ficarem levemente macios. Daí mistura meia xícara de farinha de trigo peneirada por 1 minuto. Adiciona 2 xícaras de caldo de frango e 1 xícara de leite. Vai mexendo até ficar borbulhando e mais grossinho (cremoso). Daí adiciona 2 xícaras de peito de frango já cozido em cubos (eu gosto de já colocar temperado), 1 xícara de ervilha (uso aquelas congeladas – descongelo e adiciono). Daí adiciona mais ou menos 1 co de chá de sal, meia de pimenta. Prova e se necessário ajusta o sal.
Importantíssimo para toda receita desse tipo: o recheio deve esfriar TOTALMENTE antes de você rechear as tortinhas! Eu gosto de espalhar em pratos rasos (até porque faço 2 receitas num panelão fundo, senão demora horrores pra esfriar).

Massa de empadão: Mistura 300 g de farinha de trigo com 1 pitada de sal e 10g de fermento em pó (“pó royal”). Daí junta 160 de manteiga sem sal e 60 mL de água. Só ir misturando com as mãos até ficar uma massa homogênea. Não é grudenta e não precisa deixar na geladeira. Acho essa massa uma delícia e prática.

Montagem: pra mim é o que faz mais diferença pra ficar gostoso. Sempre cubra a massa que você não está usando com um pano de prato limpo pra não ressecar. Eu gosto de pegar uma bola e colocar entre duas folhas de papel manteiga, tipo um sanduíche. Acho bem higiênico e prático, melhor que ficar trabalhando em superfície cheia de farinha. Daí venho com o rolo de macarrão em cima do papel manteiga e abro a massa bem fininha. Levo a massa (com ajuda do papel manteiga) até a forminha e aperto nos cantinhos pra encaixar na forma. O excesso eu corto com tesoura de cozinha. Daí coloco o recheio até em cima mesmo (gosto beeeem recheado). Então abro outra bolinha pra fazer a tampa e coloco a tampa em cima. Eu não gosto de massa redundante. Aperto onde as partes se encontram e tiro o excesso. Gosto de finalizar com essas tirinhas de massa só pra ficar mais bonitinho mesmo. Depois se quiser servir na hora, só pincelar com gema batida (função puramente estética).

Preparo: Pra congelar, você pode ler no link acima que tem várias possibilidades, empadão é muito versátil quanto a isso. Pode congelar o recheio separado, ou já montada – assada antes ou não. Eu congelo já toda montada, mas sem assar antes. Se você congelar assado pode deixar descongelar à noite na geladeira e só esquentar antes de comer. Eu levo a torta montada com massa crua congelada direto pro forno. Para assar o tempo varia com o tamanho da embalagem, etc. Por isso, sempre anote quanto precisou – que depois, principalmente no pós-parto, você não perde tempo com isso. Eu levo congelado assim: pré-aquece o forno a 180 graus (aqu faço 160 umluft) e tira quando tiver dourada e com recheio quente – aqui demoram uns 50 minutos. A gema pincelada tem só função estética, então fica mais bonito pincelando na hora de assar, mas sai do propósito principal do post (maior praticidade possível) então congelei já pinceladas mesmo. Ou você pode simplesmente não pincelar. 🙂

Não é bem uma comida alemã, mas é suuuuuper a cara da Alemanha. Toda festinha de estudante tem, hahaha . É uma delícia e congela e “requenta” super bem. Faço a receita da revista alemã Brigitte, aqui. Se for amamentar, lembra de usar pouco ou nada de chili. Do jeito que faço nem fica apimentado (uso só um 1 cm de chili vermelho, sem sementes), mas em outras situações gosto de chili “pegando fogo”, haha!

Em tradução livre pra 4 porções: refoga 1 cebola em cubinhos no azeite ou óleo e depois junta 500g de carne moída (boi), um dente de alho amassado e o quanto quiser de chili (“hot pepper”, eu coloco 1 cm picadinho só). Quando a carne estiver já corada, adiciona 3 co de sopa de extrato de tomate, 1 lata (400g) de tomate sem casca/semente (aqui: Pizzatomate), 250 mL de caldo de carne. Mistura, adiciona 1 co de chá de cominho em pó, sal e pimenta à gosto e deixa cozinhar em fogo baixo-médio por pelo menos 20 minutos. No final, adiciona 1 lata de milho (285g, sem água) e 1 lata de feijão preto (“Kidneybohnen) de 250g. Eu finalizo com coentro porque amo. Se tiver fresco pode adicionar também créme fraiche, coentro fresco, e alho poró picadinho.

Esse “Ragout de Peru” é da revista alemã Brigitte . Ela congela super bem e tem um toque meio oriental, meu marido adora. Se você quer comer puro às garfadas, faz assim mesmo. Ela fica um ragoutzinho mesmo, não tem muuuuito molho – como gostamos de comer com tagliatelle ou arroz, eu gosto de dobrar a quantidade de molho e legumes. Principalmente se for congelar, pois quando descongela, o líquido some mais ainda. Daí, como gosto de molho mais encorpado, adiciono algo pra engrossá-lo (aqui uso Saucenbinder, mas maizena funciona também.)

Receita em tradução livre: corta 800g de peito de peru em cubinhos (eu adiciono sal e um pouquinho de molho de soja) refoga no óleo até dourar. Daí tira da panela e reserva. Coloca na panela 1 pimentão amarelo em cubinhos, 2 cenouras em rodelinhas finas, 1 alho poró cortado em tirinhas, 2 dentes de alho amassados e refoga uns 5 minutos. Eu coloco aí um pouco de sal rosa também. Adiciona 250 mL de caldo de frango, 100 mL de Kochsahne (Brasil: algum creme de leite fresco) e os cubinhos de peru. Depois que ferver, deixa uns 3 minutinhos encorpando e ajusta o sal. No fim, joga 2 colheres de sopa de castanha de caju picada (sem sal) e 1 maço de cebolinha picadinha.

Preparo após congelar: toda vez eu deixei descongelando à noite e esquentava no microondas na hora de comer no trabalho. Mas imagino que jogar congelado na panela ao fogo baixo (talvez com um pouquiiiinho de líquido) também deve funcionar bem!

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Bom, é isso pessoal! Independente de ser pro pós-parto ou não, acho que são boas idéias pra “meal prep”, né? Confesso que tenho amado cada vez mais esse mundinho do congelador: a gente economiza tempo e dinheiro, evita desperdício de alimentos e come muito melhor! Se você tem outras dicas de receitas boas de congelar, divida nos comentários por favor!

Beijos!

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