05
setembro
2019

Fomos ao Brasil (apesar da TAP): a primeira viagem de avião com bebê

Postado por Ana em Crônicas cosméticas, Maternidade

Como comentei, meu marido tirou 2 meses de licença paternidade (sim, aqui tem isso – quem quiser entender mais, só ler o post sobre isso). Aproveitamos então para viajar com nossa filha durante a maior parte deste tempo. Iniciamos as viagens com o Brasil-sil-sil, para ela conhecer os primos, tios, minhas amigas… Quem vê assim acha que a decisão foi fácil. Pelo menos da minha parte, não foi – senti vários medos, cheguei a bater o pé que não queria ir. Medo principalmente da viagem de avião – tão longa e com conexão, com um bebê que definitivamente não é um angel baby, não dorme em bercinho nem com barulho nem em carrinho e nem “do nada” no colo… E sendo que tenho pânico de avião e que ainda ia ter que viajar “de cara limpa” (tanto pela amamentação como pela energia necessária para cuidar do bebê), hehehe! Também tinha medo de ela ficar doentinha por lá, já que eu mesma peguei zigziras nas últimas 3-4 vezes que fui. Ainda a questão do sarampo e o medo de circular em aeroportos, avião, etc. Enfim, mil medos!

Tem uma pessoa que adoro que sigo no instagram, especialista em disciplina positiva, toda zen e cheia de jeito com bebê. Um dia ela fez um textão nos stories sobre a superação de fazer um vôo BH-Rio (40 minutos) pela primeira vez com o bebê de 3-4 meses dela. Nesse dia lembro que pensei: “FERROUUUUUUUUUU!!! Se ela que é toda zen passou esse perrengue num vôo de 40 minutos, como vai ser comigo?” Eu me informei, preparei, vi mil vídeos de dicas para voar de avião. Mas me desanimava porque nenhum desses bebês lembrava nem de perto a minha. Eles dormiam em um bebê conforto enquanto o mundo caía no avião. Gente?! Essas dicas não serviam para mim. Eu estava tão insegura que levei fórmula na ida (sendo que ela nunca pegou mamadeira, rs) de medo do meu leite não ser ejetado pelo pânico, kkkkk! #tãoeu

Mas graças a Deus tenho ao meu lado o ser mais otimista do mundo e ele me convenceu a irmos ao Brasil. Era importante demais e nenhum medo é maior do que as memórias deste momento com a família. Fora que conseguir ir para ficar 3 semanas é uma oportunidade que temos que aproveitar. E ele tinha razão. Não importa o perrengue no avião (a não ser que caia hehehehe) SEMPRE vai valer a pena.

A odisséia dos vôos

Primeiro, em relação à viagem de avião com bebê de 4-5 meses. Pra começar, ao contrário de vídeos que vi – A MINHA bebê de 4 meses não só “mama e dorme”. Ela tem mil necessidades além disso e fica muito entediada muito fácil, não fica sentadinha num bebê conforto com cara de plasta olhando pra gente, jamais (leia em francês: jaméee). Claro que a gente (eu! marido nem aí) fica com medo do perrengue do bebê esgoelar a viagem toda e você nem tem pra onde correr. Mas é só respirar fundo e pensar que AINDA que seja este o caso, isso não deve ser maior do que as alegrias da viagem. Ainda que ocorra pior do cenário, serão horas que depois você esquece, e se deixar de viajar por causa disso vai se arrepender depois COM CERTEZA. Isso sem entrar no tema que bebê chora mesmo e todo mundo já foi bebê um dia. Ninguém é obrigado a curtir viajar do lado de bebê, claro (eu detesto), mas ninguém pode falar nada. Se alguém falasse algo pra mim ia ouvir, ô se ia.

MAAAAAAAAS …. eu cometi sim um ENORME erro ao marcar os vôos. Escolhi a TAP! Justamente pela conveniência de o grande vôo terminar em BH, pois o que sempre me deixou exausta foi a conexão em SP no fim da viagem. Contudo, mais que um fato pontual, ficou muito claro para mim que a TAP não tem qualquer consideração com quem viaja em família. Fomos para a casa dos sogros perto de Frankfurt para pegar o vôo das 6 da matina no aeroporto. Eis que às 02:30 da manhã eu vejo um e-mail confirmando o Check In. Aí beleza, achei que tinham reenviado. Mas quando fui vendo os detalhes do vôo vi que não tinha nada a ver com o nosso. Era um vôo estranho de 7 horas de conexão em Lisboa e indo pra Campinas etc. Levantei no pulo e fui ver o que tinha acontecido. Com muito custo consegui falar na TAP e entendi que tinham cancelado o vôo. Gente, custa escrever isso, avisar de alguma forma na mensagem “ATENÇÃO!!!! VÔO CANCELADO/ALTERADO”? Poderia facilmente não ter percebido e ter ido de madrugada ao aeroporto à toa.

Como diria o Ross:

eles deviam colocar em letras garrafais

Foi uma zona, família incluindo bebê sentada à mesa às 3 da manhã, resolvendo a situação. Remarcamos pro mesmo vôo no dia seguinte, pois o vôo alternativo oferecido era impraticável pra gente. Daí surgiu outro problema, eu disse pro homem que tinha reservado lugares “de bebê” na aeronave e que gostaria de tê-los de volta mas os novos números da poltrona eram outros. Pois o luso me GARANTIU que eram sim lugares de bebê. E eu: “tem certeza? É outro modelo de aeronave então né?”. E ele “sim senhora“. Ora pois, ele queria era se livrar de mim às 3 da manhã. No dia seguinte, não convencida, liguei de novo e a nova atendente me deu a real: “não senhora, são lugares no fundão mesmo. E não tem mais lugar de bebê”. Fiquei chateada demais – mas a solução foi comprar um upgrade pra business, que estava relativamente barato (e nesse caso de atraso grande pelas regras de UE temos direito a 600 euros por cabeça). Pois veio a próxima noite e vamos lá novamente. De novo eu em claro de preocupação, mas conferi e-mail e nada suspeito, ótimo! Tirei minha bebê dormindo do berço às 2:30 da manhã (quem é mãe sabe o quanto isso nos dói, hehe), e a coloquei no carro (ela não curte, é um estresse) e lá fomos. Quando estávamos na fila do para entregar malas eis que chega um SMS misterioso com novas informações de vôo. “Not agaaaaaain“, pensei. Pois sim, AGAIN! Vôo cancelado. Lá fomos nós para aquela fila giga de remarcação – e aqui não tem isso de preferencial pra bebê não, viu? Escorreu uma lágrima. Após muito estresse acabamos aceitando um vôo horrível, passando por Paris e Guarulhos. Então o vôo longo seria de Air France – detalhe que ele nos colocou na econômica da Air France sendo que tínhamos pago o upgrade da TAP. Se não tivéssemos visto/queixado ficava por isso mesmo. Houve ainda uns percalços para resolver junto à Air France porque não estava no sistema deles. E voltamos mais uma vez para a casa dos sogros, para retornar ao aeroporto no fim do dia. A gente tava pior que bumerangue.

a filinha pra remarcar

A experiência em si a partir do momento que a viagem “de verdade” começou: achei TOO MUCH para minha bebê, pela personalidade dela. Graças a Deus ela dorme no canguru, foi assim que conseguimos fazer tudo, senão essa viagem nem seria possível. Ela é uma bebê MUITO curiosa e excitável, então o ambiente de aeroporto foi muito pra ela. Não me esquecerei nunca de quando passávamos pelo Free Shop do Charles de Gaule, aquela luz quase neon, e TUMTCHI TUMCHI TUMCHI e mil pessoas. Ela ficou tão elétrica que seguiu por essa área gritando fininho: AAAAAAAH (nem tava chorando, mas de excitação mesmo). Colocamos ela no canguru para acalmar, porque tava demais. Agora a gente ri, mas foi tenso. Mas enfim, muito cansativo pro neném, vira um tira-e-põe de canguru, passa no Raio X, controle de passaporte, etc etc.

O seu primeiro vôo foi na Lufthansa pra Paris e foram uns doces, até brinquedinho ela ganhou. Foi uma hora só, ela tava acordada mas foi ok. Em relação ao vôo Paris-SP, ele em si foi ok. A fileira da business da Air France era de uma cadeira só, então a cadeira do marido estava atrás de mim. Ele se divertiu horrores, tomou champagne, viu filme, lucky bastard! 🙂 Eu “trabalhei” a noite toda, pois sabia que nessa circunstância ela só dormiria mamando/no meu peito. E tive que me esforçar para ela permanecer assim, a protegendo do barulho, luz, etc. Assim que a aeronave correu pra decolar, coloquei ela pra mamar e ela dormiu, eram 23:30. E por ali ficou a noite toda, mamando/dormindo. Até montaram um bercinho pra ela, mas tipo num lugar meio alto sem eu conseguir ver, com aquela barulheira de gente passando, que para ela dormir ali só nascendo de novo com uma personalidade totalmente diferente. E foi ali, na calada da noite, que dei a maior prova de amor que minha filha poderia receber: eu disse pro aeromoço que não ia jantar, quando ele me perguntou se eu tinha escolhido a refeição. Simplesmente não valeria a pena acordá-la com o risco de ela não dormir mais e eu ficar indo pra lá e pra cá, naquela exaustão que eu estava de quem não dormia há 3 dias. Fiquei com fome, vontade de ir ao banheiro e sede (não quis beber água pra não dar mais vontade, rs) a madrugada toda, mas ela também não deu um pio. Só de manhã mesmo ela acordou e tivemos um trabalhinho para entretê-la dentro do avião por uma hora. No vôo SP-BH ela estava mais cansada/chatinha mas foi um grande nada em relação ao resto da experiência. A vantagem dessas aventuras é justamente mudar a perspectiva sobre o que é difícil e o que não é. Reservei um transfer pra bebê no aeroporto porque taxi não tem cadeirinha né?

A TAP também avacalhou a volta

O vôo da volta foi em si muito pior. Quase antes de ir ao aeroporto fui entrar num taxi e torci meu pé muito feio. Achei que tinha rompido tendão (ouvi RIIIIIP) mas meu marido garantiu que não e que só distendeu. Então ok, mas fiquei mancando . Uma maravilha. Bom, fui fazer o check in online e vi que os assentos não eram aqueles da frente que eu tinha reservado, mas números maiores. Liguei na TAP e, claro, não souberam me informar o motivo. Deixei para fazer o check in no aeroporto e, assim, com um monte de desculpa de peidorreiro, a atendente disse que fomos relocados e estávamos no fundo e separados. E que ela poderia me oferecer UM lugar pra bebê mas separada do marido, já que ao meu lado estaria outra mulher com bebê. Isso foi obviamente uma mentira, já que ao meu lado estava uma família normal de adultos, para os quais a TAP VENDEU os lugares com mais espaço para as pernas e que o bebê se explodaaa. Tentei fazer upgrade de novo, mas fui informada que a TAP tinha a política de não fazer upgrade para menores de 2 anos. Quando disse que fizemos na ida, ela falou “ahmmmmm, tá cheio, não tem lugar”. Sim, terceira mentira! Ó o naipe da companhia aérea, amigos. Quando me sentei com a Lili, a situação foi pior do que eu tinha calculado. Do meu lado tinha uma mulher com cara de c* e vi que o assento era estreito demais para ela dormir mamando, já que as perninhas chegariam ou na metade do corredor ou na metade do assento da mulher com cara de c*. Entrei em pânico, meu Deus, como ela ia dormir? A grande sorte no azar é que o espaço ao lado do meu marido ficou vago, então troquei com ele e fiquei novamente a noite toda com ela dormindo no meu peito. Mas foi bem mais difícil porque o avião estava uma zona, estávamos perto dos banheiros e eu juro que nunca na minha vida vi tanta gente usando banheiro num avião. Era uma fila constante. Tava tão zoneado esse vôo que tinha um poodle passeando livremente sem o dono pelos corredores. Brinquei que a próxima etapa é ter um burro passeando pelos aviões da TAP.

Meu marido até descobriu que isso não é impossível, vejam essa reportagem:

TAP em um futuro próximo, hahahhaa

Entre Lisboa e Frankfurt passamos um aperto por 40 minutos para entretê-la – ela não gosta nem de sentar no colo mais, tem que levantar, ver coisas!. Mas depois, como tinha dormido meio mal, ela dormiu no meu colo até depois de pousarmos, então foi um vôo bem ok.

Enfim, o que me deixa mais chateada nessa história é que o vôo nesse caso é cancelado por motivos econômicos mesmo. Porque para eles compensou de alguma forma financeiramente. O tempo estava bom, aeronaves ok! Ninguém da companhia sabe falar o porquê de terem cancelado as duas vezes. Por isso que eles não costumam cancelar vôos longos à toa. Mas esse Frankfurt-Lisboa cancelam sem dó! Por isso é importante que CADA passageiro procure seus direitos, para parar de valer a pena para a companhia! Não tenho a ilusão que existam cias aéreas 100% boas ou ruins. Com certeza é possível ter uma boa experiência com a TAP e uma má com outra companhia. Mas ficou claro para mim que na TAP eles c*gam para famílias e a chance de passar perrengue voando com bebê é maior. Nosso próximo vôo será de Lufthansa passando por Guarulhos mesmo, agora que sabemos a facilidade com que a TAP cancela vôos curtos (no nosso caso, Frankfurt-Lisboa). Em relação à TAP, não vamos ficar só nos formulários, vamos entrar com advogado também, achamos um desrespeito enorme e ainda perdemos 2 dias de nossa viagem.

Boas memórias

Eu infelizmente usei essa viagem para resolver muita burocracia – fui 2x ao cartório, 4x ao banco, 2x ao PSIU da Praça Sete e 2x a uma contadora. Mas tirando isso, a viagem no Brasil valeu muito a pena. Nós três ficamos saudáveis o tempo todo, graças a Deus (adendo: sempre fazer seguro de saúde E viagem ao viajar com bebê – porque imagina só viajar com um bebê resfriadinho? Não rola!!! Fiz da Allianz ). Encontrei com muitas amigas (infelizmente não deu pra ver todas), passamos muito tempo com a família. As priminhas ficaram doidas com ela. Ainda que ela não vá se lembrar dessa viagem em si, nada paga ter essa memória (e fotos), da primeira viagem da Lili ao Brasil, com 4-5 meses. Até um pequeno mesversário fizemos, não dava pra deixar a oportunidade passar – e já até imprimi a foto do vovô com todos seus 5 netinhos para colar no álbum dela.

Ah, o interessante é que bebê novinho assim aparentemente não tem jet lag – ela meio que ignorou e seguiu tanto na ida quanto na volta a luz do sol mesmo. Isso foi uma surpresa para mim, mas adorei, claro.

Qual passaporte?

Pequena observação burocrática: Lili viajou com um “Kinderreisepass” que é mais barato/rápido de fazer que o normal. Custou 13 euros e ficou pronto na hora. Pro Brasil e maior parte do mundo ele serve, mas não pros EUA por exemplo. Ela ainda não tem a nacionalidade brasileira, e vou esperar uns anos para registrá-la. A partir do momento que seu filho tem a nacionalidade brasileira, os agentes da PF têm o DIREITO de pedir o passaporte brasileiro dele (caro, nem tem consulado na minha cidade e só dura 1 ano pra bebê). Sei que na maioria das vezes vai dar certo viajar só com o alemão, mas no site do consulado eles falam disso, que TEM que ter o brasileiro também. E eu JURO que o agente que peguei no aeroporto ia pedir o dela. Ele era mal-humorado e perguntou TRÊS vezes se ela não tinha nacionalidade brasileira, tava com sangue nozóio pra pedir o passaporte. JURO JURO!!! Portanto, pode dar rolo se não tiver, e imagina passar esse perrengue todo de viagem pra não entrar no final? Eu não arriscaria de jeito nenhum.

Ironicamente, vou parafrasear um grande poeta português para finalizar o post:

Valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena. Quem quer passar além atlântico tem que passar além da dor. Deus ao Brasil o perigo e abismo deu, mas nele que espelhou o céu.

Beijos

04
julho
2019

Os últimos 100 dias

Postado por Ana em Maternidade

Post estilo diarinho contando um pouco dos 100 dias da minha vida com a Lili. Já faz mais de 3 meses da experiência mais transformadora da minha vida. Muito mais transformadora que casar, que mudar de país, que perder pessoas. Ôxi, muito mais. E como tudo: algumas coisas foram exatamente como pensei que seriam, outras foram melhores e outras piores! Normal, né?

Os primeiros dias após chegar do hospital tiveram a chatice de eu ainda carregar as dores do corte e os sintomas da anemia, mas estava psicologicamente muito bem. Nessa época apareceram muitas visitas, inclusive da doula (me deu mais trabalho do que ajudou, porque não precisei dela rs), às vezes 6 pessoas ao mesmo tempo – e de alguma forma eu tava era dooooida pra ficar sozinha com ela em casa.

O mundo paralelo

Mas o que mais me marcou nesse tempo? Foi quando lá pela sua terceira semana de vida eu tive um choque de realidade, quando conheci “o mundo paralelo da maternidade“. Foi um dia em que fui ao centro com meu pai e ela dormia no carrinho (bons tempos, não dorme mais no carrinho). Fomos ao Kaufhof comprar uns presentes pras minhas sobrinhas e quando chegamos lá, vi a escada rolante que sempre usei e tive que ignorá-la e pela primeira vez procurar o elevador mais próximo. Achamos e esperamos uns 5 minutos pra ele parar no térreo. Saíram pessoas com carrinho de bebê. E nós entramos com outras pessoas com bebês. Alguns longos segundos ali e todos se entreolhando meio que pensando “tamo junto!”. Enfim, após 1782726728283728283 segundos chegamos ao andar de baixo. Essa experiência me marcou profundamente, inclusive fiquei mal esse dia e atazanei minhas amigas no whatsapp. Ouvi o CRASH POW BANG de histórias em quadrinhos. O som de atravessar o mundo paralelo.

O mundo em que tudo demora mais, em que tudo tem que considerar os filhos, em que você olha pros lugares pensando se ali um carrinho passa/cabe, em que você sai de casa toda carregada de coisa por causa de um mini ser-humano. Em que você começa a enxergar como existem bebês e crianças e filhos. POR TODA A PARTE – como você não viu antes? Em que às vezes você se questiona se há um complô em que ninguém avisa a treta que é ter filho, pra todo mundo ter e IF IM GOING DOWN YOU’RE GOING DOWN WITH ME. Mas em que outros momentos você vê aquele sorriso banguela e entende … não há complô algum. Você enxerga o mundo-matrix de tudo aquilo que você sempre leu as tais ~mães~ descreverem e nunca deu bola e ainda achou chato ter que ler. E eu pensei em quantas vezes torci o nariz pra ler “só mãe sabe” (SÍH Mí SIBIIII) e o quanto mandei mentalmente todas tomarem no cool, das vezes que chamei licença maternidade de “BABY VACATION” para no fim Zeus apontar pra mim e falar “CUMPRA-SE!” e me fazer atravessar pro outro lado. Pera que o Pânico tá batendo na minha porta com as sandálias da humildade.

Mas aqui – um mundo sem Lili? Inimaginável. Outro dia sonhei que ela não estava mais em lugar nenhum e acordei com uma tristeza enorme, só para vê-la no bercinho e sentir o maior alívio do mundo. Quando ela nasceu falei pro meu marido que eu estava preocupada porque ainda o amava MUITO mais do que a amava. Aqui portanto não houve paixão-instantânea-miojo mas o amor que cresce a cada dia. Ó, não é fácil convencer meu coração e entrar na minha panela. Mas ela conseguiu e atualmente uma escolha de Sofia entre os dois já seria mano a mano.

A parte mais divertida é ver seus progressos. Como já conheço seus trejeitos, que aparecem e um belo dia somem. A Lili-Louca, a Lili-Tartaruga, a Lili-Olivia-Palito ja chegaram e foram embora sem dar tchau. Mas surgiram outras. A forma que ela acorda feliz, pronta pra viver. Ela acorda igual a um cowboy domando um touro bravo, só falta dizer “YEE-HAW, vem mundão, tô pronta pra você”. Quando eu via bebês de três meses não imaginava o tanto de personalidade que cabia ali. As vezes acho que tenho o bebê mais curioso do mundo, a chamo de “Curious George” e desconfio que por ser tão curiosa é que ela só consiga tirar soneca virada pra mim no sling.

Pensando transcendentalmente, é interessante como tenho sido obrigada a trabalhar algumas deficiências minhas. Menos egoísmo, mais energia e mais força. Ou você consegue ou você consegue, saca? Qual a outra alternativa? E ver o quanto eu sou resistente/forte pra cacete. Quem mora no exterior sabe que a tal “rede de apoio” é limitada. Às vezes tá mais pra ponto de apoio e olha lá. E me permitam a grosseria e soberba de chamar, aqui no meu espaço pelo qual pago 8 euros mensais, essa expressão “rede de apoio” a expressão mais pau-no-c* do universo. Meio raposa e uvas talvez, mas aaaaaaah que alívio poder escrever isso.

Ah claro, sinto falta do meu trabalho para ter mais a reportar por dia do que a quantidade de golfadas e fraldas explosivas. Muitas vezes é um tédio extenuante e eu nem sabia que as duas coisas poderiam coexistir. Eu poderia voltar agora mas sigo “afastada” porque prezo muito pela amamentação exclusiva (já que foi me dada essa bênção/sorte) e também acho bom estar presente nas primeiras fases da introdução alimentar. Também é um presente ver cada pontinho de sua evolução. Ser 100% mãe em 2019 é um esforço que tenho feito por ela. E admiro as mães para as quais isso não é um esforço e valorizo esse trabalho como nunca valorizei. O pagamento da minha exaustão é que não perco nada, absolutamente nada. E tenho certeza que até agora ela só recebeu respeito, amor, passeios e muita musica e historinhas. Porque oftalmo não mostra baby shark etc antes dos dois anos (acho) e meu marido ainda é contra bouncer. Ferrou. Ou seja: tenho que reinventar o entretenimento diário. Ela fica uns 15 minutos apertando as teclas piano e eu juro que ela é a nova Beethoven. Já até mandei vídeo pra minha professora, que vergonha alheia (mãe é tudo igual, rs). Tenho feito com muita paciência, respirando fundo muitas vezes – exceto por um dia que ela chorou tanto que eu a olhei nos olhos e chamei de CHATA. Arrependi depois, claro. kkkkkk

Já posso até dizer que tenho uma companheirinha. Saímos nós duas fugidas do calor por essas últimas duas semanas e nos alojamos na casinha deliciosa dos meus sogros. Como comi bem, sô! Preciso agora de uma desculpa pra me instalar por lá no inverno também, hehehe. Apesar que por eles ficamos por lá mesmo, super corujas.

Bom, assim foram os últimos meses!

Iniciaremos dois meses diferentes agora, pois meu marido vai ficar esse período de licença e nesse tempo se Deus quiser viajaremos bastante. Daí vem o inverno, adaptação na escolinha e eu volto a trabalhar. Acho que então a vida ficará mais organizada pois vão me sobrar umas 3:30h por dia pra eu fazer o que quiser antes de buscá-la. Será que vou saber lidar com tanto tempo livre de novo? Lol.

Daí ela vai andar, vai falar, vai crescer e eu nem vou perceber. E se bobear, até do sling eu vou sentir saudades.

Beijos

02
abril
2019

Primavera

Postado por Ana em Coisas da Ana, Maternidade

A primavera chegou meio antes da hora por aqui. De princípio não achei bom, pois estava em um “mood” de inverno. Depois, vendo aqueles dias lindos, me animei. As cerejeiras aqui perto floresceram já em março – as mesmas que ano passado deram flores no meio de abril. Em vez de chorar pelo macacão peludinho derramado eu me alegrei por ver que era a melhor época para receber um bebê. A última semana de gravidez foi muito boa – meu marido já estava de folga e passeamos muito pela cidade (geralmente após um horário na médica).

Pois enfim minha filhinha chegou! Se chama Lívia e nasceu dia 24/03, bem no aniversário de sua avó materna – o que tornará este dia novamente um dia de festa! Meu trabalho de parto começou já na madrugada do dia 23 de março e eu fui para o hospital na madrugada do dia 24 de março. Por si só já teriam sido horas muito sofridas – em um momento comentei com o meu marido que até então aquilo estava parecendo uma tortura do BOPE . Mal sabia eu que a tortura nem tinha começado. Eu escrevi sim um texto de três páginas com todos os detalhes do meu parto – mas imprimi, dobrei e com ele finalizei meu diário da gravidez. O de papel. É muito longo, muito íntimo, muito profundo.

Como eu contei, acreditem – bem breve- e resumidamente – no instagram, meu parto foi a experiência mais difícil da minha vida. Não quero repetir nem contar detalhes aqui, porque realmente ficou pra trás. Mas para vocês terem idéia – eu quase (quase mesmo) morri. Houve uma complicação raríssima na anestesia.

Quem, como eu, é fã de Gilmore Girls lembra quando a Amy Sherman Palladino deixou a produção da série. Foi um saco porque ela dizia que pensava em terminar o seriado com “três palavras“. E desta forma ficamos sem saber quais eram essas palavras – que por sorte apareceram anos depois no remake da Netflix. Eu era meio assim com o nascimento da Lili – imaginava vários cenários diferentes, ela sendo trazida ao meu colo e eu dizendo as palavras “x”. Será que eu ia cantar, será que eu ia apenas chorar mais que ela, será que eu ficaria em silêncio, será que baixaria em mim uma poetisa? Essas palavras eram um incógnita para mim e eu era muito curiosa para saber quais palavras seriam “as escolhidas” – as trazidas pelo meu instinto e pela emoção do momento. Bom, isso nunca aconteceu, eu nem a vi nascer pois eu estava entubada em anestesia geral.

Num dos nossos primeiros momentos juntas no quarto, tivemos sim nosso primeiro papo cabeça – que foi também instintivo vindo das minhas vísceras – e ok, valeu também! Escrevi depois em seu livro de bebê para que não nos esqueçamos do que foi dito.

Mas ao contrário do que eu supus em um primeiro momento, esse trauma ficou pra trás. Claro que eu lembro – e lembrarei se por um dia eu precisar ficar de novo naquela posição para a peridural. Aliás, até fiquei uns dias depois para receber um blood patch e tratar a dor de cabeça horrível que me deu. Foi horrível, exigiu muita coragem, mas consegui. Não é como um trauma de um sequestro que pode acontecer de novo amanhã, então para mim isso virou um sonho ruim. Mas no geral, sei que tive sorte no azar. Foi uma experiência ruim (péssima) mas ainda assim foi apenas “o meio” – o que me trouxe uma filha mais perfeita do que eu poderia imaginar – e me deixou ainda mais grata por minha vida e por cada momento que passamos juntas. Eu não ligo se por acaso eu passe a não dormir direito (ela por enquanto praticamente só dorme). Não ligo pro trabalho que ela venha a me dar (por enquanto dá pouco). Eu estou em êxtase por poder cuidar dela. Em êxtase simplesmente por estar aqui. Ela me parece o bebê mais lindo e bonzinho do mundo e a amamentação (que eu tanto temia pelas histórias que ouvi) tem sido a melhor parte desse processo. Eu virei um clichê ambulante – nem lembro mais da vida antes dela.

Estamos nos conhecendo, mas estou amando ser mãe. Dizem que o puerpério é como a morte de uma mulher e nascimento de outra. É assim mesmo que me sinto – exceto que não vejo essa morte como uma coisa triste. Com ou sem filha, a Ana antiga teria morrido após aquela experiência de quase-morte. E eu tenho essa mania irremediável de só olhar para frente. E essas tantas flores ao meu redor só me trazem esperança que nosso futuro juntas será sereno e feliz.

Beijos da mais nova mamãe

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