12
março
2015

Minha primeira depilação (no salão) na Alemanha

Postado por Ana em Alemanha, Crônicas cosméticas

Quando a gente muda de país muda TANTA coisa ao mesmo tempo que, às vezes, é bom dar “uma segurada” em coisas menores para não surtarmos de vez. Tenho feito assim desde que me mudei: coisinhas pequenas que vêm acompanhadas de qualquer grau de ansiedade eu vou fazendo em doses homeopáticas, até que num futuro breve as novidades serão poucas e levarei uma vida 100% normal aqui, sabe? Acho que, dentre as expatriadas, sou das que menos sofrem com a questão da depilação, seja pela minha ascendência indígena ou pelas sessões de IPL do passado – eu resolvo tranquilamente sozinha e quase sem trabalho a maior parte das coisas. Exceto pela maldita “virilha”.

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Eu posterguei ao máximo minha primeira “visitinha” a uma casa de depilação aqui na terra da salsicha. É um negócio dolorido, que já me deixa nervosa no Brasil, imagina aqui que nem sabia como ia ser! Por isso tentava dar meu jeito, gambiarras, , as três visitinhas a BH pós-mudança também salvaram bastante. Mas … chegou a hora! Quanto mais com o verão vindo, as piscinas- achei que a hora de me adaptar era agora e enfrentei meu medo – hahha, que drama!

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muitas opções de depilação na minha cidade, mas resolvi começar por uma mais conhecida, uma franquia de salão chamada Senzera, que tem na Alemanha toda. Fui marcar meu horário e já perdi um tempinho lendo sobre as diferentes modalidades de depilação. Dêem uma olhada na tabela abaixo. E, sim, os preços são de cair o queixo.

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Perigo: pegadinha! Quando você lê a descrição no site, você vê que a bikini brazilian e bikini american são muito aquém das depilações de virilha que estamos acostumadas no Brasil. Só tiram as tiras do bikini mesmo e o que muda é o formato. Oras, isso eu faço em casa! Então você escolhe a bikini complete – que é tipo a que fazemos no Brasil, mas te dá direito também a sair igual a PORN STAR se você quiser, hahaha. Se não quiser, é só pedir pra deixar alguma coisa, explicar e tal. Bom, o lado bom dessas experiências bem específicas é que eu encaro como uma lição de língua, tipo “Lição 436 – na depiladora“. Afinal, em que outro contexto eu vou usar vocabulário explicativo para como quero minha depilação na virilha? 😛

Para tentar tornar a primeira experiência menos traumática, seguindo a filosofia “o que é um pum pra quem tá c*gado” já escolhi uma modalidade mais cara do que cera normal, se chama “sugaring” -é uma depilação com açúcar, que dizem ser menos dolorida que a cera. Parece que no Brasil isso se chama “cera egípcia”- quando li no google a descrição, achei que corria o risco de eu já ter feito essa no Brasil, lembro que em vários lugares puxavam a cera sem tiras de papel. Mas na hora foi realmente novidade pra mim! A vantagem é que doeu MUITO MENOS que a cera – fiquei impressionada, num nível em que me faz considerar continuar pagando essa diferença grande de valor entre sugaring e cera. Como eu mato a cobra e mostro o pau, já digo logo o valor: 45 euros (mais de 130 dilmas) com Sugaring (cera = 30 euros) – eu disse que é de cair da cadeira … e ainda tem o potinho pra dar gorjeta no final e não tive coragem de não dar … kkk. Pra quem vai uma vez por mês já vale a pena comprar um cartão fidelidade – o preço de todos os procedimentos fica bem mais em conta. Eu vi várias receitas de sugaring na internet – a técnica exige mais treino e destreza que cera – mas, não sendo o puxão tão dolorido, quem sabe no futuro eu não adquiro essa independência, né? Oremos.

A experiência em si

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Uma coisa é bem alemã: a mesma mulher que te atende na recepção te depila e depois volta à recepção pra receber o pagamento. A atendente era da ex-URSS e super simpática, o que foi ótimo pra eu gastar meu pobre mas animado russo (insira emoji de óculos escuros). Como eu disse, a dor foi BEM menor do que com cera. Demorou exatamente 30 minutos, o que é talvez um pouquiiiinho a mais do que demora no Brasil. O resultado ficou igual ao brazuca – claro, rolou uma explicação da minha parte aqui e ali. 🙂 Agora…em um aspecto foi MUITO diferente do que eu imaginava. Eu achava que aqui eles iam ser bem mais metódicos e cheios de pudor com essas coisas. Poxa, aqui estudante de medicina não pode fazer exame ginecológico. Qual não foi a minha surpresa ao ver que, pelo menos com minha depiladora, o pudor foi ZERO. Já manda tirar tudo de cara, nada pra cobrir nada e a depilação em si … vixi … achei muito, mas MUITO mais, digamos, invasiva que no Brasil. Tipo, pega o resto de vergonha que você tem na cara e manda embalar pra viagem, haha. A salinha tem o aspecto bem normal, nada diferente das brasileiras.

E a próxima etapa? Será arrumar coragem para fazer sobrancelhas por aqui. Pelo que vi, quase todo lugar faz com linha e eu tenho pânico de sobrancelha fina e sempre tem o risco de não crescer de volta. 🙁 Só que estou entrando na situação sobrancelha-tiririca, pior que tá num fica. Quando realmente não tiver como piorar eu faço e, claro, conto aqui.

Para finalizar meu dia brasileiro (ou quase), comi um delicioso bobó de camarão na barraquinha do Brasil no Markt Halle – e, para minha alegria, vi que lá agora tem coxinha! Minha vida está completa, rs! E me restou aproveitar o resto de um lindo dia de pré-primavera pros lados de cá.

bobo

Beijos com a eterna dívida do antes & depois!

05
fevereiro
2015

A volta da boca de cachorro

Postado por Ana em Crônicas cosméticas

Lá em 2011 eu escrevi um post no qual eu falava que começara a tomar novos cuidados com meus lábios: protetor solar e esfoliante da Mary Kay. Tudo porque eu honestamente tinha complexo de boca de cachorro. Quatro anos se passaram, continuo usando protetor solar na boca por questão de saúde, mas o aspecto estético não mudou em nada. Já faz um bom tempo, contudo, que eu – marota – aprendi: eu não tenho boca de cão, tenho boca de humana, ué.

coelhoExplosão de photoshop pixel a pixel

A questão é que eu era muito inocente. Ao ver fotos de revistas com bocas ampliadas 4x, fotos em blogs com review de produtos eu não imaginava quanto photoshop havia por trás. Ou ainda: às vezes você nem precisa de photoshop, a iluminação faz 90% do trabalho. Taca um luzão na sua cara que sua pele vira um pêssego.

sarde Do blog Branquela Sardenta: só eu que tenho poros?!

Não condeno as meninas que usam de photoshop em resenha de produtos (tipo 90%) porque

1) A vida real não é macro e se você aumenta sua boca 5x vão aparecer zigziras que vão desviar a atenção do motivo do post
2) Às vezes é necessário mexer na cor da pele para neutralizá-la de fazer a cor de um produto aparecer mais
3) Leitores não gostam de fotos feias
4) Tratamento de imagem é uma coisa completamente normal – até as fotos do nosso casamento recebem tratamento, uma por uma.

brunatavares

Nessas fotos acima da top reviewer Bruna Tavares não tem pouco photoshop não. É muito!! E está bem assim, o blog é muito informativo e tem fotos lindas e por isso é um sucesso. Mas senti que precisava falar disso caso alguém também tenha complexo de boca de cão entre outros. Photoshop existe, amigas.

cao

Beijos!

08
janeiro
2015

Ana na academia alemã

Postado por Ana em Alemanha, Crônicas cosméticas

Eu sempre me achei mais “cabeça aberta” do que a média em se tratando em diferenças culturais. Não costumo julgar hábitos alheios nem taxar povos de “esquisitos” por fazer algo diferente de como nós fazemos. É tudo uma questão de ponto-de-vista no final das contas e sempre foi muito tranquilo entender isso. Em relação às diferenças culturais na Alemanha, eu pessoalmente sei que são várias mas nunca achei nada muito gritante não. Até porque eu sempre tive umas características mais alemãs do que brasileiras: pontual, não-efusiva, sou “na minha” e de contato físico com estranhos sempre preferi aperto de mão. Perfect, né? O próprio fato de vir recebendo as diferenças em “doses homeopáticas” ao longo de vários anos antes de vir me deixou muito bem preparada e nunca me deparei com uma situação que me incomodasse pela diferença.

academia

Mas sempre tem a primeira vez, né? Pra mim a primeira grande estranheza foi a “etiqueta da academia” na Alemanha. Por si só, academia aqui é bastante diferente do Brasil, em um nível que considero incômodo. Alemão que é alemão gosta mesmo é de fazer esporte ao ar livre. Ou coisas mais específicas mesmo: futebol, esqui, mountain-bike, etc. Academia é para dias frios no inverno e olhe lá. Portanto, musculação e academia não são populares igual no Brasil, apesar de a oferta ter aumentado bastante nos últimos anos. A maioria das academias só faz plano anual (apesar de ter uma aqui perto de mim – tosquinha – em que você paga só o mês que usa) e se você quiser cancelar tem que ser por escrito 4 meses antes do plano vencer, senão mais um ano será descontado da sua conta. Eu particularmente acho isso um saco! Personal Trainer (saudades, snif) é coisa de celebridade – a cena de uma pessoa inteiramente por sua conta te ajudando a fazer exercícios na academia seria algo completamente louco no contexto cultural daqui, além de muito caro (uns 100 euros por hora). Em academia de gente “normal” você vira atração turística se tiver um personal, e olha que nem sei se eles permitiriam.

Ano passado tive experiências em academia, mas elas se agudizaram essa semana quando resolvi mudar para uma academia mais equipada e high-tech. Eu sinceramente não sei o que acontece se você for brasileiramente à academia aqui – talvez alguém chame sua atenção, mas talvez ninguém fale nada e só observem te achando o maior porcalhão. Esse mico me foi poupado porque meu marido me entregou o ouro logo no início. Para compatriotas que não queiram pagar mico, explico: para começar, nada de ir para a academia já com a roupa de malhar – você leva em uma mochila e troca lá. E isso vale principalmente para o tênis – eles consideram o galpão um lugar super limpo, os instrutores até de meia ficam. A maioria dos alemães têm um tênis só para academia – então a gente leva o tênis (limpo!) na mochila também, jamais entra com ele. Outra coisa que percebi é que eles possivelmente acham o suor alheio a coisa mais nojenta do universo – você tem que levar sua toalha e SEMPRE forrar os aparelhos com ela onde seu corpo vai entrar em contato. Em aparelhos como elíptico, depois que você usa tem que limpar onde pegou com as mãos com álcool e papel toalha, como cortesia para o próximo freguês. 🙂

Por fim, ir à academia é sinônimo de “pegar uma sauninha”. Saunas aqui são um capítulo à parte, mas adianto que são muito populares, mistas e tem que ir pelado. Por isso ainda não fui e acho que vai demorar um pouco para eu abrir minha cabeça neste aspecto. 🙂 O ambiente de musculação é também bem diferente – um silêncio mortal, sem música no fundo, cada um ocupado com seu exercício e sem aqueles BONS PAPOS e gargalhadas que vemos no Brasil.

Agora a cereja do bolo – não foi apenas meu primeiro grande choque cultural aqui – foi também meu primeiro grande MICO com a língua alemã. Interessante o mico ter chegado só agora, que jurava já estar imune. Fui fazer avaliação na academia nova (isso nunca tinha feito aqui). Na hora de fazer a bioimpedanciometria o homem (lindo e alto e forte) pediu pra eu subir na balança. Ele pediu para eu tirar as meias antes. A palavra que ele usou para dizer “meias” é a segunda mais comum (eu usaria outra) e eu confundi com a palavra meia-calça. Como eu não sabia se tinha outra palavra alemã para legging eu achei que era pra eu tirar a calça. Foi tudo muito rápido, eu conhecia todas essas palavras e não sei o porquê de ter trocado. Achei estranho porque a porta da sala tava aberta, mas pensei “deve ser coisa de alemão, eles ficam pelados na sauna, né?”. O pior é que tinha colocado uma daquelas calcinhas sem costura pra usar com vestido de festa – BEGE, minha única calcinha bege. Justamente porque eu não queria marca nenhuma na legging para ser o mais discreta o possível no primeiro dia. CALÇOLA de vó. Daí eu tiro a calça, olho pra cara do homem e percebo meu erro. Sabe aquele episódio de Friends em que o Ross tenta beijar a prima e daí fica em silêncio pensando no que vai dizer, pensando “SAY SOMETHING!!!” – pois é, foi tipo isso – eu só disse “ai, entendi errado, no Brasil é assim“. kkkkkkkkk Cadê o buraco para eu enfiar a cara?

Pior que depois eu ainda não sei se quero ir pra essa academia mesmo – fiz o teste e achei muito salgado para o que promete. Acho que vou continuar na minha tosca com os halterofilistas desdentados.

* Obs: Meu instagram novo –> http://instagram.com/anacris.lc

Beijos!

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