13
maio
2018

Panzanella com aspargos, minha receita queridinha da estação

Postado por Ana em Ana de Casa

É novamente época de aspargos! E tal como fiz ano passado, vou dividir a minha receita queridinha desse ano! Já fizemos três vezes nesta estação e já sei que faremos novamente final de semana que vem (como acompanhamento de um pequeno churrasco pra amigos). Mas aqui comemos de prato principal mesmo – serve nós dois com abundância (repetindo cada um 2-3 vezes kkk) e ainda sobra um pouco para ser “side salad” do dia seguinte. É leve, fresca, perfeita para dias quentes. Eu sou completamente apaixonada por ela, tanto que voltei aqui das cinzas porque me sentiria egoísta de não dividi-la com o mundo. 🙂 A receita é da revista alemã Brigitte (é minha favorita para receitas, quando quero fazer algo, digito primeiro para ver se tem lá!). Panzanella é um prato típico da Itália central- muitas vezes os italianos o faziam/fazem para por exemplo aproveitar ingredientes que estão “pra perder”, inclusive pão velho. Fiz uma vez aqui uma panzanella num curso de culinária e amei – e daí que surgiu a idéia de procurar alguma com aspargos.

Ingredientes

– 500g de aspargos brancos frescos (500g antes de cortar, descascar, etc)
– 500g de aspargos verdes frescos
– 600g de tomates cherry de diferentes cores (uso vermelho, amarelo e um bonina)
– 1 ramo manjericão fresco picado grosseiramente (eu uso mais, quase um pacotinho do Rewe inteiro)
– 5 colheres de azeite de oliva
– 2 colheres de sopa de limão siciliano
– 1 cebola roxa pequena cortada em tirinhas finas (a Julienne)
– 2 colheres de aceto balsâmico
– cerca de 1 colher de chá de Agavendicksaft (Agave nectar) – faço com isso, é fácil de achar (fica tipo do lado do Ahornsirup no supermercado) mas com certeza dá pra usar mel ou Ahornsirup (maple syrup) no lugar.
– 150g de pão ciabatta
– sal e pimenta a gosto

Pequena observação sobre os ingredientes: o que acho que pode influenciar a receita negativamente é se você não tiver tomates docinhos e se os ingredientes não forem frescos. Mas de resto- já fiz a receita com aspargos caros e tomates caros e sinceramente achei a qualidade igual quando fiz com aspargos e tomatinhos do Aldi (rede baratex daqui). O Aldi vende aspargos aqui da minha região (Baden) e acho muito gostoso. E o baldinho de tomate cereja vermelha de lá também é bem docinho e gostoso e bem baratinho. Os amarelos ainda não achei lá. Não ficou mais de 13 euros a compra que fiz ontem (mas já tinha o xarope, azeite, balsâmico, sal…)

Modo de preparo

– Lave e descasque os aspargos brancos e corte a parte fibrosa do talo (costuma ser o 1/3 inferior)
– Lave os aspargos verdes e corte o 1/3 inferior
– Corte os aspargos em pedaços de 3-4 cm. Alguns aspargos brancos podem ser bem mais grossos que os verdes, se é esse o caso eu corto uma vez no sentido do comprimento para que todos os pedaços fiquem de tamanho/espessura parecidos e cozinhem igualmente.
– Corte o pão ciabatta em cubos de 2-3cm
– Em uma tigela, você mistura os aspargos, os pedaços de pão com 4 colheres de sopa de azeite e sal a gosto (uso duas pitadonas de sal rosa)
– Espalhe a mistura de aspargos e pão em uma forma grande com papel manteiga e leve em um forno pré-aquecido a 140 graus (se for Umluft, ar circulante – senão pode colocar a 160 graus) na divisória do meio por 15 minutos. Ficam levemente dourados os pães, mas não é para ficar torrada não! Assim os aspargos saem cozidos mas firmes.

Saindo do forno

– Após cortar as cebolas em tiras fininhas você a deixa descansando 2 minutos com duas pitadonas de sal
– Em uma outra tigela você coloca os tomatinhos cortados em 4 (sentido do comprimento). Daí você os mistura com mais uma colher de sopa de azeite, 2 colheres de sopa de balsâmico, o manjericão, 2 colheres de sopa do limão, mais umas duas pitadonas de sal, um pouquinho de pimenta do reino, 1 colher de chá do néctar de Agave e a cebola.

– Você tira os aspargos/pão do forno e deixa esfriar um pouquinho!
– Daí é só misturar tudo, ajustar o sal (eu não coloco mais) e colocar mais um pouquinho do néctar de Agave se quiser (coloco mais uma colher de chá).
– Deixa descansar 15 minutos pro pão absorver o líquido, incorporar, etc.

Após esses 15 minutos comer imediatamente – aí o pão estará no ponto ideal, se esperar muito vai ficar muito molego!

A receita fala que você pode servir com parmesão ralado. Mas mesmo sendo amante de queijos eu acho uma blasfêmia culinária você cobrir essa explosão de sabores e frescor com gosto de queijo!

Se sobrar salada, você come/tira pelo menos o pão todo, acho que não fica bom o pão molhando até o dia seguinte não. Mas o resto fica ótimo de saladinha de acompanhamento pro dia seguinte. Eu tiro da geladeira 30 min antes de servir porque não gosto de tomate gelado.

Essa com certeza é a minha receita #1 de 2018 e olha que ainda estamos em maio! Aqui a estação de aspargos vai até dia 24 de junho. Aproveitem e me digam se gostaram!

Beijos e DE NADA por essa pérola da culinária, hehehe!

13
outubro
2017

Habemus faxineira – como funciona, quanto custa

Postado por Ana em Alemanha, Ana de Casa

Faz pouco mais de 3 anos que me tornei “dona-de-casa“. Para mim, todo mundo que sai da casa dos pais é dona ou dono de casa, não tem jeito. De repente somos responsáveis (ou co-responsáveis) pela organização do lar, arrumação e muitas vezes limpeza. Eu cheguei a compartilhar várias dicas aqui (categoria Ana de Casa) de produtos favoritos, organização de rotina, etc. Na verdade eu sempre pensei na possibilidade de ter uma ajuda, mas algumas coisas me fizeram enrolar um bocado. O principal é que sou muito esquisita com a minha “própria casa”. Tenho ciúmes mesmo, sabe? Ficava imaginando alguém sozinha aqui, olhando/fuçando as minhas coisas. Quebrando minhas coisas, mudando tudo de lugar… Fora a questão da confiança e segurança, né? Tivemos um histórico horrível no Brasil. E se tem uma coisa que não suporto é estar em casa “relaxando” ou fazendo qualquer outra coisa enquanto alguém trabalha nela. Não queria que a pessoa ficasse sozinha nem acompanhada aqui, hahaha. Ou seja, era uma missão quase impossível.

A arrumação é uma coisa meio diária. Uma coisinha aqui, ali, caiu migalhas na mesa você limpa, sujou a pia você dá uma limpadinha. Mas uma vez por semana era a hora do faxinão. Eu tenho a sexta à tarde livre (para compensar as horas extras que sempre faço nos outros dias) e era justamente esse o horário do faxinão. O problema é que é também o horário para resolver outras coisas, por exemplo ir ao dentista, médicos. Fora a vontade de descansar após a semana intensa, né? E daí o que acontecia é que eu sempre queria entrar no final de semana já com a casa “pronta”. E daí mãos à obra eu ficava umas 3-4 horas limpando a casa. Se por acaso eu não conseguisse fazer isso sexta, daí acumulava pro sábado, ou pior, domingo, e isso me estressava de verdade. Ficava uma coisa incomodando no fundo e com a casa suja eu não poderia relaxar. Geralmente no final de semana eu dividia com meu marido, tipo ele limpava os banheiros e eu o resto e vice-versa. Mas a real é que já queria ficar livre na sexta. E por mais que seja bom alguém dividindo o trabalho, era um baita turn-off finalmente iniciar nosso final de semana, quando temos tempo para estar juntos, um no banheiro, outro no outro de luvas de borracha. Fora que eu andava meio brava. É óbvio que se passei minha sexta à tarde limpando, chega marido e abre um pão espalhando migalhas eu ficava fula da vida! hahahahaha Estava a um passo de me tornar dessas pessoas que mandam os outros comer em cima da pia para não sujar!

Mas daí chegou a hora que percebemos que precisávamos melhorar nossa qualidade de vida e ter mais tempo de qualidade, juntos ou não. Por causa da minha preocupação com segurança, resolvi fazer tudo por agência. Conhecíamos da época em que marido morou em Kiel a Agência Mary Poppins, que muitos colegas dele usavam. Aqui também tem essa agência e eu sinceramente não sei se vale a pena de verdade, mas foi assim que fizemos. Meu marido foi em uma reunião lá, disse o que precisávamos e eles encontraram alguém com nosso perfil. O problema é que demoraram umas 6-7 semanas, bem mais que o prometido. Daí eles acharam a moça e ela veio para cá e eu “a entrevistei”, aprovamos e ela começou na semana seguinte.

Diferença social em relação ao Brasil

A maioria das faxineiras aqui é estrangeira, mas a nossa por exemplo não é. No Brasil é comum a faxineira começar até mesmo como menor de idade e “seguir carreira” pro resto da vida nesta profissão, muitas vezes sem oportunidade de estudo. Aqui essa situação é incomum, a maioria são pessoas querendo ganhar dinheiro naquele momento, muitas vezes é uma atividade complementar. Nossa faxineira tem outra profissão e sei que com certeza não ficará muito tempo conosco. Ela fala 4 línguas e é muito pro-ativa e inteligente. Isso a gente percebe nas pequenas coisas. Ela veio para a entrevista muito bem vestida e de carro. O salário por aqui também oferece maior dignidade – é possível fazer faxina e criar seus filhos muito bem, por exemplo, com oportunidade de estudo, etc.

Quanto tempo ela precisa

Começamos testando 3 horas por semana, na sexta de manhã. Somos dois adultos em um apartamento pequeno de 70m2 e dois banheiros. Quando chego em casa, está tudo com aspecto limpo, mas a cada semana ela se concentra em detalhes diferentes. Com 3 horas não dá para esperar que a cada semana ela limpará dentro do microondas, por exemplo, mas ela o fará eventualmente. Por enquanto estou satisfeita com esse esquema. Ainda sobra um tempinho para ela levar os lixos para baixo (amem) e até mesmo os cascos de garrafa ela leva pros containers de vidro (a 50m daqui) e também entrega garrafas no supermercado e quando chegamos tem o ticket em cima da mesa (os famosos Pfand daqui).

Quanto custa

Não é impagável como muita gente pensa, mas também não é barato! Se os residentes da casa trabalham fora eles provavelmente conseguem pagar uma ajudinha semanal se essa for uma prioridade. No nosso caso específico, como fizemos com uma agência, funciona assim: nós pagamos a faxineira diretamente (ela deixa uma conta de 2 em 2 semanas) e aquele dinheiro é dela (mas ela paga impostos). Só que também pagamos uma taxa mensalmente à agência (uns 25 euros). Se quisermos um dia comprá-la fora da agência temos que pagar 400 euros. Aqui na Alemanha esse tipo de serviço é pago por hora. Não há ócio mas também a pessoa não trabalhará um minuto a mais de graça. O salário mínimo é 8,50 euros brutos a hora. Sabemos que nesse campo tem muita gente que trabalha e contrata sem pagar imposto ( “schwarz”). Nós não queríamos isso, queríamos pagar imposto e tudo certinho. Do contrário, além de ilegal, é meio que cuspir para a cima. Se acontecer qualquer coisa (roubo, acidente doméstico) você está completamente desamparado e pode esperar problemas. Conhecemos exemplos do nosso convívio de trabalhadores contratados “por fora” e que deu muita m*rda! A faxineira tem o preço dela que ela determina – o caso da nossa é 14 euros por hora. Lembrando que aqui no sul da Alemanha as coisas costumam custar mais do que no norte (por exemplo, em Berlim deve ser mais barato). Ou seja, juntando tudo gastamos uns 200 euros mensais (uns 750 reais) para ter alguém somente por 3 horas semanais. Claro que dá para ser menos, mas aceitamos esse preço e está bem assim. Não é uma guerra de quem paga menos. Ainda que doa no bolso, preferimos remunerar bem quem limpa nossas privadas e assim contribuir para o esquema de justiça social que impera neste país. 🙂 Muita gente só quer o bônus da segurança, etc, mas não quer fazer sua parte.

Como funciona

Não vimos outra forma senão confiá-la nossa chave. Ela chega sexta cedo, trabalha 3 horas e vai embora. Ela fez por conta própria uma Check-List com ítens da nossa casa e ela deixa para gente marcado o que ela fez no dia. Ela usa os produtos aqui em casa e temos um caderninho onde ela escreve o que está acabando, daí compro para a semana seguinte. Essa para mim é a parte mais difícil de acostumar, outra pessoa usando os seus produtos de limpeza e você meio perdendo a noção, hahaha

Repercussões na nossa vida

Parece besteira mas isso me tirou uma carga enorme. Chegar em casa na sexta e não ter nada para arrumar, nem lixo para tirar (e nem garrafa de vidro para levar no container) é impagável. Ando bem menos ansiosa e mais paciente … E eu gosto da sensação de que, ainda que a casa vire um caos durante a semana e eu pire e não queira mais limpar nada, é só esperar que ela estará limpa daí a pouco. Em um momento eu realmente tentei ser a mulher-maravilha, mas sinceramente, atualmente eu priorizo minha qualidade de vida. E eu sou uma pessoa que aproveita MUITO o tempo. Essas horas em que não estou limpando nem com a cabeça pensando em limpar eu faço outras atividades muito mais produtivas e gratificantes. Claro, como eu disse, na vida adulta o serviço de casa é eterno com ou sem ajuda. Mas eu realmente pretendo nunca mais ficar sem uma ajudinha sequer em casa, pelo menos não enquanto nós trabalharmos tanto.

No mais, eu acho interessante isso, o quanto uma coisa boba e que muitas pessoas nem dão valor (principalmente no Brasil) se tornou algo valioso para mim! Eu tenho apreciado enormemente, me deslumbrando por muito pouco. Tipo “meu DDEEEEEEEUSSSSSSS meu lixinho do escritório está vazio”. kkkkk E espero que essa sensação continue, que a #gratidão continue, tal como as criancinhas que têm enorme apreço pelo que é novo. E que isso nunca mais seja “taken for granted” por mim, seja o meu próprio trabalho doméstico ou o de outrem.


Beijos

12
agosto
2017

Duas receitas deliciosas com cogumelos Pfifferlinge

Postado por Ana em Alemanha, Ana de Casa

E pensar que há uns 10 anos eu detestava cogumelos! Atualmente prefiro fungos a carne, acreditam? Estou sempre fazendo receitas com os mais variados tipos. Por aqui existe um tipo de cogumelo chamado Pfifferling que só achamos para comprar fresco no alto do verão e assim permanece por alguns meses e depois somem. 🙁 Esses cogumelos são do gênero Cantharellus e no Brasil têm o nome de canário ou rapazinhos. Não sei se é porque eu praticamente não cozinhava no Brasil, mas nunca vi por lá. De qualquer forma, acho que os Shimeji são bons substitutos em terras tupiniquins. Mas aqui, como sou epocazeira de carteirinha, estou aproveitando os frescos do supermercado para fazer minhas receitinhas favoritas com eles. Duas delas já tinha feito ano passado e repeti nesse final de semana e aproveito para compartilhar com quem também quer aproveitar a época de Pfifferlinge! 🙂

Como limpar os Pfifferlinge:

Esses cogumelos devem ser lavados de forma diferente dos de Paris, por exemplo. A melhor forma é limpar individualmente com um pincel de cozinha, um a um, tirando a sujeira. Daí você os joga numa bacia d’água, escorre numa peneira e seca. Daí você corta a parte inferior dos cabinhos fora e eventuais partes amolecidas.

Sopa de creme de milho com Pfifferlinge

 

Essa receita eu modifiquei levemente da revista alemã Brigitte e pode ser bem difícil (para não dizer impossível) reproduzir com exatidão no Brasil, mas dá para substituir ingredientes. Sabe, vejo muitos brasileiros sofrendo com coisas que não se encontram aqui – choram pelo chuchu e mandioquinha derramados – mas eu pessoalmente acho que o contrário é absurdamente maior. Então sempre vejo o lado bom e fico feliz de poder usar ingredientes que não teria a oportunidade de usar por lá. Essa sopinha é a maior comfort food ever!

Ingredientes

– 1 batata grande (aqui use o tipo mehligkochend) – eu usei umas 6 pequenas Frühkartoffeln
– 1 lata grande de milho (285g sem água)
– 750 mL de caldo de legumes (mais concentrado que o normal) – pode ser caseiro ou industrializado. Aqui na Alemanha sempre uso aquele cremosinho da Knorr, o Knorr Bouillon Pur Gemüse – coloco dois potinhos nos 750mL de água quente e misturo.
– 1 colher de sopa de Meerrettich – raiz forte branca
– 50g de Schlagsahne – que é parecido com creme de leite fresco
– pimenta moída na hora e sal a gosto
– 100g de cogumelos Pfifferlinge
– duas cebolinhas dessas tipo chalota (Schalotte)
– 1 colher de sopa de manteiga
– um pouquinho de agrião-de-jardim (Gartenkresse) ou alguma outra erva para finalizar

Ingredientes no Brasil: eu substituiria o Pfifferling por Shimeji. O Meerettisch é típico do norte da Europa e eu substituiria por alguma mostarda fina picante e o Gartenkresse (agrião-de-jardim) por qualquer erva, como salsinha. E usaria creme de leite fresco em vez do Schlagsahne. Se não tiver chalote, usaria uma cebola normal pequena, mas deixaria ela reduzir mais tempo para não roubar o gosto.

Modo de preparo:

Prepare o molho de legumes. Eu dissolvo dois Bouilllons Pur da Knorr em 750 mL de água. Descasque as batatinhas (ou a batatona) e corte em pedaços menores. Escoa o milho na peneira e daí você adiciona milho e batata ao caldo de legumes ao fogo médio. Deixe cozinhar uns 10 minutos e teste se a batata está macia com um garfo. Daí pegue um mixer (uso o de mão mesmo, direto na panela) e com cuidado para não se queimar, faça da mistura um purê. Daí você passa essa mistura numa peneira, para ficar um creme liso mesmo. Eu particulamente gosto de coisa rústica, mas nesse receita concordo que essa etapa deixa tudo mais phyno! Adiciona o Meerrettich (raiz branca forte) e os 50g de Schlagsahne (parece com creme de leite fresco), ajusta o sal e a pimenta. É importante não deixar ferver mais depois de adicionar o Meerretich, pra não perder o seu clássico ardidinho! Em outra panela, você derrete uma colher de sopa de manteiga joga os Pfifferlinge com a cebola chalota picada em pedacinhos. Os cogumelos menores eu deixo inteiros mesmo, os grandões corto em pedaços menores. Uns 5 minutos depois, ajusta sal e pimenta. Você então monta o prato com a sopinha, joga um pouco dos cogumelos em cima e finaliza com as ervas.

Medalhão de filet de porco com molho de Pfifferlinge e Spätzle

 

Eu não sou fresca com carne – uso a moída e frango do Aldi, sabe? Mas em se tratando de medalhão de filet de porco, acho que os do açougue fazem TODA a diferença no sabor. Se a qualidade for mais ou menos, vale a pena fazer uma marinada como essa do Panelaterapia. Mas sendo a carne ótima, apenas sal e pimenta já deixam o gosto incrível! A receita do molho também é modificada da Revista Brigitte! Já notaram que amo as receitas deles, né? 🙂

Ingredientes

– Cerca de 500g de uma peça filet de porco (Aqui no açougue ou você pede Schweinelendchen)
– Cerca de 500g de Pfifferlinge ou outros cogumelos. Desta última vez eu estava com cogumelos de Paris que iam perder então misturei! Piquei uns 80% e deixei uns Pfifferlinge inteiros separados.
– Uma colher de sopa de pimenta verde (Grüner Pfeffer)
– Um shot de conhaque ou vinho branco
– Uma colher de sopa de molho inglês
– Muita salsinha picadinha (aqui uso 30g, um pacotinho do Rewe)
– 50 mL de Schlagsahne (tipo creme de leite fresco)
– Uns 400g de Spätzle ou outra massa para acompanhar

Exemplo de pimenta verde

Ingredientes no Brasil: Substituiria os Spätzle por uma massa qualquer, usaria uma mistura de cogumelos frescos quaisquer. Com cogumelos de Paris também fica um molho delicioso. E, mais uma vez, substituiria o Schlagsahne por creme de leite fresco.

Modo de Preparo:

O medalhão:

Você corta o filet de porco em medalhões de uns 2-3 cm de espessura ou como preferir. Muito se debate sobre colocar sal/pimenta antes ou depois, sendo que muitos experts falam para colocar sal só depois porque deixa a carne dura. Mas depois que li isso aqui me convenci do contrário e faço assim: o sal coloco antes, pois não vai deixar a carne dura desde que não passe de 15 minutos. Já a pimenta sim coloco depois de grelhado. Então resumindo: tempero generosamente com sal rosa, daí levo à frigideira quente com um pouco de azeite (ou qualquer óleo que preferir) e deixo uns 3 minutos de cada lado até dourar. Coloco em cada lado a pimenta moída na hora e envolvo cada pedaço em papel aluminio e levo ao forno não muito quente (uns 150 graus) e lá deixo uns 10 minutos, porque ao contrário de muitos europeus eu não gosto de carne vermelha dentro. 🙂

O molho

O grande super star desse molho é a pimenta verde, acho que deixa o sabor super sofisticado! São grãozinhos verdes que vêm numa marinadinha. Dei um Google e vi que tem no Brasil também, tipo essa. Na panela onde está o caldinho da carne, você pode colocar um pouquinho de manteiga e adicionar os cogumelos picadinhos. Junte uma colher de sopa de pimenta verde e deixe reduzir poucos minutos. Depois adicione os cogumelos inteiros que sobraram, deixe murcharem um pouco, dê um sustinho com conhaque! Daí adicione a salsinha picada e depois o Schlagsahne (“creme de leite”) com um pouquinho de molho inglês.

Sirvo com Spätzle, que é uma massa típica aqui do sul da Alemanha – que eu amo! Só seguir as instruções da embalagem!

Curiosidade: Pfifferlinge & Chernobyl – alguns cuidados a tomar

Uma outra observação é que esse tipo de cogumelo é dos que mais absorve coisas do solo. Daí é importante ver a procedência e forma de cultivo. Eu evito comprar, por exemplo, da Ucrânia e afins e até mesmo da Baviera por causa do acidente de Chernobyl. Foi há mais de 30 anos, mas ele ainda vai deixar o o solo contaminado com material radioativo por várias décadas. Por causa da chuva, os elementos radioativos se espalharam por uma área enorme, inclusive pela Alemanha. Em relação a esse acidente, nós que moramos por essas bandas temos que ter cuidado ainda com outros alimentos, como cenouras. Para vocês terem idéia, ano passado testaram a carne de javalis de uma cidade da Baviera e encontraram uma quantidade absurda de Becqueréis neles, afinal são bichos que se alimentam de coisas do solo. Nem sou eco-freak, mas eu acho isso longe de ser uma bobagem. Não acho que precisa evitar totalmente cogumelos dessas regiões, mas talvez se informar mais onde foram produzidos. Por exemplo, muitos são produzidos em estufas especiais, então não há problema.

Locais com solo contaminado por causa de Chernobyl

Beijos da fã de todos os tipos de cogumelos não-alucinógenos e não-venenosos!

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