27
dezembro
2016

Meu Natal na Alemanha

Postado por Ana em Alemanha, Coisas da Ana

Aqui o feriado de Natal inclui o dia 26 e devo dizer que fiquei 72 horas comendo sem parar. Daí hoje já voltei à labuta e daquela temida forma que assombra feriados e dias entre feriados: você trabalha o dobro porque o mundo todo está de férias e daí você tem que dar conta de tudo. Não me refiro só aos colegas, mas aos outros profissionais da região. Mas enfim, sobrevivi e estou aqui para contar a história do Natal! 🙂

Resumão das tradições de Dezembro

O Natal aqui tem muitas particularidades – para começar, todo o mês de Dezembro é cheio de coisinhas natalinas. Tem a Coroa de Advento – em que você acende uma vela por domingo de Advento- eu adoro, mas esse ano só fiquei 1 domingo de dezembro em casa e acabamos não comprando. 🙁

natalkranzAdventskranz

Tem o Calendário de Advento, onde você abre uma janelinha por dia de dezembro até o Natal e ganha uma surpresa (pode ser chocolate, chá, qualquer coisa). Mandei pros meus sobrinhos mas ainda não chegou em BH, snif! 🙁 Tem o dia de Sankt Nikolaus (06/12), em que ganhamos chocolates (sim, eu ganhei MTO chocolate) geralmente em formato de papai Noel. Tem as festas de Natal de todas as firrrrrmas que, aprendi a duras penas, ao contrário do Brasil, é tipo coisa séria mesmo, não pode faltar! hahahaha Tem os biscoitinhos natalinos, que esse ano não assei porque já tava muita gordice na minha vida e desisti.

natalplatzchenPlätzchen

Tem a incansável troca de presentes. Disso aí não sou muito fã não, mas trocar presente aqui é coisa séria. Nem sempre a gente precisa trocar, acabamos simplesmente recebendo muita coisa também. Tenho aqui, para confirmar, a geladeira cheia de birita que ganhei de pacientes – e altas muito interessantes, coisas típicas de países, tipo um cachação da Polônia. Daí tem os Mercados de Natal também, com souvenirs, comida deliciosa e os famosos vinhos quentes (“Glühwein“, amooo) – infelizmente foram manchados nesse ano pelo que ocorreu em Berlim. Sem querer pagar de Mãe Anacristinah, eu super estava prevendo algo assim, tanto que nem fiz muita questão de ir no Mercado aqui esse ano. E nem deu muito tempo, porque eles fecham 20:30 da noite. Fui um dia, peguei um Glühwein e saí correndo, ainda comentei com meu marido que não me sentia bem em aglomerações nessa época em que estamos vivendo. Devo ser sincera que esperava que fosse ter algo assim na França, pois vira e mexe frustaram planos de atentados nos mercados franceses – mas acabou sendo em Berlim mesmo. Freiburg, em sua rota internacional, cidade muito multicultural – apesar de pequena, não coloco muita fé em sua imunidade não.

Como costuma ser o nosso Natal aqui

Claro que, tal como no Brasil, cada família tem sua tradição, mas pode-se traçar uma tendência geral. A maioria das famílias aqui faz fondue ou raclette na noite do dia 24. Devo dizer que sou fãzona de fondue, não só por ser delicioso mas porque consigo ficar 4 horas comendo sem parar (no nosso caso, tem carne de boi, porco, frango, salmão, bacalhau, camarão e cogumelo – tudo isso para mergulhar no óleo ou numa espécie de sopão fervendo, nham nham nham). Eu prefiro assim porque na ceia normal, faço um prato e já estou satisfeita. Ou, no Brasil, nem isso – ano passado estava tão quente em BH que minha irmã cozinhou maravilhosamente bem e eu não tive vontade de comer nada. Outra coisa típica aqui é que a árvore de Natal é “de verdade” em 99% dos casos, de forma que são montadas um pouco mais tarde – se encontram pinheiros para comprar geralmente a partir da segunda quinzena de dezembro. Elas trazem o dito “cheiro de Natal”, hahaha…

natalarvore

Meus sogros montam no dia 24 e desmontam no dia 06! Ah, costuma ter um dia específico para desovar os pinheiros velhos na calçada. Uma parte que eu amo em passar o Natal aqui é a cantoria. Isso na nossa família, viu, sei que não é em todas. A gente geralmente canta “Oh du fröhliche” e “Stille Nacht” (Noite Feliz). Aqui, a dita “ceia aos moldes brazucas” costuma ser o almoço do dia 25. Mas não é lá muito aos moldes brazucas. Para começar, nunca vi família fazendo peru (pode ser que tenha). Tanto os alemães quanto os meus três professores de italiano acharam muito engraçado quando contei que no Brasil tem peru no Natal. Principalmente os italianos, deram gargalhada. Não consegui entender o porquê, mas imagino que é por não ser uma carne considerada especial. Sei lá! Aqui as mais comuns são pato, ganso ou outra qualquer diferente. Dessas duas aves eu não gosto, credooo detesto ganso – sou mil vezes mais o peruuuuu! Dessa vez tivemos carne de veado – eu sou muito fechada pra carnes, principalmente carnes novas – a de veado foi comível, tipo uma carne boa sim. Mas eu sinceramente sou mais do time dos acompanhamentos.

natalceia

Os acompanhamentos, aliás, foram mais alemães impossível: couve-de-bruxelas, repolho roxo ao suco de maçã, essas bolotas de batata (se chamam Klöße ou Knödel) com molho . Tinha também umas peras com geléia. Aqui, o dia 26 é também feriado e fica todo mundo jiboiando pela casa. Minha sogra, que é típica alemã do pós-guerra, se orgulha em criar novos pratos com os restos dos dias anteriores – e ela faz isso muito bem – estava uma delícia.

Já colocando a resolução em prática

As fotos para ilustrar esse post foram um feliz acaso. Uma das minhas resoluções para 2017 é tirar mais fotos – e revelá-las. Minha câmera principal estava até com teia de aranha, mas peguei e levei. 🙂 Já até comprei o álbum para 2017 na Amazon – não vou revelar centenas de fotos, mas quero algumas que representem bem o ano.

O “culo” do gato

natalgato

Para terminar, tenho que dividir com vocês o que era para ser a “minha foto do Natal 2016” – falei “tira uma foto minha com a Mitzi”. E daí deu nisso – como diz minha irmã, “só vejo fiofó* nessa foto”.

*a palavra fiofó foi usada aqui como eufemismo para a palavra mais adequada à situação.

E como foi o Natal de vocês?

Beijos

18
setembro
2016

Lavar salada na Alemanha e os expatriados de nariz em pé

Postado por Ana em Alemanha, Ana de Casa, Coisas da Ana

Lembro que quando eu era criança, lá em casa lavávamos vegetais com vinagre e creio que assim foi em muitas casas também. E talvez ainda seja assim em muitos lares. Lembro depois de descobrir que o vinagre não era adequado a esse fim. Até mesmo na faculdade lembro de ter reaprendido isso. O hipoclorito de sódio sim, esse em diluição própria poderia matar todas as larvas e microorganismos nocivos à saúde. Este último é o que conhecemos como água sanitária. O seu uso para higienização não só não é errado como é o mais recomendado. É importante que esteja na concentração correta de 2,5% , uma colher de sopa por litro e e que seja de uma marca aprovada por órgãos fiscalizadores .

alface

Ou seja, seguindo as recomendações, você não irá exalar uma fumaça verde que nem no livro “A Testemunha Muda” da Agatha Christie nem estará se condenando a um câncer. Melhor preocupar-se com o desodorante que usa.

Eu sempre preferi comprar soluçõezinhas prontas no supermercado. Lá em BH são muito fáceis de encontrar. São tipo a mesma coisa, uma diluição de hipoclorito de sódio, mas acho mais prático e trazer e de seguir as instruções da embalagem (tipo meia tampinha por litro). Acostumei a trazer garrafinhas com essas soluções do Brasil porque não via aqui algo parecido. Aí, hoje, a três semanas da próxima visita à terra Brasilis, acabou meu estoque e fiquei aqui na dúvida com minha alface. Não tive coragem de usar o equivalente da água sanitária daqui porque não sabia se era própria para esse fim, se tinha algo a mais que a nossa, enfim. E nesse caso, melhor ter certeza, né?

higienizador

Ou seja, eu não vou morrer envenenada se lavar meus alimentos como o Ministério da Saúde propõe. A não ser que haja um plano secreto pra dizimar os brasileiros.

planosecretoPlano secreto do Ministério da Saúde pra dizimar a População brasileira #sqn

A higienização com hipoclorito de sódio a 2,5% é indicada pelo ministério da saúde do Brasil. É a forma que os engenheiros de alimentos indicam. Mas ainda assim, há quem só acredite na Rede Globo, então tó o link pro Jornal Hoje.

hoje

Diferença cultural Brasil e Alemanha

Os alemães, em sua maioria, têm o hábito de lavar vegetais só com água corrente. Em parte, pelo fato de realmente a produção de alimentos ser bem mais controlada aqui, bem como por não ser um país tropical, onde ovos de Ascaris e afins sempre encontram uma dificuldade maior para completar seus ciclos, graças aos meses frios de inverno. Tem a questão cultural também, o apreço por coisas mais naturais possíveis. Conheço alemães que ficam até meio aliviados de descobrirem larvinhas inócuas no alimento e suspiram “ótimo! Significa que não tem agrotóxicos“. Ou como minha sogra que se disse cheateada ao colher uma framboesa sem bicho, pois essa é uma fruta muito amada pelos bichos e “se não tem nenhum, é porque tá lotada de agrotóxicos. Ótimo, não estou aqui para julgar a cultura de cada um e tampouco as preferências que cada um tem para sua saúde!

Toma, distraída

Lá vou eu toda inocente no facebook antes de iniciar meu almoço dominical para pedir dicas de como higienizar minha alface. Tem muita comunidade útil no Facebook, e atualmente o uso só para isso: línguas, receitas e dicas de Alemanha. Entre um trilhão de outros, eu fazia parte de um grupo sobre dicas de limpeza de casa por aqui (que até já citei no blog) mas nunca tinha pedido ajuda. Até porque atualmente eu tenho pouquíssimas dúvidas, me considero uma dona-de-casa nível pro! 🙂 Pois vocês acreditam que meu post pedindo dica de produto similar aos do Brasil para tal fim (e perguntando se o análogo da água sanitária aqui era igual ao do Brasil) começou a virar um show de baixarias? Teve senhorinha mal-educada me mandando “me matar com cloro, então”, assim, de graça. Deixei o tópico rolando até que uma troglodita gratuitamente me soltou algo como “por isso não gostam dos médicos do Brasil“, daí achei por melhor apagar o tópico e me retirar de grupo com gente tão hostil. Lembrei também que meu blog serve pra isso também e sei que tenho muitas leitoras expatriadas queridíssimas que poderiam me dar dicas.

bitchplease

Em menos de uma hora, catei tipo UMA dica dentre um mar de gente horrizada porque eu “ia morrer envenenada“. Algumas outras mais educadas que simplesmente não concordam comigo e fazem como os alemães e lavam só com água corrente. Algumas outras estavam igualmente espantadas com a “minha ignorância”. Sendo que a única coisa que fiz foi educadamente pedir dica de produto. o.O Sério, minha boca foi ao chão.

Porque EU quero higienizar os MEUS alimentos com mais do que água

Até que, para “me defender”, mencionei que minha preocupação não eram larvas mas sim o Toxoplasma. Daí argumentaram que na “Alemanha num tem essas coisas não”. Talvez não saibam que esse protozoário é ubíquo e encontrado em todo mundo. Meus pacientes com toxoplasmose ocular estão aí para provar. Li também a opinião de que isso seria um azar como andar de avião e que o risco é baixo e melhor deixar pra lá. Além de não concordar que o risco seja tão baixo, cada um escolhe os riscos que quer correr. Eu sou suscetível a toxoplasmose, o que significa que meu IgG é negativo e não tem quem me convença a comer uma folha não-higienizada quando eu estiver grávida. Quem teria que cuidar do neném mal-formado, seria, afinal, eu né? Nem todos os riscos são evitáveis na vida, mas o que são e têm a ciência do lado eu vou correr pra que? Também não quero entrar na loteria. Sim, 30% da população mundial é IgG+ pra toxo. Desses, poucos têm um azar de o toxoplasmose ficar reativando, na retina por exemplo. Mas poucos de 30% é gente pra caramba, o que torna sim a toxoplasmose um problema mundial. Você não é obrigado a saber disso, mas daí a fazer chacota com quem sabe? Eu sei que aqui na Alemanha tem menos que no Brasil e o sorotipo costuma ser menos agressivo. Mas tem. Ah, tem sim Senhor. E eu quero continuar me prevenindo e o direito é meu.

toxoscarCoriorretinite por toxo: quem já viu não esquece. Quem tem, muito menos”.

A gentileza mandou um abraço

A questão é: se você só quer lavar seus vegetais com água eu não tenho nada a ver com isso. Acho que de forma geral, temos que todos ser mais tolerantes com a cultura alheia. Sei que tá cheio de gente do Brasil lendo esse post e achando os alemães porcalhões. Sei que se tem alguém bem enraizado na Alemanha, este alguém está me achando exagerada. Sei que nesse meio termo o respeito morreu.

Os expatriados reis da cocada preta

Essa situação me fez observar uma coisa que noto ser meio endêmica- os “expatriados” de nariz em pé. Eles se dividem em duas categorias:

1) Aqueles que estão há mais tempo no país X e por isso meio que se acham donos do país. Só eles podem dar dicas, só eles podem opinar. Sua opinião, verdade absoluta. Verdadeiros PhD em qualquer coisa relacionada ao país e ai de quem discordar. No geral suas frases se iniciam com “eu moro aqui há x anos e …“.

2) Aqueles metidos a besta mesmo, que acham que ficaram melhores que os brasileiros porque moram fora. Que assimilaram alguns aspectos culturais do país onde estão e se voltam com ar de superioridade aos compatriotas. Eu mesma já adquiri vários hábitos daqui, alguns mesmo em termos de futuro como criação de filhos. Mas vocês não me virão enfiando dedo na cara dos brasileiros porque escolhem fazer isso assim ou assado.

Humildade, people, humildade.

Esse post é, no final das contas, para pedir dois tipos de dicas: como vocês higienizam as saladas fora do Brasil (caso não seja só com água) e como vocês fazem para lidar com esse tipo de gente. Desde que eu me mudei, esse blog é também para dividir dicas com quem está em situação parecida – e vocês podem sempre contar com minhas dicas quando eu souber. Pode ter certeza que não vou te julgar nem xingar quando você pedir ajuda. Aliás, quem me segue no Snapchat (anacris.lc) já deve ter notado que vido dando dicas de casa, tem até a série #Ana-de-casa! :))) O importante é nos ajudarmos.

Beijos !

22
agosto
2016

Essa tal qualidade de vida

Postado por Ana em Coisas da Ana

Escolha um trabalho que você ame e não terá de trabalhar um único dia de sua vida“.- Confúcio

Essa linda e inspiradora frase me torturou por anos a fio. Cheguei várias vezes a questionar se estava fazendo a coisa errada. Logo eu, que tive todas as oportunidades na vida e poderia ter sido qualquer coisa que quisesse, que desperdício, que ingratidão, e, e, e… Hoje eu sei: essa frase é péssima !

Ela é verdadeira para alguns poucos felizardos, sejam eles mais velhos que atingiram tal excelência que realmente só farão o que quiserem. Sejam eles sortudos para caramba mesmo tipo celebridades promovidas a divas que fazem o que bem entenderem. Sejam eles herdeiros cujo trabalho é ir pra eventinhos que derem na telha. A verdade é que, nós, da vida comum, não podemos escolher tanto como guiar nossa vida e 100% do tempo. Temos conta a pagar, temos a necessidade de estabilidade, temos o sonho da casa própria , o que for. E, sim, eu gosto do que faço. Mas naquela segunda chuvosa com o corpo mole, ainda esgotada da semana anterior eu REALMENTE sinto que estou indo trabalhar e me dou o direito de falar P$##%! quando o despertador toca. O labor da vida real envolve ter obrigações, envolve ter que ir quando não quer, envolve engolir sapos e humilhações. E é assim para 99,9% das pessoas, gostando do que fazem ou não.

qualidaderosas

Atualmente tenho pensando muito nisso. Sempre digo que, dentre tanta gente que não teve oportunidades no mundo, acho que é um luxo enorme poder ter escolhido uma profissão, mas todos nós temos nossos limites. Conversava outro dia com um grupo de amigas e a opinião era uníssona: estamos todas em uma fase em que sentimos a necessidade de priorizar a qualidade de vida. Estamos todas muito cansadas e sentindo que precisamos reduzir um pouco o ritmo. Gostamos do que fazemos, mas precisa ser tanto e tão intenso? Eu realmente não sei especificar totalmente o motivo, mas desde que me mudei pra cá a impressão é que tenho menos tempo para mim mesma. É verdade que, em número de horas, talvez eu até trabalhasse mais no Brasil. Mas lembro que o restante do tempo era 100% pra mim e acabava tendo muito mais tempo para as minhas coisas. Não tinha que gastar tempo com absolutamente mais nada. Aqui, o trabalho é realmente mais extenuante, como não canso de repetir. Aqui ainda tenho as tarefas de casa. Acho que todo mundo que sai da casa dos pais, sendo no Brasil ou não, não tem muito como fugir delas – tem coisa que só nós podemos fazer por nossa casa. Personal Organizer? Me desculpe, mas não pertence ao mundo real. Mas aqui, por enquanto, é praticamente tudo e isso pesa. Eu digo que você não imagina o tanto de coisa que tem para sujar numa casa até ser responsável pela limpeza dela. E a própria vida a dois, né? Temos que cuidar para dar atenção ao outro, e inclusive é algo aliviador da rotina intensa – mas que gasta tempo, gasta. Casamento gasta tempo. Filhos então, nem posso imaginar. Tem aquele clichê que diz que o amor é uma plantinha a ser cultivada todo dia e isso é algo no qual eu sempre penso. Enquanto não arrumo mais tempo absoluto, tenho prestado atenção em algumas coisas para melhorar (ou não piorar) essa sensação de estafa:

Fazer exerício físico

Meio paradoxal, mas acreditem. Eu sou a eterna couch potato, nunca gostei de exercício físico e sinceramente continuo não gostando. Mesmo sendo dificílimo emendar a academia após o dia de trabalho, quando estou lá no vestiário trocando minha roupinha me sinto bem satisfeita de saber que estou fazendo algo pelo meu corpo. Isso me deixa feliz e supera o cansaço físico.

Me alimentar bem

Por isso faço questão de gastar umas duas horas no domingo. Claro que como minhas bobagens de vez em quando, mas ter um almoço caseiro (ainda que simplérrimo) durante a semana é algo que me dá uma sensação boa: nada pior do que comida de microondas, ou de comer um sanduba da padaria no almoço. Na minha opinião!

Ler e estudar outras coisas

Por mais importante que seja estudarmos sempre coisas da nossa área, nada mais abatedor do que perceber que você não lê mais coisa nenhuma, que há meses não lê um livro novo. Infelizmente meus livros escolhidos têm empoeirado ao lado da cama. Quando tento ler à noite acho que leio três linhas e ZZZZZZZ. Para isso o novo hábito de audiolivros na academia tem ajudado muito. Continuo achando que audiolivro não é livro, mas quebra o galho. 🙂 Adoro quando termina um e vou começar outro. Estudar línguas também é algo que me faz bem demais e acho que seria a última coisa da qual eu abriria mão. Mas serve pra qualquer coisa: aprender instrumento musical, dança, etc etc. Importante é fazer algo fora da área.

Jantar fora pelo menos uma vez por semana

Ter alguém cozinhando pra gente, nos servindo, lavando a louça depois. Um tempinho para relaxar, preocupar-se só com a conversa. Incrível como revigora minha energia.

Aproveitar a natureza

Praticamente todo domingo cedo lá estou eu floresta adentro. Mesmo já tendo cumprido meu plano semanal de aeróbico, tenho feito isso pela sensação de qualidade de vida que dá. Se estiver com preguiça vou de bicicleta. Não tenho perdido mais essa oportunidade, principalmente se o tempo estiver bom.

qualidadenatura

Respeitar meus limites

Sou jovem, saudável, estou na esquina da Europa. Às vezes me pego pensando se eu não devia estar fazendo como outras pessoas e viajando em cada mísera oportunidade. Por outro lado, nada mais maluco do que “se sentir obrigado a se divertir”. A verdade é que viajar é bom mas cansa. E muito. Me desobriguei dessa “obrigação de divertimento” e aprendi a respeitar o meu corpo e só fazer o que eu genuinamente estou a fim. Para mim o maior exemplo é que acabei de adiar uma viagem dos sonhos no final de semana que vem, para a qual tirei dois dias de férias extra .. À medida que as semanas iam passando e as segunda-feiras chegando, eu fui notando mais e mais o quanto eu preciso de alguns dias pra ficar de pernas pro ar. Sabe quando nos sentimos perto de adoecer de cansaço? Até minha última viagem pro Brasil foi extremamente estafante e voltei mais cansada do que fui.

Pintar as unhas

Já tem muuuuitos anos que eu digo: se quiser saber como está a minha mente, só olhar pras minhas unhas. Nem precisam estar esmaltadas, mas quando minhas unhas estão descuidadas é porque minha mente está o verdadeiro caos. hahahaha Imagino que cada um tenha algo análogo na vida. Apesar de não me sentir obrigada (PORQUE MAIS UMA OBRIGAÇÃO SOCORRO) me faz bem ver minhas unhas pintadas durante a semana. Quanto mais que tenho feito em 15 minutos e dura a semana toda graças à Sally Hansen .

Lembrar do sentido da vida

Cada um tem suas crenças e/ou convicções e eu certamente tenho as minhas. De vez em quando é bom se dar um beliscão e pensar no sentido da vida e, por que não, na sua efemeridade. Será que aquilo que tira meu sono é realmente tão importante? Será que realmente preciso TER aquilo? Qual é o sentido disso tudo, o que estou fazendo aqui e como usar minhas atividades diárias para servir um bem maior?

Save the drama for your mama

“Life is very short and there’s no time for fussing and fighting, my friend”
. As pessoas que fazem parte de nossa vida têm um papel importante nesse área e por isso é importante selecionar bem (as que podemos selecionar). Só se cercar de gente com energia boa. Pessoas leves! E, sinceramente, se for para adicionar gente pesada, um milhão de vezes ficar sozinha. “Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão“. Sério, Vinícius? É essa idéia podre que a sociedade tenta nos vender e que tem deixado as pessoas (principalmente mulheres) malucas. Não! Nós somos nossas melhores amigas! Aprender a gostar de si mesmo e da própria companhia é também muito importante. Enfim, acho que todos já temos problemas demais, coisas que independem demais da nossa vontade nos acontecendo a toda hora. Agora, dramalhão mexicano, discussões, intrigas, gritarias, ciúmes? Tô fora. Para mim, só leveza. E foi isso que escolhi para mim: um lar saudável, sem discussões desnecessárias, sem infantilidades, aprender a escutar e a falar com jeito. Eu me atento a cada dia para que minha casa seja meu pequeno templo de paz. Já pensou perder tempo com essas coisas?

qualidadeflores

Não me comparar com os outros

Cada um com as dores e as delícias de ser o que é. O que me passou, passou. O que eu tenho, quem eu sou, tudo consequência das minhas escolhas. Focar na minha vida e seguir em frente. Não comparar minhas conquistas com as de mais ninguém mas sim perceber minhas próprias evoluções em relação a mim mesma. Redes sociais? Legal para distrair, mas não me canso de repetir: é uma cilada Bino! Fique à vontade para esfregar seu dia na praia do Tahiti na minha cara que eu não caio nessa há tempos. 🙂

Fazer planos concretos

Em relação a essa história toda, o importante é – se sentirmos que algo não está legal ou ideal, melhor ter um plano para mudar a situação. Eu sei que não conseguiria ficar por anos a fio vivendo assim, então planejo conquistar algumas coisas e depois reduzir. Parar nunca, eu simplesmente não nasci pra ficar em casa o dia todo. Mas por aqui tem-se a flexibilidade de trabalhar menos, fazer contratos pela metade, etc. E esse é meu plano para um futuro não muito distante.


Eu tenho certeza que não estou sozinha nessa. Então me contem: o que vocês têm feito para melhorar a qualidade de vida?
Como vocês fazem para arrumar tempo pra si mesmo, para relaxar em meio à loucura do dia-a-dia?

Beijos!

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