10
janeiro
2017

Pazes com o frio e a escuridão

Postado por Ana em Alemanha

Não tem nem um ano que escrevi sobre a invernite aguda que me pegou ano passado! O que eu não imaginava é que ia me acostumar tão rápido. Esse ano, pela primeira vez, estava doida pro verão passar e o friozinho chegar. Eu, hein?

inverno1

Ando zero incomodada com o frio e a escuridão, pelo menos até agora. Estava cá com meus botões pensando no que mudou. E concluí:

– No verão estava dormindo mal demais. Moro no último andar e nosso quarto é tipo sob o teto. Era muito desconfortável e incontáveis vezes dormimos no sofá-cama da sala. Fora que no escuro é melhor, né? No verão às 4h da manhã já tem passarinho cantando na janela.

– Ficar em casa quando faz frio é mais gostoso – adoro meias felpudas, roupa quentinha.

– Eu adoro tomar chá, mas no verão não consigo. O mesmo vale para fondue, sopas e vinho tinto.

– Eu não tenho mais que dirigir frequentemente para longe, como ano passado. É realmente horrível pegar estrada com neve, acho muito pavoroso estar no meio de uma tempestade de neve dentro do carro. Este ano só preciso ir mais longe uma vez por semana.

– As moscas de frutas (minhas arqui-inimigas) somem. Não há qualquer sinal de nenhum artrópode em casa e isso é maravilhoso!

– É muito melhor ir para a academia. Sei lá o porquê, alemão tem uma resistência a ar condicionado. A minha academia é a mais cara da cidade e não tem ar-condicionado. As janelas, eles abrem um tiquuiiiiiiinho. Até setembro eu ficava quase desmaiando de calor no elíptico. Sério, isso é muita maluquice. Agora é só torcer para não colocarem o aquecedor no talo (que também é meio mania por aqui).

– O maior motivo: meu inchaço dos pés some! Em Outubro em BH me deu desespero com o inchaço dos pés. Tive que me dar uma drenagem linfática caseira de emergência para calçar as botas e ir pro aeroporto. Isso me incomodou demais, demais! Relembrei aquela dorzinha de inchaço que tive minha vida toda em BH. E já estava sonhando em voltar para casa. Doido isso, né? Pisei em Germania e meus pés desincharam. Alíiiiivio.

inverno2

Enfim – não digo que prefiro o inverno ao verão. Acho que ainda prefiro o verão, porque é uma estação onde tudo é mais vivo e feliz. Só sei que em 2016-17 estive zero “em sofrência” por causa da estação. Lembro que quando as flores surgiram em abril passado eu senti uma alegria sem tamanho. E sei que vou ficar feliz também quando a primavera chegar e quando o verão chegar saberei ver as vantagens – churrascos, sentar do lado de fora do restaurante, etc. Mas estou de boa, curtindo o frio e a escuridão.

Alguém se identifica?

Beijos!

03
janeiro
2017

Ano-novo e o perfume que não fica em pé

Postado por Ana em Alemanha, Beleza, Geral

Espero que tenham passado o ano-novo com muita alegria! Eu me diverti bastante – fomos para Stuttgart e celebramos com meus cunhados e amigos. Estava bem gelado, mas pelo menos estava claro e com sol, bem bonito. Para não congelar na hora dos fogos (fomos para a rua) passei mais cedo na Uniqlo e comprei legging e segunda-pele térmicas. Puxa, mas que diferença faz, viu? Pena que não tem essa loja aqui na minha cidade – pareceu ter muita coisa boa com preço bom. Fui lá justamente porque já ouvi falar muito bem.

Uma coisa que talvez muitos não saibam – aqui só se podem soltar fogos no dia 31.12, de forma em que a rua, pouco antes da meia-noite, vira meio um campo de guerra. Vocês imaginam a zona que é, um bando de bêbados com foguete na mão. Dessa vez assumi minha neurose e coloquei uns óculos de plástico qualquer. E, ó, valeu a pena, porque algo bem quente bateu no meu nariz e nos óculos.

angelreveillonEu sou a “menina” da esquerda, viu?

Uma outra coisa muito estranha é que, ano após ano, se os alemães estão perto de uma televisão no dia 31 à noite, vão ligar para ver o mesmo santo sketch em preto-e-branco. Se chama Dinner For One, uma produção alemã anglófona dos anos 60. E eu acho muito sem-graça, nossa, hahaha! E é sempre igual, não são episódios diferentes não. O mordomo vai servindo a velhinha solitária e bebendo no lugar dos seus amigos falecidos (no caso, imaginários) e vai ficando cada vez mais bêbado. Isso na Alemanha é tipo o que o especial do Roberto Carlos era nos anos 90, mas multiplicado por mil. Tradição fortíssima. O sketch é em inglês, quem quiser pode ver aqui ! Daí vocês me falam se acham engraçado. Sei que meu pai vai achar engraçado – clica aí, baba!

angeljaegerolha o NAIPE da mesa, lol

Fizemos dessa tradição um drinking game e cada vez que o mordomo tropeçava na cabeça do tapete de tigre, tomava-se um shot de Jägermeister. Juntando-se todas essas coisas, parei para pensar: NUUU, essa é a certeza real e absoluta que estou na Alemanha, só faltou o pão com linguiça. Eu já sou velha o bastante para saber que a dor-de-cabeça no dia seguinte não compensa, então não segui a brincadeira, tomei um só! 🙂

Uma outra coisa isolada nada a ver: ganhei de natal um perfume que não conhecia, o Angel do Thierry Mugler. Ele na verdade é bem mais doce do que eu costumo gostar, e olha que gosto de perfume doce. Ainda assim, o estou usando todas as noites após o banho desde que ganhei, só porque é “novidadjii”, hehehe! Eu sempre uso perfume após o banho, que seja para colocar o pijama e ficar sozinha, amo! Tenho uma bandejinha pros meus perfumes (postei aqui) e fui lá encaixar o Angel e, para minha surpresa, ele não fica em pé!

angel1

Achei que tinha perdido uma peça, mas parece que é isso mesmo, ele foi feito para ficar deitado. Nossa, isso achei inédito e péssimo. E parece que tem outros perfumes desse homem que são assim. Será que ele acha isso legal? O.o Não tem lugar para perfume deitado na minha bandejinha não! 🙁 Cheguei a olhar na internet e parece que dá para comprar uma espécie de pedestal para ele. Mas naonde que vou dar dezenas de euros pra display oh so proudly um perfume?

bandejaangel2

Achei no mínimo curioso. Alguém aí gosta desse perfume? Me contem como foi o Reveillon de vocês!

Beijos

27
dezembro
2016

Meu Natal na Alemanha

Postado por Ana em Alemanha, Coisas da Ana

Aqui o feriado de Natal inclui o dia 26 e devo dizer que fiquei 72 horas comendo sem parar. Daí hoje já voltei à labuta e daquela temida forma que assombra feriados e dias entre feriados: você trabalha o dobro porque o mundo todo está de férias e daí você tem que dar conta de tudo. Não me refiro só aos colegas, mas aos outros profissionais da região. Mas enfim, sobrevivi e estou aqui para contar a história do Natal! 🙂

Resumão das tradições de Dezembro

O Natal aqui tem muitas particularidades – para começar, todo o mês de Dezembro é cheio de coisinhas natalinas. Tem a Coroa de Advento – em que você acende uma vela por domingo de Advento- eu adoro, mas esse ano só fiquei 1 domingo de dezembro em casa e acabamos não comprando. 🙁

natalkranzAdventskranz

Tem o Calendário de Advento, onde você abre uma janelinha por dia de dezembro até o Natal e ganha uma surpresa (pode ser chocolate, chá, qualquer coisa). Mandei pros meus sobrinhos mas ainda não chegou em BH, snif! 🙁 Tem o dia de Sankt Nikolaus (06/12), em que ganhamos chocolates (sim, eu ganhei MTO chocolate) geralmente em formato de papai Noel. Tem as festas de Natal de todas as firrrrrmas que, aprendi a duras penas, ao contrário do Brasil, é tipo coisa séria mesmo, não pode faltar! hahahaha Tem os biscoitinhos natalinos, que esse ano não assei porque já tava muita gordice na minha vida e desisti.

natalplatzchenPlätzchen

Tem a incansável troca de presentes. Disso aí não sou muito fã não, mas trocar presente aqui é coisa séria. Nem sempre a gente precisa trocar, acabamos simplesmente recebendo muita coisa também. Tenho aqui, para confirmar, a geladeira cheia de birita que ganhei de pacientes – e altas muito interessantes, coisas típicas de países, tipo um cachação da Polônia. Daí tem os Mercados de Natal também, com souvenirs, comida deliciosa e os famosos vinhos quentes (“Glühwein“, amooo) – infelizmente foram manchados nesse ano pelo que ocorreu em Berlim. Sem querer pagar de Mãe Anacristinah, eu super estava prevendo algo assim, tanto que nem fiz muita questão de ir no Mercado aqui esse ano. E nem deu muito tempo, porque eles fecham 20:30 da noite. Fui um dia, peguei um Glühwein e saí correndo, ainda comentei com meu marido que não me sentia bem em aglomerações nessa época em que estamos vivendo. Devo ser sincera que esperava que fosse ter algo assim na França, pois vira e mexe frustaram planos de atentados nos mercados franceses – mas acabou sendo em Berlim mesmo. Freiburg, em sua rota internacional, cidade muito multicultural – apesar de pequena, não coloco muita fé em sua imunidade não.

Como costuma ser o nosso Natal aqui

Claro que, tal como no Brasil, cada família tem sua tradição, mas pode-se traçar uma tendência geral. A maioria das famílias aqui faz fondue ou raclette na noite do dia 24. Devo dizer que sou fãzona de fondue, não só por ser delicioso mas porque consigo ficar 4 horas comendo sem parar (no nosso caso, tem carne de boi, porco, frango, salmão, bacalhau, camarão e cogumelo – tudo isso para mergulhar no óleo ou numa espécie de sopão fervendo, nham nham nham). Eu prefiro assim porque na ceia normal, faço um prato e já estou satisfeita. Ou, no Brasil, nem isso – ano passado estava tão quente em BH que minha irmã cozinhou maravilhosamente bem e eu não tive vontade de comer nada. Outra coisa típica aqui é que a árvore de Natal é “de verdade” em 99% dos casos, de forma que são montadas um pouco mais tarde – se encontram pinheiros para comprar geralmente a partir da segunda quinzena de dezembro. Elas trazem o dito “cheiro de Natal”, hahaha…

natalarvore

Meus sogros montam no dia 24 e desmontam no dia 06! Ah, costuma ter um dia específico para desovar os pinheiros velhos na calçada. Uma parte que eu amo em passar o Natal aqui é a cantoria. Isso na nossa família, viu, sei que não é em todas. A gente geralmente canta “Oh du fröhliche” e “Stille Nacht” (Noite Feliz). Aqui, a dita “ceia aos moldes brazucas” costuma ser o almoço do dia 25. Mas não é lá muito aos moldes brazucas. Para começar, nunca vi família fazendo peru (pode ser que tenha). Tanto os alemães quanto os meus três professores de italiano acharam muito engraçado quando contei que no Brasil tem peru no Natal. Principalmente os italianos, deram gargalhada. Não consegui entender o porquê, mas imagino que é por não ser uma carne considerada especial. Sei lá! Aqui as mais comuns são pato, ganso ou outra qualquer diferente. Dessas duas aves eu não gosto, credooo detesto ganso – sou mil vezes mais o peruuuuu! Dessa vez tivemos carne de veado – eu sou muito fechada pra carnes, principalmente carnes novas – a de veado foi comível, tipo uma carne boa sim. Mas eu sinceramente sou mais do time dos acompanhamentos.

natalceia

Os acompanhamentos, aliás, foram mais alemães impossível: couve-de-bruxelas, repolho roxo ao suco de maçã, essas bolotas de batata (se chamam Klöße ou Knödel) com molho . Tinha também umas peras com geléia. Aqui, o dia 26 é também feriado e fica todo mundo jiboiando pela casa. Minha sogra, que é típica alemã do pós-guerra, se orgulha em criar novos pratos com os restos dos dias anteriores – e ela faz isso muito bem – estava uma delícia.

Já colocando a resolução em prática

As fotos para ilustrar esse post foram um feliz acaso. Uma das minhas resoluções para 2017 é tirar mais fotos – e revelá-las. Minha câmera principal estava até com teia de aranha, mas peguei e levei. 🙂 Já até comprei o álbum para 2017 na Amazon – não vou revelar centenas de fotos, mas quero algumas que representem bem o ano.

O “culo” do gato

natalgato

Para terminar, tenho que dividir com vocês o que era para ser a “minha foto do Natal 2016” – falei “tira uma foto minha com a Mitzi”. E daí deu nisso – como diz minha irmã, “só vejo fiofó* nessa foto”.

*a palavra fiofó foi usada aqui como eufemismo para a palavra mais adequada à situação.

E como foi o Natal de vocês?

Beijos

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