12
maio
2014

A surpresa do Eurovision

Postado por Ana em Alemanha

Sábado à noite eu separei a pipoca e fui ver a final do famoso Eurovision, que é uma competição de música entre os países europeus, que ocorre todo ano. É bem tradicional e já lançou mundialmente sucessos como “Volare, ôo! Cantare, ôooo“. Já conhecia a fama e nunca tinha estado aqui no dia da “grande final”, portanto quis “participar” desse importante evento cultural haha A Alemanha só ganhou duas vezes, na última com a Lena, uma cantora que depois disso virou celeb por aqui – a música é bem legal, mas não lembro de ter chegado ao Brasil.

Eu não tinha lido nada sobre os participantes, então na hora que estavam anunciando os concorrentes, país por país, e aparece a pessoa abaixo, sorrindo e dando tchauzinho para a câmera, super achei que fosse zoação no meio do programa. Ainda pensei “haha, que engraçado, colocaram uma mulher barbada para zoar”.

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Óbvio que não foi preconceito nem nada, mas sei lá, a gente tá acostumada com gay, com travesti, mas uma drag com corpitcho de mulher, cabelo de diva, maquiagem perfeita, e uma BARBA DENSA eu confesso que nunca tinha visto. Daí o grande impacto que causou não só em mim, mas em todo mundo. Passada a estranheza inicial, até que achei a música bonitinha, mas não foi a minha preferida. Mas, pelo conjunto das coisas, boa voz, carisma, novidade, a austríaca Conchita Wurst saiu campeã! Fora que a música “Rise like a Phoenix” fala de transformação e tem tudo a ver, né?

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Muito fofa no final da apresentação ela agradecendo – acho que nem dá para imaginar o preconceito que uma pessoa com essa aparência sofre ao longo da vida, né? Se nós matamos um leão por dia, ela teve que matar um zoológico inteiro – daí a satisfação de várias pessoas em vê-la campeã e o sucesso imediato na mídia! Para poder representar a Áustria neste concurso, teve que aguentar a pressão de vários haters, que até página contra ela criaram. Por isso, não foi pouco merecido…

E não é que tô com a música grudada na cabeça agora? hahaha
Europa tem uma nova superstar! E o melhor é que, por ela ter ganho, a final do ano que vem vai ser na Áustria, quem sabe não animo!? 😉

Beijos!

29
abril
2014

Kate não pinta as unhas?

Postado por Ana em Alemanha, Celebs, Crônicas cosméticas, Unha

Eu vi muita gente criticando a Kate Middleton por não estar de unhas pintadas durante o seu “Tour” pela Oceania, onde era alvo de um milhão de fotos por minuto. “Mas ela é princesa, o que custa ir à manicure?“. Claro, as críticas vieram com maior furor de minhas compatriotas.

kate2

Para falar a verdade, no Brasil ou fora dele, ninguém tem nada a ver com a unha alheia, mas há também uma questão cultural que talvez muitas não conheçam. Na Europa, em especial aqui na Alemanha, noto que as mulheres não pintam as unhas nem para festas. No meu casamento até minha madrinha alemã não estava de unhas pintadas. Há sim algumas garotas que são muito vaidosas, pintam as unhas, usam muita make, delineadores pesados – geralmente são meninas mais novas, às quais os alemães se referem como “chicas” (se é uma denominação preconceituosa ou não, ainda estou investigando). Ou seja: o padrão por aqui é não se empetecar. É tido como “high class” não se empetecar. Eu, particularmente, prefiro me arrumar mais, mas o importante é parar de achar as pessoas piores só porque elas têm hábitos e costumes diferentes. Do ponto de vista do outro você pode ser uma perua-baranga enquanto SÓ você acha que está arrasando.

De novo em relação à Kate: o nível de importância que ela dá às unhas é tão grande (só que não) que olha como elas estavam marromenos no dia do noivado oficial, em que o mundo todo fotografava suas mãos.

fingerkate

Se fosse eu, ia estar usando Mavala há 6 meses sem falha e ia direto da manicure para a coletiva de imprensa. hahaha Bom pra ela, libertador! Eu vejo algumas blogueiras famosas que, quando estão no meio de uma viagem pro c* de Judas e aparecem com unha lascada no instagram são completamentes escrachadas nos comentários. Gente, isso é quase uma escravidão! Escrava de um pedaço de queratina véia ainda, aí não dá! Extremos não são saudáveis…

Vou contar um segredinho: eu estou quase desistindo de ter as unhas feitas e pintadas no dia-a-dia. Não se trata de “revolta” nem nada disso, é mais por praticidade mesmo – não digo virar Zé do Caixão. Mas estou pensando em mantê-las apenas curtinhas, hidratadas com Cerinha da Granado e lixadas. E fazê-las só quando eu tiver vontade mesmo, sem ser por obrigação de estar bonequinha. Já sei que unhas grandes e vermelhas não serão bem vistas no hospital; além disso, aqui eu coloco esmalte e não dura dois dias – banho muito quente e tarefas domésticas, talvez (e olha que tenho lava-louças) expliquem. Daí sinto que estou jogando meu tempo no lixo em ficar uns 50 minutos fazendo eu mesma minhas unhas + o tempo de mãos inutilizadas enquanto elas secam, para depois não durar nada, ainda por cima em uma sociedade em que não dão a menor bola para isso. Claro que quando surgir uma festinha ou evento especial não vou resistir – afinal, soy chica latina. Para constar: manicure aqui é mais caro mas não é impagável igual falam por aí, o problema é você pagar mais caro para fazerem suas unhas pior do que você faria, sem tirar cutículas e tal 🙂

Maaaaas… se aparecer uma manicure brasileira aqui na esquina, esqueçam o parágrafo acima! 🙂

O que vocês acham disso tudo?

Beijos!

01
janeiro
2014

Feliz ano novo, ou: como tudo começou

Postado por Ana em Alemanha, Coisas da Ana

O dia 19 de janeiro de 2006 foi muito importante pra mim! Foi a primeira vez que viajei sozinha de avião… Adivinha pra onde? Para a Alemanha, Colônia (Köln) especificamente. Naquela época, vocês não vão acreditar, as passagens ainda eram impressas e a gente não podia perder o talão de jeito nenhum. Lembro de namorar meu carnê de passagens, dia após dia, esperando o dia da viagem chegar.

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Eu ainda tinha férias decentes na faculdade, então aproveitei para fazer algo que era doida pra fazer: conhecer a Alemanha. Eu estudava a língua havia três anos, e quando isso acontece é normal ter muita curiosidade pela cultura também. A oportunidade foi boa: um daqueles esquemas de ficar um mês morando em casa de família e fazendo intensivão de língua em uma escola – nesta época eu costumava gastar todas as minhas férias com intensivos de línguas, aliás, rs.

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A cidade disponível era Colônia, ou Köln, cidade linda e grande de mais de um milhão de habitantes. Cheguei em Frankfurt e de lá deveria pegar o trem no aeroporto, mas fiz uma enorme confusão porque nunca tinha estado em um trem de verdade na vida! Um senhor alemão me ajudou, e fui viajando ao lado dele no trem, gastando meu alemão pela primeira vez, e quebrando de vez um pre-julgamento que eu tinha de que os alemães eram frios e chatos. Hoje eu sei que são em sua maioria amáveis, educados, leais e gentis.

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Cheguei ao destino e então a grande estação de trem se abriu aos meus olhos, senti o ar gelado e o cheiro de Berliners com café, vi uns adolescentes loiros passando e conversando, a livraria enorme ao lado. Tomei um suco de laranja esquisito (que seriam para sempre esquisitos), comprei um cartão e avisei para meu pai que tinha chegado. Fui até meu transfer sentindo um frio na barriga e uma emoção indescritível de estar ali. Mal chegara e já sabia que retornaria na primeira oportunidade. Mas nunca, nem no meu mais longínquo pensamento, poderia imaginar que voltaria 8 anos depois com minhas roupas, bolsas, livros e tralhas – e que aquele país que eu amei desde o primeiro minuto passaria a ser minha nova casa.

Feliz ano novo! Muita paz, coragem, saúde e felicidades para vocês. E que venha 2014!

Beijos!

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